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Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

O Anátema do Globalismo – I

A figura mitológica de uma hidra com várias cabeças está no imaginário popular de um monstro que com vários tentáculos ou cabeças que fazem parte de um só organismo que, na sua forma atualizada chamam de “globalismo”.

E o tal do Globalismo, hein? Recentemente pesquei esta de um tuiteiro:

“Globalismo é a ideologia que preconiza a construção de um aparato burocrático — de alcance global, centralizador e pouco transparente — capaz de controlar, gerir e guiar os fluxos espontâneos da globalização de acordo com certos projetos de poder. Não confunda uma coisa com outra.”

“Aparato burocrático” que gere “fluxos espontâneos” e dá-lhe acrobacia retórica!

E do guru dos novos cruzados tupiniquins… Conhecem também?

“Nada é mais ingênuo (ou talvez mais esperto) do que apresentar o quadro atual do mundo como se fosse o de um combate entre as grandes empresas e o Estado, ou, o que dá na mesma, como se não fosse senão uma reedição ampliada do velho conflito do princípio capitalista com o princípio socialista. Esse giro sutil que o enfoque esquerdista impõe à visão da realidade mundial reflete uma intenção de usar a salvação das nações como pretexto para salvar, isto sim, o que ainda possa restar da estratégia comunista mundial.

“É falso dizer que o neoliberalismo favorece as empresas em detrimento dos Estados; ele favorece abertamente certos Estados contra outros Estados, e favorece sobretudo a ascensão da burocracia mundial, a qual não é nem empresa privada nem Estado-nação, mas uma terceira coisa especificamente diferente dessas duas. Esta coisa, seja lá o que for, é o verdadeiro inimigo dos Estados nacionais — sobretudo dos pequenos e fracos — e, ao mesmo tempo, o verdadeiro inimigo das empresas privadas, ao menos daquelas que ainda confiam no princípio liberal e não sonham com um monopolismo à sombra da proteção do Estado global.

“É preciso, absolutamente, distinguir (…) o Estado enquanto princípio abstrato e os Estados enquanto realidades históricas concretas. O globalismo neoliberal se volta contra estes últimos, ao mesmo tempo que favorece o primeiro — sobretudo quando este se apresenta sob a forma monstruosamente inflada de Estado mundial –, mostrando, com isto, que de liberal só tem o nome. A prova é que, na mesma medida em que os neoliberais condenam as legislações nacionais de controle da economia, eles louvam a adoção de idênticos controles quando ampliados à escala mundial. Isto não é combater ‘o’ Estado: é combater ‘alguns’ Estados, sobretudo os pequenos, e favorecer outros Estados, sobretudo os maiores, sobretudo o maior de todos” [Estados e Estados, http://www.olavodecarvalho.org/estados-e-estados/]

Nesta longa nota, necessária, pois rica em contradições é que vemos quão insustentável é este esboço de teoria sobre o “globalismo”.

No primeiro parágrafo, Olavo de Carvalho (OdeC) diz que o argumento da Esquerda de opor a empresa ao estado é uma estratégia, última (até esta data) comunista para criar uma falsa oposição de liberais defensores da livre-empresa contra o princípio de existência do estado. Neste ponto, se vê uma divergência filosófica de OdeC com o libertarianismo e ele não está errado, pois o livre-comércio não prescindiu historicamente de acordos entre estados, mas continuemos…

No segundo parágrafo é que começam as incongruências. Primeiro porque não há consenso sobre o que venha a ser neoliberalismo, para liberais mesmo (ou libertários como se chamam nos EUA), não existe isso. O que existe seria um grau menor ou maior de intervenção estatal e o neoliberalismo seria um liberalismo aviltado pelo estado. Eu, particularmente, não vejo assim… Isto é tema para outro artigo, mas vejo uma diferença de conteúdo entre liberais e neoliberais, particularmente após a Grande Depressão quando estes passaram a admitir a atuação estatal para conter este tipo de crise, mas voltemos ao raciocínio de OdeC… Ele sustenta então que o que se forma através da arquitetura global proposta pela cúpula neoliberal (embora ele não tenha utilizado esta expressão, não é contraditória ao seu pensamento), uma ordem econômica se forma para benefício de grandes países — potências, dir-se-ia — em detrimento de “pequenos países”. Bem, aqui começam os problemas, o que OdeC quis, exatamente, chamar de “pequenos países” não é claro. Pelo contexto do artigo presume-se que sejam países economicamente mais fracos, mas isso é relativo, pois, na verdade, a maior parte desses países economicamente atrasados são, justamente, aqueles que não adotam princípios da economia de livre-mercado. Basta acompanhar o desempenho de países mais pobres no Índice de Liberdade Econômica (ILE) para saber do que estou falando. Inclusive, países com pequenas populações, parcos recursos naturais, não raro apresentam elevado desempenho econômico, como é o caso de Dinamarca ou Nova Zelândia por adotarem princípios liberais na economia. Portanto, esta suposição de que economias mais fracas são fracas porque são alijadas de uma “ordem econômica neoliberal” não faz o menor sentido.

