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Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

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Olavo de Carvalho

O Brasil da Pós-Verdade #1

Anselmo Heidrich
10 dez. 19

Começou o jornal do Olavo, Brasil Sem Medo, e aqui temos uma matéria defendendo o Felipe G. Martins (https://pages.brasilsemmedo.com/o-chefe-do-odio/). Então vamos lá aos contrapontos…

Martins, apesar da pouca idade, se consagrou entre os anos de 2015 e 2018 fazendo as mais acertadas análises sobre as corridas eleitorais nos EUA e Brasil. Enquanto o mainstream das projeções de cenários, os institutos de pesquisa e a mídia inteira considerava Trump e Bolsonaro meros azarões – quando não nulidades inelegíveis – o jovem Filipe, partindo de outros pressupostos e olhando a realidade sem lupas ideológicas, cravava, com certeza vática, suas vitórias. Dito e feito.

Estas “análises acertadas” foram assim consideradas pelo próprio grupo de simpatizantes, o que fica fácil, para não previsível de se ter. Quanto à Trump ter vencido as eleições (2016) já era algo alardeado por toda mídia conservadora americana e simpatizantes continentais e mundiais, não há nada de novidade nisso. E o fenômeno no Brasil já era bastante previsível ao justificado e crescente sentimento anti-petista.

Note que no excerto acima, há um subtexto interessante: “enquanto o mainstream das projeções de cenários”, como se todos endinheirados e poderosos não quisessem Trump ou Bolsonaro no poder. Aqui no Brasil, o setor bancário foi o mais beneficiado nos anos Lula-Dilma, mas boa parte do empresariado amargou perdas chegando a ter uma fuga de capitais para outros países, dentre os quais, o Paraguai foi o mais beneficiado. Portanto, insinuar que houvesse uma divisão (até classista) entre quem pensa favoravelmente aos outsiders políticos de Trump e Bolsonaro como “ligado aos interesses do povo” e quem não, ao mainstream, é uma manipulação. Diferentemente, do que diz o jornal Brasil Sem Medo não descola a verdade da ideologia, muito pelo contrário, apenas de modo manipulador te induz a pensar que eles estão te esclarecendo. Não, não estão.

E essa capacidade de previdência chamou a atenção da família Bolsonaro. Hoje, corrido o primeiro ano de governo, Filipe, depois de rodar o mundo e travar negociações nas mesas mais importantes ao lado de Bolsonaro, parece bastante à vontade no cargo. Há até quem diga que ele é o mentor secreto por detrás do presidente, seu conselheiro-mor – especulação que, na entrevista, Filipe negou taxativamente.”

Em governos anteriores, intelectuais se tornaram presidentes (FHC), outros intelectuais ruins (Chauí) se integraram aos governos, mas o atual governo de Bolsonaro era carente desse tipo de quadro. De onde veio a suprir esse déficit? Como quem fala é chefe, se buscou alguém com muita influência na internet através de teóricos conspiracionistas e alarmistas, daí a eminência parda de Olavo de Carvalho. Mas como faltava alguém de carne e osso e como tal não se encontrava na academia, aliás, quase ninguém, se foi em busca de alunos do filósofo. Teóricos de conspirações e teses mal acabadas sobre uma arquitetura de dominação global ascenderam como porta-vozes desse movimento. Aí que entra o jovem, como se juventude fosse virtude para esse caso. Enquanto na verdade é nada, apenas algo indiferente, na retórica serve como uma espécie de deslumbre perante o novo e o revolucionário na forma de um espírito juvenil.

Até o momento, o artigo tem uma introdução que serve como cortina de fumaça para esconder o principal tema: o “gabinete do ódio”, que seria gerido por Filipe para atacar adversários políticos com recursos públicos, ou seja, o teu e o meu dinheiro.

Vejam que, em um primeiro momento, se desdenha o peso e relevância do tal ‘gabinete’:

“Gabinete. Por falar em gabinete, e esse foi um dos temas da conversa, Filipe é apontado pela velha e a nova esquerda, unidos em torno da malfadada CPMI das Fake News, como o chefe do Gabinete do Ódio, o seu real cargo, sendo aquele carimbado no Diário Oficial mera cortina de fumaça. Gabinete do Ódio.”

“Por falar em gabinete…” Eh eh, péssima estratégia para fazer pouco caso, sobretudo, para depois assumir que existem ‘intermediários’, ora intermediários entre quem e quem?

“Segundo Martins, esta designação é nada mais que uma pecha infamante cujo fim é calar os novos intermediários na opinião pública que ganharam relevância após as manifestações de junho de 2013.”

