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Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

Autor

Anselmo Heidrich

Mestre em Geografia Humana pela USP. Professor de Geografia há mais de 25 anos, pesquisador em geografia e geopolítica. Ex-Membro do Movimento Brasil Livre em Santa Catarina e do Movimento Resistência Liberal Brasil. Co-autor do livro Não Culpe o Capitalismo.

Sou ínfima parte do grande todo.

Sim; mas todos os animais condenados a viver,

Todas as coisas sensíveis, nascidos segundo a mesma lei implacável,

Sofrem como eu e também morrem.

O abutre aperta sua tímida presa,

E golpeia com o sanguinário bico os trêmulos membros:

Para ele, parece, está tudo bem. Mas pouco depois

Uma águia faz o abutre em pedaços;

A águia é trespassada por setas do homem;

O homem, caído na poeira dos campos de batalha,

Misturando seu sangue com companheiros agonizantes,

Torna-se, por sua vez, o alimento de pássaros vorazes.

Assim o mundo todo geme em cada membro,

Todos nascidos para o tormento e para a morte mútua.

E sobre este horrendo caos você diria

Que os males de cada um formam o bem de todos!

Que bem-aventurança! E quando, com voz tremula,

Mortal e lamentavelmente você grita “Tudo bem”,

O universo o desmente, e o seu coração:

Refuta cem vezes a sua presunção.

Qual é o veredicto da mente mais ampla?

Silêncio: o livro do destino está fechado para nós.

O homem é um estranho para com sua própria pesquisa;

Não sabe de onde vem, nem para onde vai.

Átomos atormentados num leito de lama,

Devorados pela morte, um escárnio do destino

Mas átomos pensantes, cujos olhos que enxergam longe,

Guiados por pensamentos, mediram as fracas estrelas.

Nosso ser mistura-se ao infinito;

A nós mesmos, nunca vemos ou chegamos a conhecer,

Este mundo, este palco de orgulho e do errado,

Está cheio de tolos doentes que falam em felicidade.

Certa vez cantei, em tom menos lúgubre,

Os belos caminhos da regra do prazer;

Os tempos mudaram e, ensinado pela idade que avança,

E participando da fragilidade da Humanidade

Buscando uma luz em meio à crescente escuridão,

Só me resta sofrer e não irei reclamar.

(VOLTAIRE)

A Música Empobreceu?

A Música Empobreceu?

Sobre https://www.youtube.com/watch?v=hae9W2kc3PE

Pois é, mas ainda assim há o mercado para o divergente. Já vi gente boa pra cacete ser rejeitada no American Idol (mas também vi gente boa ser aprovada). Quando à previsibilidade da música, já é um fenômeno que vem desde os anos 80, mesmo com bandas que são consideradas boas hoje em dia. Quer exemplos? Ouça Led Zeppelin, dos anos 60-70 e compare com o Iron Maiden dos anos 80 em diante, quem é mais variado e criativo? Não estou dizendo que o Iron não seja bom ou tenha seu valor, mas é patente que se eles fizessem algo mais diferente perderiam muitos fãs que querem sempre mais do mesmo.

Basicamente, as bandas dos anos 80 são mesmo bandas que produzem um som homogeneizado, nos anos 90 houve uma tentativa de mudar isso com gêneros alternativos, mas ainda assim, algo como nos anos 70 só fora do big business.

Eu cansei de ouvir nos anos 80 que “o rock morreu”, mas não morreu nada, só se modificou. E coisas como o progressivo pareciam estar fadadas à extinção, mas nos anos 90 e seguintes descobri que havia circuitos alternativos do estilo em festivais onde eles vendiam seu trabalho. Sobreviveram, graças à internet, à tecnologia e ao capitalismo que proporcionou a veiculação da diversidade.

Ao contrário do que dizem o cultural-tradicional é que empobrece. Música berbere, p.ex., teve seus músicos perseguidos e permanece em focos específicos nos Mts. Atlas devido ao fundamentalismo islâmico (e árabe) na Argélia e Marrocos. A religião produz arte, mas é inimiga da arte que foge da sua cultura. O mesmo para a mouth music, música feita com a boca apenas, que deu origem ao yodel americano. Era vista como pagã na Irlanda pela cristandade e relacionada ao sexo. Ou seja, nada de cantar na dança das fitas, aliás, nada de dança das fitas e louvar Príapo. Como temos acesso a isso tudo hoje? Graças ao comércio, à globalização, ao capitalismo e a possibilidade de consumirmos arte que foi reprimida em seu espaço e lugar de origem.