Bem, o terceiro parágrafo é a conclusão de OdeC, a cereja do bolo em cima desse glacê pantanoso a guisa de teoria, o de que o neoliberalismo — segundo ele, essa série de acordos entre “grandes estados” — ajudaria a sedimentar o poder de um grande estado, o “maior de todos” e que seria um “Estado mundial” (mais tarde, a ONU virará o alvo do ataque de OdeC em outros artigos, assim como de seus seguidores olavettes). Isto, simplesmente, não tem a menor evidência empírica, mas como OdeC constrói sua justificativa? Em uma frágil argumentação de que existe uma distinção entre estados, como “realidades históricas concretas” e o estado como “princípio abstrato”, como se este ente abstrato se sobrepusesse àqueles. Este é um erro fácil de detectar com o menor esforço de pesquisa histórica… Existem diferentes estados, com diferentes origens e que por isso suas realidades não servem para explicar um ao outro. Diversas circunstâncias históricas favoreceram alguns, até mesmo situações geográficas particulares, enquanto que outros foram mais acometidos por ataques, invasões e entraram em guerras que retardaram ou dificultaram seu desenvolvimento econômico. Neste mundo competitivo internacional de realidade hobbesiana ampliada à escala global, alguns estados impõem sua força aos demais e, quando estabilizada, predominam hegemonicamente através de estratégias do Soft Power, interrompidas episodicamente por doses de força militar aplicadas “homeopaticamente”. Não há, portanto, uma articulação global, mas articulações que se impõem sobre o globo e competem entre si formando várias polaridades. Estes centros de força, não raro se engalfinham em suas “guerras por procuração” que se tornaram, particularmente frequentes da Guerra Fria até os dias de hoje.

Embora não citada neste artigo em particular, a ONU é frequentemente tratada como uma espécie de hidra mundial dominando ou exercendo influência determinante sobre os países. Para quem conhece minimamente o que a ONU através de suas agências tem sugerido aos países pode perceber que dista quase que completamente de qualquer “agenda neoliberal”, tendo esta minimamente algum compromisso com o liberalismo. Não faz o menor sentido, além de que a ONU tem como principal centro decisório, o Conselho de Segurança, constituído por um grupo seleto de países mais poderosos, como membros permanentes, EUA, Rússia, França, Reino Unido e China. E também, para quem acompanha minimamente a política internacional sabe que há mais divergências nas questões geopolíticas do que sincronia entre eles.

Acho que não preciso insistir na explicação de que o “Estado mundial” olaviano não passa de uma falácia.

(Continua…)

Anselmo Heidrich

18 nov. 18

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Veja o que diz Viviane Senna

“Sim, eu já tinha dito que o grande desafio era a educação básica e a aprendizagem. Apresentamos um estudo para mostrar os principais desafios de aprendizagem e as alavancas críticas para poder destravar esse cenário. A questão que eu quis ressaltar foi a da alfabetização. O Brasil não resolveu isso em 500 anos de história, estamos no século 21 e metade das crianças brasileiras são analfabetas. É inaceitável. Minha proposta é que a principal bandeira desse governo seja a alfabetização, não a reforma previdenciária ou trabalhista. E alfabetizar todas as crianças brasileiras nos próximos quatro anos. Todos os países do mundo começaram por aí. A segunda coisa é a figura do professor. O que a evidência mostra é que 70% da aprendizagem do aluno está ligada ao professor”[1].

Ela sabe que “crise na educação” é “crise na qualidade do professor”. Se o cara não motiva, não ensina. Só tem um pedaço faltando nesta pizza…

Agora veja o que ela diz mais adiante:

“Mas qual a sua opinião sobre o projeto Escola sem Partido, defendido por Bolsonaro?

“Precisamos de uma agenda que vai resolver o problema do País. Existem dispositivos legais para quando há partidarização, devem ser trabalhados com a lei que já existe. É desnecessário isso, criar mais uma lei. A minha proposta é que se substituísse essa pauta, que não impacta a aprendizagem, para uma pauta que impacta.”

