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Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

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O que um Ministro da Educação deveria fazer

Anselmo Heidrich[i]

Com a troca do Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez por Abraham Weintraub se esperava substituir um intelectual inapto para as atividades administrativas por um exímio gestor. Esta era a expectativa, esta foi a narrativa, mas passados nove meses não foi o que aconteceu, longe disso.

Na semana que passou, estudantes relataram erros na divulgação das notas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Após o Ministro minimizar o problema atribuindo falhas a superlotação de inscritos, o Ministério Público Federal solicitou a suspensão das inscrições no sistema e alteração de seu calendário. Sobre as críticas ao Sisu, Weintraub reagiu dizendo que há “tem muita gente maldosa, que tem interesse em fazer terrorismo, espalhando mentira” ou são ligadas a um partido “radical de esquerda”.

Mas nada se aproveita do ministério sob comando de Weintraub? Sim, nem tudo foi em vão. Sua obsessão contra Paulo Freire é justificada. Freire era realmente péssimo, ele tinha uma linguagem diversionista, que não focava em seu objeto que, em tese, era educar dentro da compreensão e competência do ambiente escolar. Ao invés disso, fazia o que se convencionou chamar de “doutrinação”, mas que não passa da manipulação mais grotesca com mensagens subliminares (e às vezes nem tanto) em favor da revolução contra o capitalismo e a ordem democrática, aliada ao desprezo pelos métodos tradicionais de ensino, nem sempre defasados como dizem. Malgrado, isto por si só não justifica a inoperância e inépcia do atual Ministro da Educação.

O que se espera de um ministro de estado é que execute tarefas dirigindo sua área, no caso em questão, a educação, propondo algo a respeito e antes ainda, que tenha pesquisado sobre o assunto. Não é tão difícil quanto parece, existem dois temas que acho pertinentes e mais fáceis de executar. Comecemos com a pergunta: quais são os problemas e dificuldades que atingem a maioria dos professores?

A INDISCIPLINA

Claro que a maioria vai falar sobre salários, mas isto não é algo que seja da competência direta do MEC, como seriam outras demandas. E seja qual for a posição político-partidária ou ideológica dos professores, independente de qual seja sua visão de mundo, algo que os atinge em cheio, na sua maioria, é a malfadada indisciplina escolar.

Como se resolve isto? Como eu disse, o primeiro passo é a pesquisa. E há sim boas experiências no Brasil. Comecemos pelo óbvio, as escolas militares. Sei que alguns leitores irão se opor de imediato dizendo que não há como comparar, pois o militar é um indivíduo que tem todo um preparo prévio que permite a constituição de um ambiente educacional totalmente distinto. Minha discordância a este argumento é que eu não acredito que tenha que ser militar para aprender regras básicas de convivência no ambiente escolar. Eu poderia aqui dissertar em termos teóricos, mas vou ser mais direto: a escola no Brasil já foi muito melhor em termos disciplinares. Simplesmente, algo se perdeu ao longo de nossa história recente e eu tenho algumas dicas e uma delas é o poder de sanção atribuído ao professor.

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o promotor da Infância, Adolescência e Juventude do Ministério Público Estadual, Sérgio Harfouche criou um projeto, batizado de Programa de Conciliação para Prevenir Evasão e Violência Escolar (Proceve), que deu origem a um projeto de lei que consistia, basicamente, em obrigar os pais a assinar um termo de responsabilidade pela conduta de seus dependentes. Conhecida como Lei Harfouche, trata da indisciplina escolar. Na primeira ocorrência, o aluno recebe uma notificação, na segunda, alguma forma de ressarcimento deve ser estabelecida em atitudes compensatórias, seja pela depredação do patrimônio público, no caso, a escola, ou pela epidemia que assola o professorado, a ofensa pessoal.

Os opositores desse projeto insistem na tese de que “o aluno precisa ser conscientizado”. Deixe-me perguntar: quando vocês eram crianças mesmo, acham que os pais paravam no meio da rua e os conscientizavam de que era perigoso atravessar sem olhar para os lados ou acompanhado de um adulto? Antes de conscientizar, há o puro condicionamento por regras básicas de convivência. Depois de assimilado e reduzidas as chances de algo ruim acontecer é que se explica o porquê de se adotar um procedimento específico. Não há como, quando temos uma situação em que outros indivíduos podem estar em risco, explicar tudo a todos. Imagine você se cada um de nós tivesse que ter concordância e consentimento com regras de trânsito só após alguém poder nos explicar sua validade. Assim como temos a obrigação de saber determinadas regras de antemão no trânsito, como condutores ou passageiros, professores e alunos também têm este compromisso antes de pisar em uma sala de aula.

A “DOUTRINAÇÃO”

Outro ponto que considero fundamental em concordância com o Ministro e seu governo é o combate à doutrinação. Este sentido de “doutrinação” corresponde a uma narrativa e método de ensinar com fins escusos, normalmente, ideológicos e político-partidários. Pois bem, exceção feita àqueles legítimos casos de polícia em que professores são denunciados e, corretamente, expostos por fazerem clara apologia a um político, ideais utópicos ou pior, convocando os alunos à ação nas ruas, manifestações etc., há uma “doutrinação fina”, chamemos assim, que passa batido e nem sequer é percebida pela maioria de seus críticos: a que está nos livros didáticos.