E continua a deturpação das narrativas. Segundo Filipe, 2013 serviu como ruptura a “esse estado de coisas”, mas esquece de dizer que a manifestação original era contra um aumento de passagem de ônibus, pautada pela própria esquerda. Mas, como toda manifestação que toma vulto, não há uma só voz, uma só direção, mas sim uma pluralidade de manifestações que se somam. Isso, por si só, já desconstrói a tônica do discurso de Filipe que vê um processo uniforme com início, meio e fim em torno da candidatura e vitória (apertada) de Jair Messias Bolsonaro, mesmo porque um dos principais protagonistas dos movimentos que se seguiram, o Movimento Brasil Livre (MBL) é, atualmente, um dos grandes desafetos do atual governo e, em particular, desde antes, do olavismo.

Veja aqui como deturpam o processo inteiro:

“Dessa maneira, conforme avalia o assessor – ou chefe do Gabinete do Ódio, vai ao gosto de quem lê – os eventos de 2013 serviram como uma ruptura a esse estado de coisas, e, desde lá, esse povo esnobado elegeu, sem o auxílio dos universitários, os seus novos interlocutores – concentrados nas redes sociais. A síntese desse processo foi a vitória de Bolsonaro.”

E claro que o problema não é, nem nunca foi “a torcida de cidadãos privados” por quem quer que seja, mas o modo como isso é feito, na base da difamação e calúnia, ou seja, o Brasil Sem Medo já inicia defendendo o método da mentira para vencer. Um mau agouro:

“Por isso, segundo entende Martins, todo esse esforço para condenar como discurso de ódio a defesa e a torcida de cidadãos privados ao presidente é nada mais que a velhíssima censura, agora empreendida pelo establishment derrotado. Só que é uma censura travestida de defesa da ordem democrática, do decoro nas discussões, da transparência, da ética, da paz, do amor – o oposto do ódio. Enfim, o diabo metido numa fardinha de escoteiro.”

Agora a principal mensagem do artigo para quem sabe ler nas entrelinhas, uma defesa de Filipe G. Martins e seus ilícitos, a coordenação de uma milícia virtual, cuja cobertura do bolo é a mesma cantilena teórica de sempre, a defesa de uma teoria do globalismo, puro conspiracionismo como se instituições supranacionais dirigissem países, mesmo que a realidade mostre o contrário, repetidamente:

“Esclarecida essa questão, e negando peremptoriamente que haja qualquer ação coordenada de servidores públicos para defender o governo nas redes sociais – o tal gabinete –, Filipe ainda teve tempo de dar uma aula sobre globalismo, fenômeno que Chacras, Pontuais, Leitões e Camarottis continuam a confundir, em pleno 2019, com a globalização.”

Vejamos como evoluiu o argumento:

“Martins explicou ao Emílio Surita e seus ouvintes, que há dois movimentos no cenário mais amplo das relações internacionais: os territorialistas, também chamados de nacionalistas ou soberanistas; e os funcionalistas.”

O primeiro grupo, ele explicou, é o de que fazem parte Trump, Bolsonaro, Boris Johnson, Matteo Salvini, entre outros, cujo o elo que os unem é a defesa de que as decisões políticas e a determinação dos rumos de seus povos, sejam feitas nos limites jurídicos do território tradicional, segundo as leis ali discutidas, segundo os costumes antigos por eles cultivados.”

Mais comentários agora: esta direita europeia tem sido acusada de receber apoio de Putin, o que faz todo o sentido, pois ela vai contra a União Europeia, o que é extremamente útil para a Rússia. Quem compra o principal produto de exportação russa – e que mantém sua economia em pé, inclusive em pé de guerra –, os hidrocarbonetos em bloco, através de diretivas da União Europeia tem força como comprador. Ao contrário, quanto mais fragmentados, divididos e competindo entre si estiverem os importadores europeus, mais fáceis serão como alvos da pressão russa. Aliás, não faz muito tempo em que a economia russa sofria sanções devido a invasão da Crimeia e a guerra do Donbass na Ucrânia, a partir de 2014. Não é a atoa que a Ucrânia tenha um forte movimento nacionalista, anti-russo que também é pró união europeia. Como isso se explica na teoria de Filipe? Não se explica porque o mesmo jovem parte de uma classificação rígida, Funcionalistas vs. Globalistas e, que não explica o mundo e não serve para nada além de iludir.

Vejamos mais:

“Por outro lado, os funcionalistas – ou globalistas – apelam para uma reconfiguração da ordem social e política de forma que as diretrizes econômicas, de segurança, de saúde, de educação, de clima, etc., sejam tomadas por agências internacionais criadas exclusivamente àquela função, sob a promessa de que isso nos traria a paz e a prosperidade pelos séculos. ONU, Unesco, OMC, OMS, seriam prenúncios desse novo modelo.”

“Há nisto, de acordo com Filipe, uma tensão entre os valores tradicionais dos povos e interesses duvidosos de magnatas que o povão jamais viu as fuças. E seria este o pano de fundo que explica o Make America Great Again de Trump, e o nosso Brasil Acima de Tudo (de caráter nacionalista, soberanista, territorialista), Deus Acima de Todos (simbolizando a defesa dos valores antigos que, no Brasil, se assentam em torno da fé cristã).”

