Antes de mais nada respeite o inimigo estudando-o e detectando suas falhas. Se você for arrogante e desdenhar, a realidade te porá a nocaute com um belo chute na cara.

Comecemos por aqui:

Why do Democrats and Liberals keep using the “parties switched sides” excuse when it’s been debunked? by Omar Ismail 

Veja como foi a posição do colégio eleitoral na eleição de 2008 nos EUA que elegeu Barack Hussein OBAMA:

 

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Grosso modo, Vermelhos são os Republicanos (direita) e Azuis, os Democratas (esquerda).

Mas, como foram nas eleições americanas de 1960, em que John F. KENNEDY, Democrata derrotou Richard NIXON, Repuclicano?

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O que, efetivamente, mudou na percepção do eleitorado? Aliás, como muito tempo se passou, o eleitorado também mudou, mas qual a diferença entre eles?

Estas perguntas são o que definem estratégias para um programa eleitoral com chances de ser vitorioso. O que então nós temos que fazer:

1. Quantificar nosso eleitorado (quantos são por região, estado, município etc.);

2. Qualificar nosso eleitorado (quantos brancos, negros, pardos, homens, mulheres, jovens, adultos, idosos etc.);

3. Mapear nosso eleitorado.

A primeira necessidade é óbvia, até para saber em que região (de grande ou pequena escala) devo concentrar meus esforços; a segunda, a contragosto de liberais (como eu) que não gostam de separar pessoas por coletivos (raça, religião) se faz necessária para conhecer, se um dia quisermos combater esses preconceitos e, antes de tudo, vencer não cometendo gafes históricas! Ex.: não chegar de supetão em uma comunidade com muitos idosos e religiosos falando em direitos para “minorias”. Mesmo que concordemos com isso (o que não é meu caso), estrategicamente é uma furada; e terceiro, porque quando um candidato se deslocar a uma região para campanha, ele tem que conhecer as potenciais preferências do eleitorado local, regional etc. E…

Mesmo que seu partido tenha menor apoio em uma região, essa sondagem lhe permitirá saber como fazer para convencê-lo a partir do conhecimento das características locais que, são presumidas, pois as estratégias contém ensaio e erro, com riscos calculados.

Tais diagnósticos são importantes. Sem eles é como se fôssemos para o ringue lutar “mata-cobra” (quando sai chutando, socando, esbofeteando) de qualquer jeito. Para quem viu ou soube da luta da brasileira Bethe Correia com a americana Holly Holm sabe do que estou falando:

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A brasileira resolveu provocar a americana no 3º Round e esta não perdeu tempo aproveitando a distração arrogante de nossa compatriota.

Que lição tiramos disto?

Por mais que tu deteste teu adversário: RESPEITE-O.

E isto não significa endossar suas ideias, mas perceber que ali há um oponente que, se for minimamente inteligente, está sondando-o a todo tempo. Então, ao invés de focar cegamente em nossas propostas analise seu oponente tentando detectar suas falhas e explore-as. Creia: todos nós temos falhas.

E a ideologia?

Óbvio que precisamos ter, ela é como nossa roupa, nosso jeito de se apresentar, mas não é tudo. Fazendo uma analogia (e olha que eu não sou religioso): se deus está em tudo e em todos, o diabo está nos detalhes. E, meus caros, eleição se faz com detalhes.

Hoje em dia, nas redes sociais vemos nossa (nova) direita bater na esquerda, especialmente o PT chamando-o de “comunista”. Antes de entrar em detalhes, eu pergunto, o povão lá sabe o que é SER COMUNISTA?

Não. Então, o negócio é o seguinte, uma das primeiras perguntas que você tem que se fazer é:

Para quem eu estou falando?

Se você quer o voto de seus pares liberais e conservadores criticar o comunismo vai te garantir alguns votos; falar mal da esquerda chamando-a de esquerda vai te garantir alguns votos, mas isto por si só não vai elegê-lo.

Entenda que não precisamos esquecer o que somos ou o que acreditamos, não precisamos nos corromper, aliás, nunca, mas temos que entender a linguagem de quem queremos atingir e as necessidades que estão na mente deles, isto é, o que eles acreditam ser mais importante.

Se me entenderam, não dá para ficar falando mal do comunismo ou do “estado gigante” se, com tua proposta anti-estado, anti-comunista que seja, você não for capaz em propostas claras de dizer como vai equacionar o problema do Emprego, da Segurança Pública, da Saúde e da Educação. Sei, sei que a tua visão liberal-conservadora já subentende tudo isso, mas para uma eleição que é, antes de tudo, uma peça teatral e não um curso de graduação, não é suficiente. O jogo é rápido, muito rápido, então tu vais ter que atropelar conceitos, teorias e conseguir explicar, didática e funcionalmente, COMO pretende fazer isto.

Alguns exemplos:

– Falta de leitos hospitalares: de onde virão os recursos?

– Péssima qualidade de ensino: como mudar o método de ensino?

– Insegurança pública: como articular um sistema de segurança mais eficaz?

– Geração de emprego: como promover mais emprego sem aumentar o já combalido orçamento público.

Tenho minha visão sobre cada um desses pontos e sustento ela, mas cá entre nós, apenas dizer que “o estado não deve se intrometer”, “diminuir os impostos” etc. não irá fornecer meios suficientes para o eleitor mediano (que é a maioria) que você é “o cara”, sinto muito em lhe dizer.

E como eu disse, não se esqueça dos detalhes. Só para exemplificar, vejamos o que alguns representantes do Comitê Nacional do Partido Republicano já disseram sobre estratégias de campanha no passado:

GOP: “Estávamos errados” para jogar política racial

“Alguns republicanos desistiram de ganhar o voto afro-americano, olhando para o outro lado ou tentando se beneficiar politicamente da polarização racial. Estou aqui hoje como o presidente republicano para dizer que estávamos errados.”

Há também este de Michael Steele , que foi o próximo presidente da RNC:

“Nos últimos 40 anos, tivemos uma” Estratégia do Sul “que alienou muitos eleitores minoritários, concentrando-se no voto masculino masculino no Sul”.

Quora.com

Então, meus caros, mesmo que hoje, na atual hegemonia cultural esteja na moda ser “politicamente correto” veja o que o povo realmente acha disso, pois sem maioria, meus caros, todo nosso esforço será para futuros candidatos ver onde foi que erramos.

Abraços e bom domingo,
Anselmo Heidrich