O cientista cognitivo Steven Pinker, professor da universidade de Harvard, é um dos autores que mais forneceram dados em defesa dessa tese. Seu livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza (Companhia das Letras) busca demonstrar que vivemos na época mais pacífica e próspera da história. “As pessoas, em todos os cantos do mundo, estão mais ricas, gozam de mais saúde, são mais livres, têm mais educação, estão mais pacíficas e desfrutam de uma maior igualdade do que nunca antes”, diz Pinker ao EL PAÍS. “Todas as estatísticas indicam que melhoramos. Em geral, a humanidade se encontra melhor que nunca.”

via Paradoxos do progresso: dados para ser otimista | Internacional | EL PAÍS Brasil

Esta visão que o S. Pinker e outros citados tem, eu já tinha visto com o B. Lomborg (se lembra dele? das discussões ambientalistas?) e é fato reconhecido nos meios liberais que as sociedades estão melhorando mesmo, embora haja aqueles com situação crítica, eles não representam a maioria, nem abaixam a média do desenvolvimento mundial. E ele também está certíssimo sobre a desigualdade não ser o problema, pois se falta água na África do Sahel, se há baixa ingestão de calorias no Subcontinente Indiano, isto não se dá porque suas elites bebem ou comem mais, mesmo porque se forçássemos uma redistribuição destes recursos, provavelmente ainda faltaria o suficiente para a maioria. A questão é outra, se refere ao tipo de sistema e isto não tem nada a ver com comparar Capitalismo com Socialismo e outras dicotomias simplistas, mesmo porque há tantas sociedades diferentes, até díspares que entram no bojo do que chamamos “capitalismo” que soa inócuo discutirmos a posse dos meios de produção como causa última do desenvolvimento. Poderíamos enumerar o grau de livre-comércio dessas sociedades; sua segurança jurídica; o acesso à propriedade privada; o grau de burocratização; a criminalidade; a transparência pública; a liberdade de expressão etc. Quantas sociedades chamadas de capitalistas tem estes detalhes em muito baixa conta? Várias. Portanto, se faz necessária uma discussão mais técnica e detalhada que aponte as falhas.

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Como manter um discurso puramente ideológico anti-capitalista com dados como esses? (Imagem: El País).

Alexis de Tocqueville já observara que o capitalismo contém um paradoxo, o paradoxo da riqueza, pois só em sociedades afluentes vamos encontrar pedintes nas ruas. Alguém por acaso já viu mendigos pedindo esmola no sertão paraibano? Claro que não, eles estão acumulados justamente onde a riqueza aflui, nos grandes e prósperos centros urbanos. Então, é absolutamente natural que a pobreza persista. A questão não é, no entanto, se ela existe ou não, pois ser pobre, em termos relativos, até eu sou. A questão de verdade é quanto desta pobreza pode ser considerada absoluta, isto é, que não atinge as condições minimamente satisfatórias de sobrevivência. E aí, cada dia mais, seu número diminui proporcionalmente. Proporcionalmente, sempre é bom observar, pois em termos absolutos podemos ter mais pobres do que em 1950, pois também temos uma população absoluta maior do que em 1950. Mas reitero, quanto a fatia desses considerados pobres cresceu? Se é que cresceu…

O ocaso das ideologias explica algo assim? Para mim ele reflete sua irrelevância em termos práticos. Uma vez configurado o fracasso total de qualquer ideologia de esquerda ter tido sucesso no século XX, antigos apologistas como Daniel Bell vaticinaram o fim das ideologias, mas eu me pergunto, só ele que não viu isto antes? Basta ver a baixa qualidade de um veículo produzido na era soviética em comparação com qualquer outro da antiga Alemanha Ocidental ou na força de trabalho chinesa puxando arados no lugar de bois durante o período comunista para sabermos que aquilo foi uma farsa do início ao fim. E dentro do capitalismo, quem insiste em não mudar, física e condicionalmente tende a padecer na miséria. Recentemente doei muitas roupas a uma família da serra catarinense com quem minha mulher mantém contato. E lhe perguntei o que acharam, ela me surpreendeu dizendo que a mãe dos garotos usava meias diferentes, ambas com furos nos dedões, mas feliz da vida por manter os pés aquecidos durante o inverno. Agora pergunto, onde isto acontece em uma favela brasileira? Nas “comunidades” em que jovens usam celulares e os poucos sem acesso à internet em suas casas ainda frequentam lan houses. A realidade mudou muito e estes pobres desconhecidos das periferias brasileiras tem sua realidade ignorada pela maioria de nossos (pseudo-)cientistas sociais que deveriam estar mapeando-os, classificando e quantificando suas condições e hábitos. Muito pouco disto é feito, é uma vergonha manter uma casta de inúteis professores de humanas nas universidades que contribuem com mera produção ideológica ultrapassada. Puro lixo teórico.

RL