Isso é parcialmente verdade, mas não adianta contar verdades fragmentadas e descontextualizadas para criar uma grande mentira. Os valores tradicionais dos povos não são os valores de uma maioria religiosa que, verdade seja dita, está cada vez mais dinâmica. Em parte devido à migração, em parte devido à disseminação da informação, as crenças historicamente tradicionais se mesclam, seus significados são alterados e reinterpretados. Portanto, esses valores a que o Filipe se refere precisam ser explicitados e melhor, contabilizados em um estudo estatístico criterioso, coisa que a trupe olavista não tem por prática fazer.

Outro detalhe é que não há essa suposta harmonia total entre os funcionalistas como querem nos fazer crer, basta ver casos como a da Polônia, entusiasta da permanência na União Europeia, mas que não apoia a ingerência em sua politica doméstica. Outros países, na Europa Central seguem rumo parecido que, na pratica, é a velha ordem realista em que países e estados tentam impor suas agendas políticas aos demais, caso da Alemanha e da França, particularmente.

Em suma, o delírio desse assessor e seus acólitos de achar que existe um territorialismo-nacionalista contra um globalismo-funcionalista esquece o mais importante, a busca pela verdade que pode ser alcançada com uma perspectiva realista e nada mais.

Imagem: Por Kuebi = Armin Kübelbeck – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=61856977

Curtas e Chulas_02: Bolsonaro, Salles, Olavo, Duvivier

1. E aí?

‘Moro de saia’, senadora do PSL relata ‘grito’ de Flávio contra CPI do Judiciário. Alvo de cassação, Juíza Selma (PSL-MT) afirma que foi procurada pelo filho do presidente para inviabilizar apoio à investigação de ministros do STF
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/09/moro-de-saia-senadora-do-psl-relata-grito-de-flavio-contra-cpi-do-judiciario.shtml


2. E aí?

Mas a insatisfação de Bolsonaro com a PF não foi exatamente por isso. Conforme mostrou o repórter André Guilherme Vieira, a instituição investiga milicianos que eram ligados ao gabinete de Flávio Bolsonaro. As informações estão sendo trabalhadas pela Diretoria de Inteligência, mas policiais próximos à família do presidente souberam da existência da apuração, causando a ira de Bolsonaro. Daí ele querer controlar a corporação no Rio de Janeiro.
Moro a uma canetada de pedir demissão https://epoca.globo.com/guilherme-amado/moro-uma-canetada-de-pedir-demissao-23943676?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar


3. Enfim, Olavo de Carvalho colocado em seu devido lugar, o panteão dos ridículos da humanidade: The Guardian ironiza Olavo de Carvalho após comentários sobre os Beatles

O artigo do The Guardian continua ácido ao falar sobre a possibilidade de o fundador da Escola de Frankfurt, que morreu nove anos após o nascimento da banda britânica, ser de fato o gênio da música responsável pelo sucesso dos reis do iê-iê-iê. “Mas é claro que ele é. Imagine a cena. É 1963 e Lennon e McCartney estão se matando para escrever ‘She Loves You’. ‘She loves you’, diz Lennon. “O que vem a seguir?” “Yeah, yeah, yeah”, contribui Adorno. “Brilhante, Teddy, apenas brilhante”, diz McCartney. O resto é história”, diz o texto.
(…)
Mais adiante, o texto do The Guardian, que foi dividido em tópicos, explica o tom irônico. “Na verdade, Adorno desprezava os Beatles e tudo que eles representavam. Ele disse na revista Akzente em 1965 :’O que pode ser dito contra os Beatles é que simplesmente que o que essas pessoas têm a oferecer é algo estúpido em termos de seu próprio conteúdo. Pode-se ver que os meios de expressão que são empregados e preservados aqui são, na realidade, nada mais do que técnicas tradicionais de forma limitada””, contou. https://www.metrojornal.com.br/entretenimento/2019/09/12/the-guardian-beatles-olavo-carvalho.html


4. Ricardo Salles, o incompetente, deveria aprender com quem tem experiência no cargo:

O Pacto da Madeira Legal atendeu a uma demanda do setor madeireiro que alegava que não existia madeira licenciada e nem plano de manejo. Então a madeira era toda ilegal. E se fosse proibido iriam demitir milhares de pessoas. Então o governo se comprometeu a dobrar a quantidade de madeira legalizada. E eles se comprometeram a comprar madeira só dos produtores licenciados. Isso foi cumprido em 60%. Não foi tão bom quanto a Moratória da Soja. Também trabalhamos em parceria com universidades para fazer o Zoneamento Econômico e Ecológico da Amazônia que serviu para ordenar o território.
Para sinalizar áreas protegidas, apontar áreas que já foram desmatadas e poderiam abrigar indústrias e também para identificar áreas de pasto degradado. Então a orientação do ministério era para recuperar o pasto e ao invés de colocar uma cabeça de gado por hectare colocar três. Desse modo se aumentava a produtividade e evitava o desmatamento. Em dois anos nós reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. Criamos o Fundo Amazônia –que foi praticamente destruído pelo Bolsonaro e Ricardo Salles–, o Fundo Clima.
“Bolsonaro e Salles transformaram o Brasil na escoria ambiental do planeta” https://br.noticias.yahoo.com/entrevista-semana-carlos-minc-105122048.html?soc_src=social-sh&soc_trk=tw via @YahooBr