Anselmo Heidrich

5 ago. 22

Adeus, Nei!

Ontem assisti ao show de Nei Lisboa no teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. Fui com saudosismo… Porto Alegre, Bomfim, Av. Oswaldo Aranha, toda atmosfera dos anos 80, mas não esperava o que assisti, não no grau que vi…

Eu já sabia da postura de esquerda do músico, não tão acintosa, mas o que vi e ouvi foi, praticamente, uma campanha para a presidência de Luís Inácio Lula da Silva. Calma, eu entendo sua repulsa à Jair Messias Bolsonaro, que também é a minha, um presidente que veio com o discurso liberal, mas tudo que fez foi garantir o conservadorismo dos privilégios, aumentando ministérios, fundo eleitoral e criando estatais. Acontece que o repúdio à Bolsonaro não deveria cegar ninguém aos erros técnico-administrativos, roubos explícitos e arrombos implícitos do estado brasileiro, nosso mercado e instituições praticado nas gestões petistas.

As letras intimistas falando de um passado e cenário de uma capital que se deteriorou em sucessivas administrações das prefeituras do PT deram lugar a uma ode ao imaginário do próprio partido que colocou uma pá de cal no estado gaúcho com os governos de Olívio Dutra e Tarso Genro. Sinceramente, não sei se o pior do PT é quando eles “agem certo”, sem roubar, lesar e desviar, mas conduzindo a economia para seu definhamento com políticas econômicas burras ou quando agem como “bons políticos latino-americanos”, com o selo da corrupção em forma de estrelinha.

E o público, de 50 anos pra cima, meus contemporâneos carregando um ou outro filho ou neto, em sua iniciação. Não vi nenhum “mal vestido”, com roupas baratas ou velhas e, pra dizer a verdade, tinha muita dona ali com roupa de grife de lojinha de shopping, que só encontra nelas mesmo. Pra quem não entendeu, roupas caras. Isso mesmo, a galera que ficava berrando “revolução!” no meio do show adora uma marca exclusiva fabricada sabe-se lá onde no extremo oriente, em algum “novo tigre asiático” onde o capitalismo fincou seus pés, mas etiquetada por aqui para pagar mais caro e assim, se distinguir do coletivo. Eu chamaria de hipocrisia se soubesse da sua intencionalidade, mas como sei que a maioria nem tem a mínima ideia de sua contradição chamo de burrice mesmo.

Do centro cultural de Porto, que é o Bomfim, carinhosamente chamado de “Bomfa” pelos “magrinhos” (jovens, mas agora anciões) de Porto Alegre veio a nata, cuja grossa parcela inunda os corredores dos departamentos de Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que naquela noite amassaram as poltronas acolchoadas do teatro para elite intelectual criticando a excrescência política que é este bizarro governo Bolsonaro, mas esquecendo que não fosse justamente por ele, o natimorto PT dificilmente voltaria à cena política nacional. Em certo sentido, Lula deveria erguer uma estátua para Bolsonaro, por este ter sido seu principal cabo eleitoral. Na verdade, um não existe sem o outro. E, enquanto este circo se descortina, a inflação galopante, desindustrialização, burocracia, sanha legislativa e carga tributária atuam como placas tectônicas esmagando todo resto de esperança que ainda existe para ver este país dar certo ainda em nossa curta expectativa de vida.

Ao terminar o show, o significativo símbolo do “L”, de “Lulalá”, em contraposição à “arminha” do Presidente da República, este que ora acende uma vela para o deus evangélico da igreja “Templo é Dinheiro”, ora acende outra para o Belzebu do Congresso Nacional. Quando vi esta cena caiu minha ficha na hora, “esta é a história que irá ficar”, cantada pelo sentimento de rebeldia infanto-juvenil por Srs. de próstata inchada e Sras. com calorões em plena menopausa. Eles irão resistir, pois em plena conjuntura insana do “cancervadorismo” se reúnem como fiéis, como cristãos nas catacumbas do Império Romano, como muçulmanos sob ataque da coalizão ocidental, como batalhões de ucranianos sob chuva de mísseis hipersônicos russos. Todos os ataques serão rápidos e caros, mas a miséria contínua desse continente sem luz manterá a chama da fé irracional em um estado gigante com seu salvador da pátria de Garanhuns.