Espertíssima! Ela não descarta a punição para quem faz apologia político-partidária em sala de aula, mas ao contrário de querer criar mais uma lei que gera oposição, ela sutilmente diz que isto já está em vigor.

Quanto ao “pedaço da pizza que falta” te digo o seguinte, eu já trabalhei com ensino fundamental (6º ano, antiga 5ª série), séries (ou anos) subsequentes (7º, 8º, 9º) e, especialmente, ensino médio, ensino superior em escolas públicas e particulares e, de todos os lugares, o melhor modelo, o que melhor ensina, o que cobra (e muito) do desempenho do professor, eu não falei:

O ensino pré-vestibular.

Por que ele é tão bom e funciona bem?

1 — Paga melhor e,

2 — Mais importante, atrai os melhores profissionais,

3 — É competitivo,

4 — O professor não está numa redoma, é criticado, cobrado, mas também elogiado quando merece,

E algo pouco notado:

5 — Não tem a maléfica influência do MEC.

Se estes princípios, com pequenas adaptações de conteúdo e método forem adotadas, o ensino melhora. MAS SÓ ESPERO QUE NÃO ENTENDAM ERRADO!

E por “entender errado” é cair na bobagem de dizer que tem que aumentar o salário de todos os professores… NÃO, NÃO E NÃO!

Por uma simples razão:

O AUMENTO DEVE ESTAR CONDICIONADO AO DESEMPENHO

Só assim, a Educação irá melhorar.

Anselmo Heidrich

17 nov. 18

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[1] ‘Não podemos voltar atrás na base curricular’, diz Viviane Senna https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/nao-podemos-voltar-atras-na-base-curricular-diz-viviane-

Quando o Enem silencia sobre o Comunismo

Uma semana atrás, eu participei do evento II Semana Vítimas do Comunismo, organizado pelo vereador Bruno Souza (eleito dep. estadual) e palestrei sobre a China, com foco na Revolução Cultural de Mao para, com isto, tecer críticas à manipulação na Educação, inclusive, do Brasil.[1] Após a minha palestra tive o privilégio de assistir uma das mais emotivas narrativas sobre o que foi realmente o Comunismo feita pelo crítico literário Francisco Escorsim que se analisou diversas obras literárias, realistas, sobre o regime totalitário.

Após ela e nos encontrarmos em um restaurante com o pessoal da organização cheguei em casa e fiquei olhando para meu filho, o terceiro quando fui trocar sua fralda e fazê-lo dormir. Senti-me muito mal… Eu me senti impotente pelo MEDO de que uma estrutura político-econômica como a descrita por Francisco pudesse ser implantada, pudesse retornar. Fiquei atordoado, pois apesar de estar distante de qualquer ameça no momento (sou paranoico com segurança), não conseguia imaginar como poderia fugir do que descreveu o colega e, mais importante, proteger meus filhos, entes que amo e, em último lugar, a mim mesmo. Não via escapatória… Não via como escapar de um sistema onde pessoas que te cumprimentam todos os dias podem ser teus delatores, onde poderia ser preso por 10 anos e na data próxima a soltura, ser adiada por mais 10, onde se perfurava o ânus dos inimigos com baionetas em brasa, onde se apanhava até a pele sair e ficar em carne viva e outras formas que acabei bloqueando em minha mente. Quando penso nisso, o desespero me bate.

A questão 18 da última prova da primeira fase do Enem mostra uma resenha sobre a fuga de uma mãe comunista do regime nazista (figuras abaixo). Como já comentado sobre a questão 09 da mesma prova[2], o objeto da questão não é o texto que serve como exemplo, no que seu conteúdo passa batido como verdadeiro. E vejam, não é que não houvesse perseguição aos comunistas pelos nazistas. É fato que houve, mas e a perseguição perpetrada pelos comunistas que estupravam mulheres alemãs em massa com a derrocada da Alemanha Nazista? E os pastores cazaques que viam seu gado abatido pelos soltados do Exército Vermelho para se submeterem à união forçada por Stalin? E a fome perpetrada na Ucrânia que ceifou a vida de milhões onde algumas vítimas eram enterradas vivas, sem forças sequer para escaparem de valas comuns? E as torturas de tibetanos arrastados pelos cabelos por soldados chineses quando de sua anexação? Arrastados pelos soldados invasores em seus blindados… A lista seria infindável, assim como é uma tosca ilusão achar que isto pertence a um passado sem risco de voltar. Vide os campos de concentração da Coreia do Norte onde fugitivos, se mulheres tinham que comprar guardas de países vizinhos (como a China) porque não tinham recursos ou outros que cresceram em campos de concentração sem entender o significado da palavra amor delatando a própria mãe em troca de comida.