5. Se Duvivier não gostou, é porque provavelmente o MBL acertou: Duvivier compara MBL a Witzel após grupo divulgar Congresso com participantes não confirmados

https://www.brasil247.com/midia/duvivier-compara-mbl-a-witzel-apos-grupo-divulgar-congresso-com-participantes-nao-confirmados#.XXuX5b8YoOQ.twitter

Olavo de Carvalho sendo debatido: Morning Show – 18 mar. 19

Tem que assistir para entender o que segue abaixo:

Gostei da visão do Denis Russo Burgierman, quanto ao Flávio Morgenstern que acha que não existe isso de “livre pensador” depende… Ele vê como impossível porque quando alguém se diz assim, ele próprio já está vinculado a uma linha de pensamento. Estranho porque, na verdade, mesmo quando alguém está em uma linha de pensamento ou adota pedaços de um conjunto estruturado como se estivesse em uma floresta tentando se erguer agarrado a cipós.

Mais estranho ainda quando gente assim defende projetos como o #EscolaSemPartido que se vincula a escolas, mas o que contradiz completamente sua premissa de neutralidade. E se conversarmos com sua militância, o mito de neutralidade persiste. E não estou aqui advogando isso, mas justamente porque este tipo de partidário ou “intelectual de partido” ignora solenemente o conceito de “objetividade cientíica”.

Gente como Flávio, que acha que o #ForoDeS.Paulo é algo efetivo ignora os meandros da política. Se esta organização não tem mais o poder que tem, isso se deve à oposição intelectual de um microcosmo da vida em sociedade que são os novos direitistas ou pelas contingências mais propriamente econômicas que levaram à derrocada desses regimes, tais como Kirchner, Dilma etc.?

Quanto à educação é fácil colocar gente melhor do que já existia, simplesmente porque o que existia era de uma incompetência só, mas o fato de Vélez ser um intelectual com préstimo na educação não o torna, necessariamente, um ministro eficaz. Agora, verdade seja dita, os militares fazem bem em boicotar gente que fala muito, mas não tem noção nenhuma de como aplicar absolutamente nada. Imagine deixar o Enem nas mãos de criacionistas que se opõem à marxistas? Trocar o marxismo pelo criacionismo é a mesma coisa que 6 por meia dúzia.

Olavo é um solipsista megalomaníaco que não revê suas posições e quando posto contra a parede, não faz mais do que criar “remendos teóricos” que é a mesma coisa que sempre fez o marxismo, ao contrário de adotar a premissa popperiana de que quando inútil uma teoria, ela tem que ser jogada fora ou, ao menos, seu “núcleo duro”.

Quanto à rejeição de europeus às políticas imigratórias, ok, neste ponto eu concordo com Flávio, mas não dá para generalizar isto tudo sob o rótulo fácil de “anti-Globalismo”, mesmo porque esta premissa, o “Globalismo” é um espantalho metodológico similar ao que Esquerda sempre utilizou ao se referir aos “manipuladores do mundo”, os “imperialistas”. É o mesmo cacoete e não me causa espanto que um ignóbil como Olavo de Carvalho lance mão desse recurso, uma vez que seus anos de adepto marxista (ele mesmo já disse ter tido aproximação com o PCB) fez com que ele se desvinculasse dos objetivos, da utopia, do agir, da praxis, MAS NÃO da metodologia que ainda permanece como esteio de suas péssimas análises políticas.

Seria bom um retorno à História para ver que organizações muito mais poderosas como a criação do Bloco dos Não Alinhados pela Conferência de Bandung em 1955, na Indonésia não resultaram em nada efetivo, quanto mais um bando de incompetentes (ainda bem!) nesta bobagem chamada de Foro de S. Paulo. Analogamente, a Ucrânia hoje (domingo haverá eleição presidencial) luta contra a influência russa (que financia, inclusive, uma guerra no leste e já anexou a Crimeia) por alguns motivos, como participar da União Europeia, uma das organizações “globalistas” no linguajar desses teóricos sem base empírica. O que gente como o Flávio precisa entender é que não é porque há linhas e políticas danosas para as sociedades ocidentais que outros benefícios de se vincular a tais organizações não tenham que ser levados em consideração. Achar que os governos nacionais se tornarão meros títeres de um polvo com tentáculos em tais organismos, pois é esta a imagem que subjaz nesta análise política miserável que os heredeiros de Olavo, “pensadores não livres” se aprisionam confortavelmente.

