Há cerca de 200 anos atrás tínhamos 1 bilhão de seres humanos sobre a face do nosso planetinha, hoje contabilizamos cerca de 7 bilhões. A novidade é menos o número em si do que seu crescimento, ao passo que no passado o crescimento era lento, a partir de um dado ponto na linha de tempo da história, ele salta. No milênio passado, esse crescimento foi três vezes maior do que todo a história da humanidade anterior – de 1,5 bilhão saltamos para 6,1 em apenas um século.

Nosso crescimento populacional acelerado atingiu um pico no início dos anos 60, quando aumentava cerca de 2,1% a.a. De lá para cá caiu, o crescimento, não a população, o que significa uma coisa: desaceleração. Cresci em um mundo que tinha uma certeza, a superpopulação é um problema indiscutível e vejo que hoje a percepção mudou, ninguém considera mais isto seriamente, com exceção talvez de grupos ambientalistas radicais, ludditas na verdade.

Basicamente, nossa história demográfica mundial se divide em três atos:

  • A pré-modernidade, com um longo e lento crescimento da população mundial marcado por altas taxas de natalidade e mortalidade que se compensavam;
  • A modernidade até os anos 60, quando atingimos um pico de crescimento graças ao crescente padrão de vida mundial (avanço da medicina preventiva) que levou às quedas de mortalidade e, consequentemente, aumento da expectativa de vida;
  • O fim do período de crescimento acelerado com redução das taxas de natalidade que ainda matem o incremento da população, porém em um ritmo bem inferior. Como resultado destas duas variáveis, o aumento da expectativa de vida e a redução dos nascimentos temos a modificação da estrutura populacional, com diminuição relativa do número de jovens e aumento de idosos. Obviamente que isto demanda alterações e adaptações da economia e, o que não é tão claro e óbvio, dos padrões de comportamento.

Isto é o básico para podermos avançar em qualquer assunto relativo à demografia. Mas por que o alerta “estúpido!”? Justamente porque a demografia tem sido relegada a um campo secundário de fatores e causas de mudanças sociais. Ao agir no longo prazo nos acostamos a ignorá-la e não perceber que constitui realidades inegáveis com as quais os diversos agentes políticos e econômicos terão que lidar. Dar uma maior peso à visões administrativas, culturas e ideologias sem associá-las ao peso do número bruto e relativo é como analisar o papel de reagentes em química sem ver sua quantidade em qualquer solução.

Anselmo Heidrich

Adaptado de: https://ourworldindata.org/world-population-growth/

 

 

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