Busca

Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

Porque eu voto no NOVO (I): o caso do Rio de Janeiro

O vídeo falando sobre o Rio de Janeiro[ https://youtu.be/KSlldPjri9g ] é muito bom, mas a questão é que existe um ‘antes’. Sempre existe um ANTES.

O vídeo em questão faz referência aos problemas do Rio como tendo iniciado com o Brizolismo e lá lá atrás com seu precursor nacional, Getúlio Vargas. Ok, o populismo, o caudilhismo, o comunismo etc. são realmente um problema, ninguém nega isto, mas eu me pergunto POR QUE algumas ideologias têm campo fértil em alguns ‘terrenos políticos’ e não em outros? Por que algumas sociedades funcionam como solo fértil para elas e não outras?

A questão subjacente é que nossas elites econômicas não funcionam como elites intelectuais. Explico-me, elas não anteveem os problemas e não guiam a sociedade em direção às soluções. Não apresentam paradigmas sustentáveis politicamente. Dito de outra forma, qual era o modelo de cidade e estado que as elites fluminenses queriam? Eu desconheço. Daí, a pobreza crescente com a desigualdade sendo eleita como um problema maior (o que discordo) se tornam o combustível perfeito para líderes populistas traçarem seus planos de concentração de poder.

Imagine que até haja algum político bem intencionado, mais ao nível da militância, ele logo passa a perceber que terá que concentrar poder para desenvolver seus planos de distribuição de renda e, em nível retórico e ideológico toda demonização de quem for bem sucedido será a regra de praxe. A divisão de classes ou de estamentos (pensando em serviços públicos) logo será sedimentada por uma divisão ideológica, que fornecerá mais combustível às mentes daqueles que veem no líder (de direita, no passado, de esquerda, no presente) seu ‘salvador’. E nessa toada que nós vamos na América Latina, ora com um salvador-caudilho de esquerda, ora com outro de direita. Mas as bases sociais para tanto continuam as mesmas, as relações de dependência continuam iguais.

Mas há sinais de mudança? Sim, e a mudança está representada aqui no Brasil pelos think tanks liberais que desembocaram no apoio maciço à criação do Partido Novo. Esta é a novidade e real mudança. Só para os direitistas amestrados, o Novo por encarar o problema da pobreza e não ficar só batendo como um psicopata em qualquer estereótipo de esquerda parece ser uma “nova esquerda”. Na verdade, o Novo não foge dos problemas e o sentido de adotar o liberalismo não é só acabar com a pobreza, mas acabar do JEITO CERTO. De um jeito que o próprio pobre consiga se reconstituir e acertar o passo gerando uma reação em cadeia através de suas interações. Claro que para isso, um partido político é necessário para diminuir, o mais possível, o tamanho do estado.

Se algum de nós, por razões estratégicas tiver que votar em alguém ruim para conter algo muito pior saibam, portanto, que se trata de uma contingência, mas que mesmo assim, não nos fará entusiastas e estaremos de olho prontos para rejeitar qualquer culto à personalidade que faz com que outros crimes sejam cometidos. Não é porque um sujeito X combate uma máfia Y que toda e qualquer ação cometida por ele receberá uma carta em branco. Não funciona assim. Nossa ligação é com princípios e não com mitos.

E ainda não estou bem certo de apoiar ninguém que fuja do que acredito. Veremos em cima da hora como fica.

 

Anselmo Heidrich

24–09–2018

 

Anúncios

As Árvores

A floresta se agita, as árvores não se entendem e os arbustos clamam por luz, mas quem atinge o dossel ignora seus apelos. Cada espécie está convencida de sua certeza, mas nem todos conseguem uma clareira. “É natural. É assim que é, é assim que fomos feitos e é assim que sempre foi” dizem as maiores espécies. Afinal de contas, por que você não se contenta em viver nas sombras? Enquanto isso, animais que carregam sementes de ambas, animais que se beneficiam de seus frutos e espalham suas sementes, simplesmente fogem. A calma e a estabilidade foram perdidas e ninguém sabe se o amanhã será infértil ou um puro deserto. Os murmúrios que brotam da serrapilheira dizem “opressão!” Mas tudo que se ouve e vê é o som abafado do balançar de suas copas ignorando os apelos na penumbra onde nesgas de claridade são disputadas, enquanto que a maioria fenece.

Nesse mundo de natureza original, o fogo reconstrói permitindo a expansão de quem não conseguia se expandir. A seleção não é uma imposição de alguém, simplesmente existe. Em outros tipos de ‘florestas’, arbustos se unem sem entender que também precisam daqueles troncos finos, cujas copas mal são vistas e se unem carregando machados e serras.

Em tempos sombrios é fácil enxergar árvores sem perceber a floresta e é fácil achar que clareiras devem ser abertas de qualquer jeito. Só que esse jeito revolucionário de cortar árvores acaba com qualquer regeneração até que um dia, velhas ideias abandonadas no solo destruído voltem a germinar. E se não souberem como fazer este manejo político, um incêndio se imporá a todos que ignoraram a necessidade de reformas. Estas podem ser uma simples sequência de podas de galhos, trilhas para obter madeira ao invés de quadras, espera pela regeneração, florestamento em outras regiões etc., mas para nossa imensa ‘floresta’ seria o corte de privilégios que não são conquistas individuais.

Hoje, dia 21 de setembro se comemora o Dia Mundial da Árvore, mas no dia 7 de outubro, o que comemoraremos? Depois disso, quem sabem a mata não se expande e possamos ouvir os ruídos de novos animais que voltaram a investir nela?

