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Anselmo Heidrich

Defendo uma sociedade livre baseada no governo limitado e estado mínimo.

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Sociedade

Neonazismo Sueco : um alerta para o mundo

Membros do Movimento de Resistência Nórdica marcham no centro de Gotemburgo, na Suécia, em 30 de setembro de 2017. Fredrik Sandberg / AP
 read more: https://www.haaretz.com/world-news/europe/.premium-1.831763

 

“O patriotismo é o último refúgio dos canalhas.” 
― Samuel Johnson

Cf. How Sweden became a thriving base of neo-Nazi ideology https://www.haaretz.com/world-news/europe/.premium-1.831763

Alguém tinha dúvidas de que isto um dia ressurgiria? Nesta rica matéria, que mostra as raízes do nazismo sueco, de meados do século XX, o pior não é saber como pode perdurar por tanto tempo, mas sim, como pôde ressurgir com tanto vigor? Eu tenho minhas pistas e elas são o clima de medo instaurado pelas políticas de “fronteiras abertas”. Veja, como diz no texto abaixo que tais movimentos, como este de Malmö têm os liberais(no sentido distinto do adotado no Brasil) e conservadores, além da esquerda tradicional, seus inimigos. Ou seja, todos aqueles que não são fortemente estatistas, autoritários e segregadores, ou seja, em uma palavra, totalitários são seus inimigos.Como combustível a tais movimentos temos comunidades que já não têm mais segurança, onde se investe mais em uma internacionalização de problemas que no próprio orçamento de segurança local, mais com refugiados que com a própria polícia no país inteiro, p.ex. Uma expressão utilizada no texto abaixo, “espaço vital” que está na origem do movimento nazista, mas que é anterior, remetendo aos políticos e pensadores que defendiam o expansionismo ou justificavam este, como Friedrich Ratzel na Alemanha é utilizada com precisão no discurso segregador. Embora, os novos nazistas suecos não se digam racistas (piada…), eles se baseiam no mito de uma “cultura pura” e esta não admitiria interferências ou competição. Ou seja, se substitui a espécie pela raça e agora pela “cultura” e temos uma nova desculpa para uma luta desenfreada nesta nova “Seleção Natural do Darwinismo Social” engendrado na cabeça desses malucos. Mas a culpa… Ou responsabilidade se preferirem pelo caos social que brota no horizonte tem relação, direta, com o caos que encobre a Europa com o lucro da “indústria da migração de refugiados”. E como reação a um processo marcado pelo conflito e choque cultural não se responde com a firmeza do estado de direito e rigor da lei, mas sim da expansão do estado sobre o indivíduo que já não consegue mais viver em comunidade.

Sempre tivemos mais peso das versões dos fatos do que análise dos fatos, mas agora, com a internet e as redes sociais, as versões se impõem e os leitores não procuram mais por ler e entender o outro, os pontos de vista alheios, nem que seja para criticá-los com mais fundamento. Isto fica evidente quando de um “os judeus não foram as únicas vítimas do Holocausto”, o que é verdade para “existe uma conspiração sionista internacional que torna a resistência física e agressiva contra os governos legítima”, o que é um sofisma e uma mentira grosseira. O doido nessa história toda é que de uma simpatia e interesse mútuo de nazistas e governos muçulmanos no século passado (contra os judeus), o nazismo contemporâneo baseado no mito de uma “cultura pura” que se perde tem a todos os estrangeiros como seus inimigos, sejam imigrantes sejam de alguma religião minoritária em seus países, como os judeus. E a justificativa factual, crimes cometidos por imigrantes que têm sido relevados e um crescente problema com comunidades que não se integram cresce para uma situação caótica em que o medo é explorado em benefício de um movimento que prega o mito do “homem nacional” (similar ao “novo homem” do comunismo), do estado e da “preservação da cultura”, o nacionalismo como refúgio. Os canalhas… Venceram.

Triste.

 

Anselmo Heidrich

15/01/2018

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Feliz Yule, Feliz Natal

Eurocéticos : Finlândia e outros

HELSINKI (Reuters) – A Finlândia deixará a União Européia e se posicionará como a Suíça do Norte para proteger sua independência se Laura Huhtasaari, candidata presidencial do Partido Finlandês Euróceptico, tenha seu caminho.