ENEM 2018-PROVA AMARELA-Q.18-PARTE 01-especiais.g1.globo.com-2018.11.16-16-40-36ENEM 2018-PROVA AMARELA-Q.18-PARTE 02-especiais.g1.globo.com-2018.11.16-16-41-51

O totalitarismo…. Este sistema, mais do que um regime não é exclusividade comunista, vários países islâmicos apresentam formas de comportamento similares em determinadas localidades, sobretudo interioranas[3], mas foi no comunismo em que o totalitarismo atingiu sua forma mais estruturada, com alcance e legitimidade dados por uma cúpula e estado que conseguiu submeter um grande contingente populacional, de dezenas de milhões de pessoas através do medo.

E foi com medo que olhei para meu filho, medo de pede-lo, de me sentir totalmente incapaz de defende-lo. Medo… Sentimento que está na base de outro, o de NOJO que sinto ao ler a prova do Enem em todas suas nuances porque são capazes de apontar o Nazismo, mas nunca o Comunismo corroborando desta forma pela construção de uma narrativa que acusa o Mal de forma parcial, mas oculta sua outra face política através do Silêncio. E é quando nos silenciamos que ajudamos na construção do Totalitarismo.

 

Anselmo Heidrich

16 nov. 18

 

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[1] A palestra está aqui, se inicia aos 11min. Antes é apresentação: https://www.facebook.com/BrunoSouzaSC/videos/1094053944109726/

[2] Mercado, Racismo, Ignorância e Manipulação no Enem https://anselmoheidrich.wordpress.com/%E2%80%A6/mercado-racismo-ig%E2%80%A6/ via Anselmo Heidrich

[3] Confira o filme O Apedrejamento de Soraya | https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Stoning_of_Soraya_M.

E nem pode ganhar dinheiro – esporte e artes

Na visão do Enem, esses jogadores da Seleção Francesa de Futebol seriam meros mercenários estrangeiros, já que se “venderam” ao Capitalismo.

O que não é um produto e o que não pode se tornar uma mercadoria? A vida humana? Ei! Eu não perguntei sobre O QUE NÃO DEVERIA, mas o que não PODE! A princípio, tudo pode, mas muito não deve ser mercantilizado por questões morais que cabe a nós, humanos obviamente, endossarmos ou não.

As artes são expressões de comunicação que também podem ser mercantilizadas e há aqueles que acham que isto, por si só já as coloca em um nível de qualidade inferior à “arte pura”, o que já adianto aqui que acho uma IMENSA BOBAGEM, mas este assunto fica para outro momento…

Assim como o fato de uma expressão artística qualquer não ser veiculada com o objetivo de vender não a torna superior, não é porque a atividade profissional do atleta não se torna superior só porque este atleta não obtém sucesso comercial. Para mim é evidente que quem acha que o “verdadeiro esporte” está longe das caixas registradoras parte de uma visão tola do mundo, fruto de uma ideologia insustentável de que o que vende, corrompe. É como se os Ronaldinhos, Romário, Messi e tantos outros fossem menos jogadores que são porque ganham rios de dinheiro.

Agora se você discorda porque gosta de ver o valor de cada esportista em ligação com seu clube ou símbolo disto tudo, então te pergunto como você reagiria a uma proposta milionária para jogar em um time rival? A torcida, a paixão etc. fazem parte de nossa vida, de nossa fantasia. Eu adoro filmes de ficção científica ou fantasia, mitologia, mesmo sabendo que aquilo não é verdadeiro (embora no caso da FC, muito se torne realidade), mas o que me importa são as lições e enredo. Analogamente, eu respeito o sentimento de um torcedor que o conecta a um grupo imaginário por causa de um sentimento primitivo. Todo sentimento, aliás, é primitivo.

Agora, não me venha falar que isto é “verdadeiro” e quem deseja ganhar dinheiro com o que gosta é falso. Claro que há arte feita por quem produz já pensando em auferir mais dinheiro, da mesma forma que nos esportes, mas achar que o indivíduo perde qualidade por conta disto é tolo. E ESPERE AÍ… Eu não gosto de muita coisa do mundo pop, mas nem por isso digo que “não têm qualidade”. Contrariamente, tem muita coisa que eu adoro (em se tratando de música, especialmente) que é puro “feijão com arroz” e algumas de baixa qualidade técnica, mas que continuo adorando.

