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Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

Anti-Pop

O lemingue é um tipo de roedor do norte da Europa que durante muito tempo se acreditou que se suicidava aos bandos em determinada época do ano. Era o animal perfeito para a pecha de “irracional”. Mas era pior do que isso, esse traço de comportamento é perfeitamente humano. Ao se deslocar em grupo, os indivíduos seguem aqueles que vão na frente em determinado rumo. Como são muitos se empurram jogando alguns penhascos abaixo nos fiordes. Seguir tendências irrefletidamente tem este “bônus”, pode te levar a um suicídio coletivo.

Lembro-me como se fosse hoje, estava caminhando na Av. Paulista indo para o trabalho quando um colega de pós-graduação junto aos seus segurava um cartaz da CUT e me perguntou se eu sabia de algum emprego para ele, isso lá pelos idos dos anos 90. Prometi levar um currículo, mas só fui revê-lo décadas mais tarde como chefe de dept do curso de geografia da UFSC. Ele se deu bem seguindo sua onda, mas minha consciência não me permitia fazer o mesmo.

Nisso eu me afastava cada vez mais daquele grupo e minhas leituras no boom da globalização me colocavam mais e mais na antípoda disso tudo. Acho que por volta de 2003 comecei a escrever no Mídia Sem Máscara e seguia o pessoal em muitos pontos em comum, mas logo comecei a divergir em detalhes aparentemente insignificantes que para mim faziam muita diferença, pois eram sobre premissas importantes, como a separação entre igreja e estado, a moralidade da guerra etc. E foi quando dois colegas foram rechaçados por suas críticas à religião que também dei um basta naquilo tudo e pulei fora defendendo os excomungados, mas não sem ampliar minha cota de haters.

Nas redes sociais eu colecionava desafetos quando discutia geopolítica em meio aos liberais e quando me mantinha intransigente quanto à liberdade de expressão em meio aos conservadores. Pela minha atuação firme nas manifestações pelo impeachment e oposição ao PT conquistei um espaço no anti-petismo. Porém, não demorou para perceber que muitos desses não eram defensores coerentes da liberdade, mas apenas petistas de sinal invertido (olavetes, bolsonaristas, intervencionistas e até alguns “liberais”). Segui na minha e, embora o Facebook te permita deixar de seguir ou se desligar de quem te desagrada, um bom lemingue não pode desviar da rota e ser o próprio capitão de sua nau. Não! Ele quer ser aceito por ti. E o que esses QIs de roedores do frio não entendem é que eu nunca fui de seu grupo, apenas casou de traçarmos juntos parte do percurso.

Recentemente descobri que esses imbecis simplesmente não têm rigor conceitual e não entende o mais básico dos princípios liberais como a liberdade de expressão. Eles adoram desnudar as tramoias esquerdistas, mas se seu representante eleito ou ícone de justiça for pego, mais que negar, passam a te odiar por expor sua hipocrisia ou, na melhor das hipóteses, contradição não intencional.

A verdade é que a verdade não exige carteirinha de sócio em algum clubinho, mas pode evitar que se caia em algum precipício.

Anselmo Heidrich
25 jul. 19

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Fonte da imagem “montanhas”: https://pixabay.com/fr/photos/montagnes-falaise-nature-solitaire-2722673/

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O Escândalo da Ucrânia e o Impeachment de Trump

O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump, está atravessando o momento mais crítico de seu mandato. A Câmara dos Representantes (correspondente à Câmara dos Deputados, no Brasil), controlada pelos Democratas, o Partido de oposição, entrou com um pedido de Impeachment ao seu mandato presidencial. Na história do país, nunca um Presidente foi impichado, e quando isto teve início o próprio Presidente em exercício renunciou antes, caso de Richard Nixon, ou tiveram seus processos anulados em uma segunda etapa.

Tentativas de tirar o Donald Trump do cargo presidencial não são novidade, mas, o escândalo envolvendo o Presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski, apresenta indícios que fizeram o assunto ressurgir com força. Denúncia interna da Casa Branca feita em setembro cita uma conversa que teria ocorrido em julho (2019), na qual Trump teria pedido à Zelenski para investigar Hunter Biden, o filho de seu principal rival político à eleição de 2020, Joe Biden, por corrupção, quando ele fazia parte do conselho de uma empresa de gás da Ucrânia. Joe Biden foi vice-presidente dos Estados Unidos no governo de Barack Obama, entre janeiro de 2009 a janeiro de 2017, e, até antes desse caso, já considerado como escândalo por alguns analistas, era o candidato com mais chances de derrotar Donald Trump nas eleições presidenciais de 2020.

Dias antes da conversa ter ocorrido, Trump reteve a verba destinada à Defesa da Ucrânia, país envolvido em grave conflito interno na região de Donbass. Na conversa, o mandatário estadunidense acusa a União Europeia de não ajudar a Ucrânia como poderia e, implicitamente, condiciona a liberação de fundos para Defesa do país, cerca de 1,635 bilhão de reais (que já haviam sido acertados anteriormente) à investigação do filho de Joe Biden, Hunter Biden, por enriquecimento quando conselheiro de uma empresa de gás naquele país. Embora a questão da ajuda militar e econômica não estivesse mencionada explicitamente na conversa entre os dois Chefes de Estado, a oposição entende que isto se encontrava nas entrelinhas, ao passo que o Presidente dos Estados Unidos nega enfaticamente.

Joe Biden e Barack Obama, 2008

Para o Juiz Andrew Napolitano, o fato de Trump ter assumido que ligou ao Presidente da Ucrânia pedindo ajuda é uma confissão de culpa, e o Presidente norte-americano teria cometido um crime. Ou seja, independentemente de ter havido chantagem ou não neste caso, o simples pedido de ajuda em uma investigação para prejuízo de um rival político por um Presidente dos Estados Unidos a um líder estrangeiro é ilegal. Mesmo Trump tendo anunciado que revelaria a transcrição do diálogo, os Democratas consideraram insuficiente, ao que a Presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, do Partido Democrata, deu início ao processo de Impeachment. Em suas palavras, “as ações tomadas pelo Presidente violaram seriamente a Constituição”.

