Conquiste, conquiste e conquiste… Quantas vezes você já não ouviu isto? De que a vida é uma grande competição etc. e tal. Olha, eu sei que nos movimentos de mercado, no nosso cotidiano profissional competimos sim, mas nem tudo se resume a isto. Por analogia, assim como no tráfego urbano temos que avançar nas vias preferenciais fazendo com que os veículos nas adjacentes esperem, às vezes cedemos passagem, pelo menos para um ou dois para que o mesmo trânsito flua. Sabe, é justamente este equilíbrio entre egoísmo e altruísmo que nos faz humanos. Esta é nossa marca distintiva.

Vou contar uma história engraçada: certa vez estive em Brasília e, em meio ao trabalho e atividades saí muito tarde para jantar. Como não conhecia bem a capital federal acabamos em uma praça de alimentação onde quase tudo estava fechado. O calor era intenso e eu estava seco por um chopp, mas dei sorte (ou não), pois encontrei um quiosque aberto com o líquido amarelo. Para minha decepção, como já havia expirado o horário de funcionamento, o próprio dono me explicou, ele não podia vender mais nada sob risco de ser multado pela administração do shopping. Tentei persuadi-lo, em vão e também não insisti muito, pois não era justo que ele pudesse sair prejudicado pelo meu desejo fugaz. Daí, como quem não quer nada e fala por falar, eu disse “bem, se tu não podes me vender, por que não me dá um copo?” O sujeito foi surpreendido e disse “isso eu posso fazer”. Naquele momento eu tive uma visão…

Nem tudo na vida é troca, ou melhor, até é, mas não no sentido monetário. Eu tive um amigo, de muito tempo atrás que cresceu incrivelmente na vida como profissional e analisando seus passos e métodos, muito do que ele fez, foi assim pedindo favores. Por vezes, isto é a antessala do que virá a ser uma boa relação profissional ou parceria futura. O fato é que não sabemos e, na pior das hipóteses, tudo que você irá ganhar é um não e, cá entre nós, o NÃO você já tem, então por que não arriscar mais?

Não tenha receio disto, você não estará se aproveitando de ninguém, pois o pedido será sincero e explícito. E mais ainda, você estará se expondo como alguém humilde, pronto para reconhecer a bondade alheia como se dissesse “também estou pronto para te ajudar”. Assim é nossa vida, ou melhor, assim deveríamos vê-la: não vivemos em uma bolha de egoísmo, mas sim na base de um saudável mix entre autonomia e heteronomia. Boa parte da razão de nossos sofrimentos é acreditar, de modo falacioso que somos autossuficientes. Não, ninguém é.

Aprenda a dizer “eu preciso de ti”. Não dói e aproxima.

 

Um bom dia a todos.

Anselmo Heidrich

2017-08-02