Tente adivinhar o que une políticos e sindicalistas do PT, CUT, PCB e PSL.

Em primeiro lugar, o óbvio, os criminosos envolvidos no atentado à Bolsonaro têm que apodrecer na cadeia. A Esquerda Brasileira é pródiga em adular criminosos e promover o chamado discurso de ódio, como o fez Gleisi Hoffmann ao dizer que “para prender Lula, vai ter que matar gente” ou o presidente da CUT, Vagner Freitas ameaçando manifestantes pró-impeachment ao convocar seus correligionários “ir para as ruas entrincheirados com arma na mão se tentarem derrubar a presidenta Dilma Rousseff”, ou o professor de sociologia na UFRJ, Mauro Iasi citando Bertold Brecht ao dizer que os conservadores merecem um “bom paredão, uma boa espingarda, uma boa bala, uma boa pá e uma boa cova” ao invés de um bom diálogo, ou o próprio Lula ameaçando manifestantes pró-impeachment com o “exército do Stédile” em ato “em defesa da Petrobras” e por aí vai. Ou seja, não é de hoje que há promoção da violência pelas hostes de esquerda. E claro que quando se promove algo assim, ainda que caoticamente, sem um plano preestabelecido se incentiva o pior, a violência e o assassinato. Mas não fica só nisso…

O recente comício de Bolsonaro dizendo que “temos que fuzilar os petralhas aqui no Acre” é o quê? Já li, inclusive, que não caracteriza discurso de ódio porque o “verdadeiro discurso de ódio” é o que foi feito por lideranças fascistas e comunistas. Quem diz isto nunca ouviu falar em gradação, certo? É verdade que discurso de ódio também se enquadra em liberdade de expressão, mas não é porque se é livre que não se deve ser responsável, não é porque tu podes falar o que quer que não deve responder por suas consequências e quando digo isto penso em efeitos danosos ou trágicos sobre outras pessoas. O que aconteceu é que a bala ricocheteou ou nem isso, pois uma figura pública dessas tem que se proteger. Analogamente, claro que uma mulher sedutora não deve ser estuprada ou indevidamente assediada, assim como quem falar besteira a torto e direito não deve levar uma facada, mas tu sabe que nessa estrada não basta dirigir corretamente, também tem que cuidar dos motoristas bêbados ou de direção perigosa que podem te atingir. Uma coisa é discutir a moralidade do fato, Bolsonaro foi vítima, todos sabemos disto, outra bem diferente é o senso pragmático da coisa, ele se expôs e sendo quem é, deveria saber dos riscos que corria. E só um sujeito com Q.I. de ungulado para entender isto como relativização da culpa, trata-se simplesmente de análise de causas e efeitos, além da probabilidade de se encontrar psicopatas no caminho. Ou você entende isto ou você pode espalhar vídeos do Olavo de Carvalho dizendo que o comunismo matou mais gente que todos os flagelos mundiais, o que não é mentira, mas que desloca o fato ocorrido, a incitação da violência para outro lugar, que não o da racionalidade e objetividade ao dizer que por serem de criminosos de esquerda, toda a esquerda é intrinsecamente genocida. Vai sofismar assim na Astrologia, Olavo… Ele também lançou a pérola de que Bolsonaro apenas incentiva a violência na forma de justiça para defender o povo, outra balela! Quando se propõe isso a um criminoso que atenta contra a vida de alguém se chama defesa, mas quando se atenta contra quem pensa diferente, como os “petralhas”, não é justiça, não é ação correta de polícia contra o crime, mas sim ato de polícia política. Olavo de Carvalho mesmo, de sua longínqua distância onde espalha insensatez em segurança e se esconde covardemente dos eventos em que opina insanidades clama para que “essa gente” que critica os discursos de Bolsonaro sejam “banidos da vida pública”. O que significa, exatamente, ser banido da vida pública, alguém pode me dizer? Banido, no caso, se aproxima muito de ser excluído, eliminado etc.

Não, não se trata de dizer que, no fundo, “é tudo culpa da Direita”. Não, não é, o discurso recorrente e frequente vem das hostes esquerdistas sim e de tanto falar, um louco ouve e age, incentivado pelos colegas e por quem ele vê como um inimigo declarado, propondo algo similar. O clichê de que violência gera violência não é algo irrelevante, mesmo que às vezes, raras vezes, a violência seja o último recurso de defesa. O problema é que quando se banaliza o recurso, ainda que como pregação eleitoreira, não vai ser difícil alguém entender o limite estendendo-o e divergindo de nós sobre quando se deve utilizá-lo. E é quando se flexibiliza este limite de aceitação da violência que o caldo transborda.

