Recebi um vídeo caracterizando o chamado “esquerdopata”, basicamente, como um vagabundo que opta por cursos de humanas, tidos como mais fáceis e que detesta estudar e sonha com um emprego público. Na verdade dizia muito mais, mas o básico era isso mesmo.

Olha, tem muita verdade aí, mas tem umas simplificações que prejudicam o diagnóstico. Nem todos são vagabundos, até porque tem muitos em cursos de Economia, e até em Medicina (médicos de família, p.ex.). Muitos optam por esses cursos porque gostam dos temas, mas uma vez lá dentro é que mudam porque é moda e moda não é algo só para os outros, mas para serem aceitos pelo grupo. É algo tribal e juvenil, mas que acontece muito porque seus ídolos não são pessoas bem sucedidas. Professores fazem a cabeça deles, mas onde esses professores se encaixam no perfil do profissional bem sucedido? Como não são, naturalmente, incentivam os alunos a serem como eles, até sem perceber. O buraco é mais embaixo.

Toda tribo tem um rito de passagem e é quando o jovem se torna homem adulto. Ele ambiciona ser como os adultos. Mas hoje é assim? Vejam os adultos querendo parecer garotões. Veja qualquer conhecido idiota midiático que deve ter mais de 60 e picos que quer aparentar um garotão de 20.

Antigamente, as filhas queriam ser tão bonitas quanto as suas mães, que eram os seus modelos. Hoje, as mães é que querem parecer como suas filhas.

Como se muda isto? Com a mudança do padrão de mercado. Temos que deixar de pôr o jovem em primeiro plano. Anselmo Heidrich 04 fev. 20

Anselmo Heidrich