 

Após três estupros brutais, a polícia da cidade sueca recomendou que as mulheres não saiam sós a noite. Óbvio, mas o conselho não deveria ser somente este… Sweden: After three brutal rapes, Malmö police advice women not to go out alone after dark https://voiceofeurope.com/2017/12/sweden-after-three-brutal-rapes-malmo-police-advice-women-not-to-go-out-alone-after-dark/#.Wj1CKqUxWC4.twitter

 

Novo código de conduta da União Europeia recomenda aos jornalistas não publicarem crimes cometidos por imigrantes muçulmanos e não associarem o islã ao terrorismo. Big Brother de 1984 (G.Orwell) em plena ação… União Europeia pede aos jornalistas para não publicarem crimes cometidos por imigrantes muçulmanos | Renova Mídia https://shar.es/1MRbaj

 

Aqui, o relatório da U.E.: https://www.respectwords.org/wp-content/uploads/2017/10/Reporting-on-Migration-and-Minorities..pdf

 

Países europeus, sobretudo os da Europa Central, com menos recursos e economias menos dinâmicas, mas mais expostos à onda imigratória procuram se proteger das levas de refugiados e migração ilegal: Eslováquia, Hungria, Polônia e República Checa investem milhões para proteção das fronteiras da UE | Renova Mídia https://shar.es/1MRbGQ

 

Enquanto isso, a U.E. dirigida principalmente por economias mais poderosas como Alemanha e França querem enviar milhares de imigrantes para países pacatos como a Finlândia… Países da União Europeia querem enviar milhares de imigrantes ilegais para Finlândia | Renova Mídia https://shar.es/1MRbwX

 

Candidatos a presidência, como a finlandesa que defende a retirada do país da União Europeia não crescem a toa no continente. No centro do debate, a questão migratória (foto acima).

 

Obviamente, partidos e líderes que se opõem a esta centralização da U.E. e sua política migratória são taxados de “extrema direita” por defenderem a volta da autonomia de seus países… Líderes europeus da direita radical se reúnem em Praga – ISTOÉ Independente https://istoe.com.br/lideres-europeus-da-direita-radical-se-reunem-em-praga/#.Wj1ICcFZehA.twitter

 

Outros países já não admitem mais este tipo de acordo que suplanta sua autonomia em função de determinações da ONU e da UE… US pulls out of UN’s Global Compact on Migration: official http://www.business-standard.com/article/pti-stories/us-pulls-out-of-un-s-global-compact-on-migration-official-117120300066_1.html#.Wj1ImJKZQps.twitter

 

Lembre-se que a UE é mantida porque interessa a determinados grupos, mas isto pode mudar… Metade dos alemães já questionam a eficácia do Euro: Half of Germans Want to Scrap Euro, Bring Back Deutsche Mark – Breitbart http://www.breitbart.com/london/2017/12/18/half-germans-want-bring-back-deutsch-mark/

 

 

Anselmo Heidrich

Qual a Cor da Alienação? Uma crítica ao Dia da “Consciência” Negra

Bom dia, hoje é o “Dia da Consciência Negra”, não? Então vou falar do contrário, da alienação, que não tem cor, que não pertence a nenhuma raça ou etnia, mas que se adquire indistintamente ao desprezar o valor individual e nosso maior atributo: a vontade de compreender.
Bora lá…

 

Alienação Não Tem Cor *

 

A luta de classes utilizada como subterfúgio para racismo pouco dissimulado tem sua aplicação hodierna no Brasil e alguns negros, tão cegos por seu ódio histórico aos brancos serão, provavelmente, mais uma vez, úteis.

 

Números racistas

Existe um discurso da militância do movimento negro que acusa a sociedade brasileira de discriminá-los. Especialmente, as “elites” que seriam “brancas“ por definição. Ele se baseia em dados objetivos, como a renda média do branco pobre no Brasil estipulada em 400,00 reais mensais ao passo que a do negro pobre rondaria os meros 170,00. A causa de tamanha desigualdade seria simples: trata-se da mais pura e ostensiva discriminação contra a categoria, ou “raça” se preferirem.