Antes de tentar definir o que é “bom” ou “ruim” tem que se estabelecer uma definição do que isto tem a ver com a qualidade e esta, antes de tudo ser também definida. MAS daí perceberam que o assunto fica chato? Que o encantamento desaparece? E é exatamente por isso que o bom jogador, que o espetáculo não deve ser avaliado por quanto dinheiro envolveu, qual foi seu custo. Ao fazer este tipo de análise estaríamos enveredando por qualquer caminho, menos os das sensações e significado que os indivíduos estabelecem com aquela forma de expressão artística ou esportiva.

No caso do esporte, a competição cada vez mais acirrada entre as equipes FORÇOU ao longo dos anos a CRIAÇÃO de novas técnicas, performances, estilos, estratégias etc. Só mesmo um escritor raso que vê a influência maléfica do comércio e do capital em tudo — não por caso, autor do clássico de esquerda As Veias Abertas da América Latina -, Eduardo Galeano para ser utilizado como referência para uma questão do Enem, cuja resposta correta é uma condenação do comércio do esporte (veja nas figuras abaixo).

Sim, não poderia deixar de ser, mais lixo ideológico no #Enem, agora atacando a dimensão da diversão humana e, implicitamente, condenando a percepção e sensação de quem discorda.

Anselmo Heidrich

16 nov. 18

Mercado, Racismo, Ignorância e Manipulação no Enem

Você acha que que os habitantes de áreas pobres estão lá por serem vítimas do racismo ou pela dificuldade de se inserirem no mercado?

1. O mercado é formado por um conjunto de relações interindividuais, óbvio ululante;

2. O que é produzido e vendido depende, essencialmente, do que é procurado, das demandas que surgem por influências diversas, não importa. O fato é que é assim que funciona.

Entonces, se alguém vende mais bonecas brancas ou se as promoções para vendas utilizam mais modelos brancos não é porque “o mercado”, enquanto uma entidade abstrata prefere isto ou aquilo. Não é “a coisa”, mas as pessoas que têm recursos para gastar. Se você não gosta desta relação assim como está constituída, com os objetos a venda e a forma como se apresentam para venda É UM DIREITO SEU, mas também É IGNORÂNCIA SUA tentar mudar isto na marra sem procurar entender PORQUE ISTO CHEGOU A ESTE ESTADO DE COISAS.

Se você é do tipo que acha que uma canetada, uma “lei de cotas para o marketing” ou algo assim seja suficiente para alterar a situação etnicamente desigual no mercado, sinto dizer, vc não passa de mais um iludido. Então, o que se faz? Comece perguntando o que pode ser feito para facilitar a entrada das pessoas de diversas origens raciais, composições fenotípicas, culturas, religiões etc. para entrar no mercado. Ou seja, sabe aquela balela de “o capitalismo exclui isso e aquilo”? Está, fundamentalmente, errada, pois estas pessoas QUEREM entrar no mercado, ou seja, não se trata de serem excluídas, elas é que não conseguiram ser incluídas devido aos obstáculos. Obstáculos…

Quais seriam? Além da óbvia instrução (educação para o trabalho e não esta merdaiada ideológica que temos hoje na escola pública), a desburocratização e simplificação jurídica permitiriam a geração e desenvolvimento de um movimento de empreendedores de pequeno porte que dispondo de mais capital iriam gradativamente investir em si próprios, ou seja, consumindo, bens e serviços, como é o caso da educação também. Se há dificuldades elas estão na burocracia e impedimentos para se abrir empresas e contratar funcionários e nosso país é reconhecidamente um dos mais difíceis de se trabalhar e produzir. Outros fatores como a insegurança jurídica gerados por leis restritivas à circulação do Capital, como é o caso daquelas que preveem a “função social da propriedade” têm sua cota de responsabilidade neste processo.

Como as áreas urbanas mais afetadas são as de menor estoque de capital, as populações pardas e negras são as menos guarnecidas e contempladas por investimentos. Esta espiral descensional de pobreza dificulta o processo de capitalização, justamente, de quem mais necessita dele, mas não por causa do mercado e sim pelo estado, seu peso em tributos, sua dificuldade em regulamentações e condução que impede a agilidade e dinâmica dos negócios. Quando se consegue a licença, quando é exequível devido ao seu custo, muitas oportunidades já passaram e acabaram sendo atendidas pelo mercado informal, isto é, pelo contrabando e ilegalidade.

