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Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

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racismo

Mercado, Racismo, Ignorância e Manipulação no Enem

Você acha que que os habitantes de áreas pobres estão lá por serem vítimas do racismo ou pela dificuldade de se inserirem no mercado?

1. O mercado é formado por um conjunto de relações interindividuais, óbvio ululante;

2. O que é produzido e vendido depende, essencialmente, do que é procurado, das demandas que surgem por influências diversas, não importa. O fato é que é assim que funciona.

Entonces, se alguém vende mais bonecas brancas ou se as promoções para vendas utilizam mais modelos brancos não é porque “o mercado”, enquanto uma entidade abstrata prefere isto ou aquilo. Não é “a coisa”, mas as pessoas que têm recursos para gastar. Se você não gosta desta relação assim como está constituída, com os objetos a venda e a forma como se apresentam para venda É UM DIREITO SEU, mas também É IGNORÂNCIA SUA tentar mudar isto na marra sem procurar entender PORQUE ISTO CHEGOU A ESTE ESTADO DE COISAS.

Se você é do tipo que acha que uma canetada, uma “lei de cotas para o marketing” ou algo assim seja suficiente para alterar a situação etnicamente desigual no mercado, sinto dizer, vc não passa de mais um iludido. Então, o que se faz? Comece perguntando o que pode ser feito para facilitar a entrada das pessoas de diversas origens raciais, composições fenotípicas, culturas, religiões etc. para entrar no mercado. Ou seja, sabe aquela balela de “o capitalismo exclui isso e aquilo”? Está, fundamentalmente, errada, pois estas pessoas QUEREM entrar no mercado, ou seja, não se trata de serem excluídas, elas é que não conseguiram ser incluídas devido aos obstáculos. Obstáculos…

Quais seriam? Além da óbvia instrução (educação para o trabalho e não esta merdaiada ideológica que temos hoje na escola pública), a desburocratização e simplificação jurídica permitiriam a geração e desenvolvimento de um movimento de empreendedores de pequeno porte que dispondo de mais capital iriam gradativamente investir em si próprios, ou seja, consumindo, bens e serviços, como é o caso da educação também. Se há dificuldades elas estão na burocracia e impedimentos para se abrir empresas e contratar funcionários e nosso país é reconhecidamente um dos mais difíceis de se trabalhar e produzir. Outros fatores como a insegurança jurídica gerados por leis restritivas à circulação do Capital, como é o caso daquelas que preveem a “função social da propriedade” têm sua cota de responsabilidade neste processo.

Como as áreas urbanas mais afetadas são as de menor estoque de capital, as populações pardas e negras são as menos guarnecidas e contempladas por investimentos. Esta espiral descensional de pobreza dificulta o processo de capitalização, justamente, de quem mais necessita dele, mas não por causa do mercado e sim pelo estado, seu peso em tributos, sua dificuldade em regulamentações e condução que impede a agilidade e dinâmica dos negócios. Quando se consegue a licença, quando é exequível devido ao seu custo, muitas oportunidades já passaram e acabaram sendo atendidas pelo mercado informal, isto é, pelo contrabando e ilegalidade.

Isto explica a desigualdade de renda entre grupos raciais e não o racismo, enquanto sentimento de desprezo por outro grupo étnico. Não é o ódio ou o nojo, mas o olhar complacente e arrogante de um burocrata estatista que se vê como “bom gestor” que gera a miséria.

E é aqui que o Enem perde mais uma vez a chance de não imbecilizar a massa de estudantes que toma suas asneiras como sintoma da realidade. A irrealidade gerada por suas questões são prova da visão de mundo distorcida de nossos inúteis acadêmicos.

Antes de analisarem a questão com seus próprios olhos cabe a pergunta:

#UniversidadePúblicaParaQuê ?

Agora atente para o fato de que a questão trata do Racismo, mas não pergunta sobre o Racismo, o que significa que o Racismo na propaganda é intencional, planejado, de acordo com o estudo feito e retratado através do texto. Ou seja, o conteúdo passa batido, como se fosse consensual, como se todos concordassem com isto, pois, afinal de contas, a questão é outra, sobre a forma de apresentação do texto e não sobre seu conteúdo. Entendeu como a coisa funciona? Você tem que concordar, pois eu te empurro uma interpretação e o que você pensa não é importante. Claro que se não fosse por esta conclusão, de que há racismo na publicidade e suponhamos, pelo contrário, que a conclusão fosse oposta de que não há racismo, a interpretação também estaria sendo empurrada tua goela abaixo. Mas daí é que vem a questão a que me proponho desde o início: por que este tipo de interpretação que sempre prima por vítimas de um sistema é a que predomina? Pense.

