Imagem: Artem Bali (@belart84)

“O nacionalismo é o último refúgio dos canalhas.”

Samuel Johnson, século XVIII

“Os Estados Unidos sempre vão escolher a independência e a cooperação em vez de governos globais, controle e dominação”, afirmou, Trump na 73ª Assembleia Geral da ONU. Mas o nacionalismo é utilizado para controle e manipulação de massas sem dissensos.

Falar em “globalismo” pra lá e pra cá, além de caricatural não passa de slogan político quando destituído de propostas pragmáticas e exequíveis. Normalmente temos elites usando massas com símbolos patrióticos nesse contexto.

Embora os “anti-globalistas” por assim dizer, afirmem que é “o globalismo é diferente de globalização”, na prática, suas defesas são de uma economia nacional protegida na medida que se opõem às ditas “elites globais” que dirigem o comércio externo.

Já repararam que criticar o “globalismo” tem o mesmo valor estratégico que criticar a cultura? “Cultura” é um dos termos mais vagos nas línguas do mundo inteiro. Se formos reduzir uma sociedade com milhões a uma cultura, ela tem que ser minimalista…

Isto é, aspectos mínimos em comum para muitas pessoas com pensamentos e práticas diversos sobre vários temas e atividades. Falar em “cultura nacional” é, por outro lado, algo válido para apologistas de uma “ideologia nacional” que também é algo raro e pouco funcional.

Alguns termos pegam, simplesmente, por serem chiques ou “descolados” para uma época e dito por pessoas interessantes, celebridades, intelectuais que poucos leem passam a ser copiados. Exemplos? Por que citar “soft power” ao invés de diplomacia?

A face mais incômoda do anti-globalismo é a condenação à “diversidade” que, muitas vezes esconde seu caráter claramente racista quando não especificado que se trata de uma oposição à práticas culturais específicas.

Agora, não é verdade que os anti-globalistas sejam contrários à ascensão das mulheres no mercado de trabalho e na política, mas são sim contra a criação de expedientes legais que favoreçam as mulheres de modo artificial sem uma igualdade jurídica. Conheço esse pessoal da Nova Direita e eles têm em mente que a “igualdade forçada” via “políticas públicas de inclusão” favorece uma liderança internacional, mais conhecida como uma “governança transnacional”.

O reforço contra essas “elites globais” veio com a Crise de 2008, na qual a Esquerda não teve o monopólio da oposição… Esta Nova Direita, nacionalista em termos socioculturais também era protecionista em termos econômicos. Daí sua indignação contra o projeto de #Globalização.

Embora a #NovaDireitaBrasileira faça as vezes de querer diferenciar #Globalismo de #Globalização, a origem da oposição contra o primeiro foi contra o “projeto político” contido na segunda.

Seja nos discursos de #Trump na #ONU em 2018, seja nas declarações do chanceler brasileiro #ErnestoAraújo, o anti-globalismo permanece como um sentimento ao invés de uma teoria ou programa, já que basta “amar a pátria” e ser contra as influências e elites estrangeiras. Tudo parece ser uma estratégia eleitoreira ou política permanente para desviar a atenção do público.

Desde as manifestações de Seattle em 1999, quando a Esquerda Americana se notabilizou com o discurso anti-Globalização, a Nova Direita abraçou a tese conspiracionista. O fato de que organismos mundiais, como a OMC, lideres como Tony Blair, Bill Clinton ou países como a China adotarem políticas de livre-comércio não quer dizer que “conspiraram contra algo”, apenas que tiveram bom senso.

Também vejo essa oposição ao Globalismo de líderes como Trump como mero fingimento. Eles podem não ser cosmopolitas, como seus antecessores Democratas ou de países europeus, mas são tão ou mais elitistas, especialmente quando se sabe que querem manter privilégios através de estratégias do protecionismo econômico.

Na virada do século XIX para o século XX, o termo “Globalismo” substituiu “Cosmopolitismo”, o que se tornou forte após a II Guerra Mundial, quando a noção de que valores universais como os direitos humanos e a igualdade jurídica tinham que ser universalizados. Nos anos 60, com a onda de descolonizações, o termo “globalismo” foi ainda reforçado contra o nacionalismo que servia como base para superioridade entre os povos, assim como sustentação do fascismo, do nazismo e do comunismo totalitário que já era conhecido e desmascarado.

Leio que os ataques anti-semitas aumentaram na Alemanha. Respondi que se devia ao anti-globalismo, o que nossa Nova Direita irá discordar, mas o termo “globalismo” também é associado ao judeu, como foi no passado o “cosmopolitismo” para acusar a etnia de não ter “raízes germânicas”. Não é por acaso que o maior símbolo do “globalismo” viceje na figura de #GeorgeSoros, um investidor judeu húngaro-americano de 88 anos ligado à várias causas globais.

O Brasil também adotou e assumiu o rótulo de “globalista”. No início do Seculo XX, com Barão de Rio Branco, quando mudou o eixo da política externa brasileira da Europa para os EUA chamado na época de “americanismo pragmático”. Mais tarde, na Era Vargas, que se distanciou dessa ligação surgiu o “Equidistância Pragmática” procurando outras parcerias (com uma certa simpatia pelas nações do Eixo). E durante os anos 60 veio o “Globalismo”, que significava manter relações com várias nações, bem como ser atuante internacionalmente em vários fóruns e organizações. Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek e, notadamente, Ernesto Geisel foram “globalistas” neste sentido. Este, um verdadeiro “ecumenista nas relações internacionais” procurando ampliar parcerias e diversificar seus ganhos. E é neste sentido particular que eu endosso plenamente o “globalismo”.

Anselmo Heidrich

18 fev. 19

#GlobalismoSIM

#Interceptor — http://inter-ceptor.blogspot.com/

¬Adaptado e contemporizado de…¬

BBC News Brasil — O que é ‘globalismo’, termo usado pelo novo chanceler brasileiro e por Trump? https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46786314

E tem mais:

“O NACIONALISMO ECONÔMICO É ANTIAMERICANO.”

EXATO! Achei isso desde o início. A adulação baba-ovo de Trump (não que Hillary fosse melhor) como um “salvador da pátria” levou muitos na conversa. Gente como Constantino, Alexandre Borges (este com um artigo ridículo “todo mundo é laranja”) e até (PASMEM!) o Instituto Liberal saiu DEFENDENDO O PROTECIONISMO ECONÔMICO.

Ainda bem que há os liberais de verdade que não nos deixam esquecer como se construiu uma economia-guia para o mundo.

(Tem áudio incluído no link.)

Why Economic Nationalism Is Un‑American https://newideal.aynrand.org/why-economic-nationalism-is-un%e2%80%91american/