Por que é importante combater esta? Porque o livro didático é uma espécie de manual para a maioria dos professores, que depende dele para orientar o conteúdo de suas aulas. Mas (isto é importante), também deveria ser a salvaguarda do aluno quando o professor estivesse fugindo do tema ou fazendo mal uso de sua posição privilegiada enquanto educador. Deveria servir como uma âncora ao aluno para não ser tragado pelas más interpretações e manipulações que alguns sedizentes professores lançam mão. O livro didático também deveria funcionar como aqueles códigos do consumidor que vemos depositados nos balcões das lojas para nossa segurança jurídica.

É difícil imaginar um ministro convocando uma equipe para analisar os livros que o próprio MEC indicou no passado, sugerindo retoques ou renovação de títulos a partir de critérios técnicos não doutrinários? Seis meses para isso, mais seis meses para confecção de novos materiais e em um ano temos uma produção realmente apropriada. Daí, a opção de colocar a bandeira ou o hino, tal como sugerido pelo Presidente da República, é secundária, pois enfatizar símbolos em detrimento do conteúdo literário, como se houvesse “muita coisa escrita” é prova de desconhecimento total do assunto, seus problemas, necessidades e soluções.

Há muito mais, evidentemente, que tem que ser discutido e proposto, mas só estas duas considerações já dariam uma nova cara à pasta e não fariam com que o MEC fosse um dos principais auto-sabotadores deste governo. Ficar batendo o pé ao dizer que quem nos critica é de Esquerda só prova uma coisa, que esse povo da Direita não é tão diferente assim de seus opositores, pois afinal, vivem de propaganda enquanto os problemas permanecem os mesmos. E já que o Ministério é o da Educação, uma boa forma de educar nossa sociedade é mostrar como se respeita o dinheiro público, não perdendo tanto tempo em redes sociais, como faz nosso ministro em seu Twitter. Ninguém precisa vê-lo tocando algum instrumento musical, como se isso fosse uma qualidade para um homem público, sobretudo quando ocorrem tantos sobressaltos em sua administração.


[i] Professor de Geografia e Mestre em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo e coautor do livro Não Culpe o Capitalismo.


Imagem “Abraham Weintraub” (fonte): https://www.flickr.com/photos/palaciodoplanalto/47961129173/

Você é a favor dos cortes para os cursos de Sociologia e Filosofia?

Cortar ou não cortar o financiamento dos cursos de sociologia e filosofia? Não, se forem só estes cursos. Sim, se forem todos os cursos.

Os argumentos a favor do governo são de que “esses cursos não são importantes”, “só formam militantes” e um que eu não li ainda, mas seria importante, “eles produzem ciência de verdade”. Bem, sociologia é ciência. Não é porque se produz pouca ciência sociológica que ela não exista, mas eu reconheço, infelizmente, que a maioria dos cursos e em várias situações serve para encobrir a mais pura picaretagem acadêmica que se esconde atrás do véu do “engajamento político”, da premissa de que “ninguém é neutro” ou de que “todos nós temos ideologia”.

Ninguém é neutro mesmo, mas isso não nos exime de fazermos nosso trabalho descritivo, de coleta de dados, de discussão metodológica, de análise e depois nos posicionarmos politicamente. O que acontece, cada vez mais é que a premissa da não neutralidade já legitima, logo de saída, a deturpação metodológica onde vai se buscar o discurso (pseudo-)científicio da opção política. E o pior é que isto não é identificado. Se acreditando, piamente, que a opção antes da pesquisa é a mais acertada possível.

“Ideologia” é um termo amplo, muitas vezes confundido com a simples fé em um utopia ou projeto político. A ideologia, na verdade, compreende uma justificativa teórica ligada a uma filosofia e é a própria filosofia que tem um papel importante na análise das ideologias. Por isso mesmo, o melhor remédio contra a má sociologia é a própria filosofia.

Mas o que fazer quando os professores não são o remédio, mas o problema? O que fazer quando eles são os vetores de contaminação e deturpação de todo o sistema? O corte para essas áreas é uma solução tentadora, mas injusta porque não separa o joio do trigo e põe todos, produtivos e picaretas no mesmo saco. Critérios meritocráticos tinham que ser adotados para quem faz ciência de verdade não fosse prejudicado, o que também deveria incluir a área de Humanas.

E este Ministro da Educação com muita pose e arrogância nas palavras poderia trabalhar nisso já que se acha competente. Quem sabe ele seja mesmo… A Direita está perdida na atuação política por falta de método. Quem sabe a sociologia de verdade ajudasse este governo a administrar melhor as chamadas “áreas sociais”?

E a Esquerda por seu turno não está perdida, ela é perdida… Eu participo de uma lista, que se vê como movimento chamado “Mapa Educação”, cuja deputada egressa dele é a Tabata Amaral, filiada ao PDT-SP. Ela teve o bom senso de sair do movimento para não misturar as funções (coisa que muito político liberal do MBL precisava aprender).

Como eu dizia, as discussões desse Mapa Educação se limitam atualmente aos cortes de verba às Federais anunciados pelo governo. É como se a Educação Básica simplesmente não existisse. E, na realidade, para esses grupos políticos é assim mesmo. Eles refletem seus locais de origem e encontro: o Ensino Superior. Eles acreditam, piamente, que um sistema “democrático”, “popular”, “social”, mas que na realidade traga 60% dos recursos destinados à Educação no país e que serve a poucos.

Considerando sistemas público e privado de ensino superior temos cerca de 19% de jovens entre 18 e 24 anos, embora haja muitos na modalidade EAD que está em franco crescimento, de acordo com o Censo Educacional de 2017.

Não adianta procurar atalhos. Ou faz o serviço direito ou pede para sair. Temos duas medidas necessárias:

  1. Criar um modelo meritocrático baseado em critérios de produção científica;
  2. Privatizar o Ensino Superior distribuindo bolsas para alunos carentes e expandindo modelos de financiamento.

