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Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

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liberalismo

Porque eu não me limito ao Liberalismo

Vou perder seguidores agora…

Seguinte: minha bronca com o liberalismo não é pela liberdade, pelo empreendedorismo, política, arte, filosofia etc. Geralmente, eu concordo com tudo o que dizem os liberais. M-A-S, minha bronca existe sim quando se trata de analisar cientificamente fenômenos que fogem do temário tradicional dessa corrente, riquíssima de pensamento. Vou dar um exemplo, da minha área: aqui no Brasil, um conhecido professor de uma instituição de ensino superior privado é frequentemente chamado para falar de educação. Ao que ele se limita? Ele só sabe ou, ao menos foi o que eu já pude ver e ouvir, defender os vouchers e mais nada. MAIS NADA, porra nenhuma. Qualquer um que já tenho enfrentado salas de aula por anos a fio sabe que isto não é panaceia nenhuma, no máximo e aí eu concordaria com ele, uma solução para melhor alocação de recursos públicos para alavancar as matrículas e possível desempenho das instituições de ensino que terão que desenvolver programas eficazes para ensinar uma crescente demanda dos alunos.

Em um desses encontros lhe perguntei o que ele propunha para combater a questão da violências nas escolas brasileiras, já que em recente pesquisa, o Brasil tinha sido considerado um dos três piores países no quesito. Ele me olhou e como se fosse salvo pelo gongo, alguém lhe chamou e saiu de fininho. Foi decepcionante, pois eu procuro HÁ ANOS, interlocutores na minha área que não sejam os mesmos socialistas estatizantes de sempre com sua ladainha de “investimento no professor” (leia-se, salário maior), o que não adianta. É simples, analogamente, nada adianta triplicar o salário de policiais corruptos para acabar com a corrupção. Por que então, aumentar salários de professores combateria a grave indisciplina que grassa nas nossas escolas? Tal qual a Esquerda que desvia o foco, a nossa Direita Liberal sequer enxerga o problema.

Quem poderia nos auxiliar? Os conservadores, claro! Mas estes, na atual conjuntura, também estão cegos com a ponta de um iceberg que chamam de “doutrinação”. Este é outro problema que mesmo que tivesse uma solução bem encaminhada, não iria mitigar, muito menos eliminar a estonteante violência que temos no ambiente escolar.

Cansou? Então procure outro exemplo… Todos sabemos que o “Custo Brasil” é um gravíssimo problema para nossa economia. Mas quantos fóruns e encontros de liberais já não discutiram o tema? N, vários e vários desses encontros. Então por que não discutir também problemas que são recorrentes, como a Segurança Pública, o Sistema de Saúde, a Defesa Externa ou temas que lembramos quando ocorrem graves tragédias como o Meio Ambiente? Digo porque… Porque as soluções não são fáceis e não passam por uma simples análise metodológica já trilhada por pensadores, filósofos ou economistas ortodoxos, i.e., liberais. Quando se tem o elemento “estado” como ente necessário na equação da solução, os liberais fogem. Podem chiar, tripudiar e se esgoelar aí do outro lado porque é isto sim que acontece, então ignoram os problemas, cujas variáveis não são facilmente compreendidas no receituário liberal. Tipo assim, eu seleciono, intuitivamente, os problemas e variáveis que já consigo vislumbrar saída e solução apropriadas. Aquilo com o qual não estou acostumado, eu descarto.

Foi desta forma que problemas como o da Venezuela, não de seu sistema econômico, propriamente falando, mas de nosso preparo e sistema de defesa sequer foram discutidos pelas hostes liberais anteriormente. Foi desta forma também, que eles, os liberais fundamentalistas sempre disseram ou sugeriram que resolver problemas ambientais passavam pela privatização dos recursos públicos, como o meio ambiente e deu, está encaminhado. Tolice.

Estas são algumas razões de porque eu gosto do pensamento liberal contra a simplificação socialista, mas eu igualmente detesto, abomino youtubers liberais que só sabem repetir a mesma cantilena de sempre descartando os detalhes da realidade. E não são poucos.

Que sangrem os debates.

Anselmo Heidrich

6 mar. 19

Porque o Avanço Conservador no Brasil não tem nada a ver com Fascismo

Foto Rodrigo Lôbo/Fotos Públicas

PSTU quem diria… https://www.pstu.org.br/nao-e-avanco-do-fascismo-o-que-est…/

Como disse um amigo, “quem diria”, esse artigo do PSTU é muito bom. Mas, calma, independente das razões deles, da militância do partido (que é atacar o PT), ELES DEFINEM MUITO BEM O QUE É FASCISMO E O QUE É CONSERVADORISMO E LIBERALISMO separando-os.

Em uma passagem matadora do texto dizem que o fascismo se caracteriza pela oposição aos poderes constitucionais da ordem, como a polícia e a justiça, que é o contrário do que advoga o conservador e o fascismo é revolucionário, o que também é diferente do liberalismo, reformista. Ou seja, o movimento a direita no Brasil atual NÃO TEM NADA A VER COM FASCISMO.

Recomendo a leitura e melhor ainda porque se fosse de uma fonte de direita muitos opositores desdenhariam, mas é justamente uma análise de esquerdistas que aprenderam a ler.

Novamente, concordar com a análise não significa concordar com as intenções do analista.