Se for verdade que o Brasil é um país racista, nosso empresariado é míope e, sinceramente, não creio que este seja o caso. Se eu fosse um destes empresários, com certeza empregaria mais trabalhadores negros, pois ganham menos! No entanto, não é o que acontece. Segundo pesquisa do IBGE em 2001, Salvador, 45% dos negros estão desempregados, em São Paulo são 41% e, em Porto Alegre, 35%. Lembremos que a pesquisa não averiguou o trabalho, mas o emprego formal, aquele com carteira assinada.[1]

Tanto quanto dizer que todo trabalhador fora da situação de trabalho regulamentar é um desocupado, o que não faz sentido algum é dizer que não há mais indivíduos negros empregados por que por pura discriminação. A tese (óbvia) que endosso é que o maior de desemprego se dá por que o nível de educação dos mesmos é inferior ao dos brancos em 2 anos e 3 meses na média. Apesar de pouco em termos absolutos é muito em termos relativos, especialmente para um país cuja escolaridade média é de 6 anos.

Em alguns aspectos, o “negro estatístico”, aquele que nós podemos avaliar através dos censos está bastante distante do “negro virtual” imaginado pelos críticos da democracia racial brasileira e, não muito distante do branco avaliado pelo censo.

O que verificamos é que além de uma “questão de raça” o que pesa mais, senão por inteiro, é o nível educacional e a condição feminina relacionada ao grupo. Mais do que negros, são as negras que sofrem com falta de oportunidades.

Segundo os mesmos dados do IBGE/Pnad, a média de anos de estudo de instrução formal por cor ou raça segundo a faixa etária no Brasil e Grandes Regiões em 2001[2], a população branca tem 8,3 e 8,1 anos de escolaridade formal entre 15 a 24 anos e 25 a 44 anos, respectivamente. A população negra, por sua vez, apresenta 6,4 e 5,8 anos de escolaridade formal para os mesmos intervalos.

Da mesma fonte, a taxa de analfabetismo em pessoas de 15 anos ou mais é de 12,4% em 2001; apenas 7,7% para brancos, mas 18,2% para negros. Existe aí uma maior taxa de evasão escolar da população negra: enquanto que 97,5% de jovens brancos entre 7 e 14 frequentam a escola, a taxa entre negros não é tão diferente: 95,4%. Mas o gap aumenta significativamente quando analisamos a população de 15 a 17 anos: 84,1% de brancos contra 78,1% de negros. Ao longo do processo é que as diferenças se acumulam.
Tais taxas não confirmam “racismo”, pois a diferença volta a diminuir na faixa de 18 a 24 anos, 35,9% entre brancos contra 31,7% de negros nas escolas, quando a maioria já está procurando emprego. A diferença maior é prévia e está ligada ao período da adolescência. Uma queda brutal de alunos matriculados se verifica do ensino fundamental para o ensino médio no país: cai de 93,3% para 37,8% (!). Mas ela é muito mais pronunciada entre a população negra, 22,5% maior[3]. No cômputo final os brancos têm certa vantagem, com quase 1/3 a mais de anos de estudo. Em um país cuja média é de apenas seis anos isto é irrisório, se considerarmos as atuais necessidades do mercado de trabalho.

O que os militantes do movimento negro e críticos da situação social negra deveriam realmente se perguntar é:

Por que nossa “raça” evade mais da escola?

Como a resposta é complexa, envolvendo vários fatores melhor explicados por estudos de antropologia urbana, fica muitíssimo mais fácil e de forte apelo emocional aludir a discriminação em grau inexistente.

Alguns desses fatores envolvem a localização dos “discriminados” em bairros pobres, mais sujeitos ao tráfico como opção, às gravidezes de jovens negras que estimulam a sair da escola, casamentos precoces etc. Todos eles teriam que ser meticulosamente avaliados, para evitar que especulações se tornem conclusões.

 

Ideologias conflitantes

Para o articulista Hamilton Cardoso[4], não houve reconhecimento da raça negra como fato político, ou seja, não houve qualquer consideração à respeito. Ao que o autor chama de “alienação branca”, podemos chamar esta de “alienação negra”? Na verdade, tudo não passa de uma imensa bobagem, pois desde quando alienação tem cor?