Anselmo Heidrich
21–08–2018
__________
Adaptado de The Trees, Rush.

Mourão e a Fábrica de Desajustados

O general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), presidente do Clube Militar (Exército Brasileiro/Divulgação)

O candidato a vice-presidente de Bolsonaro, Gen. Mourão diz que comentário sobre lares só com mãe e avó ser uma “fábrica de elementos desajustados” é ‘constatação’ https://glo.bo/2MHnXbK. Politicamente, ele falou besteira, mas cientificamente, isto tem que ser verificado (cuja afirmação não deve ser descartada a priori). É uma questão de prevalência e não de determinação. Em tempo, não gosto do Mourão, assim como não aceito o Bolsonaro e, simplesmente, detesto os bolsominions.

Se quiserem pesquisar: Site PubMed, search “delinquency” and “single mother”.

Agora, então ‘politicamente’ significa mentir ou omitir? Não, necessariamente, mas junto à crítica ou ‘constatação’, como preferiu chamar, Mourão tinha que passar um projeto em sua fala (ou até esperança), pois é para isso que servem políticos, em tese, melhorar uma situação atual. A simples constatação, supostamente verdadeira, sem apontar nenhuma luz no horizonte não passa de niilismo comodista, me perdoem a redundância. Se com poder, muito poder alguém pensa assim, como se pode esperar que seu apoiador com menos recursos pense e FAÇA diferente? Apesar de todos os pesares, de todos obstáculos e dificuldades, o reconhecimento destas deveria servir para traçar planos de recuperação, métodos de apoio ao indivíduo, caminhos, elucidação e também prevenção ao que se acredita ser um problema.

Quanto ao objeto em si da discussão é bem provável que seja verdadeiro, Ausência do pai contribui para criminalidade entre jovens | https://www.otempo.com.br/cidades/aus%C3%AAncia-do-pai-contribui-para-criminalidade-entre-jovens-1.249628 via @otempo, mas isto não deve servir para nos eximirmos de lutar por algo melhor como um verdadeiro guerreiro. Isto pode ser muito para um político brasileiro da atualidade, mas é o que se espera de um estadista e o mínimo que se imagina de um general.

Anselmo Heidrich

18 set. 18

O Segredo de Praga

O que tem Praga, a capital da Rep. Tcheca e da ex-Tchecoslováquia? Quando o país cindiu, nos anos 90 foi uma calmaria só, decidida através de plebiscito e se separaram numa boa, como um velho casal que já não mais praticava o santo ofício sexual, Tcheca pr’um lado, Eslováquia pro outro. Mas se observamos em outros mundos foi tudo bem diferente.

A Iugoslávia, caldeirão multi-étnico, religioso, linguístico e todos governados por um partido, o comunista se desestruturou após a morte de seu general, Josip Broz, vulgo “Tito”. Bem que tentaram a democracia, mas o poder era sérvio. Croatas brigaram com sérvios, depois muçulmanos na Bósnia com eles e até hoje, a relação com regiões e países vizinhos não é tranquila. Todos os anos, sérvios, os eslavos do sul marcham para o Kosovo onde há uma população muçulmana que quer autonomia para celebrar uma batalha perdida na Idade Média onde seus cavaleiros tentando defender a região foram trucidados por tropas turcas, isto é, muçulmanas. O carnaval dos caras ou algo equivalente, aguardado todo ano é uma ode a uma batalha em que perderam, uma lamentação, uma lamúria sem fim entre cristãos ortodoxos para repassar sem falta o ódio aos muçulmanos que os escravizaram, torturaram, estupraram mulheres e filhas. Mas o que diabos isso tem a ver com os descendentes que acreditam em Alá e não em Jesus? É um símbolo. É o que mantém a identidade daquele povo, o ódio.

Mais a leste durante o período dos sultões muçulmanos, a Turquia tinha uma rígida hierarquia militar, de modo que era lícito ser sodomizado por um superior, mas nunca por um subordinado, pois daí já era viadagem demais! Convenhamos… O massacre perpetrado pelos turcos aos cristãos da Armênia também é lembrado até os dias atuais - um genocídio - e a reprodução deste sentimento se dá até com a celebração de crianças e bebês turcos suspensos em ganchos de açougue. Tudo em nome de deus. “Não!” Direis vós a este pobre infiel. Bem, vocês que têm fé que discutam as leituras e interpretações, eu só relato.

Mais ao sul, nas planícies da Mesopotâmia, o pobre perseguido por Bush filho, Saddam ceifou a vida de 5.000 em uma vila curda num único dia com gases tóxicos. Mais ao sul secou os mananciais da seita xiita, sua rival empobrecendo seus campos para cultivo. Durante a Segunda Guerra do Golfo, os aliados turcos da Otan contaminaram as nascentes do Tigre e Eufrates que seguiam para o Iraque matando árabes e de escanteio, curdos. Dois coelhos com uma só cajadada.

Na vilipendiada África pelos europeus, não faz muito tempo, centenas de milhões morreram em sucessivas carnificinas entre tutsis e hutus em Ruanda. Quem era mais alto - sudaneses tutsis - tinha pernas ou cabeça cortadas como símbolo de equivalência com o hutus, da etnia bantu. E agora, já há algum tempo, os muçulmanos haussas do norte da Nigéria sequestram e escravizam mulheres - e matam professores de geografia que insistem revelar que a Terra não é plana - dos ibos mais ao sul. Para o leste, o miserável Sudão foi dividido entre os muçulmanos do norte e kafirs (infiéis) do sul, inclusive com toques medievais de queima destes, regalo igualmente concedido aos cristão. Põe na conta da “dívida histórica” para contentar teu professor de humanas, assim tu tira um 10 na avaliação.