Desde 2014, que atuei nas manifestações pró-impeachment de Dilma Rousseff em Florianópolis, na organização e como orador nos carros de som. Levamos, em diferentes ocasiões, 500, 30, 30.000, 60.000, 100.000 pessoas ou mais às ruas da cidade. Para uma cidade que não chega a 500 mil hab foi um sucesso incomparável. Em vários episódios, quando sabíamos que havia poucas dezenas de petistas buscando o confronto, em percurso contrário ou nos esperando no local de destino fomos unânimes em dizer não continuamos e paramos por aqui. Embora estivéssemos com inquestionável vantagem numérica e ao lado da polícia, pois havíamos feito requerimento para o ato previamente, sempre evitamos o confronto direto. Apesar de já termos ganho moralmente e eles perdido, eu tive que aturar sim, babacas com o cérebro encharcado de ira juvenil dizendo que refugamos e deveríamos “lutar até o fim”, como se lutar aqui significasse esmurrar quem discorda de ti. Passado mais de um ano, quando os sanguessugas do dinheiro público em Florianópolis quiseram homenagear o condenado Lula com o título de “Cidadão Catarinense” estivemos lá protestando, mas desta vez a massa de sindicalistas comprados também veio. Outros tempos, alguns colegas quiseram o confronto e mais de uma vez, tentei dissuadir o povo, só que dessa vez sem o mesmo sucesso. Quando desci do caminhão uma senhora com muito sobrepeso veio me falar, pensei que seria elogiado ou indagado sobre o que faríamos agora e o que ouvi foi algo mais irracional que um asno chapado em exame psicotécnico “palhaçada, que palhaçada!” Quando achei que já tinha ouvido o bastante, um idoso coxo e indignado reclamava, me mostrando o pixuleco (boneco inflável do Lula com traje de presidiário), “agora que comprei isso aqui, o que eu vou fazer?” Sim, o que esses idiotas queriam é que eu incitasse nosso grupo com crianças, idosos, jovens, mulheres direto para o caldeirão com sindicalistas ociosos com a cabeça cheia de cachaça. Eles queriam sangue, mas estes são os mesmos que berram e se escondem na multidão. Depois, em frente a Assembleia Legislativa perdemos muito tempo contendo bêbados que se atiravam em frente à polícia tentando causar tumulto. Não, eu seria injusto se dissesse que é a maioria, nunca é, mas é a minoria suficiente para induzir uma multidão despersonalizada rumo à sangria. Esses são aqueles que berram e dizem asneiras para depois não entender o porquê de levarem tiros, pedradas ou facadas. Não se enganem, é fácil se despersonalizar junto à massa, como quem berra em um jogo de futebol pelo seu time, pois é disso mesmo que se trata para muitos, um jogo de expiação em que tenta se atingir o Judas alheio. Fato Social como dizia Émile Durkheim, em pleno curso. Minha vó em vida relatara diversas vezes como viu o povo gaúcho chorando compulsivamente a morte do suicida Getúlio Vargas, décadas depois foi a vez de Brizola morrer e causar comoção popular nos pampas e bem recentemente, após a queda do avião que levava o time da Chapecoense e seu culpado ter morrido junto (o piloto e dono da companhia aérea), eu vi muita gente discutindo e brigando por questão de interpretação. Esses casos de histeria coletiva não terão sido os últimos e vão se repetir, pois fazem parte de nossa característica gregária e imitativa, um espírito de lemingue que nos joga no precipício. Lembro aqui da comoção gerada pela morte do aiatolá Khomeini no Irã, líder da revolução islâmica, que pôs a sociedade ilustrada do país refém de uma elite político-religiosa. E não se enganem se acha que não podemos chegar a isso, com uma bancada organizada e crescente fazendo interpretações bíblicas de nossos confrontos políticos. O problema é quando se combina em momentos de efervescência e irracionalidade com aproveitamento político. Quando um idiota diz que “gosto do Amoedo, mas agora é guerra e vou voltar em Bolsonaro”, provavelmente nunca entendeu ou teve convicção de concordar com as propostas do Partido Novo. Além da grande maioria de quem está repassando isto ser mesma de partidários do partido venal chamado PSL e espera capitalizar politicamente com a vinda do Messias, no caso Jair Messias Bolsonaro, pois o povo adora o arquétipo de Jesus Cristo que ressuscita.

Jair Messias Bolsonaro, sinceramente eu estimo suas melhoras e gostemos ou não, não será tão facilmente esquecido… Como esquecer aquele deputado em que um passado não muito longínquo disse que FHC deveria ser fuzilado por privatizar a Vale do Rio Doce, lembram? Que disse que para começar a mudar as coisas, 30.000 tinham que morrer, porque “através do voto não vai mudar nada” etc. Ou que “sou favorável à tortura”, que há pouco mais de uma semana usou uma “linguagem figurada” em que tínhamos que “fuzilar petralhas”. Esse sujeito é, como dizem, o perfeito exemplo de uma vítima das circunstâncias, mas como já disse Ortega y Gasset “eu sou eu e as circunstâncias”, então, se tirarmos as circunstâncias de Bolsonaro, sobra o quê? Afinal, as circunstâncias que o acompanham parecem sempre as mesmas, adversas. Em resumo, como se diz popularmente, quem procura acha.

Não digo isso apenas porque ele é um sujeito beligerante, um típico político que fala muito bem ao sabor dos caudilhos latino-americanos e que casualmente trocou o sinal de admirador de Hugo Chávez por Donald Trump, mas porque provocando como faz, isso poderia acontecer. Claro que a culpa sempre será de quem ergueu e cravou a faca, a culpa é do sujeito e seus colaboradores, mas por isso mesmo que culpar uma linha de pensamento, por mais estúpida que seja é digno da escória que deseja capitalizar politicamente com o fato, como se fossem uma polícia de pensamento. E creiam-me, eles estão a solta agora mesmo, neste instante.

Anselmo Heidrich

08–09–2018