Vladimir Zelenski também não sai ileso deste caso. Na referida conversa com Trump, ele responde afirmativamente que nomearia um novo Promotor “100% de minha confiança [que] investigaria a situação”. Na conversa, após Zelenski expressar seu desejo de comprar mísseis antitanque, produzidos pela Raytheon, que são ideais para repelir ataques dos blindados russos utilizados pelos rebeldes na guerra do Donbass, Trump respondeu: “gostaria que você fizesse um favor”.

Burisma Holdings

Em maio de 2014, Hunter Biden era nomeado conselheiro da empresa de gás ucraniana Burisma. Fundada em 2002, a maior produtora privada de gás do país se apresentava como uma empresa de energia em expansão para além das fronteiras da Ucrânia. Seu fundador, Mykola Zlochevsky, foi responsável pela expansão da corporação, ao mesmo tempo em que era Ministro da Ecologia e Recursos Naturais da Ucrânia, entre julho de 2010 e abril de 2012. Dentre suas atribuições estavam emissões de licenças de perfuração de gás durante o governo de Viktor Yanukovych, até este demiti-lo.

Mykola Zlochevsky, 2014

A conjuntura internacional em que Hunter Biden foi admitido no conselho era da anexação da Crimeia pela Rússia e da insurgência de rebeldes apoiados por Moscou no Leste. Ainda assim, havia esperanças de que o novo governo de Petro Poroshenko adotasse reformas que combatessem a corrupção endêmica. Nesse contexto, a Burisma foi alvo de uma investigação de lavagem de dinheiro e questionamentos sobrecomo havia obtido certas licenças para extração de gás naturalA partir daí é que a empresa nomeia Hunter Biden para seu conselho, e também a Aleksander Kwasniewski, ex-presidente polonês, e a Cofer Black, ex-funcionário da CIA e consultor de política externa na campanha presidencial de Mitt Romney, em uma tentativa de melhorar sua imagem.

Acusações como as feitas por Trump, de que Joe Biden pressionou pela demissão do antigo promotor que investigava as ações da Burisma não foram confirmadas até então pelo governo da Ucrânia. As investigações sobre a corrupção na empresa envolvendo o nome de Hunter Biden datam de 2016 e dois promotores já passaram por ela sem apontar qualquer indício de corrupção. O assunto gerou polêmica e o recém nomeado Promotor-Chefe da Ucrânia, Ruslan Ryaboshapka, afirmou que vai retomar as investigações, desde antes da posse de Biden, em 2014.

Mesmo que não haja indícios, há quem alegue conflito de interesses, especialmente quando o filho de um político influente no governo dos Estados Unidos à época recebe um cargo em uma das maiores empresas de outro país. Tudo que se sabe de concreto sobre ganhos de Hunter Biden, até o momento, segundo o The Wall Street Journal, é de que recebia aproximadamente 205,7 mil reais mensais (em valores atualizados) como diretor da empresa. Ao que tudo indica, a sua contratação fazia parte de uma estratégia comercial da empresa para expandi-la, a fim de angariar credibilidade em um governo estrangeiro, que, à época, prestava apoio internacional à Ucrânia contra a Rússia.

Em termos políticos, ao divulgar as conversações por inteiro, analistas consideram que Trump cometeu um erro político, pois, mesmo que o filho de Biden pudesse ter algum envolvimento com a corrupção em outro país e se beneficiasse dela, investigá-lo não caberia ao Presidente em exercício dos Estados Unidos, ou seja, ao Poder Executivo, e, sim, ao Departamento de Justiça daquele país.

Se o processo de Impeachment passar na Câmara dos Representantes, onde os Democratas são maioria, Trump seria o terceiro Presidente da história dos Estados Unidos a sofrer um processo deste tipo. Caso o processo seja aprovado neste estágio, ele passa a ser avaliado pelo Senado, onde os Republicanos, Partido do atual mandatário, são maioria. Neste momento, enquanto os Senadores agem como jurados, os deputados servem como fiscais do processo. Para Trump perder seu cargo não basta que a maioria simples do Senado (50% mais um) vote pelo impeachment, mas, sim, dois terços da casa.

Mesmo que, porventura, Trump seja destituído do cargo isto não significa que não possa se candidatar novamente para as eleições em 2020. Como se trata de um político com altos índices de aprovação (e de rejeição), é possível que a polarização política já existente se acentue e torne o apoio a sua reeleição ainda maior, sem que, no entanto, haja um nome proporcionalmente forte para disputar o cargo pela oposição. O governo de Vladimir Zelenski, por sua vez, pode sofrer algum revés dessa situação política nos Estados Unidos até que tudo seja esclarecido, o que também pode ser um prejuízo à sua estratégia de defesa territorial, particularmente no Donbass, para onde o Crédito de Defesa dos Estados Unidos se destinava.

Por outro lado, as consequências desta crise para a Ucrânia podem ser positivas. Vijai Maheshwari, escritor e empresário baseado em Moscou, considera que novos acordos podem surgir entre Kiev e Moscou, com a articulação de outras lideranças, como o francês Emmanuel Macron, p.ex., ou ainda, numa tentativa de reverter seu prejuízo político, Donald Trump pode se dedicar mais enfaticamente a um acordo de paz entre os dois países: Rússia e Ucrânia. E, por fim, mas não finalmente, Kiev poderia jogar com estratégia para se alinhar politicamente com mais centros decisórios, em uma ordem verdadeiramente multipolar, reduzindo sua dependência de Washington.

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Notas:

[1]Andrew Johnson Bill Clinton foram cassados pela Câmara dos Representantes ou Câmara Baixa, mas absolvidos pelo Senado, também chamado de Câmara Alta. Richard Nixon teve seu processo suspenso, uma vez que acabou renunciando antes de o Congresso votar o caso.

[2] 400 milhões de dólares, na cotação de 8 de outubro de 2019, de acordo com o Banco Central do Brasil.

[3]Raytheon Company, a maior produtora de mísseis guiados do mundo, é um conglomerado de empresas dos Estados Unidos que atua na área de armamentos e equipamentos eletrônicos para uso militar e civil.

[4] Cabe observar que Mykola Zlochevsky não foi demitido do governo, mas do cargo, sendo nomeado como Secretário Adjunto do Conselho de Segurança e Defesa Nacional em 20 de abril de 2012.Viktor Yanukovych foi o Presidente ucraniano expulso do país durante o processo revolucionário conhecido como “Euromaidan”, que afasta a Ucrânia da política externa de Moscou.

[5] 50.000 dólares por mês, segundo o WSJ.