Eu poderia me alongar nisso, mas não posso deixar de comentar sobre nosso patrono do exército brasileiro, Duque de Caxias que mandava contaminar a montante do Rio Paraguai para contaminas as águas que os paraguaios iriam beber. Solano López, por seu turno, era outro projetinho de führer guarany que errou redondamente ao invadir terras do Mato Grosso. Mas quem paga o pato em massa é o índio embebido de nacionalismo, um conceito alienígena para aculturá-lo. Talvez pôr fim a essas vidas seja melhor do que o estupro em massa ordenado pelo condenado e executado criminoso de guerra sérvio, Slobodan Milosevic. Diferentemente fizeram os portugueses que se acasalaram com as índias litorâneas para usarem os sobrinhos como braços no extrativismo. Bem, não se pode dizer que não uniram o útil ao agradável e a herança de crianças criadas sem pais ou de pais que não são homens para assumir nada é uma de nossas singularidades.

Quem não tem um tio no churrasco que com a boca cheia de carne mal assada e com pança obscena ao lado da mãozinha pequena segurando uma Skol vagabunda já não vociferou “o problema no Brasil é que não teve nenhuma guerra, nenhuma revolução, por isso que somos pacíficos!” Então, para compensar esse nosso gap histórico está na hora da caça às bruxas, Ok? Saiamos às ruas, nobres guerreiros, os moleques de videogame com suas roupas de marca compradas no AliExpress e bem nutridos com leite desnatado devido a sua intolerância à lactose e os corôas com suas calças camufladas e roupas com as cores nacionais. Em uníssono clamam por um herói que expie seu medo ao marchar contra o inimigo. Livrinho do Ustra no criado mudo, camiseta do candidato, lições assistidas exaustivamente nos canais de YouTube que misturam análise com tretas e muita teoria conspiratória na cabeça. Essa química funciona e não vai faltar quem a alimente. Do outro lado do espectro político, magrinhos com lábios sujos de tanto palheiro e meninas que se deterioram aceleradamente com a comida de bandejão são subsidiados por nós para serem doutrinados em universidades públicas. Como Yin e Yang, os imbecis são retroalimentados com a manifestação de ódio comum a ambos.

Velhos cinquentões que passaram a vida assistindo a luta romantizada de assassinos eficazes, fossem eles snipers, mercenários ou meros soldados anônimos lutam de verdade motivados pela próstata tamanho bola de boliche ao levantarem de suas camas todas as noites tentando acertar o vaso sanitário para não sujá-lo com seus pênis murchos e incompetentes. Esses são os justiceiros sociais ou neocruzados conservadores que abundam na selva da internet, mas cujos políticos que admiram, nutrem o respeito necessário aos idiotas úteis que são.

O Brasil de hoje mais parece um carro desgovernado descendo a anticlinal na banguela, batendo no guard-rail ora a esquerda ora a direita. Que vai chegar ao destino, isso vai, mas sem a certeza de ter valido a pena. Enquanto isso, o primeiro presidente na antiga Tchecoslováquia, o dramaturgo Vaclav Havel falava em entrevista logo após que ele não estava preocupado em denunciar o antigo amigo que trabalhara para o Partido Comunista, mas em costurar o seu futuro. Naquela época era sobrevivência e hoje, ironicamente, ambos países Tcheca e Eslováquia discutem uma possível reunificação. O excelente Morgan Freeman ao comentar sua participação em Mandela também falou sobre o sentido do perdão, ao comentar o fim do Apartheid na África do Sul: é necessário em algum ponto de nossas vidas estabelecer uma linha a partir da qual há um novo começo e o passado é esquecido. Se não fizermos isso, nada muda de fato.

Você que está lendo tem a chance de fazer isto nestas eleições. Escolha o candidato pensando nisto. Recentemente, um deles se dirigiu acamado ao adversário dizendo “você também é humano”. Senti pena de verdade, pois a beira da morte, no limbo de sua vida parece ter aprendido algo. Mas eu não vejo isto em seus seguidores e em nome de um futuro, eu não voto nele, não por ele, mas pelo legado que deixa a uma horda insana que quer um macho destruindo tudo sem sentar e raciocinar o que seria um projeto comum. Como eu disse, esta perda de testosterona de alguns faz com que busquem no presidente seu alter-ego. Esqueçam, antes que tudo que vocês tenham seja a visão do Sol se pondo e remorso por ter errado frente a urna. Afinal, quem faz cerveja com a República Tcheca deve ter muito a nos ensinar.

Anselmo Heidrich
17–09–2018

Por uma Reforma Educacional

Uma coisa que fica evidente e que se pode observar pela demanda do mercado de trabalho são os cursos técnicos, seja para o setor privado ou para funções públicas. Isto, na minha opinião, deveria ser multiplicado através de empresas educacionais e também por instituições públicas na medida que supram deficiências de mão de obra qualificada. Agora, proibir de que cursos privados existam, eu acho errado. Se uma determinada faculdade é ruim, que se deixe que as pessoas decidam que vão cursá-la ou não. O que o governo pode e deve fazer neste sentido é um ranking para divulgação da qualidade que ela (corpos docente e discente) atingiram, segundo critérios dotados de transparência. O método utilizado para avaliar tem que ser acessível, se não até aí teria mutretagem, servindo os mesmos testes para prejudicar empresas educacionais de quem não come na mão de secretarias de educação ou do MEC.

voucher
Uma boa reforma educacional vai muito além da mera distribuição de vouchers para alunos de escolas públicas. (Imagem: eagnews.org).

