“Os cristãos não deveriam estar dizendo namaste porque os cristãos acreditam em apenas um deus, o Senhor.

“Os ateus não deveriam estar dizendo namaste porque os ateus não acreditam em deus algum.

“Ninguém que não acredita no deus dentro de si deveria estar dizendo namaste.

“Isso se aplica a todos os aspectos espirituais do yoga. Além de dizer namaste, os professores de yoga costumam falar de chakras, equilíbrio elementar e outros conceitos religiosos orientais.

“Se você não acredita nessas coisas, não aja como se acreditasse.

“Este é um exemplo fantástico de apropriação cultural. Não é uma apropriação cultural praticar yoga, mas é uma apropriação cultural minimizá-la em uma rotina de exercícios modernos e tocar uma oração religiosa no final que você nem acredita.”

Li isso neste artigo: Western Yoga is a Great Example of Cultural Appropriation by Megan E. Holstein https://medium.com/@meholstein/western-yoga-is-a-great-example-of-cultural-appropriation-5d2f721b18c0

E lembrei-me do tema apropriação cultural, que alguns anos atrás teve certa reverberação por ocasião de um absurdo, quando uma menina branca em Curitiba enfrentou a militância negra que a acusou de se apropriar de sua cultura porque estava usando um turbante africano. A guria, impressionada com o fato ainda divulgou sua análise no YouTube dizendo que copiou as negras por achá-las lindas, mas que as mesmas, no caso que a envolveu não viram por bem tal atitude.

Então, não é que esse negócio também foi importado? E quando a gente menos espera, sempre tem um idiota para lembrar que não fazemos de modo puro isso ou aquilo. Mas o que é puro nesse mundo felizmente alterado? Eu nunca liguei para saber que porra significava namaste, mas agora sei da pior forma: uma gringa fala como se fosse uma corrupção espiritual dizê-lo sem sentir o que significa. E o que significa? Isto:

“O deus em mim se curva ao deus em você.”

Cá entre nós, que bosta, hein?! Vai se f****! Se o cara quer só se esticar um pouco por que tem que crer nesta baboseira toda???

Tinha um carinha chamado Weber que vaticinou, séculos atrás que o mundo se desencantara. Ele falava da expansão da dominação racional-legal levada a cabo pelas burocracias e suas normas, em detrimento da dominação carismática e da tradicional. Verdade, mas isto nunca é completo. Quando mais evoluímos em planilhas, cronogramas e prognósticos, mais as pessoas buscam refúgios espirituais (ou muletas metafísicas). Como diz o vivente “deixa elas”. Sim, deixa, mas deixa também que quem queira praticar isso ou aquilo não seja obrigado a aceitar um pacote fechado como pacto com deus ou o diabo. Em nosso divertido mundo capitalista, o gostoso é circular entre prateleiras e escolher o que nos convém e usar até enjoar. Vivemos em um supermercado de ilusões que inclui a fé e se alguém acha que pode misturar os temperos para sua alma jantar com o deus cristão, um Buda ateu ou um ritual deslocado e anacrônico em uma sala cheia de gente riquinha com tempo e dinheiro sobrando, que se dane!

É simplesmente patético ver essa gentalha, gentalha, como dizia o saudoso Kiko se espremendo toda e vindo pra cima de nós cagar regra. Seguinte: faça a p**** da Yoga como bem entender e diga o que quiser sem acreditar, nem que seja pra ti se sentir bem. E é isto que importa no fim das contas, o deus a gente cria quando quiser.

 

Anselmo Heidrich

12 out. 18

 

Ah! Quase ia esquecendo, Feliz Dia das Crianças, pois como dizia outra doente, por trás de toda criança sempre tem uma figura oculta e essa figura oculta é o cachorro… Não, adianta, por mais que Manuela D’Ávila se esforce, ela não consegue se igualar a uma Dilma Rousseff.