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Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

Anti-Pop

O lemingue é um tipo de roedor do norte da Europa que durante muito tempo se acreditou que se suicidava aos bandos em determinada época do ano. Era o animal perfeito para a pecha de “irracional”. Mas era pior do que isso, esse traço de comportamento é perfeitamente humano. Ao se deslocar em grupo, os indivíduos seguem aqueles que vão na frente em determinado rumo. Como são muitos se empurram jogando alguns penhascos abaixo nos fiordes. Seguir tendências irrefletidamente tem este “bônus”, pode te levar a um suicídio coletivo.

Lembro-me como se fosse hoje, estava caminhando na Av. Paulista indo para o trabalho quando um colega de pós-graduação junto aos seus segurava um cartaz da CUT e me perguntou se eu sabia de algum emprego para ele, isso lá pelos idos dos anos 90. Prometi levar um currículo, mas só fui revê-lo décadas mais tarde como chefe de dept do curso de geografia da UFSC. Ele se deu bem seguindo sua onda, mas minha consciência não me permitia fazer o mesmo.

Nisso eu me afastava cada vez mais daquele grupo e minhas leituras no boom da globalização me colocavam mais e mais na antípoda disso tudo. Acho que por volta de 2003 comecei a escrever no Mídia Sem Máscara e seguia o pessoal em muitos pontos em comum, mas logo comecei a divergir em detalhes aparentemente insignificantes que para mim faziam muita diferença, pois eram sobre premissas importantes, como a separação entre igreja e estado, a moralidade da guerra etc. E foi quando dois colegas foram rechaçados por suas críticas à religião que também dei um basta naquilo tudo e pulei fora defendendo os excomungados, mas não sem ampliar minha cota de haters.

Nas redes sociais eu colecionava desafetos quando discutia geopolítica em meio aos liberais e quando me mantinha intransigente quanto à liberdade de expressão em meio aos conservadores. Pela minha atuação firme nas manifestações pelo impeachment e oposição ao PT conquistei um espaço no anti-petismo. Porém, não demorou para perceber que muitos desses não eram defensores coerentes da liberdade, mas apenas petistas de sinal invertido (olavetes, bolsonaristas, intervencionistas e até alguns “liberais”). Segui na minha e, embora o Facebook te permita deixar de seguir ou se desligar de quem te desagrada, um bom lemingue não pode desviar da rota e ser o próprio capitão de sua nau. Não! Ele quer ser aceito por ti. E o que esses QIs de roedores do frio não entendem é que eu nunca fui de seu grupo, apenas casou de traçarmos juntos parte do percurso.

Recentemente descobri que esses imbecis simplesmente não têm rigor conceitual e não entende o mais básico dos princípios liberais como a liberdade de expressão. Eles adoram desnudar as tramoias esquerdistas, mas se seu representante eleito ou ícone de justiça for pego, mais que negar, passam a te odiar por expor sua hipocrisia ou, na melhor das hipóteses, contradição não intencional.

A verdade é que a verdade não exige carteirinha de sócio em algum clubinho, mas pode evitar que se caia em algum precipício.

Anselmo Heidrich
25 jul. 19

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Fonte da imagem “montanhas”: https://pixabay.com/fr/photos/montagnes-falaise-nature-solitaire-2722673/

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Como mistificar a expansão militar dos EUA

Observem:

Por fim, resumindo e voltando à discussão sobre as sucessivas derrotas americanas no período em que os Estados Unidos estiveram no epicentro do sistema mundial e do seu movimento permanente de expansão: do nosso ponto de vista, o sistema mundial é um “universo em expansão”, onde todos os Estados que lutam pelo “poder global” – em particular, a potência líder ou hegemônica – estão sempre criando, ao mesmo tempo, ordem e desordem, expansão e crise, paz e guerra. Por essa razão, crises, guerras e derrotas não são, necessariamente, o anúncio do “fim” ou do “colapso” da potência derrotada. Pelo contrário, podem ser uma parte essencial e necessária da acumulação de seu poder e riqueza, e anúncio de novas inciativas, guerras e conquistas. O que passou já ficou para trás, como se fosse uma perda de estoque que não altera necessariamente o fluxo do seu poder dirigido para frente e para novas competições e conquistas. E é isto exatamente que está acontecendo, agora, do nosso ponto de vista, quando os Estados Unidos estão realinhando suas forças, suas velhas alianças, e preparando todos os seus estados vassalos, para a disputa de poder e riqueza que já em curso dentro do novo eixo asiático do sistema mundial.