Isto já irá secar a fonte dos centros acadêmicos geradores de movimentos que servem como braços de apoio de partidos e movimentos políticos e só existem em grande parte devido ao financiamento público. O problema não é a ciência que dizem estudar e produzir, mas porque são geridos por professores que não fazem ciência e não têm a menor ideia do que seja isto.

Tais medidas seriam um bom começo, mas por si só não serão suficientes para combater ideologias. Essas se combatem com outras e para isto, outro tipo de professor deve ser atraído com bom salário. Se não for assim, os ruins que já predominam continuarão fazendo o que sabem melhor: política suja, melhor definida como “política no lugar errado”.

Anselmo Heidrich

5 mai. 19

#Educação

#CortesNaEducação

#MEC

#Sociologia

#Filosofia

Fonte da imagem: “Evolução dos paradigmas de pesquisa em Sociologia e ciências da complexidade” – https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Complexity-map-with-sociolo.png

“Cursos Livres” não são submetidos à legislação do MEC

Bolsonaro divulga vídeo de aluna que filmou professora em aula https://oglobo.globo.com/sociedade/bolsonaro-divulga-video-de-aluna-que-filmou-professora-em-aula-23628113?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

Se se tratar de um curso privado, seja ele preparatório para vestibular ou concurso público, a denúncia da aluna deve se dirigir ao mercado e não a sua judicialização. Não há nada que o Ministério da Educação deva fazer, nem é esse seu papel. Se o atual ministro Abraham Weintraub for ingerir nisto será o equivalente ao ministro Sérgio Moro continuar julgando casos da Lavo-Jato.

Mas o mercado é mais eficaz e rápido do que a judicialização, ele é melhor. Basta que a direção do curso e seus mantenedores tomarem conhecimento de que isso trouxe repercussão negativa e talvez perda da clientela que rapidinho eles dão um jeito na professora-manipuladora.

Sobre a aula em si, é possível sim, perfeitamente ensinar e dar sua opinião sem deixar de ser justo, isto é, colocar outras visões em pauta para que os alunos possam refletir e quiçá, optar por sua visão própria ou até construir alguma a partir de um mix de opiniões. Por que não?

Mas o que ocorre não é isso, nós sabemos. Vira puro proselitismo político-ideológico em nome da mera da “liberdade de cátedra”. Claro que isso não é uma aula desejada por quem tem interesse em aprender alguma coisa para passar numa prova, mas cabe a esses alunos irem protestar diretamente com o coordenador e depois, rápido para não perder o calor do momento chamar atenção de seus superiores e donos da empresa.

Se queres mudar algo mesmo tens que ser “o chato”. Se ficar acomodado aí porque não queres ser mal visto, não reclame depois quando teus sucessores, herdeiros e filhos saírem por aí quebrando lojas, agências e queimando ônibus ou viaturas.

É aí que começa a loucura dos nossos tempos: em nossa omissão.

Anselmo Heidrich
29 abr. 19

Fonte da imagem: O Globo.

Educação é o contrário do que dizem os especialistas

Matéria da @bbcbrasil intitutlada “5 questões urgentes da educação brasileira que o novo ministro Abraham Weintraub vai enfrentar” de Paula Adamo Idoeta — @paulaidoeta — é mais uma daquelas provas de que quando falam ou discutem sobre “educação”, geralmente, não tocam em nada urgente, fundamental ou difícil. Vou, ponto por ponto…

A primeira delas, segundo a BBC:

1. Modelo de financiamento está prestes a expirar

O fundo federal de 150 bilhões por ano tem prazo para acabar, em 2020 e é responsável pelo sustento de mais de 180 milhões de matrículas.

Sinceramente, alguém acha que isto não vai ser extendido ou ampliado? Agora, a questão que não é contemplada, este é o melhor modelo que conseguimos obter? Ficar refém dos humores do Congresso e a aprovação de projetos e emendas, cujo teor sequer deveria ser questionado é ridículo. Já, o método de execução e implementação dos recursos sim, mas isto, ao que eu saiba, não é cogitado.

Outra questão não menos importante é discutir a reforma tributária incluindo estes repasses, pois ao invés de tributar e recolher recursos dos estados e municípios para ir para Brasília para depois retornar através de fundos como o FUNDEB — Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica -, o melhor seria que nem saíssem de onde foram gerados. Este é o ponto, a descentralização tem que ser em todos os sentidos, inclusive administrativa e fiscal.

Agora, as questões propriamente pedagógicas…

2. Colocar em prática a Base Curricular

Em primeiro lugar dizer que isto foi “imposto pela gestão Temer” é para eximir a responsabilidade das gestões petistas, uma vez que este monstrengo foi criado no período de ministério de Renato Janine, ainda no Governo Dilma.

Para quem não sabe do que se trata, a BNCC — Base Nacional Curricular Comum -, sim, esse nome horroroso é, basicamente, um currículo comum a ser aplicado nacionalmente. Vejam, das duas uma, ou tu assumes o princípio de que o país é o quinto maior do mundo em extensão e população e tem um quadro social e cultural extremamente diverso, não sendo recomendado homogeneizar o ensino ou parte do princípio de que se quer formar um currículo comum assumindo que seja fundamental a todos. Para mim é óbvio que português e matemática seriam isto e já estaria de bom tamanho, sem que seja necessário reformular o ensino de história, geografia e ciências. E lendo em detalhe as propostas já enviadas no período do governo Dilma fica claro porque o apreço por este lixo teórico: ideologização pura e simples, na qual o ensino de história perde os assuntos relativos à Europa para dar primazia ao pouco que se sabe da África e inventar história, isto mesmo, baseada na mitologia ameríndia. Feito isto durante 25 anos tu já tens um exército de indivíduos amestrados prontos para venezuelizar o Brasil varonil. Isto sem falar no estelionato pedagógico da ideologia de gênero igualmente contemplada.