Anselmo Heidrich

15 nov. 18

Qual a Cor da Alienação? Uma crítica ao Dia da “Consciência” Negra

Bom dia, hoje é o “Dia da Consciência Negra”, não? Então vou falar do contrário, da alienação, que não tem cor, que não pertence a nenhuma raça ou etnia, mas que se adquire indistintamente ao desprezar o valor individual e nosso maior atributo: a vontade de compreender.
Bora lá…

 

Alienação Não Tem Cor *

 

A luta de classes utilizada como subterfúgio para racismo pouco dissimulado tem sua aplicação hodierna no Brasil e alguns negros, tão cegos por seu ódio histórico aos brancos serão, provavelmente, mais uma vez, úteis.

 

Números racistas

Existe um discurso da militância do movimento negro que acusa a sociedade brasileira de discriminá-los. Especialmente, as “elites” que seriam “brancas“ por definição. Ele se baseia em dados objetivos, como a renda média do branco pobre no Brasil estipulada em 400,00 reais mensais ao passo que a do negro pobre rondaria os meros 170,00. A causa de tamanha desigualdade seria simples: trata-se da mais pura e ostensiva discriminação contra a categoria, ou “raça” se preferirem.

Se for verdade que o Brasil é um país racista, nosso empresariado é míope e, sinceramente, não creio que este seja o caso. Se eu fosse um destes empresários, com certeza empregaria mais trabalhadores negros, pois ganham menos! No entanto, não é o que acontece. Segundo pesquisa do IBGE em 2001, Salvador, 45% dos negros estão desempregados, em São Paulo são 41% e, em Porto Alegre, 35%. Lembremos que a pesquisa não averiguou o trabalho, mas o emprego formal, aquele com carteira assinada.[1]

Tanto quanto dizer que todo trabalhador fora da situação de trabalho regulamentar é um desocupado, o que não faz sentido algum é dizer que não há mais indivíduos negros empregados por que por pura discriminação. A tese (óbvia) que endosso é que o maior de desemprego se dá por que o nível de educação dos mesmos é inferior ao dos brancos em 2 anos e 3 meses na média. Apesar de pouco em termos absolutos é muito em termos relativos, especialmente para um país cuja escolaridade média é de 6 anos.

Em alguns aspectos, o “negro estatístico”, aquele que nós podemos avaliar através dos censos está bastante distante do “negro virtual” imaginado pelos críticos da democracia racial brasileira e, não muito distante do branco avaliado pelo censo.

O que verificamos é que além de uma “questão de raça” o que pesa mais, senão por inteiro, é o nível educacional e a condição feminina relacionada ao grupo. Mais do que negros, são as negras que sofrem com falta de oportunidades.

Segundo os mesmos dados do IBGE/Pnad, a média de anos de estudo de instrução formal por cor ou raça segundo a faixa etária no Brasil e Grandes Regiões em 2001[2], a população branca tem 8,3 e 8,1 anos de escolaridade formal entre 15 a 24 anos e 25 a 44 anos, respectivamente. A população negra, por sua vez, apresenta 6,4 e 5,8 anos de escolaridade formal para os mesmos intervalos.

Da mesma fonte, a taxa de analfabetismo em pessoas de 15 anos ou mais é de 12,4% em 2001; apenas 7,7% para brancos, mas 18,2% para negros. Existe aí uma maior taxa de evasão escolar da população negra: enquanto que 97,5% de jovens brancos entre 7 e 14 frequentam a escola, a taxa entre negros não é tão diferente: 95,4%. Mas o gap aumenta significativamente quando analisamos a população de 15 a 17 anos: 84,1% de brancos contra 78,1% de negros. Ao longo do processo é que as diferenças se acumulam.
Tais taxas não confirmam “racismo”, pois a diferença volta a diminuir na faixa de 18 a 24 anos, 35,9% entre brancos contra 31,7% de negros nas escolas, quando a maioria já está procurando emprego. A diferença maior é prévia e está ligada ao período da adolescência. Uma queda brutal de alunos matriculados se verifica do ensino fundamental para o ensino médio no país: cai de 93,3% para 37,8% (!). Mas ela é muito mais pronunciada entre a população negra, 22,5% maior[3]. No cômputo final os brancos têm certa vantagem, com quase 1/3 a mais de anos de estudo. Em um país cuja média é de apenas seis anos isto é irrisório, se considerarmos as atuais necessidades do mercado de trabalho.

O que os militantes do movimento negro e críticos da situação social negra deveriam realmente se perguntar é:

Por que nossa “raça” evade mais da escola?

Como a resposta é complexa, envolvendo vários fatores melhor explicados por estudos de antropologia urbana, fica muitíssimo mais fácil e de forte apelo emocional aludir a discriminação em grau inexistente.