Denis matou a charada, de que a mídia era chamada “de direita” e que hoje, a Direita também faz o mesmo chamando-a “de esquerda” e, em seguida, Flávio pergunta se ele “acabou de confirmar a tese?” Ora, isto não é argumentar, mas usar de um artifício para por em dúvida seu interlocutor dizendo que ele está dizendo o que NÃO está dizendo. Agora, francamente, a unificação do discurso, da narrativa não torna o mainstream midiático, uma organização centralizada. Quanto à defesa de “teses globalistas” ou melhor, do “progressismo” (termo melhor) é sim fato, basta ler e ver o que concluem. No entanto, isto faz parte de um movimento que, como tal, é anárquico tendo sido construído ao longo dos anos, décadas mais propriamente.

Agora cansa ouvir rótulos como “globalismo” e “progressismo” como se fosse uma auto-explicação.

Denis volta a acertar ao falar do “capitalismo de compadrio”, conceito que diz mais do que falar em socialismo para entender nossa realidade. É uma grande diferença ouvir um analista com os pés no chão, que sabe ler dados do que alguém que tenta encaixar dados que busca seletivamente numa caixinha com moldes diferentes a guisa de teoria.

E sejamos honestos, eu entendi a equiparação entre PSOL e NOVO feita pelo Denis, os dois têm estatutos que coíbem (não sei até que ponto…) a cooptação política. O que, diga-se de passagem e que FIQUE CLARO, não me obriga a concordar com os projetos do PSOL, partido, teses, políticos que abomino pelo que acreditam e propõem.

Mais uma coisa que cansa, Flávio perguntar “quem é de direita?” Ao Denis responder “Leandro Narloch”, Flávio fala que ele “é liberal, não de direita”. Ou seja, ele presume que haja uma definição clara do que seja “de direita”, termo que junto com “esquerda” são totalmente relativos. Totalmente.

Também não conheço Slavoj Zizek para opinar sobre o que ele, realmente, disse, mas minha impressão é que o Flávio segmentou suas falas para ridiculariza-lo DA MESMA FORMA que acusou de fazer os detratores de Olavo.

Quase no fim, enquanto o Denis contextualiza as afirmações do ignóbil Olavo sobre a Terra Plana, o Evolução, Einstein etc., Flávio interrompendo-o, deselegantemente, diz que o filósofo só contesta se o que Darwin diz foi mesmo assim… Ora, para quem tem o mínimo de leitura sobre o assunto sabe que Darwin está longe de ser a última palavra sobre a Evolução (até porque foi uma das primeiras) e que várias contribuições aconteceram após seu trabalho, fundamental, diga-se de passagem.

Não sei quantos pontos Denis já ganhou nesta discussão, perdi as contas, mas perto de acabar, assevera: “ele (Olavo) tem o respeito de quem está alinhado ideologicamente com ele”. Preciso, não preciso complementar, mas lá vem Flávio, se confundindo todo “vou provar que você está errado, eu não concordava com o cara, fui lá e vi ‘é, ele ‘ta certo’ “. Ora, isto não é o oposto do que disse o Denis, aliás, se em um segundo momento, Flávio concorda com o sujeito e daí passa a admirá-lo SÓ COMPROVA o que Denis disse. Realmente, olavismo faz mal ao entendimento. Parece um fungo no cérebro…

Ah! Quase ia me esquecendo, no primeiro vídeo, Flávio comentou que o Brasil “é um país afastado de tudo, da Europa” etc., ou seja, dos grandes acontecimentos políticos querendo com isso mostrar como não estaríamos “por dentro dos acontecimentos mundiais” suponho eu. Bem, caro Flávio, coitados dos australianos então…

Sabe, narrativas de Direita simplistas não são a solução contra outras narrativas simplistas, de Esquerda. E claro, não poderia deixar de finalizar com…

#OLAVONÃOTEMRAZÃO

Anselmo Heidrich

29 mar. 19

Curtas, Robustas e Chulas – 01

#Mulheres

#MercadodeTrabalho

#Damares

#OlavodeCarvalho

 

E como se faz para subverter a lógica econômica obrigando os empresários, especialmente os pequenos a arcarem com os prejuízos decorrentes de substituir uma funcionária afastada por gravidez? Fácil na canetada, mas o que acham que vai acontecer além da redução da oferta de postos de trabalho para as mulheres? Se há desigualdade, as mulheres têm de driblar numa maior qualificação E (o ideal) em se tornarem suas próprias patroas. Só que daí, a luta é comum contra a paquidérmica máquina que inviabiliza o empreendedorismo. Cf. Dia Internacional da Mulher – uma longínqua busca pela igualdade @estadao:  https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/dia-internacional-da-mulher-uma-longinqua-busca-pela-igualdade/?utm_source=estadao:twitter&utm_medium=link

 

Já tiveram o privilégio de pagar um curso de artes marciais para seus filhos? É um dos melhores investimentos que vcs podem fazer por eles. Além da defesa pessoal e habilidade, as crianças aprendem a honrar os pais, serem humildes, gratos e educados. Tudo no esteio da disciplina, do diálogo, “olho no olho”. Em algum momento de nossa história, tudo isto se perdeu. O porquê disto daria um livro, mas o que cabe perguntar é por que nossas escolas não podem reforçar algo que (se supõe), os responsáveis pelos alunos ensinam em casa. Vocês têm alguma ideia?