Agora algo que valeria muito a pena:

3. Dar rumo à reforma do ensino médio

Esta foi uma excelente proposta, essa sim do Gov. Temer, de criar especialidades, Humanas, Exatas e Biológicas no Ensino Médio, para as quais se concentrariam os estudantes. Mas, não foi basicamente por falta de recursos como está nos comentários de “especialistas”, mas sim por falta de pessoal (professores) qualificados. Tanto que o projeto procurava regularizar algo que já existe, a legalização/regulamentação de professores que não possuem o título formal dessa especialidade.

Outro dado não contemplado nos comentários da matéria é que boa parte da rejeição veio da militância petista, psicopata claro, que rejeitou o projeto por não ser de origem petista, uma vez que Dilma já havia sido impichada. E também por aquela massa acéfala de professores que acham que tudo em termos de educação se resume à maiores salários e flexibilização no ensino de modo que a aula fique mais criativa, de acordo com suas predileções políticas e menos rigorosa em termos científicos.

Eu acho o próximo tema importantíssimo, mas é geralmente o de pior análise e tratamento:

4. Formação de professores

Em primeiro lugar, não existe esta cisão entre “teoria” e “prática”, mas teoria errada, que não explica a realidade ou não parte da realidade. Os professores brasileiros sequer tem disciplinas de “resolução de conflitos”, coisa que qualquer RH leva em conta, mas não quem acha que ensinar, educar uma massa de crianças e jovens não sofra com isso. A questão disciplinar é SUMAMENTE IGNORADA.

Deixe-me fazer uma pergunta: se triplicarmos o salário de policiais corruptos, eles deixarão de ser corruptos? Não, né? Então por que, diabos, uma melhor formação não deve levar em conta pessoal novo para reciclar o pessoal que dificilmente vá deixar seus vícios de trabalho?

Assim como o Mais Médicos dificilmente leva pessoal à cidades sem infraestrutura só pelo salário, não bastam melhores salários sem condições adequadas e qualquer um que saiba o que é uma escola, principalmente pública, mas não somente, as privadas também sabe que sem DISCIPLINA, esquece. Ponha a pedagogia que for, o método que for, tudo, grana, tudo, nada funcionará.

Se atribui muita importância ao Enem e ele é um problema em si, não uma solução:

5. Enem, prova de alfabetização e demais avaliações a perigo

Assim como a BNCC, as avaliações não deveriam ser centralizadas. Vestibulares isolados, como eram no passado, tinham excelente qualidade e eram muitíssimos mais rigorosos exigindo que o mérito fosse individual e não por questões étnicas, sexuais ou outras quaisquer que só subsistem rebaixando o nível de ensino e sua exigência.

Compartilhem.

Anselmo Heidrich

9 abr. 19

Em tempo: @bbcbrasil vejamos isto aqui “Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, diz que o Brasil tem a tradição de ‘nomear ministros homens acadêmicos que não entendem de Pedagogia ou de políticas para a educação básica’”

[https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47858435?SThisFB&fbclid=IwAR3wfRQkR8N8ZXbjwpfI2Gkak0RYVErLP9_DgYb-pBWPlavQ0WpSw7nhHjM]

E… DESDE quando pedagogia não é preocupação sumamente acadêmica? Quais teorias pedagógicas se aplicam, OU MELHOR, são úteis e eficazes no ambiente escolar?

Eu, com mais de 25 anos de sala de aula, tendo ministrado aulas no ensino fundamental, médio, superior, pré-vestibular vos afirmo: praticamente NENHUMA.

Imagem (fonte): https://www.flickr.com/photos/moeview/498704676

O Ministro Ricardo Vélez-Rodríguez e o MEC

Eu não acredito em carta de intenções, em discursos treinados e resumos ideológicos adaptados a situações complexas. Mas… Um discurso, uma carta podem ser úteis para detectarmos certos elementos do que está por vir, ao menos parcialmente… Vejamos aqui, o famoso artigo do futuro Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez “Um Roteiro para o MEC”. Vai aqui, o link que eu recomendo que leiam (não é muito extenso):

Cf. https://pensadordelamancha.blogspot.com/2018/11/um-roteiro-para-o-mec.html

Vou descartar de minha análise toda a justificativa de porque ele, Ricardo preferia votar e fazer campanha para Jair Bolsonaro, que não é o objeto de discussão aqui e sim, especificamente, os temas propriamente educacionais. Então vamos ao que interessa…

No terceiro parágrafo diz:

“Enxergo, para o MEC, uma tarefa essencial: recolocar o sistema de ensino básico e fundamental a serviço das pessoas e não como opção burocrática sobranceira aos interesses dos cidadãos, para perpetuar uma casta que se enquistou no poder e que pretendia fazer, das Instituições Republicanas, instrumentos para a sua hegemonia política. Ora, essa tarefa de refundação passa por um passo muito simples: enquadrar o MEC no contexto da valorização da educação para a vida e a cidadania a partir dos municípios, que é onde os cidadãos realmente vivem. Acontece que a proliferação de leis e regulamentos sufocou, nas últimas décadas, a vida cidadã, tornando os brasileiros reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana’, com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero, a dialética do ‘nós contra eles’ e uma reescrita da história em função dos interesses dos denominados ‘intelectuais orgânicos’, destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em soma, do patriotismo.”