§§§

Ainda sobre o fascismo, quando eu era um garoto de 18 anos na faculdade, logo procurei um grupo político para me integrar e que tivesse proximidade com a ideologia que eu mais simpatizava, o Anarquismo. Fui a dois encontros a noite, após as aulas nas dependências da própria universidade em espaço cedido(sic). Lá vi alguns punks idiotas, o que é um pleonasmo e alguns estudantes que realmente se preocupavam em formar sociedades alternativas, uns pós-hippies chamemos assim. Mas, dentro do grupo havia uma menina com muita predisposição para violência e não como todo adolescente bocó que fala da boca pra fora, mas se borra todo quando vê um cassetete levantado. A menina em questão segurava uma bebê no colo e queria fazer o seu Riocentro contra… Contra o quê? Contra a “democracia burguesa”, para “denunciar essa farsa”. Claro que não foi adiante porque ela era uma voz isolada em meio aos pacifistas, mas sempre tem gente assim em todos os grupos. Assim como “a oportunidade faz o ladrão”, a oportunidade de semear o terror faz o covarde. É comum termos em manifestações, aqueles mais atrás que jogam pedras na frente para atingir escudos e quem enfrenta são aqueles mais a frente que não tomaram esta atitude. São eles que apanham e não quem atacou. Lembra-se do vídeo mostrando o início do confronto em Eldorado dos Carajás, em 1996? A fumaça do tiro que veio dos sem-terra não foi na linha de frente, foi bem de trás Pode procurar pelo vídeo que comprovará o que digo. Por isso, terror e fascismo não são exclusividade de um espectro político.

Quanto às proximidades entre liberais e socialistas contra o conservadorismo depende… Em um livro famoso, Como Ser Um Conservador, Roger Scruton comenta momentos em que conservadores se aliaram aos socialistas porque eram contra certas pautas dos liberais. Como não li o livro, eu imagino que fosse em alguma política ou lei de liberação nos costumes. Fica a dica, mas o que importa aqui é que as semelhanças que tu levanta variam de acordo como o tema específico. Por isso é muito importante que quando usamos estas categorias políticas, Direita e Esquerda, para não soar anacrônico, nós saibamos a que se referem na sociedade que estamos nos referindo. Já sugeri, mas reforço aqui: https://youtu.be/Yhdgaj0QNgs.

Anselmo Heidrich
11 out. 18

A Bússola de Kubrick

Em Marxism of the Right, texto de Robert Locke publicado em The American Conservative há um dos temas que me são mais caros: a liberdade total pode ameaçar um regime de liberdade? Ou o verdadeiro regime democrático-liberal pode se sustentar nos moldes ‘libertários’ ou ‘anarco-capitalistas’ onde não se leva em conta o peso da tradição e a limitação a liberdades que possam vir a ser destrutivas?

A democracia não poder se tornar uma ditadura da maioria, nem permitir que, democraticamente, se endosse um governo totalitário que atente contra as próprias liberdades civis é uma posição correlata à oposição a um liberalismo ingênuo que pensa que tudo é uma questão de opção. Como já desenvolvi alhures, eu não posso em nome de minha propriedade privada desenvolver ou praticar algo que venha a ferir um vizinho em seus direitos. Quem regula isto? A tradição e, por extensão, regras, leis que moldam o estado na sociedade. O que alguns ‘libertários’ defendem é que isto deve ser inscrito apenas dentro da lógica do laissez-faire, do próprio mercado. Mas, há problemas insolúveis aí, quando não se tem o judiciário como intermediário.

No entanto, eu discordo do último parágrafo quando diz que:

This contempt for self-restraint is emblematic of a deeper problem: libertarianism has a lot to say about freedom but little about learning to handle it. Freedom without judgment is dangerous at best, useless at worst. Yet libertarianism is philosophically incapable of evolving a theory of how to use freedom well because of its root dogma that all free choices are equal, which it cannot abandon except at the cost of admitting that there are other goods than freedom. Conservatives should know better.

Sim, liberdade requer juízo, com certeza. Mas, todas escolhas feitas livremente são iguais, ao contrário do que diz o autor. O problema é que o peso desta igualdade tem efeitos desiguais. Esta é a verdadeira questão, os efeitos e não as causas ou princípios. Por isto é que uma sociedade representada, legitimamente, por seu governo tem, evidentemente, o direito de reprimir tendências que atentem contra sua manutenção nos moldes que acha desejável. A imigração pode ser boa, mas se ela implicar em uma massa de indivíduos afeitos à políticas socialistas (como foi bem argumentado no texto) é claro que uma restrição à imigração pode ser benéfica.

Mas, é bom que se observe que se a liberdade destrutiva e irrestrita é perigosa, o conservadorismo irrestrito, inclusive aquele de naipe religioso também o é. Qualquer legislação tem que ser mínima, isto é, não “atulhar” de leis uma sociedade tolhendo esta em regulamentos excessivos que venham a estagnar sua atividade econômica. E, igualmente, não deve se propor a conformar tendências ou opções políticas. Pois, daí o risco de gerar insatisfações fica, proporcionalmente, maior. Este é o outro lado desta questão e um delicado equilíbrio entre liberalismo e conservadorismo deve ser almejado.

Faz pouco tempo, assisti novamente ao excelente Laranja Mecânica de Stanley Kubrick, baseado no romance de Anthony Burgess. A passagem em que o padre da prisão vocifera contra o método pavloviano de conformação comportamental do psicopata assassino ‘Alex’ (Malcolm McDowell) é, simplesmente, bárbara. Para ele, o bem não poderia ser condicionado ou inoculado: depende do livre-arbítrio. Esta é uma condição fundamental (que une liberdade e tradição), não sendo possível atingi-lo por pressão externa, engenharia social que seja.

Um filme tão rico assim, evidentemente que tem muitas mensagens. E é de se esperar que os esquerdistas tenham absorvido apenas a crítica ao establishment, a polícia e a política. Mas, visto por outro lado, o filme também permite se deduzir que a punição (tradicional) na prisão não é hipócrita como os métodos de “ressocialização” do criminoso.