Para este tipo de intelectual negro, os grandes líderes inspiradores da causa abolicionista só tomaram alguma importância quando estes se “racializaram”. Nesta “conexão metafísica com a senzala”, o perigo é que este processo se perdesse no “branqueamento da sociedade brasileira”. Para ele, candomblés baianos, escolas de samba cariocas e paulistas, congadas, moçambiques e outras agremiações negras como pagodes, blocos de carnaval, “verbalizam críticas à situação social brasileira”. Ao passo que a maioria de nossos antropólogos assinalarem o sincretismo cultural como uma marca característica de nossa sociedade, Hamilton vê em tais manifestações um tipo de ruptura com a sociedade branca, onde fica bem expresso que:

(…) o movimento dos trabalhadores negros (…) jamais [viverá] a contradição teórica raça e classe porque são o que são: a alma, o espírito e a matéria-prima do proletariado.

Lembrou de algo?

Sim, sim, eles rodam, rodam e rodam, mas sempre caem no mesmo ponto: sua luta racial é, na verdade, uma oposição de classes sociais:

(…) não têm vergonha de trabalhar na Casa Grande, onde, ao limpar banheiros ou aparar jardins, conspiram contra as culturas das elites. Nas madrugadas. Este movimento definiu o perfil cultural do país do futebol, do samba e da cachaça: um país negro, chamado Brasil.

Se esta não é uma proposta de luta racista, me digam o que é.

Outro ponto muito interessante, abordado pelo militante, é a duplicidade deste tipo de política e movimentação social:

(…) há petistas hoje capazes de verbalizar noções de política para a Casa Grande e outros que as verbalizam para as senzalas. Tudo é uma questão de opção. Mesmo porque há uma nova conspiração em movimento. Axé. (Grifos meus.)

Denis Lerrer Rosenfield já tinha chamado a atenção para este “conflito”, em que se namora o autoritarismo de esquerda, mas em outros momentos se “aceita” a democracia. A duplicidade não é funcional por muito tempo. Ou ela é engendrada para confundir mesmo, ou este drama tende a se dissolver de modo a atrelar o estado às posições ideológicas conflitantes. Como eu não acredito em dialética marxiana (original de Marx, diferente da dos marxistas, que eu também desprezo), apenas uma das posições irá predominar.

 

Conspirando contra negros e brancos

Segundo Hamilton se trata de uma conspiração. E, embora eu nunca tenha visto uma conspiração anunciada pelo conspirador, vamos admitir sua possibilidade segundo uma lógica marxiana.

Para o próprio Marx, seria uma heresia buscar equivalência entre raça e classe social. Mesmo por que, para estes militantes são duas classes em conflito e para o filósofo Karl Marx existiam mais de duas em disputa, mas duas em oposição estrutural. As classes médias eram vistas como oscilantes, não predestinadas, mas que dependendo da conjuntura poderiam ser úteis.

Outro ponto óbvio que entra em contradição com as especulações místicas, é que na fonte marxiana da qual pensa se basear com coerência, é que as diferenças entre classes não se dão pela renda, mas por sua posição em relação aos meios de produção (se detentora ou não destes).

O principal “divisor de águas” entre as raças, de acordo com os dados mais acima, se refere especificamente à renda. Tanto é assim que uma das principais alegações de que existe racismo pelos militantes do movimento negro é que, desempenhando as mesmas funções, negros e brancos teriam rendimentos diferentes. Ora! Então não há a aludida divisão racial-classista sugerida por esta militância.

Se a sociedade brasileira fosse constituída de duas classes fundamentais: os exploradores (brancos) e os explorados (negros), não seria possível qualquer sutileza do modelo capitalista em sua sanha de extrair a chamada mais-valia justamente por que tal divisão estaria escancarada e não haveria como manipular massas nem provocar a chamada “alienação” estudada por Marx. E a própria “necessidade” do capitalismo ocultar ideologicamente as relações de classe seria desmascarada.