Alguns desses fatores envolvem a localização dos “discriminados” em bairros pobres, mais sujeitos ao tráfico como opção, às gravidezes de jovens negras que estimulam a sair da escola, casamentos precoces etc. Todos eles teriam que ser meticulosamente avaliados, para evitar que especulações se tornem conclusões.

 

Ideologias conflitantes

Para o articulista Hamilton Cardoso[4], não houve reconhecimento da raça negra como fato político, ou seja, não houve qualquer consideração à respeito. Ao que o autor chama de “alienação branca”, podemos chamar esta de “alienação negra”? Na verdade, tudo não passa de uma imensa bobagem, pois desde quando alienação tem cor?

Para este tipo de intelectual negro, os grandes líderes inspiradores da causa abolicionista só tomaram alguma importância quando estes se “racializaram”. Nesta “conexão metafísica com a senzala”, o perigo é que este processo se perdesse no “branqueamento da sociedade brasileira”. Para ele, candomblés baianos, escolas de samba cariocas e paulistas, congadas, moçambiques e outras agremiações negras como pagodes, blocos de carnaval, “verbalizam críticas à situação social brasileira”. Ao passo que a maioria de nossos antropólogos assinalarem o sincretismo cultural como uma marca característica de nossa sociedade, Hamilton vê em tais manifestações um tipo de ruptura com a sociedade branca, onde fica bem expresso que:

(…) o movimento dos trabalhadores negros (…) jamais [viverá] a contradição teórica raça e classe porque são o que são: a alma, o espírito e a matéria-prima do proletariado.

Lembrou de algo?

Sim, sim, eles rodam, rodam e rodam, mas sempre caem no mesmo ponto: sua luta racial é, na verdade, uma oposição de classes sociais:

(…) não têm vergonha de trabalhar na Casa Grande, onde, ao limpar banheiros ou aparar jardins, conspiram contra as culturas das elites. Nas madrugadas. Este movimento definiu o perfil cultural do país do futebol, do samba e da cachaça: um país negro, chamado Brasil.

Se esta não é uma proposta de luta racista, me digam o que é.

Outro ponto muito interessante, abordado pelo militante, é a duplicidade deste tipo de política e movimentação social:

(…) há petistas hoje capazes de verbalizar noções de política para a Casa Grande e outros que as verbalizam para as senzalas. Tudo é uma questão de opção. Mesmo porque há uma nova conspiração em movimento. Axé. (Grifos meus.)

Denis Lerrer Rosenfield já tinha chamado a atenção para este “conflito”, em que se namora o autoritarismo de esquerda, mas em outros momentos se “aceita” a democracia. A duplicidade não é funcional por muito tempo. Ou ela é engendrada para confundir mesmo, ou este drama tende a se dissolver de modo a atrelar o estado às posições ideológicas conflitantes. Como eu não acredito em dialética marxiana (original de Marx, diferente da dos marxistas, que eu também desprezo), apenas uma das posições irá predominar.

 

Conspirando contra negros e brancos

Segundo Hamilton se trata de uma conspiração. E, embora eu nunca tenha visto uma conspiração anunciada pelo conspirador, vamos admitir sua possibilidade segundo uma lógica marxiana.

Para o próprio Marx, seria uma heresia buscar equivalência entre raça e classe social. Mesmo por que, para estes militantes são duas classes em conflito e para o filósofo Karl Marx existiam mais de duas em disputa, mas duas em oposição estrutural. As classes médias eram vistas como oscilantes, não predestinadas, mas que dependendo da conjuntura poderiam ser úteis.

Outro ponto óbvio que entra em contradição com as especulações místicas, é que na fonte marxiana da qual pensa se basear com coerência, é que as diferenças entre classes não se dão pela renda, mas por sua posição em relação aos meios de produção (se detentora ou não destes).

O principal “divisor de águas” entre as raças, de acordo com os dados mais acima, se refere especificamente à renda. Tanto é assim que uma das principais alegações de que existe racismo pelos militantes do movimento negro é que, desempenhando as mesmas funções, negros e brancos teriam rendimentos diferentes. Ora! Então não há a aludida divisão racial-classista sugerida por esta militância.

Se a sociedade brasileira fosse constituída de duas classes fundamentais: os exploradores (brancos) e os explorados (negros), não seria possível qualquer sutileza do modelo capitalista em sua sanha de extrair a chamada mais-valia justamente por que tal divisão estaria escancarada e não haveria como manipular massas nem provocar a chamada “alienação” estudada por Marx. E a própria “necessidade” do capitalismo ocultar ideologicamente as relações de classe seria desmascarada.