Quanto à qualidade das instituições privadas VS. públicas, eu penso que um modelo não deve excluir o outro. Numa das últimas avaliações de qualidade de ensino no Brasil feita através do ENEM, embora as públicas estivessem pior cotadas, a maioria das escolas particulares também não se saiu bem. Destacaram-se algumas escolas privadas e os institutos federais (ver aqui). E eu me pergunto o que muda para termos estes resultados? Minha resposta não é baseada em estudo sistemático nenhum, mas na minha experiência: melhores alunos provenientes de lares que a leitura é incentivada e melhores professores que são atraídos por melhores condições e isto inclui, obviamente, salários. Como eu acho que uma educação básica melhoria em escolas públicas municipais e estaduais? Premiando com salários maiores os professores que, repetidamente, apresentarem melhor desempenho (avaliado de modo externo, isto é importante). Quanto à parte dos alunos se deve enfatizar na leitura e cobrar pesado português e matemática. Isto funcionando, o resto é consequência.

E os vouchers? Sou simpático à ideia, mas não acredito que eles por si só melhorarão a qualidade de ensino no Brasil. Eles fazem, evidentemente, parte de uma estratégia de realocação e otimização dos recursos públicos, mas o salto de qualidade quer gostaríamos de ver levaria uns 25 anos (uma geração) através de modificações, também na postura empresarial e cultural de nosso “consumidor educacional” (pais e responsáveis dos alunos). O que eu quero dizer com isto? Pensem: quantos pais saem por aí se gabando que a escola de seu filho tem uma sala de informática? Que significa isto? Como estes terminais são utilizados? É besteira. Agora, quantos pais vocês já ouviram falar bem da formação e, sobretudo, da experiência do profissional que toma a responsabilidade de ensinar seus filhos? Eu, pelo menos, nunca vi. Já vi sim falar do pátio com pônei, da horta, da feira de não-sei-o-quê, da excursão (que se for de adolescentes serve, primordialmente, para azaração). Claro que não imagino os recursos sendo revertidos em qualificação de mão de obra sem redução dos tributos cobrados dessas empresas educacionais. Mas não sejamos ingênuos, isto não ocorrerá magicamente por boa vontade. Nós todos procuramos maximizar nossos benefícios em quase tudo que fazemos, se for possível aumentar o lucro cortando custos, o faremos. Então, a única maneira que vejo é incentivando a concorrência. E vejo um papel governamental aí ao criar uma política educacional ao incentivar a competição entre elas através de vários campeonatos e divulgação de resultados dando ênfase aos fatores que levaram ao sucesso.

Outra coisa muito importante e isto ainda é minha especulação. Enquanto o sitema de vouchers não for disseminado e as escolas públicas ainda responderem por parte massiva das matrículas, eu apostaria na municipalização do ensino tanto quanto possível. Diretores não seriam cargos doados por prefeitos, mas eleitos e dotados de orçamento próprio, anual, fiscalizado pelas associações de pais e mestres. Isto daria autonomia às escolas e levaria, obrigatoriamente, à participação dos envolvidos sobre como os recursos estariam sendo utilizados. Houve roubo? Denúncia, processo, condenação? Ano seguinte, escola fechada e troca do staff envolvido.

Ideias mirabolantes todos temos, já como fazer é que são elas. O que o Partido Novo poderia fazer a este respeito seriam projetos pilotos, só que eu ignoro completamente como isto seria possível do ponto de vista legal. Alguém aí pode me dar uma dica?

 

Anselmo Heidrich

13-09-2018

Originally published at inter-ceptor.blogspot.com on September 13, 2018.

 

Atentado e Histeria Coletiva

Tente adivinhar o que une políticos e sindicalistas do PT, CUT, PCB e PSL.

Em primeiro lugar, o óbvio, os criminosos envolvidos no atentado à Bolsonaro têm que apodrecer na cadeia. A Esquerda Brasileira é pródiga em adular criminosos e promover o chamado discurso de ódio, como o fez Gleisi Hoffmann ao dizer que “para prender Lula, vai ter que matar gente” ou o presidente da CUT, Vagner Freitas ameaçando manifestantes pró-impeachment ao convocar seus correligionários “ir para as ruas entrincheirados com arma na mão se tentarem derrubar a presidenta Dilma Rousseff”, ou o professor de sociologia na UFRJ, Mauro Iasi citando Bertold Brecht ao dizer que os conservadores merecem um “bom paredão, uma boa espingarda, uma boa bala, uma boa pá e uma boa cova” ao invés de um bom diálogo, ou o próprio Lula ameaçando manifestantes pró-impeachment com o “exército do Stédile” em ato “em defesa da Petrobras” e por aí vai. Ou seja, não é de hoje que há promoção da violência pelas hostes de esquerda. E claro que quando se promove algo assim, ainda que caoticamente, sem um plano preestabelecido se incentiva o pior, a violência e o assassinato. Mas não fica só nisso…