Nem o mais vulgar dos marxistas imaginou tamanha simplificação. Se eu fosse maldoso, diria que isto se dá devido à supracitada taxa de evasão escolar…

Para um marxista heterodoxo, este raciocínio se torna mais inviável ainda quando pensamos no conflito social moderno que seria “triangular”: interesses entre acionistas, gerentes e trabalhadores que é muito diferente do modelo dicotômico e “biologicista” que propunha Karl Marx no século XIX.

Talvez a análise devesse levar em conta o critério comportamental, ausente em seu racismo. Em qualquer grande corporação, temos altos executivos, técnicos e outros subordinados devido ao critério da competência, ou em grande medida a uma boa dose de “capital cultural” herdada da família, o que também foge ao alcance de qualquer teoria marxiana mais ou menos ortodoxa. Se me entenderam, a desigualdade reinante em nossa sociedade não tem origem racial ou classista, mas cultural, formada pela tradição familiar e que pode (e deveria) ser reformatada pela Educação que, como sabemos, fracassa flagrantemente em nosso país. Se há um mecanismo de reprodução da pobreza, ele não é o racismo, mas nossa péssima educação pública que não possibilita mecanismos de alavancagem dessa massa com potencial para trabalhar.

Mesmo que para militância racista isto fosse, na melhor das hipóteses, um eufemismo para a discriminação pura e simples, sua cegueira ideológica não consegue abarcar sutilezas entre classes presentes na ordem capitalista. Como enfiar goela abaixo da sociedade o critério de cotas raciais para ingresso em universidades e serviço público se admitimos a meritocracia na moderna estrutura capitalista? Fica mais fácil pressupor que nada mudou ou pouco mudou desde os tempos da Casa Grande e da Senzala.

A mistificação racista tem, no entanto, um componente estratégico que sempre se deu nas estratégias dos jogos de poder, na qual a aliança contra um inimigo remoto tem serventia contra um inimigo imediato. Isto fica claro na seguinte passagem:

Este mesmo movimento, afinal, com seus operários e operárias deu à luz ao movimento negro pós 1978, que, de certa forma, começou a combinar o vigor da luta cultural e impor novas noções de política à sociedade. Ele, neste momento, se encontra e procura criar uma nova síntese ao lado de milhares de lideranças brancas com noções mais universalizadas do país e que se defrontam com a mesma indagação dos movimentos negros de 78: o que fazer no dia 13 de Maio, quando se comemora a abolição da escravatura no Brasil? Agora, o centenário da abolição. (Grifos meus.)

“Operários e operárias”, um vício teórico herdado de Karl Marx; “o que fazer?”, pergunta clássica feita por Lenin, líder da revolução comunista na Rússia. Não está claro que este tipo de “militância negra” tem outra agenda que nada tem a ver com condições de vida dos negros e querem sim outra coisa, têm outra agenda política?

No excerto acima, não fica claro o que se entende por “noções mais universalizadas”. O que haveria depois da sociedade ser dominada pela ideologia racista? Um alento para o “bom branco”, aliado que foi por sua serventia à causa? Ou mais tarde afloraria a máxima de “branco bom é branco morto”? Falta muito?

Assim como Marx dizia que a causa da fraqueza do campesinato francês se dava ao seu isolamento geográfico e baixa capacidade de se comunicar, esta visão racista se empenha em ultrapassar uma barreira similar ao propor uma aproximação entre seus membros da “classe-raça” através de um núcleo ideológico. E, assim como um dogma religioso, nada mais conveniente para esta agregação quando se encontra um inimigo comum.
No entanto, há obstáculos bem vindos à formação da “consciência negra”, como o papel dos sindicatos, que no Brasil são inter-raciais por excelência. Aí poderíamos assinalar um limite plausível a disseminação dessa “panaceia ideológica racial”.

Mas, seja dentro de uma socialdemocracia capitalista ou um ridículo sistema socialista, as clivagens étnicas, culturais ou religiosas sempre representaram um enfraquecimento do movimento trabalhista. Se o movimento negro pretende suplantá-lo, teremos algo pior que um estado socialista, talvez um apartheid às avessas, tão hediondo quanto seu antigo exemplo sul-africano no tempo da dominação böer.