[6] Conferir a primeira nota [1], dois presidentes americanos sofreram o processo, mas nenhum acabou por sofrer o impeachment.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Donald Trump e Vladimir Zelenski, 25 setembro de 2019” ( Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Volodymyr_Zelensky_and_Donald_Trump_2019-09-25_01.jpg

Imagem 2 “Joe Biden e Barack Obama, 2008 ( Fonte):https://en.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama_2008_presidential_campaign

Imagem 3 “Mykola Zlochevsky, 2014” (Fonte): https://uk.m.wikipedia.org/wiki/%D0%A4%D0%B0%D0%B9%D0%BB:ZlochevskiyN.jpg


Originally published at https://ceiri.news on October 16, 2019.

Um Marco na Minha Vida (literalmente)

Hoje, dia 10 de outubro de 2019, anotem aí… Foi um marco na minha vida. Poucas pessoas poderão se vangloriar de um feito como o meu. Realizado por MIM, sem ajuda de NINGUÉM! Só eu e minhas circunstâncias, como diz o outro… O negócio vai pro meu currículo de realizações pessoais, o Linkedin já tá bombando. Quando escreverem minha biografia… Melhor! Na lápide, na minha lápide estará lá gravado na rocha:

“Aqui jaz Anselmo Heidrich, o homem que grampeou o próprio dedo.”

Invejem, caros mortais. Quem no Sistema Sola… Não! Na Via Láctea! Isso, nesta nossa dimensão, melhor! Seria capaz de tal feito?! Quem? Quem? QUEM?! SOLAMENTE YO QUE VOS HABLA!

Acontece que hoje … (Tudo tem um contexto e atenuantes, não riam que foi sério.) É dia do lixo ser recolhido e eu, com meu tempo exíguo fui guardar os saquinhos e para facilitar a vida de nossos servidores públicos, os lixeiros, que estes trabalham de verdade… Aproveito e os coloco dentro de um saco maior, o da ração dos cães, saco de 15, 20 ou 25kg, varia, mas este era um menor, de 15kg e como ficou meio apertado, dobrei a borda e grampeei. Como os grampos tinham acabado no meio da lida, fui carregar a munição e sabe quando o conjunto de grampos se parte? Daí fui lá eu (CLARO QUE TEM QUE EXPLICAR, PODERIA ACONTECER COM QUALQUER UM CARALHO!) Daí fui lá eu colocar de novo no aparelhinho e para não perder o timing (sim, se não desandava de novo) apertei com força, destreza e agilidade ímpares! Só que… Só que… Como diz aquele famoso poema “tinha um dedo no meio do caminho, no meio do caminho tinha um dedo”. Bem, pra encurtar a história, não fiz um selfie e sei que muitos não acreditarão na história porque poucos têm a capacidade de se aventurar com tais tecnologias modernas superando sua condição primitiva de empacatodares normais. Eu superei meus medos, eu me atrevi e fiz o que fiz, um belo de um dedo indicador esquerdo inchado.

Mas não há de ser nada, como hoje em dia não há merthiolate (coisa dessa 🇺🇳ditadura🇺🇳gay🇺🇳globalista🇺🇳 que nos quer sensíveis e inaptos ao saber estóico) fui de repelente mesmo. Taquei-lhe uma boa dose até arder e matar tudo para cobrir minha cicatriz com um band-aid.
Antes de você imprimir e emoldurar, lembre-se:

ISTO NÃO É PARA QUALQUER UM!

Boa noite,

Anselmo Heidrich🏴

PS: Não, não tirei foto, tava com o dedo latejando demais pra pegar num diabo dum celular.

Brincando a gente se entende

Na verdade, rir de si próprio ou da situação, quando ruim especialmente, é algo disruptivo. Uma vez li um texto desses caras que eram de esquerda, mas criticavam a esquerda, um tal de Jean-Pierre Dupuy (acho que era esse o nome), Introdução à Crítica da Ecologia Política em que ele avaliava a importância da brincadeira entre os símios para a evolução da inteligência. E o problema desse pessoal (veja o mesmo acontecendo com os bolsonaristas que censuram com ferocidade quem escarnece de seu “mito”) é que quando perdem este senso de rir dos outros e de si próprio só lhes resta o dogmatismo para atrair novos filiados. Veja que os primeiros a rodarem e terem suas cabeças a prêmio foram os humoristas, Gentili, Adnet etc. Com o tempo, isso será educativo, mas a um alto custo para os brasileiros, os extremistas bolsonaristas e olavistas terão o mesmo destino dos petistas: cairão em total descrédito, exceto para sua massa de fanáticos manipuláveis.

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/orkomedix/4875839852

Greta Thunberg e o Ovo Frito

Não se perca quando estiver falando sobre “crise ambiental”. Existem 2 DEBATES, DUAS SEARAS bem diferentes. Normalmente, estamos debatendo em um nível diferente da ciência de verdade e o que mais temos hoje em dia são charlatães que enganam os outros e a si próprios. Confira porque lendo o comentário abaixo…

Imagine um OVO, no qual a gema seja a hard science, física, climatologia, geologia etc. que com seus métodos discute o problema, o Aquecimento Global (AG) e procura comprovar se ele é ou não verdadeiro e se, especificamente, o Aquecimento Global Antropogênico (AGA) é que predomina e pior, quando começa um e termina outro. Para cada lado dessa contenda existe gente séria, que pesquisa de verdade.

