Não há meios de se diminuir a criminalidade apenas com prevenção. Seria análogo a achar que se combate uma grave enfermidade apenas com boa alimentação, mas especificamente em relação ao artigo Inútil Repressão de Luisa F. Schwartzman, assim como a simples legalização não quer dizer que qualquer um poderia vender drogas (no que concordo com a autora), a simples expansão da permissão da posse de armas (uma vez que ela já existe, mas é dificultada) não significa que qualquer um possa ter porte autorizado (que é o que defende Jair Messias Bolsonaro). Não há só dois mundos, um com armas proibidas e outro permitidas, na verdade nós temos diferentes legislações para sua posse e uso com diferentes resultados em diversos países (e estados dentro dos EUA, p.ex.). Apenas como exemplo ilustrativo, Israel é um país com mais armas em proporção do que os EUA e não há casos que caracterizam uma epidemia de massacres como neste. Claro que muitos objetarão que são realidades muito distintas, a começar por sua extensão territorial e tamanho populacional, o que não procede a meu ver, pois se trata de uma comparação evidentemente proporcional. Pode-se sim objetar que há muitos outros fatores que entram nesta contabilidade, como a diversidade populacional, especificamente, em relação ao seu grau de instrução, p.ex., mas isto não contradiz meu ponto, pelo contrário, o reforça. O reforça na medida em que há mais variáveis que funcionam como fatores de aumento ou redução da criminalidade.

Não aprecio simplismos e me parece, daí sim eu concordaria… Que soluções mágicas como “armas para todos” debelem a criminalidade, mas sinceramente, a segurança pública brasileira está tão desestruturada (em boa parte pela legislação penal vigente) que acho, sinceramente, que o direito de posse de armas é poder participar da loteria e lutar pela própria vida. E esta questão moral não é irrelevante.

Anselmo Heidrich

13 out. 18