Nem o mais vulgar dos marxistas imaginou tamanha simplificação. Se eu fosse maldoso, diria que isto se dá devido à supracitada taxa de evasão escolar…

Para um marxista heterodoxo, este raciocínio se torna mais inviável ainda quando pensamos no conflito social moderno que seria “triangular”: interesses entre acionistas, gerentes e trabalhadores que é muito diferente do modelo dicotômico e “biologicista” que propunha Karl Marx no século XIX.

Talvez a análise devesse levar em conta o critério comportamental, ausente em seu racismo. Em qualquer grande corporação, temos altos executivos, técnicos e outros subordinados devido ao critério da competência, ou em grande medida a uma boa dose de “capital cultural” herdada da família, o que também foge ao alcance de qualquer teoria marxiana mais ou menos ortodoxa. Se me entenderam, a desigualdade reinante em nossa sociedade não tem origem racial ou classista, mas cultural, formada pela tradição familiar e que pode (e deveria) ser reformatada pela Educação que, como sabemos, fracassa flagrantemente em nosso país. Se há um mecanismo de reprodução da pobreza, ele não é o racismo, mas nossa péssima educação pública que não possibilita mecanismos de alavancagem dessa massa com potencial para trabalhar.

Mesmo que para militância racista isto fosse, na melhor das hipóteses, um eufemismo para a discriminação pura e simples, sua cegueira ideológica não consegue abarcar sutilezas entre classes presentes na ordem capitalista. Como enfiar goela abaixo da sociedade o critério de cotas raciais para ingresso em universidades e serviço público se admitimos a meritocracia na moderna estrutura capitalista? Fica mais fácil pressupor que nada mudou ou pouco mudou desde os tempos da Casa Grande e da Senzala.

A mistificação racista tem, no entanto, um componente estratégico que sempre se deu nas estratégias dos jogos de poder, na qual a aliança contra um inimigo remoto tem serventia contra um inimigo imediato. Isto fica claro na seguinte passagem:

Este mesmo movimento, afinal, com seus operários e operárias deu à luz ao movimento negro pós 1978, que, de certa forma, começou a combinar o vigor da luta cultural e impor novas noções de política à sociedade. Ele, neste momento, se encontra e procura criar uma nova síntese ao lado de milhares de lideranças brancas com noções mais universalizadas do país e que se defrontam com a mesma indagação dos movimentos negros de 78: o que fazer no dia 13 de Maio, quando se comemora a abolição da escravatura no Brasil? Agora, o centenário da abolição. (Grifos meus.)

“Operários e operárias”, um vício teórico herdado de Karl Marx; “o que fazer?”, pergunta clássica feita por Lenin, líder da revolução comunista na Rússia. Não está claro que este tipo de “militância negra” tem outra agenda que nada tem a ver com condições de vida dos negros e querem sim outra coisa, têm outra agenda política?

No excerto acima, não fica claro o que se entende por “noções mais universalizadas”. O que haveria depois da sociedade ser dominada pela ideologia racista? Um alento para o “bom branco”, aliado que foi por sua serventia à causa? Ou mais tarde afloraria a máxima de “branco bom é branco morto”? Falta muito?

Assim como Marx dizia que a causa da fraqueza do campesinato francês se dava ao seu isolamento geográfico e baixa capacidade de se comunicar, esta visão racista se empenha em ultrapassar uma barreira similar ao propor uma aproximação entre seus membros da “classe-raça” através de um núcleo ideológico. E, assim como um dogma religioso, nada mais conveniente para esta agregação quando se encontra um inimigo comum.
No entanto, há obstáculos bem vindos à formação da “consciência negra”, como o papel dos sindicatos, que no Brasil são inter-raciais por excelência. Aí poderíamos assinalar um limite plausível a disseminação dessa “panaceia ideológica racial”.

Mas, seja dentro de uma socialdemocracia capitalista ou um ridículo sistema socialista, as clivagens étnicas, culturais ou religiosas sempre representaram um enfraquecimento do movimento trabalhista. Se o movimento negro pretende suplantá-lo, teremos algo pior que um estado socialista, talvez um apartheid às avessas, tão hediondo quanto seu antigo exemplo sul-africano no tempo da dominação böer.

Esse imbróglio pode ter consequências não explícitas, como aquele onde um terceiro elemento se beneficia de um conflito que não ajudou a criar. Sua sanha sectária pode aproveitar a situação para estender seu poder e amarras políticas pré-totalitárias ao traçar linhas de ocupação e direção da “classe trabalhadora” entre brancos e negros. No fundo, quem passa a comandar será nossa “nomenklatura pós-moderna”, gente como aquela ministra que acha que 30.000 mensais é pouco porque foi “vítima do racismo”.

Se para um marxista, uma luta entre facções capitalistas poderia beneficiar o operariado, nesse caso uma estúpida luta inter-racial beneficiaria a emanação dos tentáculos estatais e diminuição do prestígio da sociedade baseada no valor individual. Um movimento que beneficia o totalitarismo, do qual os socialistas bebem na fonte.