Há uma crítica ao uso das instituições republicanas, “uma casta”, como diz e ele está se referindo a funcionários que adentram a estrutura do estado aparelhando-o para projetos próprios. Sua perspectiva de “enquadrar o MEC (…) para a vida (…) a partir dos municípios” revela o tom descentralizador deste artigo como ficará evidente ao final “menos Brasília e mais Brasil”. Isso é muito bom, a possibilidade de termos programas mais adequados à realidades regionais e infra-regionais e não ter que seguir bases curriculares nacionais extensas e altamente ideologizadas, o que têm sido a tônica do MEC nos últimos tempos.

Agora nem tudo são flores, o que ele deixa claro que a ideologia marxista corresponde a uma “doutrinação de índole cientificista”. Isso é bobagem. “Cientificista” não é científico, ciência é ciência e só. Se eu ensino a Teoria da Evolução por Darwin e suas correções críticas posteriores como a de Stephen Jay Gould, isto não é imposição sobre a maneira de ver o mundo das pessoas, sobre a metafísica ou o que elas acreditam que existe além de nosso mundo físico. A ciência não entra neste campo, não a que é e que deve ser ensinada nas escolas. Como dizia Sagan, “a ausência da evidência não significa evidência da ausência”. O fato de pensarmos em como ocorreu a evolução da vida não me dá elementos para dizer o que iniciou a vida, qual a força ou intencionalidade desta força. “Cientificista” seria estender uma filosofia particular a partir do conhecimento científico, mas que em si não é a própria Ciência. Esta confusão pode levar nosso futuro ministro a tomar uma posição anti-científica porque desconfia que a ciência carrega em si um potencial confronto com sua visão da vida, religiosa no caso.

“Valores tradicionais…” Não há uma composição familiar uniforme, embora haja um padrão majoritário. Cuidado ao tomar o conceito de “família” de modo homogêneo porque pode se estar falando em nome de algo mais dinâmico do que se desejaria. A religião também não é “A” religião, mas religiões. Um ambiente civil ordeiro deve contemplar diversas religiões que podem até ser concorrentes, mas sempre dentro de bases civilizadas. Claro que aquele tipo de culto que atenta contra vida alheia tem que se submeter ao nosso estado de direito e se adequar. Acredito que o futuro ministro concordaria comigo na última consideração, mas não sei se ele tem clareza das outras duas, sobre a família e as religiões.

Ricardo Vélez-Rodriguez tem razão ao criticar o Enem, com a imposição de um modelo de pensamento que se diz “crítico”, mas tudo que faz é abafar a crítica. Balela! Quando se tratam de questões objetivas como em exames vestibulares, como os alunos farão explanações críticas, com exceção das redações? Então, para se respeitar o máximo de autonomia de pensamento, as questões têm que se limitar ao mais consensual e objetivo possível.

Agora, há uma passagem que me assustou sobremaneira:

“Outra proposta apareceu, afinada com as empresas financeiras que, através dos fundos de pensão internacionais, enxergam a educação brasileira como terreno onde se possam cultivar propostas altamente lucrativas para esses fundos, mas que, na realidade, ao longo das últimas décadas, produziram um efeito pernicioso, qual seja o enriquecimento de alguns donos de instituições de ensino, às custas da baixa qualidade em que foram sendo submergidas as instituições docentes, com a perspectiva sombria de esses fundos baterem asas quando o trabalho de enxugamento da máquina lucrativa tiver decaído. Convenhamos que, em termos de patriotismo, essas saídas geram mais problemas do que soluções.”

Eu li errado, eu entendi errado ou o futuro ministro se mostrou pessimista com a atuação de empresas que queiram investir em programas educacionais no Brasil? Quer dizer que mal sentimos os efeitos desses empreendimentos que teriam muito a contribuir para expansão do mercado educacional e já temos um ministro bem antipático a sua atuação. Este “patriotismo” que tanto fala me parece mais do mesmo, uma máscara para o velho estatismo. Sua crítica ao modelo varguista, ao janguismo, ao pretérito e atual patrimonialismo brasileiro e, recentemente, ao petismo são todas justas, mas não adianta substituir seis por meia dúzia propondo outra forma de monopólio estatal na educação.

Como eu já disse alhures, melhor que o #EscolaSemPartido é o #EscolaSemEstado. Mas seu detalhamento fica para outro artigo.

 

Anselmo Heidrich

23 nov. 18

Por que estamos virando analfabetos geográficos?

Fonte: Thomas E. Sherer, Jr. The Complete Idiot’s Guide to Geography. Alpha Books, 1997.

O comentário acima foi extraído de um guia para estudo de geografia americano. E diferentemente do que se diz por aqui, o “analfabetismo geográfico” do americano médio não deriva de um preconceito infundado por este cidadão em relação ao resto do mundo, mas por uma proposta educacional equivocada.

A Geografia, assim como outras disciplinas análogas, História, Economia, Sociologia e Antropologia são incluídas em um conjunto genérico chamado Estudos Sociais e, consequentemente, o nível de especialização cai. Ainda mais se levarmos em conta de que a própria Geografia já é, de per se um estudo generalista (contemplando desde a climatologia aos estudos urbanos, p.ex.), a generalização suplanta qualquer tentativa de aprofundamento e especialização. E o tipo de profissional requisitado será menos expertise e mais conhecedor de assuntos gerais.

