Vejamos o que disse a Carta Capital sobre o assunto:

 

Há uma particularidade na BNCC que tem provocado muita discussão. Essa, relativa ao conteúdo, sobretudo da área de História. Trata-se da forte presença de temáticas das populações ameríndias, afro-brasileiras e latino-americanas e uma grande redução de conteúdos ligados à matriz europeia e ocidental.

Embora a discussão tenha se inflamado nas bases – polarizada entre os “eurocêntricos” e as “minorias”, cultura dominante e dominada –, para as grandes forças econômicas que permeiam esse processo, tal discussão não é de grande interesse.

via A Base Nacional Comum Curricular e a educação banqueira — CartaCapital

 

Para quem não sabe, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), foi criada no governo petista de Dilma Rousseff e continua, embora abrandada no governo de Michel Temer. A BNCC propunha, entre outras alterações, uma releitura da História que era, na verdade, uma supressão da contribuição da Europa à construção da Civilização. A substituição do currículo era ampla, com ênfase à história da África e da América Latina, mesmo que essa não tivesse comprovação factual. Pessoalmente, eu acho necessário estudar mais outras regiões globais pouco presentes ou ausentes nos currículos escolares, mas isto não significa sobrepor uma às outras, nem se basear em mitos, sem reconhecê-los como tais ou o que é pior, criar novos mitos baseados numa pobre dicotomia de exploradores e explorados ou algozes e suas vítimas.

A matéria da Carta Capital abusa dos clichés surrados da esquerda sendo o mais recorrente, o interesse de instituições do setor privado se interessarem pela reforma curricular… Notem que a tônica da matéria é esta e não, como deveria ser se quisessem realmente informar, o conteúdo da reforma proposta pelo MEC, a chamada Base Nacional Comum Curricular (BNCC), um dos lixos deixados pela gestão de Renato Janine Ribeiro quando ministro do MEC. Na verdade, a reforma acaba reduzindo o ensino de exatas, especialmente matemática. Se for para se ter equivalência entre conteúdos, o mínimo razoável que se esperaria seria 1/3 para exatas, 1/3 para biológicas e outro terço para humanas. E dentro destas, sobretudo, geografia e história uma equalização de estudo para todos os continentes e grandes civilizações, para dizer o mínimo. Mas não… A auto-afirmação terceiro-mundista relegou a civilização antiga, Grécia e Roma ao ostracismo, revoluções como a Francesa, a Inglesa ou a Americana como adjacentes, menores e irrelevantes. Agora basta ver a idealização romântica, como diria Carlos Rangel, “Do bom selvagem ao bom revolucionário” dos ameríndios e africanos, como se estes não travassem lutas sanguinárias entre si ou traficassem, eles próprios, etnias vizinhas para seus parceiros europeus. Imagine, dizer a verdade, que “Zumbi dos Palmares” foi um escravista tão logo tenha se libertado de sua condição de escravo ou que lideranças negras no Haiti, Papa Doc e seu filho Baby Doc mais lesaram o paupérrimo país levando consigo USD 100.000.000,00, nem pensar, afinal, o que vale é só o mito, somente ele.

Agora, com a redução da matemática, cuja maior contribuição é a lógica que estimula o raciocínio e a drástica redução também da gramática que leva à imersão na compreensão pela facilidade de leitura e vice-versa, o que resta? Uma dispersão sem organização de conteúdos chamados, genericamente, ‘linguagens” que desobrigará o aluno a ler. Como se também a Progressão Continuada, eufemismo para Aprovação Automática, que é o que é já não fossem suficientes para por uma pá de cal no ensino. Com isto, o novo currículo, 60% válido para o país (outros 40% seriam para regionalismos) teríamos a institucionalização do descaso com o ensino. Vejam… Artes, Educação Física são importantes, mas não podem substituir algo como a Gramática (e vice-versa) e é isto que acabam por fazer nesta nova proposta. Claro que para alunos já muito mal avaliados em testes internacionais, como o PISA, seria uma maneira de adornar o quadro brasileiro com estatísticas pautadas no mascaramento da realidade: “veja como eles estão indo melhor…” Sim, claro, mas melhor em que, definitivamente, já que o que era difícil, custoso, mas de extrema importância foi excluído? Quer dizer que a título de “combater a exclusão”, o PT faz o caminho curto do atalho moral, EXCLUI O QUE INCOMODA, o conteúdo escolar. Simples assim.

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O que se observa na história da educação brasileira é que sempre se teve uma obsessão pelo currículo, pelo conteúdo como sendo uma salvaguarda para o sucesso do ensino. Pouco se fez com relação à qualidade da transmissão desses conteúdos no sentido da avaliação das avaliações ou cotidiano de sala de aula. Aliás, quando ouvimos falar em “educação” parece que o locus principal, a sala de aula é o que menos importa… Quase como se fôssemos falar de trânsito sem levar em conta a qualidade de nossos veículos ou estradas ou de culinária sem se importar com a higiene ou procedência dos alimentos. Repare como esta obsessão pelo que há de mais moderno é moeda comum para nós ao ponto de perguntarmos se a escola de nossos filhos tem computadores ou sala de informática e pouco sabermos sobre a qualidade da principal “peça” da educação que é o professor (onde se formou, quando, que cursos fez etc.).

E nesta toada, o que fez o PT? Usou o que já era um vício de nossos burocratas do setor educacional para enfiar goela abaixo sua estratégia goebbeliana, de manipular o conteúdo como peça de propaganda política para seu usufruto.

Senhores e Senhoras, o conteúdo tem que ser reavaliado, tem que ser depurado, mas não só! A forma de dar aula, com objetividade em relação aos conteúdos e acompanhamento de como o professor se porta em sala de aula são fundamentais. Lembrem-se ainda que valorizar a educação é valorizar o professor sim, mas aquele profissional que respeita o seu ofício não se tornando um papagaio de legenda partidária e ideológica. Procedamos então a um processo de monitoramento e maior interesse de nossa parte que, como pais e responsáveis somos a maior autoridade em relação a nossos filhos pela educação que recebem e saibamos diferenciar o joio do trigo, o profissional que merece nosso apoio daquele que deve ser defenestrado por trair o princípio da verdadeira educação.

Anselmo Heidrich