Em situações práticas como o que fazer com assassinos-seriais, o libertarianismo se mostra uma tosca fábula do salvo-conduto da irresponsabilidade e covardia no enfrentamento de dilemas da vida.

O entendimento que tenho do anarco-capitalismo ou do ‘libertarianismo’, como preferir chamar, pelo pouco que já li, é de um anti-estatismo virulento. Algumas vezes tentei discuti-lo em comunidades orkutianas dominadas por eles e a experiência foi, realmente, desalentadora. Não porque não concordassem com minha visão liberal… Mais clássica, mas porque me parecia plena de um sectarismo anarquista às avessas. Ou seja, partilhavam dos mesmos erros dos anarquistas clássicos, embora com a pequena diferença de que defendessem a propriedade privada.

Ora, se as leis e, por extensão, o estado moderno se constituiram a partir de reformas induzidas por demandas sociais e articulações intra e interestatais na Europa Ocidental (assim como do outro lado do Atlântico), como se pode descartar a mediação deste mesmo estado (através do judiciário) adotando apenas formas pretéritas de organização social, como as “associações voluntárias”?

Por isto, tomando como exemplo o cenário do famoso filme de Kubrick, me utilizei de um caso extremo, o de assassinos pscicopatas que teriam que ser julgados e punidos, caso vivêssemos em um sistema(sic) anarco-capitalista. Me parece, mesmo que virtualmente, impossível se não tivermos leis, processos e instâncias de julgamento. Pois, no clamor dos acontecimentos, na urgência das medidas de contenção, como idílicas interações entre cidadãos livres permitirão a necessária retidão adotada por profissionais que administram a justiça e vêem casos como estes cotidianamente? Exceto, se estivermos vislumbrando um mundo formado por pequenas comunas, a la Rousseau, a ausência de estado levaria a simples anarquia… No caso concreto a que me refiro, um linchamento.

 

Anselmo Heidrich

O que é o Capitalismo de Estado: Brasil e Argentina

Criticar o comunismo em contraposição ao capitalismo, como este sendo essencialmente melhor é fácil, mas também incompleto, pois comunismo é um regime de governo e capitalismo, um sistema econômico. Ocorre que sob o comunismo, a estatização total dos meios de produção que se convencionou chamar socialismo prima pelo gigantismo de estado, ou maior intervencionismo que qualquer forma de expressão já realizada dentro do capitalismo. E aí reside um erro comum aos nossos direitistas que, no afã de justificarem a reação ocorrida aos movimentos comunistas do pós-guerra na América Latina acabam por defender ditaduras.

Obviamente que nenhuma ditadura pode ser justificada, mesmo que em nome de uma resistência à comunização. Não se pode utilizar qualquer meio para atingir um fim, mesmo que este fim seja algo melhor do que a situação pretérita. Aliás, quem faz este tipo de relativização moral é justamente quem põe os fins acima dos meios, como os militantes comunistas têm sido notórios.

Já que se fala muito de “capitalismo” quando se expõe uma crítica ao comunismo, convém lembrar que não se trata de defender o capitalismo em toda suas formas diversas, em absoluto. Há configurações tomadas por sociedades capitalistas que são tão ineficazes produtivamente que têm como efeito trazer o risco de que movimentos de extrema-esquerda tragam ideias ultrapassados do séc. XIX, as quais só trouxeram miséria e caos no séc. XX de volta ao cenário político. E o imenso peso da burocracia dos estados latino-americanos é uma dessas mazelas e germes que levam ao parasitismo social e sentimento de injustiça. Embora muitas vezes desfocado, tal parasitismo social vira objetivo de toda uma cultura (observem nossa obsessão por concursos públicos), apontando para falsos inimigos – falsas bandeiras -. como o mito do “capitalista explorador”, sem nunca se perguntar que exploração é esta? Ao mesmo tempo em que se ocultam as ligações de alguns empresários privilegiados com a estrutura de estado.

Argentina 01 - estrutura de estado
As gigantescas e confusas estruturas de estados latino-americanos dificultam o desenvolvimento econômico e nunca foram consideradas um problema central para a maioria de seus governos.

A saúde financeira da sociedade depende de um equilíbrio fiscal. É insano achar que se pode manter gastos elevados permanentemente além das receitas. No plano externo, se a balança de pagamentos não é positiva, a balança comercial deve compensar este desequilíbrio. Agora imaginemos um país como a Argentina, cuja sociedade se vê fechada, econômica e politicamente, em prol de uma “casta de farda” (poderia ser qualquer uma, com ou sem farda, mas igualmente “casta”), o que poderá atrair como investimento? Nada de sustentável. A menor ameaça de prejuízo, o estado-sócio de empresas privilegiadas fará de tudo para socorrê-las. Então, sobram as exportações, mas como se o estado tolhe a liberdade econômica e entrada de investimentos? O resultado é óbvio:

Argentina 02 - exportações sobre o total mundial
As quedas na taxa de exportações argentinas mostram o resultado de um estado, cuja economia se fechou em si mesma ignorando completamente a evolução da economia mundial.

A imagem abaixo é uma das mais ilustrativas para o que queremos demonstrar. A Argentina, tida como país rico até o início do século XX foi um doa países que mais decaiu (relativamente) em renda em relação aos países com status econômicos similares no mundo. O que isto prova para nós? Duas coisas:

(1) que não basta ser um país capitalista para atingir o sucesso econômico de uma sociedade, mas um conjunto de fatores que são capitalistas devem ser devidamente calibrados para garantir o desenvolvimento e prosperidade;

(2) as política populistas ou ditatoriais não são exclusividade de sociedades capitalistas podendo existir em outros tipos de governos (onde são mais comuns, aliás), mas que quando adotadas em sociedades capitalistas, a mera existência da propriedade privada por si só não é garantia nem antídoto ao subdesenvolvimento.