No fundo o que mudou? Talvez o i-Phone que os espectadores usem e troquem no ano seguinte, mas o princípio do coronelismo, enxada e voto irá perdurar por séculos, pois quando uma elite ainda acredita no socialismo querendo repartir sem aumentar a produtividade e sem perseguir e enjaular o corrupto, que dirá o povo? Este, eterna massa de manobra, se vendeu pelo Bolsa-Família em passado recente da mesma forma que agora o faz pelo Auxílio-Brasil. Ah! Também não podemos esquecer da “valorização da educação”! Em contraposição aos esquemas de toma-lá-dá-cá de pastores-ministros que condicionam verbas da educação às prefeituras que construírem igrejas, nós teremos várias semanas e eventos contra a heteronormatividade e a favor da decolonialidade para uma massa de jovens constituídas por analfabetos funcionais que lê muito… legendas de vídeos curtos no instragram.

Talvez em algum século daqui para frente possamos assistir ao “Adeus, Nei!” da mesma forma que assisti à “Adeus, Lenin!” em 2003, genial película mostrando o desencanto de uma geração com o socialismo no leste europeu onde, entre outras emblemáticas cenas, um garoto procura bugigangas em meio ao lixo e se depara com um pôster de Che Guevara jogado fora. E ele joga mais longe ainda.

Cansado após um dia intenso, onde algumas poucas músicas que não falavam de política direta ou indiretamente realmente valeram a pena, cedi passagem aos outros devotos do passado que sorriam extasiados pela audição e visualização de um futuro que reforçasse sua fé em um presente que nunca aconteceu. Também esperei que saíssem do estacionamento, com seus Jeeps, Toyotas, Hyndais e Hondas, todas marcas que seu tão sonhado socialismo jamais imaginou criar e oferecer a uma massa de burros mal agradecidos.

Dr. Marulk

7 jul. 2022

Agatha e Moïse

O assassinato de Moïse Kabamgabe amarrado e morto em um quiosque na Barra da Tijuca, após cobrar os salários atrasados, não é novidade para quem conhece a realidade brasileira, sobretudo as “leis não escritas” de certas áreas urbanas e rurais brasileiras. O caso passaria desapercebido, como mais um dentre tantos outros de barbárie explícita do cotidiano brasileiro, mas como se tratou de um imigrante congolês pode ter repercussão internacional. Espero que a justiça seja feita, mesmo sabendo que a área que trabalhava era dominada por milícias.[1]

Moïse Kabamgabe

O problema é com os brasileiros mesmo, que parecem amortecidos com sua história não contada, a história das relações interpessoais baseadas na ameaça, opressão e violência. Alguém está lembrado da menina Agatha Vitória Sales Félix, morta com um tiro nas costas em uma área de confronto na Favela do Alemão, Rio de Janeiro em 2019? O tiro, dado pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, gerou comoção dentro de um quadro onde os confrontos ceifam a vida de adultos e crianças, muitas vezes, por “balas perdidas”.

Agatha Vitória Sales Félix

Anos atrás cheguei a ouvir de um casal economicamente bem sucedido aqui em Florianópolis, “não aguento mais ouvir falar em Agatha, Agatha, é só o que se fala na televisão”. A frase chocante pela insensibilidade não deveria ter nossa repulsa simples, mas tentativa de entender – e entender não é concordar coma origem desta insensibilidade típica que escapa ao estrangeiro que vê o Brasil como “país hospitaleiro”. Sim, é hospitaleiro, a maioria dos turistas se encanta como nosso país, mas isto é uma faceta, há muito mais por conhecer da verdadeira “alma brasileira” e nem todos os ângulos são tão bonitos quanto propagado pelas campanhas de publicidade.

