Jair M. Bolsonaro deveria ir para a China também. Já que a estratégia declarada de sua recente visita ao Japão é uma tour para aprender sobre a importância da tecnologia a ser ensinada no Brasil através de convênios com a potência oriental, assim como com Taiwan e Coreia do Sul, por que diabos também não com a China? Por que lá há um partido comunista no poder? Sinceramente, a economia que importa no mundo tem e terá relações com a China. Mesmo um discurso de palanque eleitoral como o de Trump viu que a realidade não é como soam palavras irresponsáveis. A China é a 2ª maior economia do mundo e só um ignorante para desprezá-la. Agora, não acredito que seja ignorância no caso de Bolsonaro. Ele é um político e estrategista, assessorado por estrategistas, aconselhado por estrategistas que podem estar errados, como eu acredito que estão, mas definitivamente não é questão de ignorar os fatos e sim acreditar numa falha estratégia eleitoral com uma base teórica equivocada. Isto é o que os têm orientado. Vamos aos fatos:

  1. Não é combatendo comerciantes, importadores e exportadores na relação Brasil-China que vai se derrubar o Partido Comunista Chinês (PCCh) e sim, caso tal isolamento fosse compartilhado por vários países no mundo, o controle político centralizado é que se voltará para uma economia centralizada, i.e., socialista. Lembre-se que estas ideologias coletivistas se nutrem da pobreza;
  2. A compra de terras brasileiras pelos chineses que Bolsonaro alega ser “uma perda de nossa segurança alimentar” reside num equívoco: (a) chineses não ficarão gastando para não produzir, esperando valorização de terras em regiões ermas; (b) produzindo, o aumento dos itens disponíveis tenderá a reduzir seus preços; (c) caso a maior parte seja exportada, empregos gerados na cadeia produtiva aumentarão a renda local e novos itens serão importados; (d) gerando demanda e produção voltada para o mercado interno; (e) cujo aumento da produtividade necessitará do aumento de insumos que criará novos empregos e assim e assim e assim e assim por diante.

É simplesmente um contrassenso querer se opor ao socialismo e o comunismo e defender uma política protecionista chamada eufemisticamente de “nacionalista”. Não há nada de nacionalista em prejudicar o comércio e liberdade do cidadão brasileiro. Isso é o que faz uma CUT ao defender o monopólio (real) da Petrobras, o que faz um PT da vida e outros partidos dirigidos por insanos que são contra a diversidade e competição entre empresas. Lembre-se, “o capital não tem pátria”, então que venha o Capital! Desde que, é claro, ele se submeta a nossa legislação, muito embora este é o ponto: nossa legislação comercial e tributária tenha que ser, urgentemente, revista. Se não, ninguém vai querer investir aqui, nem Japão, nem Coreia, nem China. Aliás, empresários destes grupos são constantemente sondados por vários governos e candidatos e refugam devido a nossa insegurança jurídica, histórico, tributação e infraestrutura vergonhosas. Chega de discurso! Business is business! Alguém da equipe do Bolsonaro, pelamordedeus! Eu quero votar no cara, mas ajudem-no, pois desse jeito, votos pragmáticos como o meu serão perdidos e no fim dessa toada restarão os fanáticos de Esquerda acusando os “bolsominions” e estes vice-versa. É preciso uma pitada de racionalidade nisto tudo. Já fiz uma análise contemporizando os erros e acertos de Bolsonaro (leia aqui) avaliando bem sua visão de bom senso sobre segurança e educação e confesso que ele melhorou na visão econômica, com a possível indicação de Paulo Guedes para Ministro da Fazenda, mas este cacoete paranoico em relação à China não tem sentido.

E não pensem que adular os japoneses falando mal da China, país com quem tiveram vários conflitos ao longo da História vai render muitos votos da comunidade japonesa no Brasil, a maior do mundo fora do Japão. Um ambiente de estabilidade e segurança para todos os povos é o mais importante. Incentivos à migração de mão de obra qualificada e trabalhadora sem chance de conflitos culturais sérios e seus capitais só contribuirão ao nosso desenvolvimento. E acordem! Digam-me qual é a diferença de demonizar a China do que faz o déspota venezuelano, Nicolás Maduro em relação aos EUA? Percebem que se trata do mesmo equívoco?

Anselmo Heidrich