Leia o restante do artigo em: https://jornalggn.com.br/destaque-secundario/as-estranhas-derrotas-de-uma-potencia-que-nao-para-de-se-expandir-e-acumular-poder-por-jose-luis-fiori/amp/?fbclid=IwAR3FlhczKKi1BEOfjJ7Pm9wkmekoajAJGKIEM1PQBWhowJtm_lm4gbbn8zg

Acho que a indústria militar precisa dos conflitos para se manter lucrativa, mas não vejo os EUA como UM, isto é, com um cérebro e ação uniformes, concatenados, vejo o país como uma arena de conflitos e interesses, onde o Pentágono (nem me refiro ao Congresso) é um lugar de lobbies, dentre os quais, a indústria militar, claro. A análise do professor de “economia política”[*] dá a entender que as derrotas são quase que intencionais, que o que importa é gerar instabilidade para vender mais, o que é um típico raciocínio funcionalista[**], de que os efeitos são, na verdade, causas, isto é, de que guerras perdidas são a causa das operações, cujo objetivo é a instabilidade que reforça o sistema and move and on reforçando o sistema que precisa disso. Qualquer semelhança com a explicação marxista de como o Capital se reproduz não é mera semelhança. Por essas e outras que no marxismo chegamos a ler coisas como “a greve mal sucedida pode parecer ruim aos trabalhadores no curto prazo, mas é benéfica no longo prazo porque ao piorar suas condições de vida se reforça a necessidade de uma revolução contra os detentores do capital”. Quanto às guerras, claro que os EUA, de um ponto de vista clássico, perderam guerras como a do Vietnã, mas POR QUE PERDERAM? Pela superioridade bélica dos vietcongs? Claro que não e sabemos bem porque perdeu. Analogamente, o Afeganistão, onde TODOS PERDEM, mas a questão é, valeu a pena o tempo de ocupação? Sobre este caso, eu não sei dizer, mas se observarmos o arranjo federalista e o regime implantado no Iraque, podemos dizer que está pior do que a ditadura clânica de Saddam Hussein? Mesmo com todos os defeitos, eu diria que está melhor hoje, mesmo pelas razões erradas que foram alegadas (ADMs nunca descobertas no governo GWB). Agora, retrocedamos mais no tempo, a 1ª Guerra do Golfo, em 1991, não foi muito bem sucedida? As forças iraquianas foram retiradas do Kuwait e o comércio de petróleo do Golfo Pérsico assegurado. Eu não consigo ver derrota nisto, sinceramente.
Agora, se o debate for para a esfera MORAL, eu concordo que essas guerras sequer deveriam ter começado, afinal guerras gente morre, inclusive inocentes, mas daí uma crítica justa e ponderada não teria os EUA como foco, né? Ainda mais se observarmos bem, quanto tempo na História foi tomado pelos estados-nações? Uns 70 anos, mais? O que é isto em termos de História Mundial? Um mundo cuja maior parte do tempo foi dominado por impérios pode retornar, não é uma ilusão e quando vemos países como Rússia e China se imporem à diversas nacionalidades e culturas como a única fonte de ordem vigente, como ficam os EUA? Os EUA é que são a anomia, uma força descomunal que combina poder, opressão com democracia e daí os conflitos internos é que são sim a maior ameaça àquele país. Esta excepcionalidade é ignorada quando as relações externas são enfocadas, o que não poderia ser diferente, mas daí, quando se parte para a ideia de que há uma cúpula com um plano que processas as coisas de forma para gerar crises e capitalizar mais só pode ser explicado de duas formas:

  • uma bela e baita teoria da conspiração
    OU
  • um processo funcionalista do sistema que evolui teleologicamente para um fim preconcebido, a expansão do capital, ou seja, o velho marxismo, não tem outro nome.

[*] “Economia Política” é como a escola marxista chama sua visão do funcionamento da economia, capitaneada pela política, que se resume, no fim das contas, à luta de classes e suas variações (lutas entre estados ricos vs pobres, centro vs periferia, norte vs sul, esta a mais medonha).

[**] Funcionalismo é escola sociológica americana do pós-guerra (Dall, Parsons), mas cujas características se encontram na ecologia antiga (que muitos ainda usam em detrimento de formas mais resilientes e evolutivas) e também no marxismo quando, como já comentado, os fins funcionam como ‘causa’ ao serem motivadores e cujo feedback, retroalimentação do sistema, induz a novos movimentos. Isto existe na escala individual (incentivos), mas quando se adapta ao marxismo, os agentes são categorias coletivas, ou seja, as classes sociais. Daí a conhecida balela de “consciência de classe” e com ela, na prática, a manipulação decorrente de sindicatos que induzem seus membros (ou forçam) a acatar suas decisões porque, afinal, são os agentes revolucionários da única consciência que se pode ter.

Minutemen

Excelente. Termina de forma magistral chamando atenção para aqueles que querem usurpar um símbolo nacional, os minutemen.

Tormento Pabulum

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               As primeiras milícias a se organizarem nas colônias inglesas na América foram, também, as primeiras a se juntarem ao esforço de independência. Os minutemen marcaram a história dos EUA devido à sua importante presença nas fileiras do exército revolucionário, e se tornaram parte icônica da história americana. Dessa forma, os minutemen ficaram entre os membros mais bem reconhecidos de todo o exército americano durante sua guerra de independência, e também entre os mais eficazes, usando suas táticas e organização para auxiliar na vitória contra a metrópole britânica em diversas batalhas.