Cf. Damares diz que governo ensinará meninos a dar flores e abrir porta para mulheres @estadao:  https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,damares-diz-que-governo-ensinara-meninos-a-dar-flores-e-abrir-porta-para-mulheres,70002747901?utm_source=estadao:twitter&utm_medium=link

 

#OlavodeCarvalho é como aquele típico vendedor de automóveis, que discorre muito sobre estética, desempenho, conforto, mas não entende bulhufas de mecânica e quando sabe algo sobre isso, oculta te empurrando um abacaxi. Quando percebeu que bancava o Bobo da Corte fez o quê? Pulou fora como um rato abandonando o navio anunciando que estava prestes a naufragar, enquanto que ele e seu séquito de lemingues é que sempre estiveram a deriva… Notícias do dia: Guedes, grupo de Olavo fora do MEC, Damares e piada de Bolsonaro no Dia da Mulher @estadao:  https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,noticias-do-dia-guedes-grupo-de-olavo-fora-do-mec-damares-e-piada-de-bolsonaro-no-dia-da-mulher,70002748456?utm_source=estadao:twitter&utm_medium=link

 

Anselmo Heidrich

8 mar. 19

 

Olavo Não Tem Razão: sobre a China

Se Olavo não concorda com isto, é porque vale a pena investir. #OlavoNãoTemRazão

O representante desta empresa ter sido preso no exterior, provavelmente devido à espionagem INDUSTRIAL, não tem nada a ver com a qualidade do produto. Eu já imaginava que isto ocorreria, o guru é tão, mas tão megalomaníaco que não demoraria para se indispôr com o seu séquito político, assim que esses começassem a bater asas por si próprios. Aí está.

Agora, cá entre nós, assim que o Governo Bolsonaro conseguiu ser elogiado e VISTO pelo poder chinês já manda uma tropa de gente, sem especialistas na área ao que tudo indica para ouvir o que as autoridades chinesas querem que ouçam, não é assim que se faz. Quando criticavam a Dilma por ir de comboio para a China estava certo e agora, pra que tanta gente numa viagem dessas?

Questiono o número de parlamentares nesta viagem, mas discordo veementemente do alarmismo deste alarmista profissional que só lê a mídia e seleciona os dados que lhe interessam, compondo sua narrativa paranoide.

Anselmo Heidrich​

17 jan. 19

Cf. ‘“Guru” de Bolsonaro, Olavo de Carvalho chama parlamentares do PSL de semianalfabetos e caipiras http://disq.us/t/3am82p4

A Entrevista de Olavo de Carvalho ao Estadão

Olavo de Carvalho em entrevista para o Estadão diz:

“O presidente (Donald) Trump disse que tem US$ 267 bilhões esperando para investir no Brasil, eu acho que isso é muito bom. Não adianta nada dizer “ah, isso vai desagradar a China”, como disse aquele idiota do Mino Carta, “ano passado o comércio com a China nos deu 20 milhões de superávit”, muito bem. A China só fez isso porque o governo Lula e Dilma e o Temer também estavam distribuindo dinheiro para os amigos deles, os amigos da China: Cuba, Angola, Venezuela, etc: 1 trilhão. Levamos 20 milhões e distribuímos 1 trilhão. Que beleza, né? Claro que se o governo parar de representar vantagem política para a China, acaba o comércio na mesma hora. Comércio com a China é escravidão. Isso é óbvio e todo mundo deveria saber disso. Vai perguntar para o Tibet se é bom conversar com a China. Agora, para os EUA, é bom, porque a riqueza da China é quase feita toda de dinheiro americano. Outra coisa, tem gente que chega a ser tão idiota que ultrapassa a medida do acreditável.”

É o contrário, idiota. Se temos como expectativa, uma expectativa de Donald Trump investir aqui, não é o mesmo que ter poder com o comércio externo com quem quer que seja, que no caso são 20 milhões com a China (desconfio que sejam muito mais). No primeiro caso se depende de concessões, de regulamentações e de troca de favores na dependência (mercantilista) de um governo que amanhã ou depois pode não estar mais aí, no segundo, com a China, poder real devido a dependência deles em relação aos nossos produtos, notadamente, a soja. E a pauta deveria aumentar, qualitativamente.

Quanto à distribuição de recursos para países africanos e Cuba, ela seguiu uma linha equivocada na política externa, para não dizer estúpida mesmo de que o relacionamento “sul-sul” seria mais vantajoso para o país. E claro, isto provavelmente contou com uma rede de propinas e subornos que traria de volta parte dos recursos para permanência do PT no poder. Neste sentido, a indicação de Ernesto Araújo para Ministro das Relações Exteriores que pretende pôr a nu tudo isto é uma excelente notícia, mas quem pensa que a dependência e papel de fiel escudeiro dos EUA é uma “agenda de direita” não passa mesmo é de um fiel idiota.