Décadas atrás, durante a Guerra da Bósnia, nos anos 90, quando eu ainda lia jornais feitos de papel, fiquei surpreso que a capital da Bósnia-Herzegovina, Sarajevo, em pleno conflito, organizava um concurso de miss. Ao ler a matéria, alguma das pessoas entrevistadas disse “nossa vida não pode parar”. Daí, quando leio, sobre o Brasil, país com a maior taxa absoluta de homicídios no planeta (16ª em termos proporcionais[2]) percebo que nós também estamos na mesma situação dos bósnios, pior ainda hoje em dia.

A situação da segurança pública no Brasil é um daqueles tópicos que ninguém diz ignorar sua importância, que todos dizem ser fundamental, mas que na prática, não se vê nenhuma ação efetiva, coordenada, exceto pelos governos estaduais. O controle das polícias pertence aos estados, membros da federação, mas não se vê um plano nacional. E, muitos dos que votaram no atual governo, votaram pensando que isto ocorreria. Aliás, só para constar, a taxa de homicídios brasileira vinha caindo,[3] mas aumentou 4% de dois anos para cá.[4] E quando se fala em queda, esta se deve, principalmente, aos governos do estado de São Paulo.[5]

Algo poderia ser feito? Poderia. Mas aí a competência dos entes federados neste quesito precisa ser reformatada, com ação de inteligência como obteve o governo do estado paulista. Antes ainda, isto precisa constituir um ativo político, algo pelo qual nossos legisladores lutem e sem demanda popular por isso, nada vai acontecer. O detalhe é que a demanda só vai existir quando a sensibilidade para a questão suplantar a indiferença reinante. Aliás, você já compartilhou alguma notícia sobre o atroz assassinato de Moïse Kabamgabe hoje?

Anselmo Heidrich

1 fev. 22


[1] Grupos armados no Brasil, máfias, que cobram por serviços prestados. Áreas dominadas por eles, normalmente, fogem à ação legal, como se fossem bantustões dentro de metrópoles brasileiras.

[2] Murder Rate by Country 2021.

https://worldpopulationreview.com/country-rankings/murder-rate-by-country. Acesso em 1 fev. 22.

[3] 30 por 100.000 (2017) para 27 por 100.000 (2018).

Cf. https://data.worldbank.org/indicator/VC.IHR.PSRC.P5?locations=BR [e]

https://www.statista.com/statistics/312455/number-homicides-brazil/.

[4] Homicides Increase in Brazil after 2 Years of Decline

[5] Reducing Homicide in Brazil: Insights Into What Works

https://www.americasquarterly.org/article/reducing-homicide-in-brazil-insights-into-what-works/#.YfkxWtLXBRY.twitter via @amerquarterly

Rússia vs. Ucrânia (parte I)

Uma opinião recorrente sobre a crise na Ucrânia é o tratamento dado à Rússia como uma herdeira da Revolução Comunista, sovietismo, etc. Não é isso, mas o sovietismo, comunismo etc. é que são manifestações de uma postura histórica do Império Russo através da expansão e domínio territorial.

Bem, isto não é exclusividade da Federação Russa, certo? Mas é nesse país que o ímpeto imperialista se manifesta na sua forma mais pura, melhor acabada, pelo menos em se tratando do Século XXI. Quando Putin define a dissolução da antiga União Soviética como uma “tragédia geopolítica”, do ponto de vista do conceito clássico de Geopolítica, ele não está errado. Afinal, se impérios uma vez cristalizados mantêm seus territórios sob domínio estável, sua desintegração os leva à períodos de instabilidade, o que significa guerras, genocídios, terrorismo etc.

Se pensarmos bem, ao longo da história, história esta no longo prazo e não apenas algumas décadas, tivemos maior tempo de existência sob domínio imperial do que através da constituição de estados-nação, cuja maioria destes vem do final da II Guerra Mundial até os dias atuais. Antes disso, os séculos mostraram uma sucessão de monarquias absolutistas, imperadores, césares, czares por onde passaram chineses, mongóis, russos, alemães, franceses, espanhóis, portugueses etc. E como poderia esquecer de romanos e britânicos? Persas, egípcios, mesopotâmios, indianos? Veja, não se trata de assumir que o mundo é apenas uma representação da “Lei do Mais Forte”, mas reconhecer que a força física guiada pela estratégia é o que decide, finalmente, quando os acordos se mostram inócuos.