O recente comício de Bolsonaro dizendo que “temos que fuzilar os petralhas aqui no Acre” é o quê? Já li, inclusive, que não caracteriza discurso de ódio porque o “verdadeiro discurso de ódio” é o que foi feito por lideranças fascistas e comunistas. Quem diz isto nunca ouviu falar em gradação, certo? É verdade que discurso de ódio também se enquadra em liberdade de expressão, mas não é porque se é livre que não se deve ser responsável, não é porque tu podes falar o que quer que não deve responder por suas consequências e quando digo isto penso em efeitos danosos ou trágicos sobre outras pessoas. O que aconteceu é que a bala ricocheteou ou nem isso, pois uma figura pública dessas tem que se proteger. Analogamente, claro que uma mulher sedutora não deve ser estuprada ou indevidamente assediada, assim como quem falar besteira a torto e direito não deve levar uma facada, mas tu sabe que nessa estrada não basta dirigir corretamente, também tem que cuidar dos motoristas bêbados ou de direção perigosa que podem te atingir. Uma coisa é discutir a moralidade do fato, Bolsonaro foi vítima, todos sabemos disto, outra bem diferente é o senso pragmático da coisa, ele se expôs e sendo quem é, deveria saber dos riscos que corria. E só um sujeito com Q.I. de ungulado para entender isto como relativização da culpa, trata-se simplesmente de análise de causas e efeitos, além da probabilidade de se encontrar psicopatas no caminho. Ou você entende isto ou você pode espalhar vídeos do Olavo de Carvalho dizendo que o comunismo matou mais gente que todos os flagelos mundiais, o que não é mentira, mas que desloca o fato ocorrido, a incitação da violência para outro lugar, que não o da racionalidade e objetividade ao dizer que por serem de criminosos de esquerda, toda a esquerda é intrinsecamente genocida. Vai sofismar assim na Astrologia, Olavo… Ele também lançou a pérola de que Bolsonaro apenas incentiva a violência na forma de justiça para defender o povo, outra balela! Quando se propõe isso a um criminoso que atenta contra a vida de alguém se chama defesa, mas quando se atenta contra quem pensa diferente, como os “petralhas”, não é justiça, não é ação correta de polícia contra o crime, mas sim ato de polícia política. Olavo de Carvalho mesmo, de sua longínqua distância onde espalha insensatez em segurança e se esconde covardemente dos eventos em que opina insanidades clama para que “essa gente” que critica os discursos de Bolsonaro sejam “banidos da vida pública”. O que significa, exatamente, ser banido da vida pública, alguém pode me dizer? Banido, no caso, se aproxima muito de ser excluído, eliminado etc.

Não, não se trata de dizer que, no fundo, “é tudo culpa da Direita”. Não, não é, o discurso recorrente e frequente vem das hostes esquerdistas sim e de tanto falar, um louco ouve e age, incentivado pelos colegas e por quem ele vê como um inimigo declarado, propondo algo similar. O clichê de que violência gera violência não é algo irrelevante, mesmo que às vezes, raras vezes, a violência seja o último recurso de defesa. O problema é que quando se banaliza o recurso, ainda que como pregação eleitoreira, não vai ser difícil alguém entender o limite estendendo-o e divergindo de nós sobre quando se deve utilizá-lo. E é quando se flexibiliza este limite de aceitação da violência que o caldo transborda.

Desde 2014, que atuei nas manifestações pró-impeachment de Dilma Rousseff em Florianópolis, na organização e como orador nos carros de som. Levamos, em diferentes ocasiões, 500, 30, 30.000, 60.000, 100.000 pessoas ou mais às ruas da cidade. Para uma cidade que não chega a 500 mil hab foi um sucesso incomparável. Em vários episódios, quando sabíamos que havia poucas dezenas de petistas buscando o confronto, em percurso contrário ou nos esperando no local de destino fomos unânimes em dizer não continuamos e paramos por aqui. Embora estivéssemos com inquestionável vantagem numérica e ao lado da polícia, pois havíamos feito requerimento para o ato previamente, sempre evitamos o confronto direto. Apesar de já termos ganho moralmente e eles perdido, eu tive que aturar sim, babacas com o cérebro encharcado de ira juvenil dizendo que refugamos e deveríamos “lutar até o fim”, como se lutar aqui significasse esmurrar quem discorda de ti. Passado mais de um ano, quando os sanguessugas do dinheiro público em Florianópolis quiseram homenagear o condenado Lula com o título de “Cidadão Catarinense” estivemos lá protestando, mas desta vez a massa de sindicalistas comprados também veio. Outros tempos, alguns colegas quiseram o confronto e mais de uma vez, tentei dissuadir o povo, só que dessa vez sem o mesmo sucesso. Quando desci do caminhão uma senhora com muito sobrepeso veio me falar, pensei que seria elogiado ou indagado sobre o que faríamos agora e o que ouvi foi algo mais irracional que um asno chapado em exame psicotécnico “palhaçada, que palhaçada!” Quando achei que já tinha ouvido o bastante, um idoso coxo e indignado reclamava, me mostrando o pixuleco (boneco inflável do Lula com traje de presidiário), “agora que comprei isso aqui, o que eu vou fazer?” Sim, o que esses idiotas queriam é que eu incitasse nosso grupo com crianças, idosos, jovens, mulheres direto para o caldeirão com sindicalistas ociosos com a cabeça cheia de cachaça. Eles queriam sangue, mas estes são os mesmos que berram e se escondem na multidão. Depois, em frente a Assembleia Legislativa perdemos muito tempo contendo bêbados que se atiravam em frente à polícia tentando causar tumulto. Não, eu seria injusto se dissesse que é a maioria, nunca é, mas é a minoria suficiente para induzir uma multidão despersonalizada rumo à sangria. Esses são aqueles que berram e dizem asneiras para depois não entender o porquê de levarem tiros, pedradas ou facadas. Não se enganem, é fácil se despersonalizar junto à massa, como quem berra em um jogo de futebol pelo seu time, pois é disso mesmo que se trata para muitos, um jogo de expiação em que tenta se atingir o Judas alheio. Fato Social como dizia Émile Durkheim, em pleno curso. Minha vó em vida relatara diversas vezes como viu o povo gaúcho chorando compulsivamente a morte do suicida Getúlio Vargas, décadas depois foi a vez de Brizola morrer e causar comoção popular nos pampas e bem recentemente, após a queda do avião que levava o time da Chapecoense e seu culpado ter morrido junto (o piloto e dono da companhia aérea), eu vi muita gente discutindo e brigando por questão de interpretação. Esses casos de histeria coletiva não terão sido os últimos e vão se repetir, pois fazem parte de nossa característica gregária e imitativa, um espírito de lemingue que nos joga no precipício. Lembro aqui da comoção gerada pela morte do aiatolá Khomeini no Irã, líder da revolução islâmica, que pôs a sociedade ilustrada do país refém de uma elite político-religiosa. E não se enganem se acha que não podemos chegar a isso, com uma bancada organizada e crescente fazendo interpretações bíblicas de nossos confrontos políticos. O problema é quando se combina em momentos de efervescência e irracionalidade com aproveitamento político. Quando um idiota diz que “gosto do Amoedo, mas agora é guerra e vou voltar em Bolsonaro”, provavelmente nunca entendeu ou teve convicção de concordar com as propostas do Partido Novo. Além da grande maioria de quem está repassando isto ser mesma de partidários do partido venal chamado PSL e espera capitalizar politicamente com a vinda do Messias, no caso Jair Messias Bolsonaro, pois o povo adora o arquétipo de Jesus Cristo que ressuscita.