Isto explica a desigualdade de renda entre grupos raciais e não o racismo, enquanto sentimento de desprezo por outro grupo étnico. Não é o ódio ou o nojo, mas o olhar complacente e arrogante de um burocrata estatista que se vê como “bom gestor” que gera a miséria.

E é aqui que o Enem perde mais uma vez a chance de não imbecilizar a massa de estudantes que toma suas asneiras como sintoma da realidade. A irrealidade gerada por suas questões são prova da visão de mundo distorcida de nossos inúteis acadêmicos.

Antes de analisarem a questão com seus próprios olhos cabe a pergunta:

#UniversidadePúblicaParaQuê ?

Agora atente para o fato de que a questão trata do Racismo, mas não pergunta sobre o Racismo, o que significa que o Racismo na propaganda é intencional, planejado, de acordo com o estudo feito e retratado através do texto. Ou seja, o conteúdo passa batido, como se fosse consensual, como se todos concordassem com isto, pois, afinal de contas, a questão é outra, sobre a forma de apresentação do texto e não sobre seu conteúdo. Entendeu como a coisa funciona? Você tem que concordar, pois eu te empurro uma interpretação e o que você pensa não é importante. Claro que se não fosse por esta conclusão, de que há racismo na publicidade e suponhamos, pelo contrário, que a conclusão fosse oposta de que não há racismo, a interpretação também estaria sendo empurrada tua goela abaixo. Mas daí é que vem a questão a que me proponho desde o início: por que este tipo de interpretação que sempre prima por vítimas de um sistema é a que predomina? Pense.

Anselmo Heidrich

15 nov. 18

Enem que a vaca tussa isso aqui avalia alguém com justiça

Assim ensinam nossos professores.

Lá vamos nós de novo! Sim, a prova do Enem (acho que este deve ser o 4º post sobre o assunto). Agora, com a interpretação de textos e imagens.

Saca só a primeira figura, se trata do hino nacional, cuja resposta à questão de que gênero se trata, é “solene” e com “característica protocolar”, isto é, FORMAL. Ele é tocado e cantado ou ouvido em situações formais, conforme manda o PROTOCOLO. Certa a resposta, mas… Não tão rápido! É isso e pronto? Vocês acham que quem o canta sempre o faz por mera formalidade? CLARO QUE NÃO! Jogadores, atletas, cidadãos em manifestações diversas, seja em homenagens, protestos escolhem, ELES ESCOLHEM, notadamente cantar o hino. Ninguém os obriga. “Ah, pega mal se não o fizerem…” Em situações filmadas para a TV até pode ser, mas não no caso de anonimato e são MILHÕES que anonimamente seguem marchando em manifestações como recentemente vimos no Brasil em anos recentes. E isto é legítimo. Querer reduzir o hino a um gênero utilizado apenas em formalidades EXCLUINDO sua verdadeira essência que é a de ser uma homenagem de um povo ao seu país é, para dizer o mínimo, uma questão para RECURSO.

ENEM 2018-PROVA AMARELA-Q.06-PARTE 01-especiais.g1.globo.com-2018.11.14-22-54-47ENEM 2018-PROVA AMARELA-Q.06-PARTE 02-especiais.g1.globo.com-2018.11.14-22-56-34

Já deve ter expirado o prazo para tanto, mas para mim caberia perfeitamente o recurso por ter duas respostas possíveis, a origem de um hino e manifestação cultural e a formalidade também requerida.

Agora avancemos para a próxima questão, sobre a Tríplice Fronteira (3ª imagem) entre o Brasil, Argentina e Paraguai, onde se encontram e concentram diversas nacionalidades e comunidades. Daí a necessidade de traduções para contemplar os diversos grupos e, como se trata de uma região de grande fluxo de turistas também, melhor atendimento. A fachada do supermercado, além do português apresenta o nome em inglês, holandês, espanhol, mandarim e árabe.

ENEM 2018-PROVA AMARELA-Q.07-PARTE 01-especiais.g1.globo.com-2018.11.14-22-57-51ENEM 2018-PROVA AMARELA-Q.07-PARTE 02-especiais.g1.globo.com-2018.11.14-22-58-53

Na real, com esta questão, a equipe do Enem quis que o aluno rejeitasse alternativas mais preconceituosas chamemos assim, como a “A”, a “D” e a “E” (a “C” não tem nada a ver com nada), mas a resposta correta, “B” também não é uma boa saída, pois este tipo de ação, a tradução em estabelecimento comercial não é um “planejamento”, no sentido de uma intervenção governamental, mas sim AÇÃO DE LIVRE MERCADO ao querer proporcionar um melhor atendimento.