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O retorno às aulas será feito de modo eficaz e seguro?

Funcionário dedetiza sala de espera de posto de saúde no Recife (Foto: Chico Bezerra/Prefeitura de Jaboatão). Teremos o mesmo procedimento de segurança nas escolas?

“‘Nas classes sociais mais vulneráveis as escolas cumprem importante papel de acolhimento e suporte às crianças e aos adolescentes, além de liberar os demais membros da família para que possam cumprir com seus compromissos profissionais. Nossa preocupação é fazer tudo dentro do mais absoluto rigor das normas sanitárias’, afirma.”

Maravilha, mas… uma pergunta de quem não quer calar: o distanciamento interno à sala de aula, como é feito nos países onde as aulas não pararam e/ou retornaram, vai ser adotado? E isto implica em menos alunos por sala.

Teremos acesso à enfermaria ou enfermeiro de plantão com acesso rápido?

As máscaras serão mantidas em crianças de 5 anos, que são obrigadas por força de lei, a frequentar escolas? (Boa oportunidade para discutir o homeschooling ou um sistema misto.)

E esta eu quero ver: o monitoramento da temperatura na porta da escola vai ser observado em escolas públicas onde as mães e pais que deixarão seus filhos têm horários a cumprir e não poderão retornar com elas para casa, caso haja alguma elevação da temperatura ou sinal de estar febril?

E se for em escolas particulares, nas quais os pais sequer descem dos carros e as filas são formadas com veículos passando e descarregando crianças, como farão? O que fará o “tio” da van que deixa várias crianças na porta da escola, se uma delas for percebida com febre, dará meia volta e a levará de volta para seu condomínio?

E, não custa perguntar, como as mães zelosas, que não são meros profissionais autônomos, mas juízes e procuradores e promotores irão reagir se suas crianças forem obrigadas a permanecer em casa durante uma semana, após o retorno às aulas, caso sejam detectados sinais de temperatura alta? Porque, pela minha experiência, é fácil ser intimidado neste país.

Retorno SIM, mas com regras aplicadas EFETIVAMENTE para todos e não apenas, como já é tradicção neste país, para inglês ver.

Sobre: Retorno das aulas presenciais em Santa Catarina é autorizado https://omunicipio.com.br/retorno-das-aulas-presenciais-em-santa-catarina-e-autorizado/ via @O Município

Imagem (fonte): https://voxms.com.br/pandemia/ibope-83-da-populacao-defende-o-uso-de-mascaras/

Biden vs. Bolsonaro

 Escute o episódio mais novo do meu podcast:   Biden vs. Bolsonaro https://anchor.fm/anselmo-heidrich/episodes/Biden-vs–Bolsonaro-em2dhv Jair Bolsonaro não entende as declarações de John Biden e sua predileção por um dos candidatos prejudica em muito as relações saudáveis e pragmáticas  que deveriam existir entre estados.

Interceptor

Porque eu rejeito Donald Trump

Há várias razões porque rejeito #DonaldTrump, mas o principal está na política externa e na geopolítica, o que não é um problema secundário, frente à situação doméstica dos EUA. É algo fundamental ao seu desenvolvimento e equilíbrio internacional.

Escute o episódio mais novo do meu podcast:

Porque eu rejeito Donald Trump

https://anchor.fm/anselmo-heidrich/episodes/Porque-eu-rejeito-Donald-Trump-elvun8

Legalizar a maconha resolve ou gera mais problemas?

Há uma consideração frequentemente ignorada por liberais ou socialistas que defendem a legalização: as externalidades negativas. É sobre elas que falo aqui, baseado em estudo empírico.

Escute o episódio mais novo do meu podcast: Legalizar a maconha resolve ou gera mais problemas? https://anchor.fm/anselmo-heidrich/episodes/Legalizar-a-maconha-resolve-ou-gera-mais-problemas-elceqv

Eleições na Bolívia sinalizam venezuelização da América Latina?

Acredito mais em um movimento de inércia no subcontinente latino-americano do que uma mudança real, seja para Esquerda ou para a Direita. Ouça e entenda porquê.

Escute o episódio mais novo do meu podcast: As eleições na Bolívia sinalizam a venezuelização da América Latina? https://anchor.fm/anselmo-heidrich/episodes/As-eleies-na-Bolvia-sinalizam-a-venezuelizao-da-Amrica-Latina-elbg3o

Sinofobia, a nova doença social

Escute o episódio mais novo do meu podcast: Sinofobia, a nova doença social : https://anchor.fm/anselmo-heidrich/episodes/Sinofobia–a-nova-doena-social-el9hue/a-a3jb1sa

Crise na Educação vista pelo SIMPRO

 Escute o episódio mais novo do meu podcast: Crise na Educação vista pelo SIMPRO https://anchor.fm/anselmo-heidrich/episodes/Crise-na-Educao-vista-pelo-SIMPRO-el602n

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