Não desprezo esta perspectiva, mas temos que reconhecer suas vantagens e limites. Para um mundo em crescente Globalização, a ignorância sobre outras regiões globais fecha um tipo de ciclo. Líderes populistas como Donald Trump que advogam uma espécie de isolacionismo e egoísmo diplomático — A América em primeiro lugar — reforçando a ignorância sobre seus vizinhos e outros problemas mundiais que estão relacionados à própria atuação de seu país. Não precisamos ir longe para percebermos que a última grande leva migratória de refugiados à Europa tem a ver com a Guerra da Síria promovida, em parte, por EUA e Rússia.

Em que pese a importância que dou ao tema discordo da obrigatoriedade do ensino de geografia. Acho que os currículos modernos em um mundo de crescente especialização e demanda por mão de obra especializada deveria ser modular. Mesmo porque o básico sobre conhecimentos gerais pode ser obtido pelas diversas mídias e canais disponíveis, dentre os quais o YouTube é um dos melhores, ou sites como Quora para pesquisas etc.

Mas este alerta deve ser estendido aos brasileiros, cujas tentativas de reformulações do ensino pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), cujas tentativas remontam ao Governo de FHC, com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) que enfatizavam o estudo por eixos temáticos, como meio ambiente, sexo, ética etc. Temas transversais são úteis e conectam diferentes disciplinas, mas o risco de um mau uso é quando se diminui a riqueza e profundidade em torno de um discurso simplista e homogêneo, coisa distante da realidade e da verdade.

Muitas narrativas acadêmicas, que não passam de elaborações ideológicas mais rebuscadas acabam sendo empurradas por pedagogos em tais reformas. Dos ditos PCNs se passou para a atual Base Nacional Comum Curricular (BNCC) nos governos petistas, especialmente com a direção de Renato Janine no MEC e agora permanecem no governo Temer.

Muitos grupos de oposição, sejam liberais ou conservadores têm posição claramente contrária a imposições e conteúdos como a Ideologia de Gênero inscritas na BNCC, mas não atentam para o conjunto que deteriora a visão tradicional e mais ampla. O governo sinaliza de modo ambíguo introduzindo disciplinas como filosofia, sociologia que em uma grade curricular saturada de disciplinas sobra pouco tempo para o aprofundamento das que já existiam. Então, ao invés de enriquecer as disciplinas de Geografia e História temos menos tempo para elas e mais para outras que são costumeiramente utilizadas por doutrinadores marxistas. E isto que nem cheguei a mencionar a redução das disciplinas de biológicas e exatas durante a semana.

Meu alerta vai para vocês que dizem se preocupar com a educação em geral: parem de ver só a questão da sexualidade, que tem sua importância inegável, mas vejam o conjunto pernicioso das reformas.

Anselmo Heidrich

21 ago. 2018

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Base Nacional Comum Curricular: o sonho petista de conduzir centralizadamente a Educação Brasileira

Vejamos o que disse a Carta Capital sobre o assunto:

 

Há uma particularidade na BNCC que tem provocado muita discussão. Essa, relativa ao conteúdo, sobretudo da área de História. Trata-se da forte presença de temáticas das populações ameríndias, afro-brasileiras e latino-americanas e uma grande redução de conteúdos ligados à matriz europeia e ocidental.

Embora a discussão tenha se inflamado nas bases – polarizada entre os “eurocêntricos” e as “minorias”, cultura dominante e dominada –, para as grandes forças econômicas que permeiam esse processo, tal discussão não é de grande interesse.

via A Base Nacional Comum Curricular e a educação banqueira — CartaCapital

 

Para quem não sabe, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), foi criada no governo petista de Dilma Rousseff e continua, embora abrandada no governo de Michel Temer. A BNCC propunha, entre outras alterações, uma releitura da História que era, na verdade, uma supressão da contribuição da Europa à construção da Civilização. A substituição do currículo era ampla, com ênfase à história da África e da América Latina, mesmo que essa não tivesse comprovação factual. Pessoalmente, eu acho necessário estudar mais outras regiões globais pouco presentes ou ausentes nos currículos escolares, mas isto não significa sobrepor uma às outras, nem se basear em mitos, sem reconhecê-los como tais ou o que é pior, criar novos mitos baseados numa pobre dicotomia de exploradores e explorados ou algozes e suas vítimas.

A matéria da Carta Capital abusa dos clichés surrados da esquerda sendo o mais recorrente, o interesse de instituições do setor privado se interessarem pela reforma curricular… Notem que a tônica da matéria é esta e não, como deveria ser se quisessem realmente informar, o conteúdo da reforma proposta pelo MEC, a chamada Base Nacional Comum Curricular (BNCC), um dos lixos deixados pela gestão de Renato Janine Ribeiro quando ministro do MEC. Na verdade, a reforma acaba reduzindo o ensino de exatas, especialmente matemática. Se for para se ter equivalência entre conteúdos, o mínimo razoável que se esperaria seria 1/3 para exatas, 1/3 para biológicas e outro terço para humanas. E dentro destas, sobretudo, geografia e história uma equalização de estudo para todos os continentes e grandes civilizações, para dizer o mínimo. Mas não… A auto-afirmação terceiro-mundista relegou a civilização antiga, Grécia e Roma ao ostracismo, revoluções como a Francesa, a Inglesa ou a Americana como adjacentes, menores e irrelevantes. Agora basta ver a idealização romântica, como diria Carlos Rangel, “Do bom selvagem ao bom revolucionário” dos ameríndios e africanos, como se estes não travassem lutas sanguinárias entre si ou traficassem, eles próprios, etnias vizinhas para seus parceiros europeus. Imagine, dizer a verdade, que “Zumbi dos Palmares” foi um escravista tão logo tenha se libertado de sua condição de escravo ou que lideranças negras no Haiti, Papa Doc e seu filho Baby Doc mais lesaram o paupérrimo país levando consigo USD 100.000.000,00, nem pensar, afinal, o que vale é só o mito, somente ele.