Se não ficou claro, quando falarem em “capitalismo” definam que tipo de capitalismo está sob crítica para não incorrerem em nenhum tipo de desonestidade intelectual.

Argentina 03 - vs Austrália vs Canadá
Países capitalistas também se esmeraram em estagnar suas economias, mas o fizeram quando se afastaram dos princípios da economia de mercado e adotaram políticas intervencionistas, como foi a Argentina de Perón.

Exemplos não faltam… Quem já não se deparou com aquele discurso automático associando Capitalismo ao Liberalismo como se tudo que funciona mal no capitalismo (e há muita coisa mesmo) é devido ao liberalismo? Como se este tivesse sido uma ideologia fortemente compartilhada por capitalistas em algum momento da história do país… Vejamos aqui, claramente, como um banco público, ou seja, recursos de todos nós serve para locupletar uma elite associada à burocracia estatal formando um verdadeiro conluio anti-liberal ou o que se convencionou chamar Capitalismo de Estado:

Brasil 01 - BNDES
Qual o sentido de criar um banco público, com recursos captados de toda população, majoritariamente pobre para beneficiar grandes grupos com seus empréstimos vultuosos?

Espero que tenha ficado claro que não há um estado de coisas absoluto chamado capitalismo que seja totalmente diferente do socialismo. Há graus de intervenção estatal que podem trazer as mesmas amarras administrativas do socialismo ao capitalismo, só que por outras vias, não revolucionárias. Portanto, o verdadeiro inimigo do modelo econômico socialismo e, por extensão, da ditadura comunista não é o capitalismo, mas sim o liberalismo, cujos princípios correspondem a ação econômica, mas de modo abrangente devem sustentar a política e a cultura, sem as quais, o intervencionismo retorna por outras vias.

Anselmo Heidrich

Por que dizer que o nazismo é de esquerda é anacrônico?

Após meu último texto li por aí que o nazismo não pode ser de direita porque é coletivista, autoritário, intervencionista, anticonservador (revolucionário no sentido da mudança de ordem vigente para outra pior, no caso) etc. Tudo isto é verdade, exceto por não poder ser de direita. Direita e Esquerda são termos relativos, assim como os polos geográficos, um inexiste sem o outro. O erro que vemos por aí, seja em textos, áudios, vídeos etc. é considerar uma direita especifica, a liberal na economia e conservadora nos costumes como a verdadeira direita. Isto é uma bobagem, pois este conceito específico se limita a uma dada conjuntura e realidade especifica. Transportar algo de determinado contexto para outro é o que chamamos em ciência social de anacronismo e é exatamente isto que grupos que levantam a bandeira da direita, assim como os postulantes da verdadeira esquerda fazem contra seus pares moderados. Lembremos que durante muito tempo, a chamada socialdemocracia era demonizada pelos radicais comunistas, ao passo que hoje ela é vista como a esquerda, manipuladora e que está por trás de todos os movimentos mundiais de “esquerdização” da política. Como as coisas mudam, não? Assim, quando se procura encaixar uma ideologia como o nazismo dentro de posições políticas na sociedade, como direita e esquerda, se corre o risco, não observadas as particularidades de cada época em deturpar o que era o objeto central – no caso, o nazismo – para que assim caiba dentro de uma visão dicotômica e simplista do mundo. Análoga e simetricamente, se o nazismo supera a simples posição de ‘esquerda’, também não se adéqua ao que hoje entendemos como ‘direita’. O impressionante, no entanto, é ver a empolgação daqueles que preferem discutir este par abstrato Direita VS Esquerda deixando de enfocar o próprio Nazismo, o que ajuda na ignorância da perenidade deste fenômeno sociopata até hoje, até mesmo em um país como o Brasil.

Segue aqui um excelente texto que versa sobre o assunto.

Boa leitura,

Anselmo Heidrich

 

Essas confusões sobre esquerda e direita se devem a vários fatores.

Movimentos políticos sustentam em seu momento histórico conjuntos de ideias que não guardam necessariamente muita relação entre si, e até mesmo podem parecer contraditórios mais tarde. Por exemplo, a independência americana foi um movimento de esquerda em sua época, porque pregava o fim da nobreza, defendendo a supremacia de “Nós, o povo”. Mas a maioria preferiu manter a escravidão, excluindo os negros do conceito de povo, e só os grandes fazendeiros tinham direito a voto.

A Revolução Francesa, por seu lado, pouco fez para conquistar a igualdade feminina, que em muitos casos até regrediu. O grande objetivo oculto dessas grandes e importantes revoluções foi transferir o poder das mãos da aristocracia e do clero parasitários para a nascente burguesia agrícola e mercantil.

O resultado foi uma grande democratização e o início da sociedade moderna, mas não tão completa então como a maioria imagina.

Se direita implica principalmente em ser conservador, mantendo o status quo social, e esquerda em nivelamento das classes sociais, como geralmente é entendido, é preciso não esquecer que em cada momento histórico esses eixos agregam em torno de si ideias e valores marcantes, mas não conceitualmente essenciais. Um exemplo é a diferença ente fascismo e nazismo com relação aos judeus, fundamental aos primeiros, mas não aos fascistas a que tomaram como exemplo em seu início. Ambos eram totalitários, ambos hegemônicos em seus delírios de grandeza, mas o antissemitismo só foi introduzido na Itália por pressão alemã.

Além do reconhecimento de que cada ideologia em marcha é formada por vários vetores nem sempre afins, há ainda a deriva histórica dos movimentos, em função dos acidentes que lhes atravessam no caminho e alteram seu próprio eixo.