A luta de classes utilizada como subterfúgio para racismo pouco dissimulado tem sua aplicação hodierna no Brasil e alguns negros e brancos – alguns por que a imensa e absoluta maioria é formada por trabalhadores que age individualmente em busca de seu mérito –, tão cegos por seu ódio histórico serão, provavelmente, mais uma vez, úteis.

A quem esta alienação interessa, é uma questão de tempo para que os fatos falem por si.

 

Por Anselmo Heidrich
2017-11-20

 

 

 

[1] Sobre deturpação similar, confira Números não mentem. O Dieese sim!.. (link perdido de uma antiga matéria do MSM).
[2] Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
[3] A queda entre os brancos é de 94,9% para 50,7% e 91,8% para 25,1% entre os negros.
[4] http://www.fpabramo.org.br/td/nova_td/td02/td02_sociedade2.htm, acessado em 2003.

 

___________
[*] Este texto data de 2006, por isso suas estatísticas podem estar desatualizadas, mas o seu sentido teórico não mesmo. Reitero tudo que escrevi, com algumas correções já introduzidas em seu corpo.

William Waack, Boris Casoy, Diego Maradona e Ozzy Osbourne

Caros, assistam a este vídeo:

https://youtu.be/fwdZkwUwyn0?list=PL7EFC26EDF974ECA1

Agora minha opinião sobre um problema associado a este:

Se não fosse William Waack, jornalista respeitado pela maioria de nós por suas opiniões, não haveria tanta polêmica. Lembrei-me de outro, Boris Casoy, que foi um ícone da correção, da ética e que “elameou” tudo ao criticar garis em mensagem de ano novo na transmissão de sua emissora. Foi uma decepção muito grande, pois eu acreditava na imagem de um personagem ético que, no fundo, não existia. Analogamente, por isso quando ouço Sabbath antigo, ouço um cara cantando e não o Ozzy, sujeito que perdi a admiração após arrancar a cabeça de um animal vivo no palco. Passou de simpático para nojo e não para meramente indiferente. Ouço o som daquela banda, mas sem procurar lembrar do Ozzy. A mesma coisa valeu para Ritchie Blackmore, genial guitarrista do Purple, mas que de tão intragável não passa disto, um guitarrista ou a antipatia gratuita de um genial músico, Ian Anderson do Tull, que ofendeu gratuitamente os músicos do Maiden que tentaram homenageá-lo com uma versão de Cross-eyed Mary ao dizer “fiz esta canção para uma garota cega, espero que tenha ficado surda antes de ouvir este lixo”.

William Waack caiu nesta categoria, de pessoas que são só aquilo que deveriam ser, suas profissões e não a imagem de “algo mais”, como símbolos de ética que foram um dia.

Outro bom exemplo de profissional excepcional que dista anos-luz da representação como modelo de pessoa é Diego Maradona. Acho que não há melhor exemplo do que eu quis dizer: vejam-no como o que é, apenas um atleta por que se pararem para prestar atenção nele como pessoa, seus sentimentos o trairão e passarão a procurar defeitos onde não há, que é o seu futebol.

Quanto às buzinas, elas são comuns em países com pouco respeito ao próximo, ou seja, países com pouca eficácia da lei, subdesenvolvidos e não necessariamente “negros” ou “pretos”. Leiam sobre o trânsito em Mumbai ou no Cairo para entender o que digo. A falta de educação parece sim, algo típico de nossa cultura, o que William Waack pode nos provar, pelo seu próprio comportamento. Mas obviamente que não dá para deixar de notar que muitos dos que agora querem a carcaça de Waack não esboçaram, nem minimamente, a mesma indignação quando um nada saudoso ex-presidente chamou pelotenses de “viados”, ou colegas de partido de “mulheres de grelo duro”, ou que uma de suas assessoras sonhasse com vários policiais federais num quarto ou ainda com um de seus jornalistas financiados, Paulo Henrique Amorim ao se referir a um jornalista negro como tendo “alma branca”. Esta indignação seletiva é que reforça partidarismos em uma questão que deveria ser consensual quanto à inadequação e preconceito expressos.

Anselmo Heidrich

CHRIS ROCK, a ESQUERDA e a DIREITA

Nenhuma pessoal normal e decente é só uma coisa. Ok?! Em um monte de bosta, eu sou um conservador e em um outro monte de bosta, eu sou um liberal. No crime, eu sou conservador. Na prostituição, eu sou um liberal. 