É engraçada a cabeça desses soças*, mesmo quando é EVIDENTE a ação do mercado, eles não a conseguem identificar, basicamente porque não a entendem. Burros.

E, antes de encerrar, a primeira questão é muito ruim e esta última uma merda.

Anselmo Heidrich

14 nov. 18

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[*] Soças = socialistas, centralizadores político-econômicos, estatistas, gente ignorante também.

Big Brother ou INEP?

A próxima questão da prova de inglês do Enem é, realmente boa. Ela usa o famoso 1984 de George Orwell, romance distópico que mostra uma sociedade dominada por um sistema totalitário, sem rosto e sem nome pessoal, o “Big Brother” que observa e vigia a todos causando sensação de insegurança e desconfiança permanentes, o que suprime a liberdade a começar pela liberdade de expressão. Mas como as pessoas têm necessidade de comunicação, o que, inclusive, as torna pessoas ao desenvolver sua inteligência através do idioma, o “Grande Irmão” controla esta sociedade com uma nova língua, a “novilíngua”, que re-significa as antigas palavras alterando seu conceito, normalmente flexibilizando-os até o ponto de deturpar o significa original.

ENEM 2018-PROVA AMARELA-Q.05-PARTE 02-especiais.g1.globo.com-2018.11.09-14-19-56

Isto é mais atual do que nunca, basta pensarmos como o que ocorreu com os termos “democracia”, “feminismo”, “igualdade”, “meio ambiente”, “sustentabilidade” só para citarmos alguns. Quando pensamos que falamos de democracia representativa, o que é uma redundância porque só existe esta, nossos opositores vêm com uma tal de “democracia popular”, cuja opinião da maioria, apenas um grupo seleto de militantes profissionais conhece porque se diz representá-la e eles estão em todas as manifestações, já que não trabalham na maioria dos casos. Seja a deturpação do feminismo que deixou de ser uma luta pela liberdade da mulher em competir com o homem de igual para igual para obrigar os homens a se igualarem abrindo mão de sua produtividade e rentabilidade; seja a igualdade que era realmente isonômica, com leis iguais para todos para termos leis específicas que criem iguais condições para os diferentes, o que acaba por gerar privilégios a raças, religiões e sexos. Seja através de tributação extorsiva ou impedimentos legais ou obstáculos burocráticos para que empresas sejam extorquidas e tenham que se submeter aos desmandos de governos e funcionários corruptos em nome da “preservação do meio ambiente” ou de uma “sustentabilidade”, enquanto que sabemos que é através do mercado e do desenvolvimento tecnológico que a poluição reduz. E por aí vai….

Quando mudamos o significado, mudamos a sensibilidade, quando esta é alterada, nosso inconsciente também guarda informações e comandos que não foram discutidos ou sequer analisados. Quem induz a isto domina e controla quem os absorve.

A questão do Enem é boa neste sentido, MAS… Se observarmos o contexto da prova no qual ela se insere, de crítica às fake news e informações distribuídas pelas mídias livres e redes sociais, quem, IMPLICITAMENTE, a questão e a prova do Enem acusa? 3, 2, 1… Sim, juntando os cacos dessas questões todas, os propagadores de notícias falsas, re-significações e parcialidades são as pessoas, indivíduos, a sociedade civil, MAS E ONDE DIABOS FICA A IMPRENSA AÍ? Eh eh, não fica, né? Ela sai ilesa. É como se as notícias falsas tivessem nascido ontem, no contexto pré-eleitoral americano que levou Trump à vitória e de Bolsonaro no Brasil. JÁ QUANDO O NAZISMO TINHA SEU MINISTÉRIO DA INFORMAÇÃO REGIDO POR GOEBBELS OU ADULTERAÇÃO HISTÓRICA TOTAL E O ATAQUE À TRADIÇÃO QUE LEVOU À REVOLUÇÃO CULTURA DE MAO NA CHINA, todas elas com milhões e milhões de mortos são o que, afinal de contas? “Mas, ufa! Estamos longe disto, isto é passado” diriam os tranquilos e apaziguadores mestres da academia. Será?!

O que significaram então a manipulação de dados estatísticos do IBGE no governo do PT, inclusive com exoneração de funcionários e do INDEC na Argentina kirchnerista??? Pode se tratar de grau muito menor, mas aponta na mesmíssima direção do princípio que rege qualquer sistema totalitário: a morte da Verdade. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira — INEP, quem produz o Exame Nacional do Ensino Médio — ENEM — é que tem tomado o papel de “grande irmão” na confecção de provas cada vez mais manipuladoras de um senso comum.