Há um bom exemplo aqui no Brasil. Se compararem a política social e econômica dos militares de 64, verão que era muito mais afim com os trabalhistas, seus inimigos de morte de então, que com os liberais de mercado da época, como Lacerda, e muito mais com a direita liberal de hoje. Eram nacionalistas, acreditavam na ação positiva do governo na economia, e na implantação de leis e programas de proteção social.

Como, então, decidir se este ou aquele movimento foi de esquerda ou direita? Eram de esquerda os militares de 64?

Uma boa pista para sair do imbróglio é observar qual o foco daqueles movimentos em sua ação política, no tempo em que atuaram.

O movimento de 64 se colocou como barreira ante o crescimento da ação da esquerda, que vinha assustando as classes médias brasileiras. Igualmente, o fascismo e nazismo se alimentaram em seus países do temor de que a hegemonia das esquerdas fosse implantada, tanto pela via democrática, aonde vinham conquistando benefícios, como férias remuneradas, semanas de 44 horas de trabalho, quanto pela via revolucionária, que alguns partidos pregavam.

Mas nazismo e fascismo, como notam alguns direitistas, estabeleceram algumas medidas de proteção aos trabalhadores, a “Carta del Lavoro” de Mussolini é um bom exemplo e modelo de nossa CLT. A razão é simples, não se pode simplesmente estancar benefícios para 90% da população e sair incólume, o que era preciso no momento era que alguém controlasse o processo, que então parecia caótico aos olhos de muitos, e se fixasse como mediador, definindo o que poderia e o que não poderia ser concedido.

O resultado é que se deram algumas garantias aos trabalhadores italianos que, unidos a forte repressão, fragilizaram o movimento de esquerda naquele país.

Não há dúvida de que aqueles movimentos foram a arma da direita para enfrentar as forças de esquerda.

Olhar os programas que defendiam sob a ótica de hoje leva a grandes equívocos.

Até por que os esquerdistas e direitistas de hoje têm grandes diferenças com os daqueles movimentos do passado.

Um exemplo curioso é a integração das esquerdas latino-americanas com a cúpula da Igreja e muitos países, contra a antiga tradição anticlerical.

E se você se diz de direita, porque defende o estado mínimo, e também a igualdade de gênero e das mulheres, não se meta numa viagem do tempo para a Itália dos anos 30, pois os fascistas iriam prender você e fazê-lo beber muito óleo de rícino, como perigoso esquerdista.

É a deriva política, meus caros.

Por fim cabe mais uma observação importante: cada homem de ideias, em cada momento acredita que conseguiu atingir o “Fim da História”, ou seja, a visão universal e permanente do Direito Natural. Assim acreditam os bem intencionados de hoje, de todos os matizes… Inutilmente.

 

Carlos Bertomeu

2017-08-16

Existe “Socialismo Escandinavo”? – o caso sueco

Não. Em termos econômicos, o socialismo é ineficiente e, no longo prazo traz pobreza; em termos políticos, geralmente está associado com varias formas de despotismo, o que é consequência da grande concentração de poder e expansão da burocracia. Mas afinal, o que é o socialismo?

Definindo o que é Socialismo

Há duas maneiras básicas de se pensar um conceito, do ponto de vista teórico-normativo e a partir da história, isto é, através de uma teorização dos experimentos socialistas. No primeiro caso, o marxismo é a principal vertente teórica aceita mundialmente para definição e defesa do socialismo. E o que Marx dizia basicamente? Que as chamadas “contradições do capitalismo” – o avanço da produção de riquezas frente à depauperação geral da condição de vida dos trabalhadores – iria gerar um processo revolucionário de luta de classes sociais na qual os proletários (operários e camponeses) tomariam a força, a riqueza que é a posse dos meios de produção (fabricas, fazendas etc.) dos capitalistas, burgueses, como eram chamados. Para os revolucionários comuns, outros socialistas e anarquistas, este processo levaria a uma sociedade sem estado, o comunismo, que era baseado em formas autônomas de organização social, como os indígenas do novo mundo, p.ex. Para Marx, isto não passava de uma grossa ingenuidade. Ele defendia que para chegar a este estagio ideal, o comunismo seria necessário um estagio intermediário entre capitalismo e comunismo. E o que seria ele? Exatamente, o socialismo. Em suma, o socialismo de Marx seria um momento histórico em que o estado tomaria total controle sobre a organização da vida econômica, incluindo produção e distribuição, já que a principal questão para os revolucionários do século XIX era essencialmente esta, diferente de hoje em dia, onde a pauta cultural se faz cada vez mais presente para os revolucionários. Daí, aos poucos (o que Marx não definiu nem quando nem como), o estado deixaria de existir e daria lugar a uma sociedade totalmente igualitária e livre. Desnecessário dizer como nesta parte da teoria Marx se mostra tão ingênuo quanto seus pares revolucionários ou, vai saber… Manipulador, para parecer tão ou mais radical que seus pares “socialistas utópicos” e anarquistas, que também desejavam a revolução, mas com outros protocolos de ação.