Agora pense na clara, ela é a sociedade e na sociedade existem cidadãos, interessados ($$$) ou não, indiferentes e também pesquisadores de outras áreas (humanas) e políticos. Captou? Vamos começar pela parte científica, a ciência que estuda como esse conhecimento se formou através de interações e política é a Sociologia do Conhecimento. Quando um sujeito diz algo como “a ONU está por trás da tese aquecimentista” ele esboça, se for humilde, uma hipótese ou se for arrogante, um veredito. Mas em ambos os casos esquece que o grande chefe de estado que trouxe o AG como questão de segurança nacional foi ninguém menos que Margareth Hildah Thattcher (bugou a cabeça do direitista agora). Sim, isto mesmo. Mas depois a tese foi apropriada pela esquerda ao atribuir como grande culpado/causador, o sistema de produção capitalista. Eles se apropriaram falando mais do assunto, o que fez a direita burra? Se apequenou e passou a dizer “quem fala sobre isso é esquerdista”. Então, o primeiro passo para “confrontar” a tese é negá-la. Tu podes (e eu respeito) discordar expondo teus argumentos, mas simplesmente negar é covardia intelectual. Melhor é fazer como eu e dizer, “não sei, sou um ignorante da área”, o que sou mesmo. Agora, a direita se reapropriou do tema dizendo o seguinte, “eles querem que paremos de nos industrializar, por isso querem que criemos reservas” (Ricardo Felício é um dos que repete essa merda). Só que para quem não sabe, não é só país rico que pode “parar de produzir”. Na verdade, eles não param… Desde Kyoto funciona assim: todos temos cotas para produzir, mas seu eu produzo menos do que tenho disponível de espaço, eu vendo minha cota em determinado período (ano). Isto se chama Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e é justamente por isso que a biomassa florestal cresceu em países como a China, Índia e também na Europa Oriental, Canadá, EUA etc. Entendeu como isso dá dinheiro? “Ah! Mas é dinheiro baseado numa mentira…” Não sei, eu não sei, tu não sabes, na verdade, ninguém tem certeza, mas isso não é o determinante. Vamos lá…

O que alegam levar ao AG são as emissões de gases-estufa, dentre eles, o CO2. Bem, no topo do ranking, EUA, China e Brasil próximo. Por que nós? Porque quando desmatamos a floresta, menos retenção do carbono ocorre (as árvores sequestram carbono no seu crescimento). Veja… Isto é uma teoria, bastante aceita e só. Ou seja, se usamos o MDL (descrito acima) iremos ganhar dinheiro, bastante diga-se de passagem. “Ah! Mas e quando quisermos crescer além da cota??? Eles vão nos impedir???” Não, apenas vamos dizer que neste ano que vem não queremos mais participar e se quisermos ser bandidinhos também quebramos o acordo e ficamos com a grana, mas não recomendo isto para não ter nenhuma sanção a vista.

A matriz energética mundial é térmica de combustíveis fósseis, se não me engano, cerca de 70%. Se pudermos substituir por gás natural, a emissão de carbono cai para uns 70% também, ou seja, uma brutal queda na emissão de poluição iria ocorrer. Mas aqui, como pensaria uma ambientalista radical tipo Greta? “Ainda vai poluir.” Sabe o que dá raiva? Essa gente não entende que “o ideal é o inimigo do bom”, que trata-se de uma transição e nesta, quanto mais pudermos avançar, melhor. No futuro próximo, quem sabe, poderemos substituir completamente essa matriz de combustíveis. E tem como? Tem.

Hidroelétrica? Não. Exceto países como o Brasil, muito úmidos, com elevada pluviosidade e relevo irregular (planáltico) para termos vazão suficiente, não há como coalhar usinas hidroelétricas em grandes planícies como na Europa ou outras regiões do globo. Nem países de climas desérticos, como grande parte da Austrália é ou muito secos em boa parte do ano, como a Rússia, Canadá, China ou EUA podem garantir que esta seja a principal fonte energética. Não, eles não têm o privilégio ambiental do Brasil. Então…

Solar e eólica? Não e não. Pelos mesmos motivos. Ainda que tenhamos melhorado muito no armazenamento de energia com novas baterias, não há insolação full time no mundo nem é possível “estocar vento”, então essas fontes são complementares apenas;

Biomassa? Não. Exceto se você quiser desmatar mais para expandir a área de cultura de cana ou milho derrubando florestas ou enchendo o solo de químicos (agrotóxicos) para elevar a produtividade. Mas é útli como complemento.

ENTÃO, O QUÊ JÁ QUE DÁ?

Olhe para o passado e veja o que foi a tendência até os anos 70. A ENERGIA NUCLEAR. Esta é a mais “democrática” e ao alcance de todos. “Ah! Mas e os riscos envolvidos?” Bem… Viver é um risco, mas melhoramos muito depois de Chernobyl. Tem que se avançar na tecnologia e normas de segurança, o que já melhorou bastante.

Isto é um debate racional e não ficar acusando alguém de ser culpado, de “roubar sonhos” etc. (How dare you? How dare you?) Na verdade, me parece, que essa menina foi utilizada como antípoda ao Bolsonaro, ela é jovem, ele, velho, ela é mulher, ele homem, ela é uma jovenzinha sensível e consciente, ele um carrancudo conservador. Colega, tu percebe que tudo não passa de um show em que extremistas se deleitam com nossa falta de bom senso e razoabilidade?

Anselmo Heidrich
26 set. 19

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Imagem “Receita de ovo frito” (Fonte): https://mdemulher.abril.com.br/receitas/ovo-frito/

A reunião do G7 vista pela Ucrânia

A reunião do G7* em Biarritz, na França, entre os dias 24 e 26 de agosto, não terminou com sinais alvissareiros, particularmente para a Ucrânia. As guerras comerciais, particularmente, entre Estados Unidos e China, a possibilidade de uma nova crise financeira mundial, a pauta ambiental e as mudanças climáticas, os incêndios florestais, os conflitos no Oriente Médio, leia-se, “Irã”, os protestos em Hong Kong, tensões em Taiwan, na Caxemira, Líbia, retrocesso nas negociações com a Coreia do Norte foram alguns dos temas que dividiram seus participantes, mas, para a Ucrânia, particularmente, o fator de tensão foi a possibilidade de retorno da Rússia ao G8.

A ideia partiu de duas lideranças mundiais, Donald Trump e Emmanuel Macron. Trump, p.ex., já manifestara seu desejo de que a Rússia voltasse a participar das reuniões do clube no ano passado (2018). O desenho desta reintegração já se dava há bastante tempo e não há surpresa que tenha se configurado agora, o que não deixou de causar indignação à Ucrânia. Mas, observadores apontam que deveria ser o contrário, pois, quanto mais tempo a Rússia ficar isolada mundialmente, menores serão as chances para a Ucrânia retomar seus territórios ocupados pela Rússia, bem como alinhavar futuros planos de paz.

Os líderes mundiais não se esqueceram, nem estão ignorando da Ucrânia. O próprio fato de a Rússia ter sido excluída do G8, após o contencioso com a Crimeia, e ser readmitida para tratar entre outros assuntos deste tema, é prova da consciência que este processo impõe. Outros países, como a Alemanha, o Canadá e o Reino Unido, se opuseram à reintegração russa, enquanto que o Japão adotou uma postura cautelosa, tendendo à posição da iniciativa Macron-Trump. A Itália, por sua vez, foi uma entusiasta e é a que mais frequentemente fala da necessidade de se suspender as sanções contra a Rússia.