Pois quando analistas guiados pela mentalidade um mundo institucional-liberal, com regras claras e consensos estabelecidos não têm mais repostas às contínuas instabilidades financeiras e contextos de crise aguda na economia asseverados por mudanças ambientais, bruscas ou lentas porém profundas, a guerra e a barbárie sobressaem. E daí o que temos? A força das armas. Muitos devem estar se perguntando que razão deve ter Moscou ao ameaçar um país livre e independente, como Moscou não se envergonha de seu passado comunista assim como Berlim tem do seu passado nazista? Mas a questão é que Moscou não glorifica seu passado bolchevique, em absoluto, ela quer é resgatar o domínio e segurança territoriais trazidos pela união constituída a força, não importa, mas que impedia que exércitos convencionais e armas estratégicas de destruição em massa chegassem a poucas centenas de quilômetros de sua capital.

É simples de entender que Washington nunca permitiria a instalação de armas de grande poder destrutivo junto às fronteiras mexicanas ou canadense, então por que diabos Moscou deveria fazer o mesmo com a Ucrânia? Veja que desde o fim da URSS houve movimentos sucessivos de avanço da OTAN rumo ao leste, com a Alemanha, Polônia, Romênia e outros e agora com a Ucrânia? Não, não é especulação, há acordos feitos de transferência de recursos para defesa ucraniana bem como treinos e colaboração para atuação em conjunto das forças armadas ucrânias junto à Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Sim, o problema não é a integração da Ucrânia à União Europeia (UE), nunca foi isso, mas sim a ameaça física de extermínio de um país por uma organização criada para defender a Europa Ocidental da antiga União Soviética. Só que esta não existe mais, então por que manter a OTAN?

Manter a OTAN não é mais por necessidade de defesa, mas pela intenção de ameaça e, no limite, ataque. E antes que pensem que estou demonizando esta organização, saibam que sem ela outras tomariam seu lugar, basicamente, porque não existe vácuo de poder.

Anselmo Heidrich

01 fev. 22

A Defesa Geográfica dos Estados Unidos

Os Estados Unidos não enfrentam nenhuma ameaça terrestre desde o século XIX;

Seus vizinhos de fronteira na América do Norte não se aliaram nem desejam se aliar à potências rivais aos EUA;

Mais importante que a OTAN ou a presença da China no Mar da China Meridional é a relação (amistosa) dos EUA com seus vizinhos. Mesmo que possa se impor militarmente, isto tem um custo e a opção pelo soft power é óbvia;

É um erro, portanto, achar que esta estabilidade fronteiriça seja imutável e não mereça cuidados ou ser, constantemente, bem nutrida;

Um exemplo desta imprudência foi a maneira como os EUA cancelaram o acordo de instalação do gasoduto Keystone XL, importante para o Canadá. A mensagem enviada é que Washington vê o vizinho ao norte como mero subordinado e não um parceiro importante;

Outro ponto importante é a questão da imigração na qual os EUA vê o México como a fonte de seus problemas ao facilitar o percurso desses migrantes e o México, por sua vez, vê na Guatemala a fonte de seus problemas. O fato é que, independente de quem quer que tenha razão, os EUA não têm ajudado e colaborado com o México no trato da questão;

Mesmo que se alegue alguma ‘injustiça’ no sentido de repartição de custos, o que tem que ficar claro é que os EUA já ‘lucram’ com a boa relação que vinham mantendo com Canadá e México, no sentido de proteção territorial.

Confira o texto de #GeorgeFriedman:

CANADÁ, MÉXICO E REALIDADE DA AMÉRICA

Por George Friedman -9 de novembro de 2021

As escolas no estado de Washington estão preparadas para o Covid-19?

Segundo o Seattle Times:

Para onde está indo a ajuda pandêmica para escolas

O departamento de educação do estado de Washington diz que os distritos escolares gastaram dinheiro de socorro até agora em suprimentos como PPE e contratos para trabalhadores extras, como enfermeiras. As escolas estaduais gastaram cerca de US $ 337 milhões dos US $ 2,6 bilhões que foram alocados para combater o COVID-19 nas escolas.

Entendeu? E aqui, nossos deputados queriam o retorno às aulas sem vacinação, se lixando para a infraestrutura, mas se contentando com um protocolo em um pedaço de papel (ou nem isso).

No ano passado, as escolas estaduais de Washington receberamuma quantia histórica em financiamento federal para suportar as despesas de educação de crianças em uma pandemia. 