Em termos históricos é bem mais simples. Basta ver todos os regimes instaurados e autodenominados socialistas ou comunistas, nenhum deles efetivamente prezou pela democracia, embora tivessem, volta e meia, o termo “democracia” inscrito em suas denominações oficiais (República Democrática da Alemanha, p.ex.). Sejam casos de países mais pobres, como a Albânia ou mais desenvolvidos da Europa central como a Polônia, todos esses tiveram um subdesenvolvimento relativo aos seus pares ocidentais como França e Inglaterra justamente por não permitirem a chamada acumulação de capital que um livre mercado proporciona. Países como a Ucrânia, formalmente membros de uma “união” como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, na verdade dominados pela Rússia detinham baixíssimos índices produtivos na agricultura, embora seus solos (tchernozion) estivessem entre os melhores do mundo. Isso que nem estamos comentando os casos bizarros de morte, assassinatos em massa por conta de uma ideologia sumamente irracional. Stalin, um dos maiores facínoras que a história já conheceu matou mais do que Hitler e o impressionante é que não tem a mesma rejeição que este. Mao então foi um dos piores ditadores que o oriente conheceu, junto com Pol Pot no Camboja também ceifou a vida de dezenas de milhões de seres humanos. Quando nossos imbecis estudantes de esquerda dizem na internet “matou foi pouco” mostram o pior lado do ser humano, o do escárnio e da indiferença e é exatamente por conta desse tipo de espírito podre que essas sociopatias florescem. Enquanto o canalha cambojano sustentou seus planos ideológicos da criação do “novo homem comunista” forçando pessoas a migrar e trabalhar no campo levando a morte por execuções ou inanição, a China de Mao fez o contrário acabando com a produção e distribuição de alimentos para as cidades ao urbanizar a força de trabalho compulsoriamente com fins de industrialização. Este chamado “Grande Salto para Frente” foi, na verdade, um salto para o abismo.

A Escandinávia teve algo assim? Nada. Então por que chamar o sistema social que criaram de socialismo?

O que existe em países como Dinamarca, Suécia, Noruega – a chamada Escandinávia – e vizinhos (não considerados como Escandinávia), Islândia e Finlândia é um sistema de elevada tributação com fornecimento de serviços públicos de boa qualidade que foi desenvolvido ao longo da história por partidos socialistas. Aqui, “socialista” se prendia a uma definição do termo pelos chamados socialdemocratas (guarde esse nome) que acreditavam, diferentemente dos marxistas, socialistas old school e comunistas, que a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos não se daria por processos revolucionários, mas sim pela tributação em cima de empresas capitalistas. Socialdemocratas ou socialistas no sentido anticomunista sabiam que o capitalismo era irreversível como melhor sistema produtivo e que, isto é importante, não podiam matar sua “galinha dos ovos de ouro”.

Mas se trata de um sistema autoritário também, só que por vias indiretas?

– o caso sueco

A Suécia, p.ex., uma monarquia constitucional tem seus deputados vivendo na capital do país em apartamentos de 40m², com lavanderia comunitária sem direito às serventes. Outros têm menos espaço ainda, vivendo em apartamentos de 18m² com cozinha comunitária. Que diabo de sistema autoritário e despótico, socialista em termos clássicos seria este que não premia sua elite política? Esta é uma das diferenças gritantes que vemos quando comparamos a burocracia privilegiada dos tempos da antiga União Soviética p.ex., a chamada Nomenklatura. Até os anos 90, os deputados viviam em sofá camas no parlamento, sem direito a carros oficiais ou coisa que o valha. Ainda hoje, prefeitos e governadores sequer têm direito às residências oficiais e deputados estaduais podem ganhar apenas um computador para trabalhar. Deputados federais não têm verba indenizatória e recebem apenas o equivalente ao dobro do salário de um professor. E, mais importante, um político sueco não tem imunidade parlamentar. Para se ter uma ideia do nível de seriedade desse sistema, uma vice-primeira ministra teve seu cargo cassado porque comprou uma barra de chocolate com verba parlamentar, o chamado “Caso Toblerone”.

Agora ninguém discute que se trata de uma economia altamente tributada. Normalmente, 40% ficam com o governo e se você for rico pode ser algo em torno de 55%. A diferença é o alto grau também de transferência dos impostos, o estado sueco cuida da aposentadoria, da saúde e do seguro-desemprego. Isto se estende também à educação que garante os estudos por vias públicas até o doutorado. Há toda uma rede de assistência, como creches e cerca de 80-85% dos impostos retornam a você, como pagador de impostos. Assim, não há uma prioridade em transferir renda para os mais pobres, como a esquerda gosta de nos fazer crer e sim, uma transferência para todos pagadores de seus impostos. Importante lembrar que não se trata de um sistema que procura homogeneizar as classes sociais e, exatamente, por isso não é socialismo. Chame do que quiser, estado de bem-estar social, capitalismo de bem-estar social, mas não é socialismo.

Saúde

Se tomarmos o exemplo da saúde, este é o setor que mais gera problemas. As filas só aumentam demonstrando claramente o que Hayek já dizia, as demandas são infinitas e, portanto, os preços são decididos politicamente de tal modo que muitos suecos preferem se tratar no exterior. Se a saúde dos suecos é boa, se a expectativa de vida é longa se deve mais aos hábitos do povo que não ingere muita porcaria na alimentação, assim como não fuma demais. São hábitos que fazem o monge, como se diz e isto explica, p.ex., como a epidemia de sobrepeso atinge certos estados americanos, o Alabama, mas não o Colorado. São os hábitos, a cultura local que devem ser investigados e não somente uma análise dos gastos com medicina e saúde.