Use a prova deles, professor, use-a. Mas aponte outras interpretações, mostre como o veneno que destilam pode ser usado contra eles mesmos. Estamos em plena GUERRA CULTURAL. Use suas armas, com a leitura e a escrita.

Abraço,

Anselmo Heidrich

9 nov. 18

Mais autoafirmação ideológica na prova do ENEM

Professores em foto nas suas páginas pessoais na foto acima.

 

Mais afirmação ideológica no ENEM… A questão abaixo, ainda na prova de inglês comenta uma poesia de uma autora indiana sobre o seu inglês, um inglês misturado com sua língua materna, possivelmente o hindi (já que há várias línguas na Índia) e que isto revela sua identidade.

É verdade, nada a contestar, afinal a cultura que inclui a língua é algo extremamente dinâmico em uma perspectiva histórica e as migrações, influências da mídia, ainda mais hoje em dia tornam as mudanças inevitáveis. A questão subjacente é que isto posto em uma prova quer dizer o quê? Assim como a valorização de um “dialeto LGBT”, a prova em si não deveria apontar para uma fragmentação da comunicação como norte. Não se trata de negar a riqueza das particularidades subculturais, mas que neste momento a norma culta tem que ser valorizada, pois ela sim é fundamental para integração de vários povos em uma linguagem comum e não me refiro aqui, especificamente, ao inglês. Fazer o contrário seria como usarmos um sistema de pesos e medidas diverso do nosso porque há imigrantes anglofónos entre nós. E se tu achas a comparação muito forçada é porque nunca passou na cabeça que este grupo também é outro que deve ter sua identidade assegurada.

Reitero, em um momento e lugar, uma prova nacional de seleção para entrada na universidade em que se presume que um conteúdo seja uniforme a todos garantindo assim isonomia nas condições de avaliação é justo ressaltar (e cobrar) as diferenças?

A questão de inglês acima não cobra, exatamente, o domínio do léxico misto entre inglês e alguma língua indiana, mas ela colabora com um tijolo neste edifício ideológico que foi a prova do Enem 2018.

 

 

ENEM 2018-PROVA AMARELA-Q.04-PARTE 01-especiais.g1.globo.com-2018.11.07-09-16-42

ENEM 2018-PROVA AMARELA-Q.04-PARTE 02-especiais.g1.globo.com-2018.11.07-09-20-56

 

Anselmo Heidrich

7 nov. 18

ENEM vem com essa droga de manipulação de novo!

Vá direto ao comentário (em português). A questão estabelece uma crítica à Khan Academy. Sabe o que é a KHAN ACADEMY? Um projeto que deu muito certo de um professor que dispondo de apenas $100,00 para investir em um negócio resolveu criar um site (no YouTube) para ensinar matemática (no que foi muito bem sucedido). O segundo texto é uma crítica a esta forma de ensinar, dizendo que “verdadeiros professores progressistas” … PARA TUDO! “VERDADEIROS”?! “PROGRESSISTAS”?! Quem o diz, senão os próprios que se arvoram “verdadeiros” e comprometidos com o progresso humano, ao passo que presumem que quem não o faz (não segue o discurso ideológico deles, claro) é, por oposição, falso e retrógrado.

Isto é DOUTRINAÇÃO FINA, o tipo de coisa que projetos de lei como o “Escola Sem Partido” não captam, não detectam e não processam. Por essas e outras é que esta discussão da ideologização do ensino não deve se encerrar no referido projeto de lei e ir além, muito além…

Cara, a KHAN ACADEMY é um projeto super bem sucedido que só PROVA que ensinar não depende de pretensos intelectuais acadêmicos pedagogos arrogantes, mas de gente que faz, de gente empreendedora. Sabe… Esse jogo podre de usar uma prova para passar valores de bostas fracassados aos alunos me dá ASCO. É este tipo de gente intelectualmente moribunda que abunda nas universidades brasileiras. Tenho NOJO disso. Acessem a Khan Academy e vejam com seus próprios olhos, ouvidos e mentes como esse professor sozinho criou um negócio lucrativo e que trouxe o aprendizado de matemática à milhões de pessoas.

Enquanto o espírito livre passa, os zumbis ladram. Só que eles ladram nas universidades e o Enem é um passaporte para ser doutrinado. Lixo.

Anselmo Heidrich
05 nov. 2018

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