Quem já ouviu falar em mídia não opinativa? Pois bem, este é um conceito de como jornais e periódicos devem proceder segundo alguns teóricos da comunicação, i.e., apenas informar sem opinar. Se vocês procurarem uma analogia, se trata da mesma pretensão de querer dar uma aula ou palestra sobre qualquer assunto que seja sem opinar, demonstrando plena e permanente neutralidade. Como se isto fosse possível… bem, aqui vamos nós com três temas e algumas fontes para analisarmos como e porque isto não passa de uma baita duma falácia. Prontos?

 

A tensão com a Coreia do Norte

 

Na seguinte As três opções militares dos Estados Unidos contra a Coreia do Norte são levantados cenários hipotéticos em relação ao tipo de ação militar americana. Algumas opiniões soam catastrofistas, outras dissimulam uma opinião antiamericana tentando imputar aos EUA, a responsabilidade última pela crise na península coreana e extremo oriente. Vejamos quais são:

  1. O mundo pode conviver com uma Coreia do Norte nuclear? Bem, já não convive com um Paquistão nuclear? Aquele país que é sede do grupo radical Taleban, que protegeu e fomentou a organização terrorista chamada al-Qaeda e, frequentemente, é acusado de incentivar atentados na vizinha Índia, país que também é um membro do chamado “clube atômico”, aqueles que não só detém armamento de destruição em massa como também a tecnologia para produzi-lo.
  2. A estratégia menos arriscada de conter a ameaça norte-coreana com maior incremento de mísseis antiaéreos em solo sul-coreano é um jogo para ganhar tempo. Dizer que os sul-coreanos veem como ameaça e provocação aos norte-coreanos ignora quais sul-coreanos pensam isso. É como dizer que o pensamento pacifista a esta altura do campeonato é hegemônico, o que duvido muito. A paz sempre é a melhor opção, mas dificilmente quando o declarado inimigo já está apontando todas armas possíveis para sua cabeça sem intenção de dar um mero susto.
  3. Dizer que russos e chineses são frontalmente contrários a este tipo de estratégia e têm o poder de complicar a vida dos americanos no Mar do Norte e outras regiões do globo tenta colocar os EUA em desvantagem na análise, enquanto que Rússia e China também têm um baita penino em mãos, uma vez que ajudaram o regime norte-coreano a se armar e agora não sabem lidar com seu monstrinho colocando-o em banho-maria.
  4. Um ponto com o qual concordo, sem dúvida é a sobrecarga às forças armadas americanas, além do que já sofrem com o Iraque e o Afeganistão. O que, inclusive, vai exatamente na contramão do que propunha Donald Trump em campanha, mas campanha é campanha, sabem como é? Não foi por falta de aviso de nossa parte que retórica desse tipo não se imporia à necessidade do aparato de defesa dos EUA.
  5. Agora, este trecho aqui é o suprassumo do sofisma:

“A última vez que os EUA e seus aliados entraram no Norte foi durante a Guerra da Coreia (1950). Na ocasião, a China entrou no conflito ao lado da Coreia do Norte, para evitar o surgimento de um regime unificado e aliado ao Ocidente em sua fronteira terrestre.

“E a China ainda não está preparada para viver esta situação – evitar algo do tipo é a principal razão dos chineses para ajudar o regime norte-coreano por tanto tempo.”

Entenderam? Não foi a China quem ajudou a promover o poderio norte-coreano para sedimentar sua hegemonia no extremo-oriente, mas segundo a análise implícita no trecho acima foram os EUA que a forçaram a isto.