Avanços e Recuos

Muitos argumentam que o enriquecimento deste país se deveu aos seus minérios, ou ao seu não envolvimento na I Guerra Mundial, ou ao seu Estado de Bem-Estar Social – o Welfare State –, que é na verdade uma consequência e não a causa. O que levou ao seu sucesso econômico entre 1870 e 1970, de um dos países mais pobres da Europa ao posto de 4º mais rico do mundo foi o capitalismo aplicado. No entanto, esse crescimento todo não pôde defender as maiores empresas suecas (pense em Volvo, Ericsson, Ikea…) da ideologia esquerdista dos anos 60, que passou a influenciar todos os partidos do país, mesmo os de direita. Com o alto nível de tributação e, especialmente, regulamentações sobre a atividade produtiva, o inevitável iria ocorrer: a crise dos anos 70 em que os indicadores econômicos começaram a piorar. Esta crise levou a reformas necessárias nos anos 80 e 90, com redução de impostos para o capital e aumento no consumo. A razão é simples, o capital com alta tributação foge do país, o consumidor não. A ideia é retomar o tripé de desenvolvimento que levou o país ao seu pico máximo, o trabalho, o comercio e a inovação.

O país passou por duas décadas e meia patinando e agora a pouco mais de uma década retomou seu desenvolvimento baseado numa liberalização para as empresas. A química é simples, não há como sustentar bons serviços públicos sem uma economia bem ajustada. Há um limite quantitativo e qualitativo para que a atividade não definhe e os suecos descobriram isto antes que fosse tarde. As desregulamentações também são outro ponto, de taxis a ferrovias, de telecomunicações a escolas, antes dirigidas pelos governos, praticamente tudo está se tornando mais livre.

Educação

Na educação que é um setor que me interessa deveras por ser professor, se trata de um sistema muito interessante que está sendo instaurado. Há uma liberdade de modelos em que não se tem mais a direção do estado. Qualquer escola é possível e é financiada pelo estado que recolhe impostos para isto. O financiamento é público, mas a administração é de empresas ou prefeituras e, o que é muito importante, pois as verbas de custeio aumentarão quanto maior for a preferência de pais ou responsáveis por determinada instituição. É a demanda por um tipo de serviço que condiciona o gasto público e não, como se faz no socialismo, o planejamento de uma equipe de burocratas ou de pedagogos dizendo o que é melhor.

Entre 1980 e 2000, a liberdade econômica só aumentou no país. Isto significa que se trata de um modelo a ser seguido?

Pense, se os suecos aceitam um estado agigantado não é porque são burros, mas porque, no caso deles, este estado é eficiente. Se outro modelo de capitalismo (vamos deixar bem claro aqui), como é o caso dos EUA não seguem a mesma trilha, talvez seja porque seus setores públicos não demonstrem eficiência similar e eles sejam bem sucedidos de outro modo. Qual é o melhor não nos cabe dizer, mas sim ver qual tem mais a ver com as características sociais e culturais do Brasil. Qual modelo você gostaria de ver aplicado aqui, a partir da experiência com nosso tipo de estado? Você crê que um modelo estatista como o sueco é condizente com a realidade de nossa máquina pública ou o oposto, como na América é que seria mais adequado? Esta é a questão técnica relevante e não o pobre debate maniqueísta de chamar uma economia de mercado com administração estatal diferente de socialista que é o que fazem os esquerdistas. Não caia nesta.

Atenção! Cuidado com a Manipulação!

Vivemos uma época de intensa guerra cultural onde a esquerda perde em tudo, menos na propaganda. Analise, em 2012, os EUA atingira 8,2% de desemprego, o que representou “uma grave crise do capitalismo” para os periódicos de esquerda (Carta Capital, Carta Maior, Caros Amigos, Revista Fórum e outros), mas 12% de desemprego na Venezuela (o que deveria ser mais, se não fosse a censura de seu regime autoritário) não representaram uma crise do socialismo bolivariano ou do estatismo? Como assim?

Assim se compreende facilmente como um político picareta como Bernie Sanders, que concorreu à candidatura à presidência pelos Democratas contra Hillary Clinton afirmou que os EUA tinham de seguir o exemplo “socialista” da Dinamarca, país similar à Suécia na sua administração pública e econômica. Como a mentira tem pernas curtas, Sanders foi desmentido pelo primeiro ministro dinamarquês em palestra na Universidade de Harvard. A questão é ele sabe o que realmente aconteceu e acontece lá ou é mera ignorância? No primeiro caso, ele estaria manipulando, pois mente sobre o suposto “socialismo escandinavo”; no segundo, ele seria apenas mais um idiota útil da esquerda, só que com uma diferença: poder.

***

Para que gente assim não ganhe espaço com mentiras divulgue estes dados e acabe com o germe da mentira em seu nascedouro.

Obrigado,

Anselmo Heidrich

Programa nacional do PTB – 25 mai 17

Anselmo Heidrich

O que eu sempre quis ouvir de um partido no Brasil está aqui:

Mas nunca pensei que viesse de um partido de ESQUERDA!!!

AH AH AH, se continuar assim, tem muito partido “de direita” por aí que ficará a ver navios…

Como disse o grande reformador da China, que a alçou a um patamar de liberdade econômica, mas ainda não social… DENG XIAO PING:

“Não importa a cor do gato o que importa é que ele cace os ratos.”

A Liberdade precisa de Poder e Regras

Anselmo Heidrich

Eu tenho dificuldade de me definir política e ideologicamente, mas tenho muita facilidade em apontar o que não acredito. Desnecessário dizer como rejeito as variante socialistas, pelo seu apreço e dependência de poderes centrais e planificadores como recurso necessário ao desenvolvimento social. Mas também tenho visto com cada vez mais desconfiança liberais que gostam de simplificar as coisas e, particularmente, o liberal brasileira que se auto-denominando ‘libertário’ vê a sociedade brasileira dividida entre maus concentrados no estado e vítimas compondo a sociedade civil organizada no mercado. Seria bom se fosse tão fácil… Daí bastaria acabarmos com o estado, i.e., todas as instituições públicas. Claro que temos que reduzir centenas de órgãos e sem pensar em quais diria que temos que extingui-los mesmo e ainda acho que nem precisaríamos ter ministérios etc. Mas chegar e dizer que basta uma Constituição para que o país funcione bem é de uma ingenuidade atroz. Quando convoco liberais desse tipo a me apresentar provas, sua desculpa a guisa de resposta é sempre que “ainda não existe”, que “por isso tem que ser debatido somente no plano teórico”. Sinceramente, se algo não pode ser verificado, ainda que parcialmente, na realidade, não me serve e duvido que sirva para alguém.

