A Música Empobreceu?

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Pois é, mas ainda assim há o mercado para o divergente. Já vi gente boa pra cacete ser rejeitada no American Idol (mas também vi gente boa ser aprovada). Quando à previsibilidade da música, já é um fenômeno que vem desde os anos 80, mesmo com bandas que são consideradas boas hoje em dia. Quer exemplos? Ouça Led Zeppelin, dos anos 60-70 e compare com o Iron Maiden dos anos 80 em diante, quem é mais variado e criativo? Não estou dizendo que o Iron não seja bom ou tenha seu valor, mas é patente que se eles fizessem algo mais diferente perderiam muitos fãs que querem sempre mais do mesmo.

Basicamente, as bandas dos anos 80 são mesmo bandas que produzem um som homogeneizado, nos anos 90 houve uma tentativa de mudar isso com gêneros alternativos, mas ainda assim, algo como nos anos 70 só fora do big business.

Eu cansei de ouvir nos anos 80 que “o rock morreu”, mas não morreu nada, só se modificou. E coisas como o progressivo pareciam estar fadadas à extinção, mas nos anos 90 e seguintes descobri que havia circuitos alternativos do estilo em festivais onde eles vendiam seu trabalho. Sobreviveram, graças à internet, à tecnologia e ao capitalismo que proporcionou a veiculação da diversidade.

Ao contrário do que dizem o cultural-tradicional é que empobrece. Música berbere, p.ex., teve seus músicos perseguidos e permanece em focos específicos nos Mts. Atlas devido ao fundamentalismo islâmico (e árabe) na Argélia e Marrocos. A religião produz arte, mas é inimiga da arte que foge da sua cultura. O mesmo para a mouth music, música feita com a boca apenas, que deu origem ao yodel americano. Era vista como pagã na Irlanda pela cristandade e relacionada ao sexo. Ou seja, nada de cantar na dança das fitas, aliás, nada de dança das fitas e louvar Príapo. Como temos acesso a isso tudo hoje? Graças ao comércio, à globalização, ao capitalismo e a possibilidade de consumirmos arte que foi reprimida em seu espaço e lugar de origem.

Anselmo Heidrich

5 ago. 22