Esse imbróglio pode ter consequências não explícitas, como aquele onde um terceiro elemento se beneficia de um conflito que não ajudou a criar. Sua sanha sectária pode aproveitar a situação para estender seu poder e amarras políticas pré-totalitárias ao traçar linhas de ocupação e direção da “classe trabalhadora” entre brancos e negros. No fundo, quem passa a comandar será nossa “nomenklatura pós-moderna”, gente como aquela ministra que acha que 30.000 mensais é pouco porque foi “vítima do racismo”.

Se para um marxista, uma luta entre facções capitalistas poderia beneficiar o operariado, nesse caso uma estúpida luta inter-racial beneficiaria a emanação dos tentáculos estatais e diminuição do prestígio da sociedade baseada no valor individual. Um movimento que beneficia o totalitarismo, do qual os socialistas bebem na fonte.

A luta de classes utilizada como subterfúgio para racismo pouco dissimulado tem sua aplicação hodierna no Brasil e alguns negros e brancos – alguns por que a imensa e absoluta maioria é formada por trabalhadores que age individualmente em busca de seu mérito –, tão cegos por seu ódio histórico serão, provavelmente, mais uma vez, úteis.

A quem esta alienação interessa, é uma questão de tempo para que os fatos falem por si.

 

Por Anselmo Heidrich
2017-11-20

 

 

 

[1] Sobre deturpação similar, confira Números não mentem. O Dieese sim!.. (link perdido de uma antiga matéria do MSM).
[2] Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
[3] A queda entre os brancos é de 94,9% para 50,7% e 91,8% para 25,1% entre os negros.
[4] http://www.fpabramo.org.br/td/nova_td/td02/td02_sociedade2.htm, acessado em 2003.

 

___________
[*] Este texto data de 2006, por isso suas estatísticas podem estar desatualizadas, mas o seu sentido teórico não mesmo. Reitero tudo que escrevi, com algumas correções já introduzidas em seu corpo.

William Waack, Boris Casoy, Diego Maradona e Ozzy Osbourne

Caros, assistam a este vídeo:

 

https://youtu.be/fwdZkwUwyn0?list=PL7EFC26EDF974ECA1

 

Agora minha opinião sobre um problema associado a este:

Se não fosse William Waack, jornalista respeitado pela maioria de nós por suas opiniões, não haveria tanta polêmica. Lembrei-me de outro, Boris Casoy, que foi um ícone da correção, da ética e que “elameou” tudo ao criticar garis em mensagem de ano novo na transmissão de sua emissora. Foi uma decepção muito grande, pois eu acreditava na imagem de um personagem ético que, no fundo, não existia. Analogamente, por isso quando ouço Sabbath antigo, ouço um cara cantando e não o Ozzy, sujeito que perdeu toda credibilidade como humano após pisotear pintinhos em um palco. Passou de simpático para nojo e não para meramente indiferente. Ouço o som daquela banda como quem ouve uma banda com vocalista sem rosto, se não fica difícil. A mesma coisa valeu para Ritchie Blackmore, genial guitarrista do Purple, mas que de tão intragável não passa disto, um guitarrista ou a antipatia gratuita de um genial músico, Ian Anderson do Tull, que ofendeu gratuitamente os músicos do Maiden que tentaram homenageá-lo com uma versão de Cross-eyed Mary ao dizer “fiz esta canção para uma garota cega, espero que tenha ficado surda antes de ouvir este lixo”.

William Waack caiu nesta categoria, de pessoas que são só aquilo que deveriam ser, suas profissões e não a imagem de “algo mais”, como símbolos de ética que foram um dia.

Outro bom exemplo de profissional excepcional que dista anos-luz da representação como modelo de pessoa é Diego Maradona. Acho que não há melhor exemplo do que eu quis dizer: vejam-no como o que é, apenas um atleta por que se pararem para prestar atenção nele como pessoa, seus sentimentos o trairão e passarão a procurar defeitos onde não há, que é o seu futebol.