Parte disso – cerca de 13% dos cerca de US $ 2,6 bilhões – foi colocado para funcionar nas escolas. Em Seattle, 104 novos funcionários escolares andam pelos corredores, monitorando as salas de quarentena e assumindo as funções de supervisão na hora do almoço. Algumas milhas ao sul, nas Escolas Públicas de Highline, cada campus agora tem seu próprio conselheiro. 

No nível estadual, os políticos têm usado parte dos fundos para financiar laptops e internet para estudantes e na forma de doações para organizações sem fins lucrativos que oferecem serviços às famílias.

Percebeu? Monitoramento constante, contratação de pessoal para verificar se as medidas de proteção estão, realmente, acontecendo. Não é só acesso a internet, mas laptops para acessar a internet, não são só máscaras, mas fiscais e enfermeiros para garantir a segurança dos alunos e funcionários das escolas.

O que não quer dizer que não haja preocupação quanto à lisura do uso desses recursos:

Mas ainda há dúvidas sobre como uma grande parte desses fundos será gasta. O Departamento de Educação dos Estados Unidos reteve centenas de milhões de dólares em ajuda a Washington até que o estado possa fornecer um plano satisfatório para gastar o pacote de ajuda mais recente, no valor de cerca de US $ 1,7 bilhão. Especialistas dizem que os federais estão buscando mais transparência pública sobre como as escolas planejam gastar o dinheiro.

Se percebe que há programa, há execução e há fiscalização. E o que temos no Brasil? Negacionismo federal e apoiadores do governo federal que não fazem a mínima ideia de como seja uma escola pública.

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/djwudi/178534731/

Marine Weather

Buchis on a Boat

I’ve just completed a Marine Weather course, which I found very interesting and I’d definitely recommend it even if you aren’t dependent on the wind to get where you’re going. In addition to teaching you how to read Weather Maps, you also learn: weather and wave predictions, passage planning and storm avoidance all based on various indicators such as cloud formations and barometric pressure and air temperature trends, wind direction and shifts etc etc.

If you are interested in this subject that affects everyone read on. I’ve copied my notes below for future generations of brain cells.

WIND

The wind velocity is often described with the Beaufort scale and  is a function of many factors. There are belts of High (areas of high pressure) and Low (areas of low pressure) pressure systems that circle the globe. The Highs are roughly located at the poles and +/- 30 to 40° latitude (“Horse Latitudes”)…

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Como mistificar a expansão militar dos EUA

Observem:

Por fim, resumindo e voltando à discussão sobre as sucessivas derrotas americanas no período em que os Estados Unidos estiveram no epicentro do sistema mundial e do seu movimento permanente de expansão: do nosso ponto de vista, o sistema mundial é um “universo em expansão”, onde todos os Estados que lutam pelo “poder global” – em particular, a potência líder ou hegemônica – estão sempre criando, ao mesmo tempo, ordem e desordem, expansão e crise, paz e guerra. Por essa razão, crises, guerras e derrotas não são, necessariamente, o anúncio do “fim” ou do “colapso” da potência derrotada. Pelo contrário, podem ser uma parte essencial e necessária da acumulação de seu poder e riqueza, e anúncio de novas inciativas, guerras e conquistas. O que passou já ficou para trás, como se fosse uma perda de estoque que não altera necessariamente o fluxo do seu poder dirigido para frente e para novas competições e conquistas. E é isto exatamente que está acontecendo, agora, do nosso ponto de vista, quando os Estados Unidos estão realinhando suas forças, suas velhas alianças, e preparando todos os seus estados vassalos, para a disputa de poder e riqueza que já em curso dentro do novo eixo asiático do sistema mundial.