É bastante difícil imaginar que a Rússia faça algum tipo de concessão territorial e, se tal vier a ocorrer, provavelmente fará parte de algum processo de barganha. Existem operações e projetos em curso que precisam de continuação e legitimidade. São eles: o retorno da delegação russa ao APCE*, a construção do Nord Stream 2, a cooperação franco-russa na Líbia, os acordos entre a Rússia e a União Europeia na Moldávia. Esta tendência de reaproximação com a Rússia já ocorre há muito tempo e ainda não é vista de modo consensual na Ucrânia.

A ideia de que a Ucrânia seja o “muro oriental” do Ocidente esvaneceu, na medida em que o país não tem mais sido visto como confiável. A expectativa com relação à Ucrânia no cumprimento de tarefas relevantes, como as reformas, a luta contra a corrupção, a facilitação de negócios que propiciassem um clima favorável aos investimentos, como tal, não ocorreu. Em menos de uma década, houve várias mudanças nos países ocidentais, mas, uma visão tem se firmado sobre a Ucrânia, de que o país não se tornou um caso bem-sucedido após o Euromaidan — a revolução que se formou no país em 2014 banindo lideranças pró-russas.

Observadores apontam que a Ucrânia foi vencida pelo pragmatismo russo, seja com seus lobistas, por consideradas ações invasivas e por apoio à movimentos nacionalistas na Europa, enquanto que a Ucrânia, não conseguiu se tornar o destino de investimentos que queria ser. Sem um claro consenso interno sobre o desenvolvimento institucional, uma reforma judicial e prestação de contas, a Ucrânia tem sido gradualmente marginalizada na arena internacional. Ao invés de ser convidada para se manifestar sobre o retorno da Rússia ao G8, a Cúpula preferiu ouvir Burkina Faso, Chile, Senegal, Ruanda, Egito, África do Sul e Índia.

O G7 não é necessariamente um clube dos países mais ricos do mundo, mas uma aliança de parceiros ocidentais, e a inserção da Rússia nunca foi prioridade. Há a necessidade de aproximação com ela em meio a uma crise global, mas isto não significa necessariamente capitular em relação aos interesses ocidentais no Mar Negro, o que inclui a Ucrânia e a expansão da OTAN neste cenário. Para a Federação Russa, por sua vez, integrar o G8 não seria um compromisso leve. Se, com isto, ela conseguir anular as sanções que lhe são impostas, provavelmente, os outros membros da organização irão pedir algo em troca e, neste processo de barganha, a Ucrânia pode estar inserida, seja com a devolução da Crimeia, seja com a paz no Donbass, ou com algum compromisso em relação às alianças euro-atlânticas.

Nesta conjuntura de fragilidade e instabilidade mundial, a Ucrânia pode ter sido, temporariamente, posta de lado. Uma possível reversão deste quadro estaria na força do país como parceiro e ímã aos investimentos externos que, por sua vez, demandariam pela concretização de alianças internacionais, como a União Europeia e a OTAN. Em ambos os casos, é preciso confiabilidade que só irá surgir se a política e o Estado ucranianos se tornarem estáveis e transparentes, garantindo a necessária segurança jurídica. Novamente, para se defender de seus inimigos externos, a Ucrânia precisa combater os males internos, dentre os quais se destaca a corrupção.

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Notas:

Grupo dos Sete (G7)corresponde aos países mais ricos do mundo, faltando a China, por isso, não se configurou como sendo necessariamente e exclusivamente o grupo dos mais ricos. É composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI),mais de 60% da riqueza mundial se concentra nestas economias. O Grupo dos Oito (G8)correspondia ao mesmo G7 mais a Federação Russa, excluída em 2014 após ter anexado a Crimeia, o que levou à atual situação de beligerância com a Ucrânia. Apesar de a Rússia não se encontrar entre as 10 maiores economias, ela porta um dos maiores arsenais de defesa mundiais, sendo, portanto, um dos países mais poderosos. Portanto, aí reside a importância da participação da Rússia nas decisões que afetam todo o globo.

** APCE — Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa ou Parliamentary Assembly of the Council of Europe (PACE)é uma assembleia formada por representantes de diversas forças políticas de seus países-membros, tanto da situação como da oposição. A assembleia representa 47 nações europeias e supervisiona o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, mas, não é parte constituinte da União Europeia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 G7Biarritz, logo” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:G7_une_fd_cle841133.jpg

Imagem 2 Donald Trump e Emmanuel Macronos dois líderes e articuladores do retorno da Rússia ao grupo, no encontro do G7, em BiarritzFrança2019 (Fonte):https://commons.wikimedia.org/wiki/File:-G7Biarritz_(48632625006).jpg

Rambo Até o Fim

Em primeiro lugar, “Rambo Até o Fim” é um bom filme. Para quem gosta dos que abordam defesa da família e vingança, sem dúvida que é um prato cheio. Mas diferente dos filmes com a mesma temática, como aqueles com Liam Neeson, que acabam por resgatar sua filha sã e salva, a personagem de Stallone não consegue o mesmo com sua “sobrinha” (a sobrinha de sua empregada doméstica). Após ter sido sequestrada no México, já no lado americano da fronteira, ela não resiste mais.

O pano de fundo é uma relação familiar mal constituída, pois a garota parte em busca do pai, cujo endereço em uma cidade mexicana de fronteira, foi descoberto por uma “amiga”. Na verdade, uma safada que acaba vendendo-a para agenciadores de garotas, que as escravizam na prostituição após viciá-las, provavelmente, com heroína. 

Se você já está prevendo um filme com toques de preconceito étnico, no qual mexicanos são retratados como sub-humanos está errado, redondamente errado. Fica claro a afeição que o ex-soldado tem pelos desfavorecidos, há uma parte em que esta senhora que trabalha com ele agradece por tê-los ajudado, no que fica implícito que foi a acolhida que Rambo deu a sua família de imigrantes mexicanos. E se você também está pensando que há aí um tom crítico a atual administração Trump também errou, não é nenhuma coisa nem outra, o que torna o filme não oportunista e melhor ainda. Por um lado há as mexicanas oprimidas por quadrilhas de exploração sexual, por outro, um sistema corrupto formado, inclusive por agentes da lei que usam as garotas sedadas ou não para seu deleite estuprando-as. O próprio Rambo caracteriza a força local numa curta frase “a polícia lá não serve pra nada!” ou, na tradução literal “não vale bosta nenhuma!”

