Agora imagine uma típica performance de hétero: o sujeito chega no canto do palco, abre a braguilha e dá uma urinada, depois seca balançando e com as mãos fedendo aperta a mão do paraninfo e pega o diploma, coça o saco, cospe no chão e pede um martelinho espalitando os dentes. Patético, não? Pois é a mesmíssima coisa, um teatrinho para as redes sociais onde cada tendência e seu público cativo não são mais que marionetes de uma falsa consciência. Na real, o que assistimos hoje no Brasil é o mais bem acabado exemplo de declínio do homem público, onde o espaço de convivência comum não passa de uma extensão de sua varanda. Parecem cães que escapam dos terrenos e se põem a correr atrás dos carros. E pior do que palhaços que querem atenção é essa patuleia que lhes aplaude, uma escória sem individualidade que se escora em sentimentos tribais divisionistas, massa ignara sedenta por likes que finge intelectualidade, mas conhece os livros apenas pelas abas onde vê seus resumos enquanto toma seu café-fake com Nutella.

Essa gente me dá asco.

Anselmo Heidrich