O menos improvável é que tudo isto e mais empurre Putin para as novas aventuras que tem vindo a anunciar: capturar toda o Donbas[25], e o sul da Ucrânia, de Mariupol a Odessa, transformando a Ucrânia num país encravado, sem qualquer acesso ao mar; e daí à Transnístria, à Moldávia e, a leste do Mar Negro, à Geórgia e ao Casaquistão. E mais se verá, de Lisboa a Vladivostok, como tem sido repetidamente asseverado. A Rússia imperialista e expansionista de Putin, com as suas crises, é como a proverbial bicicleta europeia, que se pára, cai. Se assim for, não é certo que a UE sobreviva incólume, face a um Reino Unido que cada vez menos razões terá para nela se querer manter. E a NATO, sobreviverá a um cenário destes? E, se sim, em que termos?

Cada vez vai crescendo mais o número de analistas (“ocidentais” e, também, russos) que consideram que a situação é agora mais arriscada e perigosa do que a vivida nos treze dias de má memória da Crise dos Mísseis de Cuba, em Outubro de 1962. Muitos têm sublinhado o facto de que Moscovo tem hoje mais forças e equipamento militar dentro da Ucrânia do que o que é possuído por um cada vez maior número de estados-membros da NATO.

As explicações acima denotam de forma clara como o conflito em apreço se reveste de melindras, que não parece estar chegando ao fim e que pode também se desdobrar, e, não sendo pessimista, chegar a comprometer a paz mundial. O “imperialista Vladimir Putin” é imprevisível e ousado; normalmente se mostra disposto a “brigar por poder”, contra tudo e contra todos! Nesse prisma, vislumbra-se no ex-agente da KGB o fascínio pelo poder! E é nesse contexto de “ferrenha disputa” que está em jogo – hoje, agora – os destinos da Ucrânia; amanhã, certamente outra “ex-colônia soviética” e depois outra e mais outra estarão nesse “jogo”… Até onde o “Senhor Putin” quer mesmo chegar?

O conflito russo-ucraniano, o gás natural e a segurança energética na Europa