Agora, com a redução da matemática, cuja maior contribuição é a lógica que estimula o raciocínio e a drástica redução também da gramática que leva à imersão na compreensão pela facilidade de leitura e vice-versa, o que resta? Uma dispersão sem organização de conteúdos chamados, genericamente, ‘linguagens” que desobrigará o aluno a ler. Como se também a Progressão Continuada, eufemismo para Aprovação Automática, que é o que é já não fossem suficientes para por uma pá de cal no ensino. Com isto, o novo currículo, 60% válido para o país (outros 40% seriam para regionalismos) teríamos a institucionalização do descaso com o ensino. Vejam… Artes, Educação Física são importantes, mas não podem substituir algo como a Gramática (e vice-versa) e é isto que acabam por fazer nesta nova proposta. Claro que para alunos já muito mal avaliados em testes internacionais, como o PISA, seria uma maneira de adornar o quadro brasileiro com estatísticas pautadas no mascaramento da realidade: “veja como eles estão indo melhor…” Sim, claro, mas melhor em que, definitivamente, já que o que era difícil, custoso, mas de extrema importância foi excluído? Quer dizer que a título de “combater a exclusão”, o PT faz o caminho curto do atalho moral, EXCLUI O QUE INCOMODA, o conteúdo escolar. Simples assim.

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O que se observa na história da educação brasileira é que sempre se teve uma obsessão pelo currículo, pelo conteúdo como sendo uma salvaguarda para o sucesso do ensino. Pouco se fez com relação à qualidade da transmissão desses conteúdos no sentido da avaliação das avaliações ou cotidiano de sala de aula. Aliás, quando ouvimos falar em “educação” parece que o locus principal, a sala de aula é o que menos importa… Quase como se fôssemos falar de trânsito sem levar em conta a qualidade de nossos veículos ou estradas ou de culinária sem se importar com a higiene ou procedência dos alimentos. Repare como esta obsessão pelo que há de mais moderno é moeda comum para nós ao ponto de perguntarmos se a escola de nossos filhos tem computadores ou sala de informática e pouco sabermos sobre a qualidade da principal “peça” da educação que é o professor (onde se formou, quando, que cursos fez etc.).

E nesta toada, o que fez o PT? Usou o que já era um vício de nossos burocratas do setor educacional para enfiar goela abaixo sua estratégia goebbeliana, de manipular o conteúdo como peça de propaganda política para seu usufruto.

Senhores e Senhoras, o conteúdo tem que ser reavaliado, tem que ser depurado, mas não só! A forma de dar aula, com objetividade em relação aos conteúdos e acompanhamento de como o professor se porta em sala de aula são fundamentais. Lembrem-se ainda que valorizar a educação é valorizar o professor sim, mas aquele profissional que respeita o seu ofício não se tornando um papagaio de legenda partidária e ideológica. Procedamos então a um processo de monitoramento e maior interesse de nossa parte que, como pais e responsáveis somos a maior autoridade em relação a nossos filhos pela educação que recebem e saibamos diferenciar o joio do trigo, o profissional que merece nosso apoio daquele que deve ser defenestrado por trair o princípio da verdadeira educação.

Anselmo Heidrich

Qual é o Ambientalismo de nossos livros didáticos?

Acima, dois emblemas, duas apresentações, duas mensagens, mas uma ideia nos é transmitida. A diferença é que da forma implícita se torna muito, mas muito mais eficaz.

E o que dizer do tema transversal Meio Ambiente? Se há algo consensual que poucos ousam levantar sua voz hoje em dia é a “defesa do meio ambiente”, mas se repararmos, a questão está um pouco mal colocada. Primeiro porque quando falamos em “defesa do…” subentende-se que é algo externo a nós, como se fosse defender uma reserva, defender uma espécie ameaçada de extinção ou, na elasticidade dos conceitos jurídicos, meio ambiente do trabalho, meio ambiente urbano, a defesa do patrimônio artístico e cultural também entra nisso e aí, obviamente, quem dirá o que deve ser defendido e preservado serão especialistas. “Especialistas” esses que, como já cansamos de ver tem suas opiniões politizadas que nos são apresentadas como neutras, científicas, objetivas etc.

Como nosso foco aqui é o ensino vejamos como, efetivamente, o tema meio ambiente é tratado em sala de aula a partir das propostas do MEC.

Quando esse assunto começou a ser tratado nos livros-texto, a palavra de toque era poluição, algum componente que exalado além do aceitável era considerado danoso. Aos poucos, a ênfase recaía para a preservação da qualidade de vida, sem que se definisse claramente o que viesse a ser, mas até aí era possível discutir em termos mais objetivos. Com o passar dos anos e décadas até, a expressão vida sustentável foi se firmando como condição e objetivo a serem atingidos para um meio ambiente sadio e equilibrado trazendo consigo uma pequena confusão o que é e deve ser estudado – pela ecologia – e o que deve ser garantido como meio ambiente saudável e equilibrado – pelos ecologistas. Assim, um campo de investigação se mistura gradualmente a uma ética e esta conduz as investigações. Isto é um problema.

Aqui e ali começam a pipocar críticas à:

  • perspectiva de crescimento contínuo da produção na economia;
  • manipulação da natureza (transgênicos, p.ex.);
  • esgotamento dos recursos naturais.