Jair Messias Bolsonaro, sinceramente eu estimo suas melhoras e gostemos ou não, não será tão facilmente esquecido… Como esquecer aquele deputado em que um passado não muito longínquo disse que FHC deveria ser fuzilado por privatizar a Vale do Rio Doce, lembram? Que disse que para começar a mudar as coisas, 30.000 tinham que morrer, porque “através do voto não vai mudar nada” etc. Ou que “sou favorável à tortura”, que há pouco mais de uma semana usou uma “linguagem figurada” em que tínhamos que “fuzilar petralhas”. Esse sujeito é, como dizem, o perfeito exemplo de uma vítima das circunstâncias, mas como já disse Ortega y Gasset “eu sou eu e as circunstâncias”, então, se tirarmos as circunstâncias de Bolsonaro, sobra o quê? Afinal, as circunstâncias que o acompanham parecem sempre as mesmas, adversas. Em resumo, como se diz popularmente, quem procura acha.

Não digo isso apenas porque ele é um sujeito beligerante, um típico político que fala muito bem ao sabor dos caudilhos latino-americanos e que casualmente trocou o sinal de admirador de Hugo Chávez por Donald Trump, mas porque provocando como faz, isso poderia acontecer. Claro que a culpa sempre será de quem ergueu e cravou a faca, a culpa é do sujeito e seus colaboradores, mas por isso mesmo que culpar uma linha de pensamento, por mais estúpida que seja é digno da escória que deseja capitalizar politicamente com o fato, como se fossem uma polícia de pensamento. E creiam-me, eles estão a solta agora mesmo, neste instante.

Anselmo Heidrich

08–09–2018

Onde e Porque a Educação dá certo

Não faz muito tempo inscrevi meu filho em aulas de Taekwondo e estou prestes a inscrever minha filha também.[1] Ao final de cada aula há uma orientação, que não é específica para a arte marcial, mas para a vida. Os mestres têm insistido no conceito de gratidão, o que significa e o que produz em relação a nós e como quem recebe nossa gratidão se sente, o bem que isso faz, porque é importante etc. Sinceramente, isto é educação e não me lembro de ter visto isto nos últimos em nenhuma escola que participei como um programa ou sequer princípio da instituição. Exceto é claro pelas ações isoladas de um ou outro professor e, raros casos, de um diretor, pois de coordenadores e supervisores pedagógicos, simplesmente não vejo mesmo.

Por que isso se dá? Podemos aventar várias respostas, como em cursos pagos, como as aulas que mencionei, se valoriza mais, porque não se é obrigado a ir, se “vai porque quer” etc., mas a princípio, um curso de arte marcial não tem isso como chamariz, mas é exatamente o que conecta pais, alunos e professores. E, honestamente, a falta disto levado a sério afasta os mesmos pais, alunos e professores nas escolas normais, sejam públicas ou privadas. E, consequentemente, o ensino de matérias clássicas como Português, Matemática, História, Ciências e Geografia vai pelo ralo, pois a postura que serve de base para o aprendizado é ignorada.

Como em muitos de meus artigos, esse é mais um que valorizo a importância do conteúdo moral para o aprendizado. Mas não é só isso, há duas razões básicas pelas quais nos orientamos na vida, a utilitária e a moral, ou a estratégica e a substantiva, que quer dizer basicamente a mesma coisa. Mas desde que se popularizou o adjetivo ‘moralista’ como algo essencialmente ruim, desatualizado e até preconceituoso, sinto que passamos a perder algo no meio de nossas histórias de vida.