Rambo não é o soldado nacionalista, patriota, mas o renegado pelo sistema, como mostra no primeiro filme da série em que um xerife local o persegue porque não quer vagabundos em sua cidade. E tratava-se de um ex-combatente do Vietnã, sem eira nem beira, tentando seu caminho na América. Aqui fica patente a contradição, Rambo é o sinal da nova era americana, um ítalo-americano que entra em rota de colisão contra o típico WASP (White Anglo-Saxon Puritan) em uma sociedade que já se modificou em suas bases demográficas. A ordem calcada no preconceito do pretenso líder de uma cidadezinha com um distintivo de xerife e age como um gangster territorialista de favela é desafiada por um ideal de liberdade e privacidade em que o indivíduo não se submete aos instintos tribais. Ele encarna o espírito imaginário da liberdade americana no mais simples, frugal e essencial, o Direito de Ir e Vir, no que reage conforme foi treinado sem se submeter. Rambo é um lobo solitário com a ética da liberdade.

É violento? Sim, é bem violento e não deveria ser? É um filme do Rambo, pôrra! Esperava o quê? Sei que filmes de ação violentos sem clara definição do Bem e do Mal são lixo para mim, por melhor que seja seu diretor, são lixo para mim. E aqui dou uma direta para o queridinho adorador da violência pela violência, como atributo estético, Quentin Tarantino. Incrível como a mesma rapaziada que adora criticar heróis éticos baba o ovo de quem faz filmes cuja sangueira tem como pano de fundo mensagens intelectualizadas “contra o sistema”. Não posso nem assistir aos filmes desse Tarantino de tanto nojo que me dá… E Rambo, por pior que seja o Stallone enquanto ator (às vezes dá a impressão de ser um robô embaixo da pele), passa uma boa mensagem, cada vez mais ausente nas telas. 

Em uma das cenas mais tocantes do filme, sua sobrinha adotiva Gabrielle (Yvette Monreal) que fora criada pela tia e por Rambo encontra seu pai (Marco de la O) em uma cidadezinha fronteiriça confrontando-o por que havia abandonado ela e sua mãe e, numa tomada de câmera simples e sensacional, ele diz com todo o desprezo que pode caber em um homem tornando-o mais desprezível ainda como ser humano que “depois que sua mãe morreu percebi que não sentia nada por vocês”, segundos antes de bater a porta na cara dela. O rosto da menina é de choque pelas palavras, seus olhos estão úmidos e é possível ver as lágrimas vertendo embaixo da pele. É uma cena forte, mais forte que qualquer porrada, qualquer tiro, qualquer estocada, qualquer granada, explosão, gemido ou grito. É algo que destrói uma pessoa.

Após toda a batalha, que sucede as armadilhas engenhosas de Rambo, numa sequência de trucidação, ele senta na cadeira de balanço em sua varanda, sangrando com o pôr do Sol ao fundo. E fundo também está o toque para quem é pai e mal consegue assistir filmes que tenham crianças sofrendo na trama, o filme é de heroísmo, sofrimento e solidão, com violência sim, mas com a violência que gostaríamos de ver contra quem merece, não com tiros a esmo matando inocentes. Sei que nem sempre é possível acertar, mas é possível se conter quando civis inocentes estão próximos e esta é a diferença entre o que o tal do “servir e proteger” faz em relação a uma caveira como ícone. 

Estou farto de bandidos edulcorados com auras psicologizantes de “vítimas contra o sistema” que “têm que ser compreendidos”. Compreendidos não significam justificados. Mesmo compreendendo o mal, ele deve ser combatido, mas do modo certo, preciso, cirúrgico. Como? É aí que quero ouvir os especialistas. 

Onde estão os especialistas dos “dois lados”? Por que não é possível segurar o tiro quando existem civis na área? Eu não sei como se deveria fazer, mas quero ouvir quem sabe para que a morte de personagens como Gabrielles sejam nossa paranoia em detrimento do tormento da morte de Ághatas.

Anselmo Heidrich

23-set-2019

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Minha dúvida sobre a ambientação: Rambo começa o filme triste porque não conseguiu salvar um casal que se perdeu nas montanhas durante uma forte tormenta prestes a sofrer um deslizamento com lama e árvores. Esgotado, física e psiquicamente, ele volta para casa, no seu rancho no Arizona… Ora! Eu realmente não sou um expert na geografia daquele estado, mas a paisagem das montanhas, florestas e sobretudo, da tempestade remete à costa noroeste, em estados como Oregon e Washington. Se alguém souber de alguma explicação plausível para esta, aparente, inadequação, por favor, me corrija que retifico aqui mesmo.

Uma crítica à apresentação no cinema: que mania horrível é esta agora (fazia tempo que não ía ao cinema) de apresentar trailers narrados que, praticamente, contam todo o filme a seguir? Antigamente, não havia trailers do filme para o qual você havia comprado o ingresso, esta foi uma ideia de péssimo gosto. Horrível.

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Fonte da imagem: https://www.cinemablend.com/news/2480591/sylvester-stallone-explains-how-rambo-is-different-in-last-blood

Ió é o burrinho pessimista do desenho animado, Puff, o ursinho que faz loucuras para conseguir mel. Essa personagem criada em 1924 teve suas belíssimas versões animadas pela Disney em 1966. O burrinho é aquele animalzinho com ar depressivo que anda se arrastando e nem parece um burro, mas uma capivara obesa de tão gordo. Ió é o retrato de nossa época, com suas orelhas caídas, olhos e pálpebras idem, o burrinho representa o pessimismo, o vitimismo, a autocomiseração e, talvez, até a depressão.

Calma! Se você gosta da personagem, eu também. Na verdade, tenho até pena dela, mas justamente por isso, o burrinho condiz com a síndrome que nos afeta, o que faz parecer crer que estejamos adentrando um novo período geológico, o mi-mi-mioceno, pois tudo parece virar uma querela moral, um eterno “mi-mi-mi” e mesmo quem acusa o outro lado de querer “lacrar” também faz das suas. É o caso que já causa náuseas de falar, da Esquerda pautando seus temas em defesa das “minorias” (gays, negros, mulheres), que nem são minorias na maioria dos casos e a Direita retrucando da mesma forma apontando sua hipocrisia, mas também ignorando suas próprias contradições, como quando se diz “perseguida pela mídia”. Aliás, argumento este passível de encontrar em qualquer ponto dos extremos político-ideológicos.