Onde tudo isso leva, como gostam de dizer, a uma “destruição natural sem precedentes”. O que se vê pela junção de temas distintos é que se forma para o estudante um encadeamento implícito, não necessariamente verdadeiro. O crescimento da produção industrial nem sempre leva a uma maior destruição entendendo esta como o aumento da poluição; a produção de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), vulgo “transgênicos” pode, inclusive, levar ao menor impacto ambiental quando áreas menores são requeridas devido a maior produtividade e se dispensa o uso de agrotóxicos quando as sementes modificadas são mais resistentes; quando se fala na finitude dos recursos naturais, em primeiro lugar temos que diferenciar o que é escasso em certas áreas, como a água e outros, cuja escassez leva a ciclos de desenvolvimento de alternativas, como é o caso dos hicrocarbonetos que poluem muito mais do que outras fontes energéticas.

A surpresa viria, a partir dos anos 80 no Brasil do casamento dessas ideias com o marxismo. Mas como? Como? Marx usava a expressão 1ª Natureza para se referir ao que entendemos popularmente como Natureza e 2ª Natureza a natureza transformada, trabalhada pela sociedade. É pela presunção de que vivemos cada vez mais dentro do espaço transformado da natureza e que sua forma original encontra-se cada vez mais submetida à Lógica do Capital(sic) que os marxistas, ou professores de esquerda querem (e até hoje tentam) transformar estudos ambientais como um anexo, um “puxadinho teórico” do marxismo. Difícil crer, né? Mas isto porque vocês não leem as coisas que eles escrevem, das quais podemos diferenciar as formas explícitas e as implícitas. Estas, mais comuns são as principais responsáveis por sedimentar preconceitos teóricos nos estudantes.

Não é a toa que antes de sabermos o significado do relevo, da latitude e consequentes zonas climáticas ou da biogeografia, os alunos já são bombardeados logo de cara por tópicos como:

  • mudanças climáticas;
  • aquecimento global;
  • elevação do nível do mar.

Quando analisamos materiais sugeridos pelo MEC para o último ano do ensino médio, a obra Mudanças Climáticas (Coleção Explorando o Ensino) Vol. 13 de 2009 já se anunciam os graves problemas ambientais, dentre os quais o climático. Ou seja, sem antes fazer um mínimo esboço do funcionamento e o que já sabemos sobre a evolução climática do planeta em eras e períodos geológicos, já se parte para o problema atual! Cá entre nós, não é preciso ser nenhum Einstein para saber que se quero identificar um problema tenho que ter uma mínima compreensão da situação antes dele surgir. Sem nem questionar como mudam os climas já se assume de antemão na obra supracitada que a mudança é consequência da deterioração dos biomas. O mínimo mínimo mesmo a se exigir seria que se apresentasse duas visões distintas ou mais, mas não! Já se parte logo de cara para a asseveração do que quer dizer, o sistema “econômico vigente é a raiz dos males e tem que ser mudado” (para não dizer revolucionado). Como não o dizem diretamente porque haveria mais chance de se perceber a farsa, se sugere, se induz… Esta é a tática.

Embora se trate de uma obra geral, o que chama atenção é o caráter conclusivo já na sua introdução:

“Há algum tempo vimos que os recursos naturais nos parecem reduzidos, sem capacidade de regeneração frente à rápida intervenção humana que ocorre sobre eles. As florestas e savanas estão sendo sobreexploradas e invadidas por atividades da agropecuária e da indústria madeireira. Os ecossistemas estão sob pressão” (p. 21).

Trechos como o acima destacados aparecem soltos na argumentação ao não terem relação causal com nenhum fato ou teoria mais sólida. Dizer que os ecossistemas “estão sob pressão” soa óbvio, sobretudo, quando eles estiveram desde sempre. O conceito de ecossistema sugere que seja dinâmico e procure se adaptar às pressões. Agora dizer em que grau estão sendo pressionados e que são extintos é outra coisa e isto deveria ser diferenciado. Não fazê-lo é displicência ou tem como claro intuito alarmar. Dizer também que os biomas estão perdidos ou em vias de desaparecer sugere que eles não tenham capacidade de regeneração. Não só tem, como suspeita-se que muitos de seus ecossistemas tenham surgido justamente pela intervenção humana no ambiente (casos do Cerrado brasileiro e da Pradaria americana).

Estudar o meio ambiente é fundamental, seja você liberal ou socialista, de direita ou de esquerda ou qualquer outra corrente, mas a incerteza como parte integrante do processo de construção do conhecimento científico não só é tecnicamente como moralmente correto.

Anselmo Heidrich

Antecipação de recursos do MEC gera alguma reação do professorado?

temer-mendonca-filhovia videVERSUS: MEC antecipa pagamento de R$ 1,25 bilhão para professores (imagem).

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) adiantou R$ 1,25 bilhão do salário de professores de nove estados brasileiros que formariam o piso nacional do professor através do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb. Não vi até o momento, nenhuma manifestação do professorado a respeito. O que deveria ocorrer, já que a classe protesta tanto contra a “desvalorização do ensino” ou só o fazem quando há interesse político-partidário envolvido? Ou só o fazem quando estão juntos com seus alunos-militantes na tarefa revolucionária-meliante de quebrar as instituições de ensino? Ou só o fazem quando se trata de atacar despudoradamente um dos mais básicos direitos humanos que é o de ir e vir, no caso dos estudantes e professores que não desejam aderir a uma de suas manifestações e invasões de escolas?

O que tem que ficar claro, independente da posição política, se de Direita ou de Esquerda, independente da visão econômica, se liberal ou keynesiana é que hipócritas não devem ficar sem resposta. E a hora de desmascarar seus agentes da desinformação chegou.

RL

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