Hoje mesmo tive um papo com outro professor vindo lá de Pelotas, RS e residente em Florianópolis, SC e que para não ficar sem nenhuma ocupação quando aqui chegou, tratou imediatamente de fazer um concurso. Não demorou alguns meses, ele, como educador físico já se bandeou para as academias orientando clientes, não aguentou e com razão. Os alunos não aceitam(sic) e essa é a palavra, não aceitam e não fazem atividades físicas na aula destinada a isso, entre outras razões “porque não querem ficar suados”. Como se uma boa aula de Educação Física não tivesse esse pré-requisito. Bizarro… A autoridade do professor, que se sustenta em uma base moral é lixo para essa gente e grande parte dos pais apoia essa postura. A direção e secretarias de ensino, por sua vez, não querem se indispor e fica tudo por isso mesmo.

Mas é comum vermos políticos, sobretudo em ano eleitoral com soluções mágicas para a Educação. Um deles mesmo acha que “chutando Paulo Freire e acabando com a Ideologia de Gênero” bastaria para pôr o Brasil nos eixos do ensino de qualidade. Claro que Paulo Freire era o “Senhor Embusteiro”, que só conseguiu sua projeção plagiando e deturpando um educador americano bem sucedido nas Filipinas e outros países asiáticos, Frank Charles Laubach (1884–1970). E a Ideologia de Gênero, como sabemos é um projeto político doutrinário que ignora solenemente a questão biológica, já tendo chegado à condição de pré-requisito para se cursar o Ensino Superior no Brasil, quando cobrada em uma questão do Enem sobre o “nascer mulher”. Lembram:

Claro que é uma questão sobre o pensamento de Simone de Beauvoir, uma conhecida feminista dos anos 60, namorada… ÔPS! “Companheira” de Jean-Paul Sartre, um filósofo existencialista com muita influência marxista. Mas insistir nestas questões deixando outras, tradicionais de lado denota uma clara tentativa de doutrinação e cristalização de uma visão. Agora, enquanto as discussões sobre a Educação se resumirem neste pequeno universo, outras gerais e estruturais não são sequer cogitadas. Isto serve como cortina de fumaça para o que é mais importante não seja enfrentado. 

O problema é que quem mais entende do assunto, que está na linha de frente deste campo de batalha tem opinião adversa ao que precisa ser feito: os professores. Eles são contra reformas profundas, como diferenciar salários por desempenho, como é em qualquer empresa. Suas lutas sindicais são por isonomia, sempre e daí requerem aumento salarial sem sua contrapartida na produtividade escolar. E nem querem discutir o conceito de produtividade alegando que isto é “ideológico”. Logo, nesse tiroteio entre fanáticos burocratas que não conhecem a lida em sala de aula e quem conhece, mas não enxerga o caminho para uma mudança real, quem perde é o aluno que realmente não aprende com um processo educacional falido e estagnado.

Uma das leis mais importantes já aprovadas no país em relação à Educação (não, não é o Escola Sem Partido, mesmo porque esta não tem unanimidade) é a chamada Lei Harfouche, lei que obriga pais e responsáveis a assinar um termo de compromisso por seu filho na escola. Na primeira contravenção, o aluno recebe uma notificação, na segunda, ele é obrigado a compensar seu delito com algum “trabalho social”, pintar o muro, se pichou, contribuir com cestas básicas se ofendeu professor e coisas do tipo. Cara… Nada mais moralizador e educativo que isso. Claro que toda corja que vive da vitimização como justificativa sofística para educação não poderia aceitar. Aí se inclui psicólogos, assistentes sociais, militantes de esquerda em geral e, claro, políticos petistas. Toda a trupe que não deseja a responsabilização, pois esta nunca pode ser do indivíduo e sim de uma geleia chamada “social”. Alguém precisa informar a estes animais que o que é social é, antes de tudo formado por indivíduos.

Quanto ao objetivo da educação formar um bom trabalhador, um bom funcionário etc., de acordo. Mas comecemos então por ver como funcionam os Institutos Federais (IFs), como funcionavam e como funcionam. O que eram antes da Era Lula e depois da Era Lula para ver o que ocorreu e já vos adianto, piorou e muito. O critério de seleção que já levava bons alunos (de diferentes classes sociais) para eles caiu, sim o atual detento em Curitiba achou que não precisava restringir a entrada de alunos ruins nos institutos. Isso é bizarro! Um conhecido meu, que saiu do RS e foi para MG trabalhar em um desses institutos me relatou que o nível caiu muito e que agora tem gente entrando apenas pela melhor estrutura, mas nada de se responsabilizar pelo estudo se esforçando para acompanhar as matérias. Isso tem que acabar e se um presidente não toca nessas questões enfrentando a deterioração social causada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente que relativiza a culpa e responsabilidade, nada de fato irá mudar.

Nós precisamos de uma mudança geral neste sentido, aquela medida de Trump nos EUA de que para cada nova regulamentação adotada na economia, outras duas tinham que cair, aqui teria que ser copiada, ao menos, com para cada direito adquirido, um dever constituído tinha que ser claramente estabelecido.

Sem esforço não há vitória que valha a pena.

Anselmo Heidrich

30–08–2018

[1]Ela acabou optando por dança, sua maior paixão, mas ainda vou insistir como complemento. Mulheres têm que saber se defender no mundo de hoje.