Quanto às buzinas, elas são comuns em países com pouco respeito ao próximo, ou seja, países com pouca eficácia da lei, subdesenvolvidos e não necessariamente “negros” ou “pretos”. Leiam sobre o trânsito em Mumbai ou no Cairo para entender o que digo. A falta de educação parece sim, algo típico de nossa cultura, o que William Waack pode nos provar, pelo seu próprio comportamento. Mas obviamente que não dá para deixar de notar que muitos dos que agora querem a carcaça de Waack não esboçaram, nem minimamente, a mesma indignação quando um nada saudoso ex-presidente chamou pelotenses de “viados”, ou colegas de partido de “mulheres de grelo duro”, ou que uma de suas assessoras sonhasse com vários policiais federais num quarto ou ainda com um de seus jornalistas financiados, Paulo Henrique Amorim ao se referir a um jornalista negro como tendo “alma branca”. Esta indignação seletiva é que reforça partidarismos em uma questão que deveria ser consensual quanto à inadequação e preconceito expressos.

Anselmo Heidrich

Semana Vítimas do Comunismo: Não Culpe o Capitalismo

Pessoal,

Será um prazer tê-los como ouvintes na minha palestra dia 07, “Não Culpe o Capitalismo”, na SEMANA VÍTIMAS DO COMUNISMO, de 06 a 10 de novembro, no CSE (Centro Sócio-Econômico) da UFSC.

Estou preparando uma palestra abrangente, mas em 40 minutos terei que dar um enfoque e será GEOPOLÍTICO.

Será uma honra tê-los nesta terça-feira às 20h, dia 07 de novembro.

Abraço,

Anselmo Heidrich

Dª REGINA VS. ATORES DA GLOBO: análise comportamental-corporal

Não deixem de assistir ao vídeo abaixo do Canal Metaforando, excelente, genial. Aliás, quem não conhece, não deixe de assistir à série LIE TO ME. Genial também e tudo a ver com o vídeo que segue que já inclui em meus favoritos em todos os meus blogs.

Se for lícito dizer que o que não dizemos nos revela, também é que o que fazemos, gesticulamos, movemos nos desnuda mais que qualquer performance fake de nu brega que não diz nada com nada. 

Assistam!

 

Sobre o queermuseu, MAM e outras mostras que virão

Pessoal, o negócio é simples e leiam com atenção para não deturpar o que eu digo: quanto mais vocês berrarem, quanto maior for a histeria, MAIS OS CURADORES E ARTISTAS (chame-os do que quiser) VÃO GANHAR COM ISTO, pois seu ofício se baseia no choque, no escândalo e no ti-ti-ti para os círculos de intelectuais militantes. Quanto mais vocês clamarem por censura ou sugerirem algo assim, mais eles terão justificativa para continuarem o que estão fazendo e mais apoio internacional, inclusive, terão.

O negócio é por fim ao negócio deles, secar a fonte, acabar com o financiamento, por isso BOICOTAR é anos-luz melhor que qualquer tipo de censura. O que se fez ao Santander, fechando contas no banco e que SE DEVE fazer igualmente ao Itaú é o caminho certo. Agir assim traz mais resultados e ainda parte de nosso livre-arbítrio, sem burocracias e lerdeza judiciária.

Já quanto à manipulação e uso de menores em exposições do tipo que se acione a lei, mas se adultos quiserem assistir o que pode ser mau gosto para nós, qual o problema? Não tem um monte de gente que ouve Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil também?

Anselmo Heidrich

Considerações sobre a Amazônia

Coisa velha, mas que guarda alguma atualidade, uma vez que estão demonizando nosso “Conde Vlad”, mais conhecido como Michel Temer…

 

Algumas Considerações Sobre A Amazônia[i]

Em primeiro lugar, por mais importante que seja o fator de regulação climática da Amazônia (toda floresta o é), esta não exerce a função de “pulmão do mundo”. Este é atributo dos oceanos, mais especificamente do fito-plâncton que absorve o gás carbônico da atmosfera levando-o ao fundo do oceano. A noite, a floresta amazônica absorve a mesma quantidade de oxigênio expelido no processo de fotossíntese executado durante o dia.

Se seu valor intrínseco estivesse na hipótese de ser um “pulmão do mundo”, uma alternativa seria serra-la, pois as árvores absorvem mais gás carbônico durante a fase de crescimento deixando, em contrapartida, mais oxigênio na atmosfera. Portanto, se há algum “pulmão do mundo”, em termos vegetais, ele está nas árvores “florestadas” ou nas “reflorestadas”. A saber, as áreas sem este tipo de formação vegetal, nas quais foi artificialmente introduzido e, em áreas recuperadas para este fim.