Um cacoete facilmente verificável é que gostam de citar países conhecidos por seu alto grau de liberdade, como a Suíça, dentre outros. Mas esquecem que esta liberdade não vem sozinha. Ela se torna possível devido ao respeito pelo espaço público, entendendo este como momentos e lugares comuns onde regras de convivência devem ser observadas.

Um exemplo:

“Os cães aqui na Suíça têm uma vida bem diferente dos cães no Brasil. Aqui não existe vira-lata passeando pelas ruas. Todos os proprietários de cães devem registrá-los (acima de 6 meses de idade) e pagar uma taxa de Sfr. 100 (francos suíços) por ano (mais ou menos R$ 140,00). Essa taxa é chamada de “Hundesteuer”, “Imposto de cão”.

“Todos os cães recebem um número de registro gravado em uma medalha. Isso ajuda a localizá-los no caso de perda. O registro dos cães é feito na polícia local que localiza o dono do animal perdido através do cadastro. Periodicamente, a polícia oferece aos proprietários de cães, cursos como cuidados, treinamento, etc..”

[http://www.webanimal.com.br/cao/index2.asp?menu=vdcsuica.htm]

Um entre milhares de exemplos conforme o caso que queiramos citar. Menos impostos ou altos impostos com mais serviços, mas forte presença de regras.

O problema do liberal brasileiro que elogia países como a Suíça é que ele gosta de recortar a realidade mostrando só o que lhe convém.

O que não é sua exclusividade… A esquerda também faz isto ao evidenciar a desigualdade sem citar como o pobre de um país ou região ascendeu socialmente. No campo político temos mais advogados de causas que em outras áreas, pois todos enfatizam os fatos que lhe convém sem mostrar o conjunto da obra. É o que se chama “ver a árvore, mas não ver a floresta”.

Imposto não é roubo

 

Imposto é roubo! Bradam os liberais-libertários de todo o país, já que hoje em dia, o liberal clássico perdeu definitivamente espaço para os anarco-capitalistas, ancaps, como são carinhosamente chamados nas redes sociais. Bem, minha tese é simples, imposto não é roubo. Exceto se considerarmos o estado como um roubo em si e se for, toda política é um engodo. Daí que não faz o menor sentido dizer isto e continuar participando do processo político. Mas, se ainda assim o diz porque este é um ideal a ser atingido, o de uma sociedade sem estado temos que admitir que uma frase assim proferida não passa de mera ideologia e que dita em determinadas situações, como uma manifestação política mais confunde que aponta um caminho. Mas vamos lá, por que imposto não é roubo?

Impostos surgem antes do estado com imposições de um poder a outro, como de um gangster sobre seu cavalo nas estepes ameaçando tribos agricultoras/coletoras de pagar um tributo por “proteção” ou simplesmente porque lhe deu vontade. Injusto, eu sei, sem dúvida, mas não ilegal… Lembre-se que Lei é um termo que surge com uma organização social que, se dotada de instituições com poder coercitivo é o que chamamos, justamente, de estado. A própria grafia corrente de se escrever Estado com inicial maiúscula e sociedade com inicial minúscula expressa essa injusta hierarquia que eu, deliberadamente não faço porque tenho consciência que o estado se cria numa lógica de força e não quer legitimá-lo. Mas não é porque não o legitimo que não o entendo…

Quando isto acontece, ocorre porque se torna mais prático e seguro permitir que uma grande gangue (chamemos assim nossos políticos) possa nos cobrar para ficarmos livres de uma miríade de gangsteres menores que nos ameaçam sem obedecer um mínimo de regras. Se não quisermos nenhuma delas, nem dos grandes e nem dos pequenos bandidos nós voltamos a um estado anterior à criação do estado, o que um antigo pensador chamava de Estado de Natureza. Embora ele não estivesse pensando em ecossistemas ou cadeias militares, ele antecedeu a ideia, pois no Estado de Natureza vivemos uma constante luta entre espécies e indivíduos de uma mesma espécie para sobreviver e aí não existe um valor moral ou ética, exceto a necessária para a sobrevivência. E aí é um vale-tudo. Se você está de acordo que não precisamos de estado só restam duas alternativas: provar a viabilidade de uma organização social pautada na ausência de qualquer poder coercitivo institucionalizado ou admitir a seleção natural das espécies (e a luta intraespécie) como um valor em si e não se importar com os mais fracos. Pareceu socialismo isso aí? Caro… Comece com Adam Smith e veja que para este autor, a discussão moral embasa sua teoria econômica e toda esta serve para legitimar a busca de uma ética a ser adotada que crie uma sociedade justa.

Isto não significa que devamos nos submeter a qualquer forma de organização estatal, isto não significa que devamos conceder qualquer aumento e percentual de cobrança em impostos, isto não significa que não possamos redefinir a quantidade e a qualidade de tributos, bem como a máquina criada para viabilizá-los. Significa, tão somente, que achar que gritar “imposto é roubo!” não vai contribuir em nada em termos práticos, exceto se assumirmos como conceito de ideologia, uma falsa consciência, que só serve para nos iludirmos.

É para isto que adotamos o liberalismo como norte ideológico e moral, para nos iludirmos?

 

Por Anselmo Heidrich

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