Se quiserem ler o restante deste antiamericanismo dissimulado, acessem aqui: http://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/as-tr%C3%AAs-op%C3%A7%C3%B5es-militares-dos-estados-unidos-contra-a-coreia-do-norte/ar-AAraQPe?ocid=mailsignout

 

A política brasileira e as eleições de 2018

 

Quando “cientistas políticos” ainda dizem que “o impeachment foi golpe”; que Temer só mudou a política econômica para favorecer as elites; que seu governo austero – “austericídio”, como dizem, é o objetivo final para beneficiar o Capital (e não a estabilidade da economia e da sociedade); que tratam mudanças de rumos como “traição”, como se os próprios petistas não pudessem alterar estratégias em seus mandatos, coisa que fizeram; que dizem que Temer acabou com “conquistas sociais” dos governos petistas, o que não ocorreu, pois não foram conquistas e sim benefícios com incentivos equivocados, coisa que ainda se mantém, podem saber, não são cientistas coisíssima nenhuma, mas apenas partidários enrustidos, papagaios ideológicos sem nenhum valor para o conhecimento objetivo que chamamos de Ciência.

SE tiverem paciência, aqui está a entrevista com alguns deles…

Cientistas políticos falam como impeachment, Lula, Bolsonaro e outros temas polêmicos podem afeta… https://br.noticias.yahoo.com/cientistas-politicos-falam-como-impeachment-lula-bolsonaro-e-outros-temas-polemicos-podem-afetar-eleicoes-de-2018-010514490.html?soc_src=social-sh&soc_trk=tw via @YahooBr

 

O governo Temer e a economia brasileira

 

Sinais diversos de nossa mídia brasileira sobre as perspectivas econômicas nacionais. A IstoÉ Dinheiro noticia que o Brasil vive uma “janela de prosperidade”, graças aos bons ventos do cenário econômico mundial, mas que ainda apresenta graus de incerteza se nossas reformas econômicas, como a previdenciária não avançarem. Veja aqui: http://www.istoedinheiro.com.br/mare-global-favor-do-brasil/

A revista Exame, mais otimista chama o atual momento da economia brasileira de “virada histórica”, embora note que nossa reação ainda é frágil perante a situação política. O problema de base está no sistema previdenciário:

“O governo até agora não conseguiu passar no Congresso a tão prometida reforma da Previdência, para controlar os gastos públicos, e em agosto ainda anunciou a elevação de 20 bilhões de reais na meta fiscal de 2017, para um déficit de 159 bilhões, um sinal da dificuldade de equilibrar as contas.

“Em meio a tudo isso, não seria surpresa se a economia continuasse a afundar. Mas ela dá os primeiros passos rumo à retomada do crescimento — a média das projeções dos analistas é de 0,3% de avanço do PIB neste ano e de 2% em 2018.”

[ http://exame.abril.com.br/revista-exame/brasil-comeca-a-consumar-virada-historica-na-economia/ ]

A tônica da matéria é o desenvolvimento de longo prazo e este otimismo com a sensação de que “o pior já passou” é que tem levado à reação da economia.

Então… Está claro para vocês em que situação nos encontramos? Com todos os prós e contras, não temos nada para achar que antes do impeachment vivíamos uma situação melhor, de mais segurança ou conforto. Até mesmo porque toda esta crise foi gestada pelas administrações petistas. Mas vejam agora esta matéria do jornal Valor Econômico:

http://www.valor.com.br/brasil/5089276/com-temer-brasil-sofre-isolamento-internacional

… Que diz que o país sofre um “isolamento internacional” porque Temer viajou pouco e recebeu muitos poucos líderes estrangeiros. Tenho certeza que se fosse o contrário seria acusado de viajar muito e não se preocupar com nossa crise doméstica. Parece claro que o Valor Econômico tem uma agenda definida, que não é a da análise econômica, como se supõe pelo título do periódico.

 

Existe solução, remédio ou vacina contra a mentira e manipulação? Só se expor mais à mentira e manipulação para detectá-la. E creiam-me, nem tudo que aí está é consciente, na verdade, a própria ideologia em que tais análises são embebidas impede seus mensageiros de perceberem a nau que os conduz. Para nós que somos constante e pesadamente bombardeados resta ler de tudo e isto inclui até aquilo que repudiamos. Portanto, cuidado redobrado com aqueles que dizem ter a panaceia, uma solução para todos os males da doutrinação e maniqueísmo.

 

Boa noite,

Anselmo Heidrich

2017-09-07