Até recentemente, ambientalistas e nacionalistas não nutriam grande simpatia mútua no Brasil. Mas, hoje em dia se percebe que têm afinado seus discursos com uma retórica xenófoba comum… Penso que há uma certa confusão quando se fala em Amazônia na sua “manutenção da integridade territorial do país”. Uma coisa é advogar a soberania do estado nação, outra bem diferente (mas, de modo nenhum, oposta) é requisitar o direito de propriedade aos seus cidadãos. Ora, na Amazônia temos o preceito territorial do estado, mas há quantas anda o direito de propriedade garantido pela Constituição da República? Mesmo porque, não há como garantir a segurança da propriedade privada sem sua defesa constitucional. Em outras palavras “não haverá compradores para terrenos cuja posse não seja sequer garantida pelo governo local”. Não confundamos, por favor, o direito de propriedade com as ações sugeridas e incentivadas por uma miríade de ONGs que propõe um status diferenciado da propriedade. No caso específico de Raposa Serra do Sol, o direito de propriedade de brasileiros, como bem sabemos, foi flagrantemente usurpado…

Da mesma forma, não vejo problema quando porções de “nossa terra” são vendidas a estrangeiros. Se todos os países pensassem assim, a Gerdau teria então que ser chutada dos EUA por que adquiriu a siderúrgica Chaparral? Ao contrário, imigrantes com capital ou imigrantes sem capital, mas com ânimo para trabalhar sempre serão muito bem-vindos. Aliás, isto trouxe benefícios ao Brasil, embora tenham sido apenas cerca de 4 milhões de imigrantes em sua história contra os mais de 40 milhões que aportaram nos EUA. E, como se sabe, estes continuam a chegar àquele país por terra, no deserto, ou por mar, em meio aos tubarões.

O Brasil, entre tantas outras nações, deve muito aos seus imigrantes e a migração de capitais. A questão que vejo é outra: trata-se de se adequar às nossas leis e, quando isto não procede, aí reside o problema, real problema.

Este pavor que muitos dos nacionalistas de ocasião nutrem pelas multinacionais, simplesmente, não faz sentido. Trata-se de uma herança preconceituosa de nossa elite intelectual dos anos 60 que já deveria ter sido extinta. Reitero o que digo: o problema não é a multinacional em si, mas o desrespeito à lei ou abuso de poder, quando da formação de cartéis ou trustes,[1] por exemplo. Aí, o malfeitor é malfeitor independente de ser estrangeiro ou brasileiro.

Usamos madeira e papel continuamente. Se realmente quisermos manter a “floresta em pé” temos que apoiar em outras tantas e abundantes áreas do Brasil, “matas de eucalipto” ou pinus. Só esta espécie de agricultura pode combater o simples extrativismo.[2] Agora, por outro lado, querer manter a floresta intacta é uma utopia que não tem (nem nunca teve) lugar nem lógica no mundo. A floresta tem todos os requisitos para ser uma incomensurável geradora de riquezas ao nosso país. E nem me refiro aos minerais em seu subsolo, mas aos fármacos que são produzidos a partir de compostos orgânicos nela encontrados.

Se não se quer, realmente, perder grandes áreas da biomassa amazônica, um plano de ocupação tem que ser executado. Mas, diferentemente, da época do regime militar, ele precisa contar com maior agregação da sociedade civil, isto é, tem que ser apoiado na ideia da propriedade privada.

Por que, tal como a China faz com sua gigantesca mão de obra, não atrairmos capitais (nacionais e internacionais) para produzir na Amazônia? Entre eles, laboratórios e cobramos o que nos é devido, com o subproduto desejável de empregar gente que, hoje, sem opção está usando uma motosserra?

Anselmo Heidrich

 

[1] Em conluio com burocracias estatais, diga-se de passagem.

[2] Na verdade não é a única, mas quis manter o texto em sua forma original. Apenas substitua, “só esta” por “uma das formas”.

[i] Link da publicação original: http://www.rplib.com.br/index.php/artigos/item/2153.

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