Chris Rock

 

Quatro dias atrás, uma manifestação racista acabou em violência no estado da Virgínia, EUA. Ativistas da Supremacia Branca, Alt-Right (Alternative Right) e a renascida Ku Klux Klan marcharam até o campus local onde havia uma estátua do General Lee, um dos líderes confederados que defendia a escravidão na Guerra de Secessão (1861-1865) e que ameaça ser retirada, pois é vista como um “símbolo racista”. Claro que o evento serviu a outros propósitos que não a mera preservação de uma ingrata memória: a “união das direitas”, como asseverou um de seus membros era a real motivação da marcha de celerados. Aí, por causa disto, os antiesquerdistas brasileiros surtaram.

Por quê? “Porque nos igualaram a nazistas,” alguém diria. Vem cá, há uma essência inabalável no conceito da palavra Direita? Se há, me provem. Da mesma forma, há uma essência inabalável no conceito da palavra Esquerda? Eu digo que não. Esse é um dos temas que mais me apaixona e não é a discussão de filosofia política ou mais simplesmente, ideologia, mas sim, em como as pessoas percebem as mesmas ideologias e seu papel nelas. Ou seja, como as pessoas se imaginam vinculadas a certos conjuntos de ideias.[1]

A birra toda veio porque a esquerda tupiniquim guiada pelos anti-Trumpistas que quiseram associar a presença dos manifestantes racistas que também apoiaram Donald J. Trump à presidência, como uma inabalável prova de sua má influência, o que teria encorajado tais movimentos. Cá entre nós, Trump pode ser um tanto desastrado em suas declarações (embora muito menos do que o nosso Bolsonaro), mas ele não é burro. Aliás, seu governo está se saindo muito bem, mas este é assunto para outro artigo… A questão é que em uma era midiática, que se expressa opiniões em apenas 140 caracteres no Twitter, vocês querem o quê? Altos debates com fundamentação filosófica e teórica? Não dá. Assim como em toda a guerra, a primeira vítima é a verdade, o que mais se viu de ambos os lados foram falsas acusações. E isto não seria diferente aqui no Brasil.

Agora, que nossa esquerda brasileira faça pouco caso das ameaças de um louco na Coreia do Norte que ameaça não só os EUA, mas também ilhas no Pacífico, sua vizinha, a Coreia do Sul e o Japão ou o assassinato de mais de 120 jovens que protestaram contra o fim da democracia na Venezuela na semana passada ou contra a pior corrupção do planeta capitaneada pelo PT aqui no Brasil, eu não me admiro. Obviamente que ela tentará encobrir estes e outros fatos, FATOS com a morte de uma militante antirracista por um canalha assassino que furou sua marcha batendo em um carro que colidiu com seu corpo. Uma morte sim, mas uma morte estúpida feita por um fanático que trouxe a ira de americanos contra seu protesto a favor da preservação da estátua de um militar a serviço dos escravocratas. Claro que Trump poderia ter sido rápido no gatilho ao condenar o protesto e o timing dele, por vezes tão ágil no Twitter falhou. Acabou se manifestando, só que depois de vários congressistas de seu próprio partido se anteciparem. Dentre todos que li, a melhor foi do senador veterano pelo estado de Utah:

“Meu irmão não deu a vida lutando contra Hitler por suas ideias nazistas para que elas fossem aceitas aqui em casa.”

Por que um cara desses não é escalado para ser um POTUS (President Of The United States) com uma firmeza moral destas é um mistério para mim. Enfim, Trump condenou a marcha sim, mas considerou que retirar a estátua do General Lee seria o mesmo que então tirar as de George Washington ou Thomas Jefferson, alguns dos Pais Fundadores da nação por que estes também tiveram escravos. Erro, presidente, o senhor está errado. Ou sofismou ou caiu vítima do próprio equívoco em misturar épocas. Fazendo uma analogia: John Locke foi um dos maiores pensadores do liberalismo econômico que se conheceu na história. Só que na sua época, século XVII, a escravidão era vista como algo totalmente lícito, no que lhe permitia ser acionista de uma empresa que traficava escravos. Absurdo, não? Sim, plenamente, mas não para os padrões da época. Assim como não para os próprios padrões de africanos antes de meados do século XX, quando ter escravos era tão comum e normal que os próprios conterrâneos caçavam e vendiam seus ‘irmãos’ aos europeus em troca de mercadorias; assim como não para os povos da Mauritânia, país africano acusado pela ONU de ainda manter nos dias de hoje, a prática da escravidão entre os seus. Leiam com atenção, a escravidão não tem desculpas, não se justifica, mas se compreende e compreender NÃO é aceitar. O caso é que se aproveitamos John Locke ou Thomas Jefferson em alguma coisa, não foi por sua relação com a escravidão, mas sim pela defesa da liberdade que, inclusive serviu para acabar com a escravidão. Entendam que as ideias superam, vão além desses mortais que, por acaso, as enunciaram. Agora, me digam aqui, quais ideias eu posso aproveitar de um General Lee? Alguma tática militar talvez, mas é por isto que tem uma estátua dele no campus? Acho que não.