Guri de Apartamento

Tente entender uma visão deturpada para depois debater e convencer.

Quando eu era criança fui o que chamávamos, depreciativamente, de “guri de apartamento”, superprotegido não aprendi a jogar bola e ser bom em outras atividades físicas. A própria Educação Física na escola era uma tortura para mim e naquela época, em Porto Alegre não tínhamos esse corpo mole de hoje em dia… Os professores eram, muitas vezes, jogadores do Inter ou do Grêmio fazendo extra nas escolas. Sim, difícil de crer, não?

Começávamos com corrida, 20 ou mais voltas, depois muito polichinelos, apoios (flexões no chão) e o pior, agachamentos para depois de outros exercícios, se desse tempo haver uns 15 min de jogo para relaxar. Imagine chegar com isto hoje em dia, tem aluno (e pais) que irão denunciar o professor na primeira oportunidade. Mas minha relação com o futebol sempre foi triste, eu gostava, mas não sabia jogar. Se detestasse, estava bem, mas infelizmente não era o caso.

Nos meus 17 anos por aí tinha um baita grupo de amigos que se reunia, religiosamente todas terças-feiras para jogar. Vinha gente até de cidade vizinha e fizesse Sol, chuva, frio, não importava, estávamos lá naquela quadra de areião. Eu, como sempre e um amigo, sem agilidade a quem chamavam de “Robô” sempre éramos os últimos a serem escolhidos. Eu ainda conseguia ser pior do que o Robô e quando o cara me escolhia fazia um meneio com a cabeça, tá, vem… Enquanto o capitão do outro time dava uma risada por já levar uma vantagem ao não me ter na equipe.

Mas nem sempre era assim. Eu na zaga, pois corria muito pouco atrapalhava e sempre tive uma coisa, aliás, minha família de sentir menos dor. Não estou me gabando não, meu filho não é assim, mas minha filha me puxou e fico impressionado como ela não reclama de cada tombo ou machucado que toma. Sei lá, não sei explicar. Então, como eu dizia, na zaga, eu não me importava com as pancadas e atrapalhava mesmo. Não era bom, mas era útil. E o mais engraçado é que quando meu time ganhava, os colegas tinham uma dupla satisfação, não só de ganharem a partida, mas de “ganharem com o Anselmo!”

Bem, saí de casa aos 20 e poucos, fui pra S. Paulo e lá virei mais gaúcho e gremista que era na terrinha. Esse fenômeno é bem mais comum que imaginamos. Note que os conflitos nacionalistas, étnicos etc. ocorrem, justamente, quando há mistura e atritos entre diferentes grupos. Claro que não vivi uma Guerra da Bósnia, mas os paulistas veem a nós, gaúchos como argentinos, o que soa muito estranho, ainda mais sabendo que os gaúchos têm muita rivalidade com nuestros hermanos.

Tudo faz sentido e tem lógica, pois em regiões de fronteira temos dois tipos de homens, aquele que diz “o que será que tem lá do outro lado?” e aquele, talvez mais comum que afirma “não quero nem saber daquela porcaria, aqui é melhor”. E para quem é de fora, os dois bicudos que não se beijam são muito parecidos. Vi isso quando disse a um irlandês que eles se pareciam muito com os ingleses e ele, com um ar estupefato me retrucou “sim, o clima”.

Essa coisa de se colocar no outro lugar, de migrar, de experimentar compreender o ponto de vista alheio se chama relativização. É um exercício muito útil e só te faz crescer intelectualmente. Não adianta ler livros e citar nomes de autores para se envaidecer se tu não é capaz de refletir minimamente sobre as próprias condições de vida e dos outros ao teu redor. Sei, sei que dirão que a “relativização moral” está na raiz de nossos males, com o que concordo, aliás, mas quando falo em se relativizar é para compreender antes de julgar.

O que você já fez nesse sentido? Quando procurou compreender quem pensa de modo diverso e por que o faz? Lembre-se, isto não significa concordar com ele, mas… Tente.

Anselmo Heidrich

23–08–2018

De qual ‘gênero’ você fala mesmo?

Antes de sair por aí querendo morder todo mundo que fala em “GÊNERO”, como se fosse um pit-bull com hidrofobia saiba que a palavra gênero, até pouco tempo antes de J. Butler, a filósofa-ideóloga de tal teoria, nada mais era do que um substituto para o termo SEXO.

Abaixo segue um formulário para procura de trabalho na Nova Zelândia. Atente para a pergunta da primeira linha.

Agora, antes de pagar mico acusando o Novo de “se submeter à Ideologia de Gênero” por causa da Agenda 2030 da ONU faça dois questionamentos simples a si próprio:

1. O QUE EXATAMENTE A ONU QUIS DIZER COM A PALAVRA “GÊNERO”?

2. O QUE EXATAMENTE OS POLÍTICOS QUE ENDOSSARAM A TAL AGENDA ENTENDERAM DO DOCUMENTO?

Como dizia um sujeito que fez muito sucesso em um passado menos caoticamente mental de nosso país, “quem não se comunica, se trumbica…” Antes de arrotar uma pureza pergunte com humildade e talvez, aí sim, tu possa ter alguma razão no que diz.

Fica a dica.

(Fonte da imagem: https://register.newzealandnow.govt.nz/…/RPedZAI_hEGOWQjUGf…)

Anselmo Heidrich

23–08–2018

Blog no WordPress.com.

Acima ↑