O argumento de que a China só comercializa com o Brasil ou o faz porque vê vantagem nesta associação no apoio brasileiro a ditaduras, inclusive a Cubana não manja nada, nada nadica de nada de relações externas, muito menos de interesses de estado (imagine um acéfalo como Olavo como embaixador…), pois a China segue um roteiro imperialista pautado na acumulação de capital dirigida pelo PCCh, ou seja, são eles em primeiro lugar e sua inserção na economia africana, p.ex., é puro business, não segue pauta ideológica nenhuma. Só um completo ignorante acha que eles favorecem ditaduras de países pobres que não têm nada a dar em troca (veja a participação quase nula deles em Cuba, p.ex.).

Usar o caso do Tibet é estúpido, esta imensa região já pertencia ao domínio chinês que foi perdido com o fim do império e mudança para a república, para depois ser retomada pelos comunistas. Não justifica, não, mas se entende que é muito anterior e só um ignorante para achar que a China segue sendo maoísta. Como, aliás, assinalou o próprio chanceler indicado…

Recomendo que os súditos mentais do astrólogo aiatolavo leiam tratados e artigos mesmo falando do realismo político nas relações externas e como a China faz, muito parecido aliás, com os próprios EUA antes desses se firmarem como centro econômico mundial, centro este que tem mais de 80% dos produtos na sua maior rede de lojas de departamentos vindos da… China! Guerra entre eles? Rende bons filmes.

Guerras existirão, são o consumo de uma indústria poderosíssima, mas por procuração, como se monta no Mar da China Meridional, região disputada por suas reservas petrolíferas onde se instalam ilhas artificiais como estratégia de domínio pelo governo chinês. Apesar de toda ligação comercial da China com os EUA, Taiwan ainda permanece como forte aliada americana e não será cedida para os chineses em troca de um acordo. O Japão, milenar rival da China já requer investimentos em forças armadas e assim segue a toada, com mais arpejos da maior marinha do mundo, a americana. A China segue com suas limitações militares e tem seus imensos problemas internos. Não achem que os países, ainda mais os gigantes são todos harmônicos e de interesses homogêneos, isto não funciona assim.

 

Anselmo Heidrich

25 nov. 18

O Anátema do Globalismo – I

A figura mitológica de uma hidra com várias cabeças está no imaginário popular de um monstro que com vários tentáculos ou cabeças que fazem parte de um só organismo que, na sua forma atualizada chamam de “globalismo”.

E o tal do Globalismo, hein? Recentemente pesquei esta de um tuiteiro:

“Globalismo é a ideologia que preconiza a construção de um aparato burocrático — de alcance global, centralizador e pouco transparente — capaz de controlar, gerir e guiar os fluxos espontâneos da globalização de acordo com certos projetos de poder. Não confunda uma coisa com outra.”

“Aparato burocrático” que gere “fluxos espontâneos” e dá-lhe acrobacia retórica!

E do guru dos novos cruzados tupiniquins… Conhecem também?

“Nada é mais ingênuo (ou talvez mais esperto) do que apresentar o quadro atual do mundo como se fosse o de um combate entre as grandes empresas e o Estado, ou, o que dá na mesma, como se não fosse senão uma reedição ampliada do velho conflito do princípio capitalista com o princípio socialista. Esse giro sutil que o enfoque esquerdista impõe à visão da realidade mundial reflete uma intenção de usar a salvação das nações como pretexto para salvar, isto sim, o que ainda possa restar da estratégia comunista mundial.

“É falso dizer que o neoliberalismo favorece as empresas em detrimento dos Estados; ele favorece abertamente certos Estados contra outros Estados, e favorece sobretudo a ascensão da burocracia mundial, a qual não é nem empresa privada nem Estado-nação, mas uma terceira coisa especificamente diferente dessas duas. Esta coisa, seja lá o que for, é o verdadeiro inimigo dos Estados nacionais — sobretudo dos pequenos e fracos — e, ao mesmo tempo, o verdadeiro inimigo das empresas privadas, ao menos daquelas que ainda confiam no princípio liberal e não sonham com um monopolismo à sombra da proteção do Estado global.

“É preciso, absolutamente, distinguir (…) o Estado enquanto princípio abstrato e os Estados enquanto realidades históricas concretas. O globalismo neoliberal se volta contra estes últimos, ao mesmo tempo que favorece o primeiro — sobretudo quando este se apresenta sob a forma monstruosamente inflada de Estado mundial –, mostrando, com isto, que de liberal só tem o nome. A prova é que, na mesma medida em que os neoliberais condenam as legislações nacionais de controle da economia, eles louvam a adoção de idênticos controles quando ampliados à escala mundial. Isto não é combater ‘o’ Estado: é combater ‘alguns’ Estados, sobretudo os pequenos, e favorecer outros Estados, sobretudo os maiores, sobretudo o maior de todos” [Estados e Estados, http://www.olavodecarvalho.org/estados-e-estados/]

Nesta longa nota, necessária, pois rica em contradições é que vemos quão insustentável é este esboço de teoria sobre o “globalismo”.