Steven Pinker, em O Novo Iluminismo diz que isto já está instaurado há muito em nossa sociedade, na verdade, em nossa civilização. A ideia de que progredirmos, que melhorarmos de vida em geral e no geral não é mais aceita, sequer bem vista. Exceto por aqueles que denotam um pouco mais de apuro estatístico em suas análises, há uma massa de intelectuais que, por diversas razões, ostenta uma orgulhosa “progressofobia”. Isto pode ser sustentado por diferentes sentimentos, de que “estamos perdendo nossa essência”, seja lá o que isso for… Ou que “o mundo está cada vez pior”, “os agrotóxicos, os games, a violência simbólica, tudo!” E não são só os mais intelectualizados que nutrem este tipo de preconceito, a grande massa ignorante metida a intelectual, os chamados “intelectualóides” também o faz e os argumentos podem variar de que “tudo piora” até o “está tudo muito fácil hoje em dia”, o que revela uma contradição constante e falta de clareza no que se quer criticar.

Se conversarmos com as pessoas comuns nas ruas, a maioria vai nos dizer que sua vida não é tão ruim ou até mesmo é boa, mas experimente transferir a mesma pergunta para “a sociedade” e verás que a percepção geral muda 180 graus. É um rosário de lamentações, de perdas e perda de sentido, um sentimento de decadência que parece vir de alguém que realmente viveu aquilo até que… Surge a pergunta subsequente: como sabe disso? “Ah! Eu vi na TV… Um amigo me relatou… Fiquei sabendo que…”, ou seja, a grande maioria dos casos se baseia, quando se baseia em algo, em informações terceirizadas. É o que chamam na literatura de “disparidade de otimismo”, ele vale para o que é próximo porque a proximidade induz à realidade, mas some para o que se teme, a vida grupal fora de controle porque distante do nosso controle individual.

Já faz algum tempo também li n’O Ambientalista Cético de Bjørn Lomborg a respeito de uma pesquisa abrangente feita em vários países do que se achava sobre o meio ambiente de sua cidade. Certo ou errado, a maioria não tinha uma avaliação negativa ou muito negativa do mesmo, mas a resposta era totalmente adversa quando se tratava de avaliar o meio ambiente global. Daí as respostas eram realmente negativas, influenciadas provavelmente pelo tipo de matéria que é constantemente divulgada quando se trata do tema meio ambiente, sempre com adjetivos nada promissores, como “lixo”, “extinção”, “morte”, “destruição”, “poluição” etc.

Nossa percepção muda muito a partir do que conhecemos ou dizemos conhecer para o que imaginamos. Leve isto em conta, mesmo que não queira pecar pelo excesso de otimismo, não precisa ser um refém de uma visão negativa sem justificativa. Deixe o burrinho Ió para os desenhos, dos quais até as crianças já perceberam que ele é exagerado.

Anselmo Heidrich

17-set-2019
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(Fonte da imagem: http://pngimg.com/download/37593)

Curtas: Bolsonaro, Salles, Olavo, Duvivier

1. E aí?

‘Moro de saia’, senadora do PSL relata ‘grito’ de Flávio contra CPI do Judiciário. Alvo de cassação, Juíza Selma (PSL-MT) afirma que foi procurada pelo filho do presidente para inviabilizar apoio à investigação de ministros do STF
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/09/moro-de-saia-senadora-do-psl-relata-grito-de-flavio-contra-cpi-do-judiciario.shtml


2. E aí?

Mas a insatisfação de Bolsonaro com a PF não foi exatamente por isso. Conforme mostrou o repórter André Guilherme Vieira, a instituição investiga milicianos que eram ligados ao gabinete de Flávio Bolsonaro. As informações estão sendo trabalhadas pela Diretoria de Inteligência, mas policiais próximos à família do presidente souberam da existência da apuração, causando a ira de Bolsonaro. Daí ele querer controlar a corporação no Rio de Janeiro.
Moro a uma canetada de pedir demissão https://epoca.globo.com/guilherme-amado/moro-uma-canetada-de-pedir-demissao-23943676?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar


3. Enfim, Olavo de Carvalho colocado em seu devido lugar, o panteão dos ridículos da humanidade: The Guardian ironiza Olavo de Carvalho após comentários sobre os Beatles

O artigo do The Guardian continua ácido ao falar sobre a possibilidade de o fundador da Escola de Frankfurt, que morreu nove anos após o nascimento da banda britânica, ser de fato o gênio da música responsável pelo sucesso dos reis do iê-iê-iê. “Mas é claro que ele é. Imagine a cena. É 1963 e Lennon e McCartney estão se matando para escrever ‘She Loves You’. ‘She loves you’, diz Lennon. “O que vem a seguir?” “Yeah, yeah, yeah”, contribui Adorno. “Brilhante, Teddy, apenas brilhante”, diz McCartney. O resto é história”, diz o texto.
(…)
Mais adiante, o texto do The Guardian, que foi dividido em tópicos, explica o tom irônico. “Na verdade, Adorno desprezava os Beatles e tudo que eles representavam. Ele disse na revista Akzente em 1965 :’O que pode ser dito contra os Beatles é que simplesmente que o que essas pessoas têm a oferecer é algo estúpido em termos de seu próprio conteúdo. Pode-se ver que os meios de expressão que são empregados e preservados aqui são, na realidade, nada mais do que técnicas tradicionais de forma limitada””, contou. https://www.metrojornal.com.br/entretenimento/2019/09/12/the-guardian-beatles-olavo-carvalho.html


