A próxima questão da prova de inglês do Enem é, realmente boa. Ela usa o famoso 1984 de George Orwell, romance distópico que mostra uma sociedade dominada por um sistema totalitário, sem rosto e sem nome pessoal, o “Big Brother” que observa e vigia a todos causando sensação de insegurança e desconfiança permanentes, o que suprime a liberdade a começar pela liberdade de expressão. Mas como as pessoas têm necessidade de comunicação, o que, inclusive, as torna pessoas ao desenvolver sua inteligência através do idioma, o “Grande Irmão” controla esta sociedade com uma nova língua, a “novilíngua”, que re-significa as antigas palavras alterando seu conceito, normalmente flexibilizando-os até o ponto de deturpar o significa original.

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Isto é mais atual do que nunca, basta pensarmos como o que ocorreu com os termos “democracia”, “feminismo”, “igualdade”, “meio ambiente”, “sustentabilidade” só para citarmos alguns. Quando pensamos que falamos de democracia representativa, o que é uma redundância porque só existe esta, nossos opositores vêm com uma tal de “democracia popular”, cuja opinião da maioria, apenas um grupo seleto de militantes profissionais conhece porque se diz representá-la e eles estão em todas as manifestações, já que não trabalham na maioria dos casos. Seja a deturpação do feminismo que deixou de ser uma luta pela liberdade da mulher em competir com o homem de igual para igual para obrigar os homens a se igualarem abrindo mão de sua produtividade e rentabilidade; seja a igualdade que era realmente isonômica, com leis iguais para todos para termos leis específicas que criem iguais condições para os diferentes, o que acaba por gerar privilégios a raças, religiões e sexos. Seja através de tributação extorsiva ou impedimentos legais ou obstáculos burocráticos para que empresas sejam extorquidas e tenham que se submeter aos desmandos de governos e funcionários corruptos em nome da “preservação do meio ambiente” ou de uma “sustentabilidade”, enquanto que sabemos que é através do mercado e do desenvolvimento tecnológico que a poluição reduz. E por aí vai….

Quando mudamos o significado, mudamos a sensibilidade, quando esta é alterada, nosso inconsciente também guarda informações e comandos que não foram discutidos ou sequer analisados. Quem induz a isto domina e controla quem os absorve.

A questão do Enem é boa neste sentido, MAS… Se observarmos o contexto da prova no qual ela se insere, de crítica às fake news e informações distribuídas pelas mídias livres e redes sociais, quem, IMPLICITAMENTE, a questão e a prova do Enem acusa? 3, 2, 1… Sim, juntando os cacos dessas questões todas, os propagadores de notícias falsas, re-significações e parcialidades são as pessoas, indivíduos, a sociedade civil, MAS E ONDE DIABOS FICA A IMPRENSA AÍ? Eh eh, não fica, né? Ela sai ilesa. É como se as notícias falsas tivessem nascido ontem, no contexto pré-eleitoral americano que levou Trump à vitória e de Bolsonaro no Brasil. JÁ QUANDO O NAZISMO TINHA SEU MINISTÉRIO DA INFORMAÇÃO REGIDO POR GOEBBELS OU ADULTERAÇÃO HISTÓRICA TOTAL E O ATAQUE À TRADIÇÃO QUE LEVOU À REVOLUÇÃO CULTURA DE MAO NA CHINA, todas elas com milhões e milhões de mortos são o que, afinal de contas? “Mas, ufa! Estamos longe disto, isto é passado” diriam os tranquilos e apaziguadores mestres da academia. Será?!

O que significaram então a manipulação de dados estatísticos do IBGE no governo do PT, inclusive com exoneração de funcionários e do INDEC na Argentina kirchnerista??? Pode se tratar de grau muito menor, mas aponta na mesmíssima direção do princípio que rege qualquer sistema totalitário: a morte da Verdade. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira — INEP, quem produz o Exame Nacional do Ensino Médio — ENEM — é que tem tomado o papel de “grande irmão” na confecção de provas cada vez mais manipuladoras de um senso comum.

Use a prova deles, professor, use-a. Mas aponte outras interpretações, mostre como o veneno que destilam pode ser usado contra eles mesmos. Estamos em plena GUERRA CULTURAL. Use suas armas, com a leitura e a escrita.

Abraço,

Anselmo Heidrich

9 nov. 18