Leia o restante do artigo em: https://jornalggn.com.br/destaque-secundario/as-estranhas-derrotas-de-uma-potencia-que-nao-para-de-se-expandir-e-acumular-poder-por-jose-luis-fiori/amp/?fbclid=IwAR3FlhczKKi1BEOfjJ7Pm9wkmekoajAJGKIEM1PQBWhowJtm_lm4gbbn8zg

Acho que a indústria militar precisa dos conflitos para se manter lucrativa, mas não vejo os EUA como UM, isto é, com um cérebro e ação uniformes, concatenados, vejo o país como uma arena de conflitos e interesses, onde o Pentágono (nem me refiro ao Congresso) é um lugar de lobbies, dentre os quais, a indústria militar, claro. A análise do professor de “economia política”[*] dá a entender que as derrotas são quase que intencionais, que o que importa é gerar instabilidade para vender mais, o que é um típico raciocínio funcionalista[**], de que os efeitos são, na verdade, causas, isto é, de que guerras perdidas são a causa das operações, cujo objetivo é a instabilidade que reforça o sistema and move and on reforçando o sistema que precisa disso. Qualquer semelhança com a explicação marxista de como o Capital se reproduz não é mera semelhança. Por essas e outras que no marxismo chegamos a ler coisas como “a greve mal sucedida pode parecer ruim aos trabalhadores no curto prazo, mas é benéfica no longo prazo porque ao piorar suas condições de vida se reforça a necessidade de uma revolução contra os detentores do capital”. Quanto às guerras, claro que os EUA, de um ponto de vista clássico, perderam guerras como a do Vietnã, mas POR QUE PERDERAM? Pela superioridade bélica dos vietcongs? Claro que não e sabemos bem porque perdeu. Analogamente, o Afeganistão, onde TODOS PERDEM, mas a questão é, valeu a pena o tempo de ocupação? Sobre este caso, eu não sei dizer, mas se observarmos o arranjo federalista e o regime implantado no Iraque, podemos dizer que está pior do que a ditadura clânica de Saddam Hussein? Mesmo com todos os defeitos, eu diria que está melhor hoje, mesmo pelas razões erradas que foram alegadas (ADMs nunca descobertas no governo GWB). Agora, retrocedamos mais no tempo, a 1ª Guerra do Golfo, em 1991, não foi muito bem sucedida? As forças iraquianas foram retiradas do Kuwait e o comércio de petróleo do Golfo Pérsico assegurado. Eu não consigo ver derrota nisto, sinceramente.
Agora, se o debate for para a esfera MORAL, eu concordo que essas guerras sequer deveriam ter começado, afinal guerras gente morre, inclusive inocentes, mas daí uma crítica justa e ponderada não teria os EUA como foco, né? Ainda mais se observarmos bem, quanto tempo na História foi tomado pelos estados-nações? Uns 70 anos, mais? O que é isto em termos de História Mundial? Um mundo cuja maior parte do tempo foi dominado por impérios pode retornar, não é uma ilusão e quando vemos países como Rússia e China se imporem à diversas nacionalidades e culturas como a única fonte de ordem vigente, como ficam os EUA? Os EUA é que são a anomia, uma força descomunal que combina poder, opressão com democracia e daí os conflitos internos é que são sim a maior ameaça àquele país. Esta excepcionalidade é ignorada quando as relações externas são enfocadas, o que não poderia ser diferente, mas daí, quando se parte para a ideia de que há uma cúpula com um plano que processas as coisas de forma para gerar crises e capitalizar mais só pode ser explicado de duas formas:

  • uma bela e baita teoria da conspiração
    OU
  • um processo funcionalista do sistema que evolui teleologicamente para um fim preconcebido, a expansão do capital, ou seja, o velho marxismo, não tem outro nome.

[*] “Economia Política” é como a escola marxista chama sua visão do funcionamento da economia, capitaneada pela política, que se resume, no fim das contas, à luta de classes e suas variações (lutas entre estados ricos vs pobres, centro vs periferia, norte vs sul, esta a mais medonha).

[**] Funcionalismo é escola sociológica americana do pós-guerra (Dall, Parsons), mas cujas características se encontram na ecologia antiga (que muitos ainda usam em detrimento de formas mais resilientes e evolutivas) e também no marxismo quando, como já comentado, os fins funcionam como ‘causa’ ao serem motivadores e cujo feedback, retroalimentação do sistema, induz a novos movimentos. Isto existe na escala individual (incentivos), mas quando se adapta ao marxismo, os agentes são categorias coletivas, ou seja, as classes sociais. Daí a conhecida balela de “consciência de classe” e com ela, na prática, a manipulação decorrente de sindicatos que induzem seus membros (ou forçam) a acatar suas decisões porque, afinal, são os agentes revolucionários da única consciência que se pode ter.

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