4. Ricardo Salles, o incompetente, deveria aprender com quem tem experiência no cargo:

O Pacto da Madeira Legal atendeu a uma demanda do setor madeireiro que alegava que não existia madeira licenciada e nem plano de manejo. Então a madeira era toda ilegal. E se fosse proibido iriam demitir milhares de pessoas. Então o governo se comprometeu a dobrar a quantidade de madeira legalizada. E eles se comprometeram a comprar madeira só dos produtores licenciados. Isso foi cumprido em 60%. Não foi tão bom quanto a Moratória da Soja. Também trabalhamos em parceria com universidades para fazer o Zoneamento Econômico e Ecológico da Amazônia que serviu para ordenar o território.
Para sinalizar áreas protegidas, apontar áreas que já foram desmatadas e poderiam abrigar indústrias e também para identificar áreas de pasto degradado. Então a orientação do ministério era para recuperar o pasto e ao invés de colocar uma cabeça de gado por hectare colocar três. Desse modo se aumentava a produtividade e evitava o desmatamento. Em dois anos nós reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. Criamos o Fundo Amazônia –que foi praticamente destruído pelo Bolsonaro e Ricardo Salles–, o Fundo Clima.
“Bolsonaro e Salles transformaram o Brasil na escoria ambiental do planeta” https://br.noticias.yahoo.com/entrevista-semana-carlos-minc-105122048.html?soc_src=social-sh&soc_trk=tw via @YahooBr


5. Se Duvivier não gostou, é porque provavelmente o MBL acertou: Duvivier compara MBL a Witzel após grupo divulgar Congresso com participantes não confirmados

https://www.brasil247.com/midia/duvivier-compara-mbl-a-witzel-apos-grupo-divulgar-congresso-com-participantes-nao-confirmados#.XXuX5b8YoOQ.twitter

O que não vesti no 7 de Setembro

Recentemente li que a oposição ao governo @jairbolsonaro se divide entre a Esquerda que quer implantar uma ditadura fidelista/chavista, embora não assuma isso e uma massa de centristas e “isentões” que não sabem o que quer. Notem este “não sabem o que quer”. Esta é uma mentira descarada, total. O que essa massa de descontentes quer é algo que ESPERAVA, fosse se consolidar com o governo @jairbolsonaro , mas tal não ocorreu. Um governo que:

  • Respeitasse o Estado de Direito;
  • Reestruturasse, na medida do possível, a máquina pública;
  • Profissionalizasse o funcionalismo público desaparelhando e eliminando a influência de atores políticos como os sindicatos;
  • Iniciasse um programa de privatizações que se convertesse em investimentos, sobretudo, em obras de infraestrutura;
  • Profissionalizasse a educação;
  • Garantisse a segurança pública através de um programa contínuo com a reforma do sistema prisional e código penal, duas fontes de perpetuação do crime;
  • Investisse de modo concomitante e sistêmico na prevenção e repressão ao crime desde suas manifestações menos ofensivas, como a “teoria da janela quebrada” de @RudyGiuliani, ex-prefeito de NYC;
  • Instaurasse gradualmente a meritocracia como um dos princípios da adminstração pública, p.ex., na educação, com a aplicação de vouchers, prêmios de desempenho e produtividade para professores e implementação de charter schools, onde as escolas são obrigadas a cumprir metas de desempenho, sob risco de não obterem financimento ou tê-lo reduzido após um ano;
  • Monitoramento e fiscalização de crimes ambientais a partir de uma ampla base de propriedades privadas e públicas, no que seria necessário um programa de regularização fundiária como um dos principais objetivos para desenvolver o que se chama, genericamente, de “desenvolvimento sustentável”.
Palácio do Planalto, Brasília.

O que eu acho totalmente desnecessário é ficar insistindo numa estratégia infantil e pobre de:

  • Criar conflitos onde não precisa, a esfera da vida privada (quem transa com quem, quem opta por um estilo de vida etc.);
  • Criar conflitos como se estivesse em pleno movimento de campanha difamatória e anti-difamatória;
  • Insisitir em conceitos vazios de significado, como “Esquerda”, “Direita”, “Conservador”, “Socialista”, principalmente, quando a grande maioria de quem os usa não tem a menor ideia do que se trata;
  • Não saber se opor aos seus rivais, sejam eles chefes de estado ou opositores domésticos apelando para o mais baixo nível civilizatório, o que só acaba dando razão para seus difamadores que já nem precisam mais se esforçar em difamá-lo (basta reproduzir os fatos diários).

Há mais erros, mas vocês entenderam e espero que entendam duas coisinhas mais:

1) SE O PT RETORNAR AO PODER, O VERDADEIRO CULPADO TEM QUE SER APONTADO E ELE SE CHAMA JAIR MESSIAS BOLSONARO;

2) SER ISENTO NO MEIO DE UM MAR DE INSANOS NÃO É DEMÉRITO ALGUM, MAS PROVA DE PACIÊNCIA, PONDERAÇÃO E ATENÇÃO PARA ENTENDER O QUE REALMENTE SE PASSA.

Sede do SBT, Osasco, SP.

Ontem, não vesti preto para não dar razão aos opositores que querem a volta de uma máfia ao poder, o PT, mas também não vesti verde e amarelo porque estas cores foram usadas por quem usa das mesmas táticas petistas do passado de aparelhamento do estado. A diferença é que não se faz mais com os chamados “movimentos sociais” (na verdade, movimentos políticos de apoio ao PT), mas com mecanismos de mídia simpáticos e igrejas evangélicas apostando no maior divisionismo ao culpar dois grandes grupos:

1) A Globo, insistindo na MESMÍSSIMA retórica desgastada que fez a Esquerda no passado (notem esta semelhança);

2) Católicos, que não são tão unidos quanto os evangélicos e se mostram um tanto céticos quanto ao Papa e, para os evagélicos, já degenerados.

O que vemos e vimos ontem foi um ataque ao estado laico, foi um ataque ao bom senso e moderação, foi um desprezo ao cargo de chefe de estado que seria o de governar para todos.

Eu entendo a pressa em buscar salvadores em uma nação arrebentada pela economia mal gerida. Mas o que eu não entendo é gente inteligente apoiar isto. Insistem na evolução da bolsa, nos interesses corporativos contrários tentando minar o governo etc., mas esquecem que nem tudo é a economia e que esta um dia irá refletir esta interferência indevida na cultura.

Mesmo os mais esperançosos e otimistas irão lamentar o desastre como método.

Lembre-se disto em 2022.

@aheidrich

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Templo de Salomão, São Paulo, Brasil” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Templo_de_Salom%C3%A3o_-_5.JPG

Imagem 2 “Palácio do Planalto, Brasília, Brasil (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pal%C3%A1cio_do_Planalto_Novembro_Azul.jpg.

Imagem 3 Sede do SBT, Osasco, SP (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sede_do_SBT.jpg.

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