Vamos lá, o que vocês ouvem quando acusam “o comunismo de estar por trás disso” em relação às mazelas latino-americanas e mais especificamente, brasileiras tem pouco a ver com comunismo, rigorosamente falando.

Comunismo é uma ideologia criada e herdada do século XIX. Sua criação não foi obra exclusiva de Karl Marx, embora este autor tenha se tornado mais famoso. Havia, o que se chamou no século XX de “socialistas utópicos” que acreditavam que poderia haver um sistema de base comunal, baseado em “bens comuns” que poderia servir a todos na sociedade. E como tantas vezes a História nos provou, esse modelo de repartição de bens, de repartição e distribuição da produção leva ao fracasso. Os indivíduos trabalham, como qualquer animal, sob o impulso dos incentivos, sejam eles materiais ou imateriais, não importa, isto depende do que cada um vê ou sente como incentivo. Eu posso trabalhar a mais por dinheiro simplesmente ou porque um trabalho é gratificante em termos de status, reconhecimento ou porque me “sinto realizado”. De uma forma ou de outra são incentivos que estão por trás do aumento de produtividade. Já, quando somos submetidos a produzir para uma entidade que nos é externa, como o estado, o partido, a igreja, ou o que quer que seja, a produção tende a estagnar ou diminuir, exceto se somos forçados a mante-la crescendo, o que é difícil de realizar, pois teremos que incentivar novamente alguém a obrigar os demais a produzir. Em termos institucionais, o aparato de repressão tem que se sofisticar para obrigar o próprio povo a produzir para uma dessas entidades, o estado, o partido etc., em termos ideológicos, a premissa de que “nós somos o estado e o estado é o povo” se torna fundamental para manter a roda desta engrenagem sistêmica.

Quando Karl Marx criou uma série de teorias para justificar seu método revolucionário de alternância do poder, ele partiu de uma falsa premissa… Quando jovem, Marx se indignou com a prisão de uma camponesa que colhia lenha no bosque na periferia de uma cidade na Alemanha porque o mesmo havia sido vendido (privatizado). Não fazia sentido para ele que antes o que não era crime de repente passasse a ser. Só por causa da assinatura em um pedaço de papel… Realmente, parece injusto. Mas se observarmos de modo mais abrangente, tentando enxergar a floresta e não só a árvore ou, no caso, o sistema e não só o seu efeito, quanto de capitalismo livre mesmo havia naquela sociedade? Pensem… Quantos parques públicos não haviam e que explorados por quem estava nas proximidades não deixando nada para os cidadãos residentes em outros bairros? Isto também não parece nada justo e é o que chamamos de “vantagem locacional”. Então, a melhor forma de equilibrar o acesso à lenha, necessária para calefação nas sociedades europeias do século XIX era ter amplo acesso a um produto — lenha — barato. E para isto se concretizar, o estado teria que diminuir seu controle sobre tais parques, os parques e bosques públicos. Tendo-os privatizado, a competição pela venda de madeira e lenha tornaria o produto mais barato e, portanto, mais acessível. Sei, sei que é muito teórico, mas teoria é uma explicação melhor fundamentada. Se não tivermos outros detalhes e ficarmos restritos a uma situação que, detalhe importante: não se generaliza para todos os lugares e épocas não conseguimos ver o que é fundamental. Vamos viajar no tempo agora…

Imagine uma sociedade que a maioria de seus membros padeça de fome, que não tenha uma alimentação adequada. Vimos isto tantas e tantas vezes na História que parece ser o padrão, não é mesmo? Mas está errado, isto é cada vez mais raro. Exceto por casos recentes em que se optou por um sistema totalmente centralizado de produção e distribuição de bens, como na Venezuela que, não faz muitos anos foi o caso — único no mundo — de redução do peso da população (segundo a ONU), e claro, países em sangrentas guerras civis, a fome em massa não é mais uma realidade. Pode se questionar a qualidade da alimentação, mas esta não é uma questão que dependa do acesso à propriedade privada e sim da cultura do consumidor que optando por este ou aquele padrão de alimentação será rapidamente atendido pelo mercado. Mas falávamos do Comunismo, certo? Para Marx, este seria o sistema final, resultante de todos os conflitos de classes sociais (fundamentais, a burguesia e o proletariado) que após um processo revolucionário (sangrento, necessariamente) de tomada do poder seria instaurada uma “ditadura do proletariado” que Marx definiu como sendo o “socialismo”. Neste estágio da revolução, o estado revolucionário formado por uma cúpula do partido — único, diga-se de passagem — controlaria toda a economia. Por que “partido único”?

Simples de entender, na cabeça de um marxista, na cabeça de Marx cessando o conflito de classes não haverá mais nenhum conflito importante na humanidade, portanto, não há necessidade de partidos que representem interesses diferentes, quanto mais divergentes.

A teoria marxista é como um ciclo de palavras que se fecham onde uma ideia é justificada pela outra. Para justificar a revolução existe a exploração e esta pela história que por sua vez muda para a revolução e assim e assim por diante. Nós sabemos que este nunca foi o caminho verdadeiro para o progresso humano, mas como desmontamos a teoria e suas subteorias (exploração, revolução, alienação, história etc.)? Com FATOS HISTÓRICOS. E estes fatos são detalhes que desautorizam a versão narrada pelo marxismo. Portanto, há dois caminhos que nós, democratas liberais temos que adotar para combater:

1. Provando como o mercado livre e o estado mínimo se complementam e são necessários;

2. Provando como a história de sociedades passadas não foi piorando até serem salvas pelo socialismo e a revolução, mas sim pelas mudanças introduzidas pelo capitalismo.

Mas antes de continuar a falar mal da Esquerda e sua péssima visão de mundo quero fazer um alerta:

Há um tipo de Direita, de mentalidade revolucionária e centralizadora que faz tanto mal quanto esta Esquerda e é só uma questão de tempo para que seus fracassos venham a tona causando tragédias. Porque o que lhes é comum não é a diferença de objetivos, mas a similaridade de seus métodos e por mais que se diga que se quer algo diferente e até oposto de seu inimigo, quando os métodos são os mesmos, para a História dos Fatos e não para a História das Mentalidades, os extremos se tocam sendo a mesma coisa.

Este é um excerto do que foi minha palestra.

Att,

Anselmo Heidrich

20 mai. 19