No primeiro parágrafo, Olavo de Carvalho (OdeC) diz que o argumento da Esquerda de opor a empresa ao estado é uma estratégia, última (até esta data) comunista para criar uma falsa oposição de liberais defensores da livre-empresa contra o princípio de existência do estado. Neste ponto, se vê uma divergência filosófica de OdeC com o libertarianismo e ele não está errado, pois o livre-comércio não prescindiu historicamente de acordos entre estados, mas continuemos…

No segundo parágrafo é que começam as incongruências. Primeiro porque não há consenso sobre o que venha a ser neoliberalismo, para liberais mesmo (ou libertários como se chamam nos EUA), não existe isso. O que existe seria um grau menor ou maior de intervenção estatal e o neoliberalismo seria um liberalismo aviltado pelo estado. Eu, particularmente, não vejo assim… Isto é tema para outro artigo, mas vejo uma diferença de conteúdo entre liberais e neoliberais, particularmente após a Grande Depressão quando estes passaram a admitir a atuação estatal para conter este tipo de crise, mas voltemos ao raciocínio de OdeC… Ele sustenta então que o que se forma através da arquitetura global proposta pela cúpula neoliberal (embora ele não tenha utilizado esta expressão, não é contraditória ao seu pensamento), uma ordem econômica se forma para benefício de grandes países — potências, dir-se-ia — em detrimento de “pequenos países”. Bem, aqui começam os problemas, o que OdeC quis, exatamente, chamar de “pequenos países” não é claro. Pelo contexto do artigo presume-se que sejam países economicamente mais fracos, mas isso é relativo, pois, na verdade, a maior parte desses países economicamente atrasados são, justamente, aqueles que não adotam princípios da economia de livre-mercado. Basta acompanhar o desempenho de países mais pobres no Índice de Liberdade Econômica (ILE) para saber do que estou falando. Inclusive, países com pequenas populações, parcos recursos naturais, não raro apresentam elevado desempenho econômico, como é o caso de Dinamarca ou Nova Zelândia por adotarem princípios liberais na economia. Portanto, esta suposição de que economias mais fracas são fracas porque são alijadas de uma “ordem econômica neoliberal” não faz o menor sentido.

Bem, o terceiro parágrafo é a conclusão de OdeC, a cereja do bolo em cima desse glacê pantanoso a guisa de teoria, o de que o neoliberalismo — segundo ele, essa série de acordos entre “grandes estados” — ajudaria a sedimentar o poder de um grande estado, o “maior de todos” e que seria um “Estado mundial” (mais tarde, a ONU virará o alvo do ataque de OdeC em outros artigos, assim como de seus seguidores olavettes). Isto, simplesmente, não tem a menor evidência empírica, mas como OdeC constrói sua justificativa? Em uma frágil argumentação de que existe uma distinção entre estados, como “realidades históricas concretas” e o estado como “princípio abstrato”, como se este ente abstrato se sobrepusesse àqueles. Este é um erro fácil de detectar com o menor esforço de pesquisa histórica… Existem diferentes estados, com diferentes origens e que por isso suas realidades não servem para explicar um ao outro. Diversas circunstâncias históricas favoreceram alguns, até mesmo situações geográficas particulares, enquanto que outros foram mais acometidos por ataques, invasões e entraram em guerras que retardaram ou dificultaram seu desenvolvimento econômico. Neste mundo competitivo internacional de realidade hobbesiana ampliada à escala global, alguns estados impõem sua força aos demais e, quando estabilizada, predominam hegemonicamente através de estratégias do Soft Power, interrompidas episodicamente por doses de força militar aplicadas “homeopaticamente”. Não há, portanto, uma articulação global, mas articulações que se impõem sobre o globo e competem entre si formando várias polaridades. Estes centros de força, não raro se engalfinham em suas “guerras por procuração” que se tornaram, particularmente frequentes da Guerra Fria até os dias de hoje.

Embora não citada neste artigo em particular, a ONU é frequentemente tratada como uma espécie de hidra mundial dominando ou exercendo influência determinante sobre os países. Para quem conhece minimamente o que a ONU através de suas agências tem sugerido aos países pode perceber que dista quase que completamente de qualquer “agenda neoliberal”, tendo esta minimamente algum compromisso com o liberalismo. Não faz o menor sentido, além de que a ONU tem como principal centro decisório, o Conselho de Segurança, constituído por um grupo seleto de países mais poderosos, como membros permanentes, EUA, Rússia, França, Reino Unido e China. E também, para quem acompanha minimamente a política internacional sabe que há mais divergências nas questões geopolíticas do que sincronia entre eles.

Acho que não preciso insistir na explicação de que o “Estado mundial” olaviano não passa de uma falácia.

(Continua…)

Anselmo Heidrich

18 nov. 18

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