Donald J. Trump erra e erra feio porque depois da derrota do sul escravagista, manter símbolos desse período e de quem lutou para manter o status quo não é só preservar um símbolo de independência, mas de dependência de um ser humano visto e condenado ao status de ser “uma coisa de alguém,” este sim livre. Em minha opinião, a estátua do General Lee deveria ser posta abaixo e construída uma do presidente Lincoln, o abolicionista em seu lugar. Sei, sei que a guerra não teve seus propósitos limitados a isto, que houve motivações, predominantes dir-se-ia, estritamente econômicas, como a manutenção de um mercado (sulista) protegido para os manufaturados do norte yankee. No entanto, isto não demove um milímetro, o fato de que a guerra acabou com a escravidão, malgrado o racismo não termine com guerras, mas sim com miscigenação. E a miscigenação nos EUA, comparativamente a países como o Brasil é muito tímida, embora tenha mudado de alguns anos para cá, lentamente. E é isto que apavora a KKK, os supremacistas e toda esta escória. Se não podemos saber o que pensariam George Washington e Thomas Jefferson de tudo isso, não quer dizer que não sabíamos o que pensava o General Lee. Sabemos sim e manter a bosta da estátua que serve para acumular merda de pombo no campus é uma provocação.

Bem, o que fez nossa direita? Indignou-se por chamarem os racistas de ‘direita’ e se empenhou em produzir textos e textos, vídeos e vídeos chamando nazistas de esquerdistas pela palavra Nazismo ser um acrônimo de “Nacional-Socialismo” do Partido Nacional-Socialista Alemão. A dedução lógica é se o nazismo se originou na esquerda, então “o racismo é socialista”. Reparem, a defesa dos direitistas foi do mesmo quilate da acusação dos esquerdistas “vocês liberais são direita e a direita nos EUA é racista, logo…” Algum comentário ou análise sobre o caso em si? Isto foi de passagem, mas se concentraram em “limpar a barra da direita”, como se eles fossem responsabilizados pelo que ocorreu em Charlottesville, VA. Pessoal, vocês da Direita, sinto lhes dizer, mas vocês morderam a isca! A questão de se os nazistas eram direitistas na Alemanha, caso alguém se interesse em saber minha opinião, não se responde pela filosofia política (ideologia) e sim pela história: havia algum grupo “mais a direita”? Os liberais econômicos? Estes eram expressivos na composição política alemã do pré-II Guerra? Se não, então os nazistas entram como direita e não importa que sejam estatistas, pois o socialismo como organização econômica não vincula seus membros e apologistas, necessariamente, com o racismo. Até os anos 70, na América Latina, quando o comunismo era visto como alternativa viável pelos seus intelectuais, o keynesianismo, hoje chamado de ‘esquerda’ por liberais(-econômicos) era encarado como de direita porque, ao final das contas servia como um conjunto de políticas destinadas a salvar o capitalismo e não permitir que suas crises levassem a sua ‘superação’. Entendam de uma vez por todas que os diabos dos termos Esquerda e Direita são RELATIVOS! Não confundamos divergência econômica com cizânia racial ou social. São coisas distintas. É possível termos liberais em termos econômicos que não apreciem negros ou negros liberais que não gostem de hispânicos e por aí vai. POR ISTO, tanto faz se o nazismo é de direita ou de esquerda, DEPENDE do que estejamos considerando. Pense, o mundo não precisa ser manipulado por inteligentes e sábias cúpulas dirigentes, basta que seja normalmente estúpido, como de fato o é. E é aí que está a matéria-prima de quem apoia a estupidez, nos estúpidos que vão apoiar comunistas, que vão apoiar nazistas, independente de que numa dada conjuntura, eles estejam mais a direita ou mais a esquerda. Isto é irrelevante. Nunca subestime a ignorância, o racismo é uma constante mundial mitigada em sociedades, locais, cosmopolitas e em raros casos de países onde as tribos se miscigenam tendo casamentos interétnicos como padrão. Afinal, filhos amam seus pais, independente se são judeus ou palestinos. Daí se forem os dois, se importarão menos com os deuses de cada um e sim com quem lhes afaga e beija antes de dormir.

Minha posição política? Depende. Neste caso, ninguém melhor do que Chris Rock, ator e comediante americano para responder por mim:

“The whole country’s got a fucked up mentality. We all got a gang mentality. Republicans are fucking idiots. Democrats are fucking idiots. Conservatives are idiots and liberals are idiots.

Anyone who makes up their mind before they hear the issue is a fucking fool. Everybody, nah, nah, nah, everybody is so busy wanting to be down with a gang! I’m a conservative! I’m a liberal! I’m a conservative! It’s bullshit!

Be a fucking person. Listen. Let it swirl around your head. Then form your opinion.

No normal decent person is one thing. OK!?! I got some shit I’m conservative about, I got some shit I’m liberal about. Crime – I’m conservative. Prostitution – I’m liberal.

Chris Rock on Liberals And Conservatives”

 

Perspicaz, o rapaz. Um excelente dia a todos.

 

Anselmo Heidrich

2017-08-16

 

[1] Aqui, alguns de meus textos sobre a divergência e definição de Direita e Esquerda:

Interceptor: Kamaradas! http://inter-ceptor.blogspot.com/2017/02/kamaradas.html?spref=tw.

Interceptor: Enquadrando George Orwell http://inter-ceptor.blogspot.com/2016/09/enquadrando-george-orwell.html?spref=tw.

Interceptor: Direita, esquerda, esquerda, direita? O quê? http://inter-ceptor.blogspot.com/2015/06/direita-esquerda-esquerda-direita-o-que.html?spref=tw.

Interceptor: Classificação política e falta de objetividade http://inter-ceptor.blogspot.com/2014/11/classificacao-politica-e-falta-de.html?spref=tw.

Interceptor: Detalhes sobre a crítica ao fanatismo de direita -… http://inter-ceptor.blogspot.com/2013/08/detalhes-que-superam-critica-principal.html?spref=tw.

Interceptor: E o marco ideológico não entende a política no mun… http://inter-ceptor.blogspot.com/2013/07/e-o-marco-ideologico-nao-entende.html?spref=tw.

Toda cultura parte de uma apropriação

thuane-cordeiro

Só recentemente eu soube do caso da menina branca que foi abordada por uma jovem negra no metrô em Curitiba por estar usando um turbante, de algum estilo africano pelo que entendi. Ela foi criticada por estar se “apropriando” da cultura africana que, supostamente, não lhe pertencia. Mas a pergunta é, a quem pertence uma cultura? Cultura é algo essencialmente dinâmico, pois faz parte da comunicação que, inegavelmente, evolui, se adapta, se enriquece… Ao criticar a menina, chamada Thuane Cordeiro (na foto acima), a jovem militante de sua “africanidade” não fez outra coisa senão recortar um pedaço de uma determinada história e daí sim, se apropriar dele dizendo ser seu. Agora cá entre nós, pode alguém achar que é dono de algo que foi construído anonimamente por uma multidão de indivíduos sem contrato? Isto é simplesmente ridículo.

Thauane Cordeiro
4 de fevereiro às 10:29 ·
Vou contar o que houve ontem, pra entenderem o porquê de eu estar brava com esse lance de apropriação cultural:
Eu estava na estação com o turbante toda linda, me sentindo diva. E eu comecei a reparar que tinha bastante mulheres negras, lindas aliás, que tavam me olhando torto, tipo ” olha lá a branquinha se apropriando dá nossa cultura”, enfim, veio uma falar comigo e dizer que eu não deveria usar turbante porque eu era branca. Tirei o turbante e falei “tá vendo essa careca, isso se chama câncer, então eu uso o que eu quero! Adeus.”, Peguei e sai e ela ficou com cara de tacho. E sinceramente, não vejo qual o PROBLEMA dessa nossa sociedade em, meu Deus!
#VaiTerTodosDeTurbanteSim

via (9) Vou contar o que houve ontem, pra entenderem o… – Thauane Cordeiro

Ah sim! Detalhe que a menina branca com turbante ainda estava fazendo uma homenagem às moças negras, Thuane tem câncer e para adornar a cabeça, totalmente calva usou um adereço que achou bonito. Bizarro, simplesmente bizarro alguém recriminá-la por isso… Toda cultura, simplesmente TODA, com exceção óbvia das isoladas se trata de APROPRIAÇÃO CULTURAL e olhe lá que nem tenho certeza, pois uma cultura aparentemente isolada de hoje em dia pode ser resultante de outras mesclas (apropriações) do passado. O que essa menina com câncer e turbante deveria dizer à militante é que calcinha não era usada por muitas tribos africanas, então, se ela usa, também se apropriou de um item cultural alheio a sua cultura original, assim como alisar o cabelo etc.

E quanto à acusação de racismo então, nem se fala, quem foi totalmente racista ao vincular, se apropriando de uma peça de vestimenta como inerente a uma raça foi a militante sem noção, tipo de gente que vê e PÕE raça em tudo. Essa gente é sociopata, só pode. Parabéns à menina que “se apropriou” e respondeu aos fascistas de todas as cores que acham que a sociedade é ESTÁTICA e não pode misturar símbolos e significados porque eles IDEALIZAM um passado idílico que, na verdade, nunca passou de uma mentira.

RL

 

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