Por Anselmo Heidrich

 

Pergunto com sinceridade: alguém já se deu o trabalho de ler Paulo Freire? Ou, ao menos, assistir a um de seus vídeos no YouTube? Seria bom que fizesse para se ter noção de que é muito pior do que se fala.

Em um desses vídeos, Paulo Freire diz:

 

“Quando muito moço, muito jovem, eu fui aos mangues do Recife. Aos córregos do recife, aos morros do Recife. Às zonas rurais de Pernambuco. Trabalhar com os camponeses, com as camponesas, com os favelados. Eu confesso sem nenhuma ‘chorumingas’ movido, movido por uma certa ‘lealdade’ ao Cristo de quem eu era mais ou menos ‘camarada’. Mas o que acontece é que quando eu chego lá, a realidade dura do favelado, a realidade dura do camponês… A negação do seu ser como gente, a tendência àquela adaptação que a gente falou antes, aquele estado quase inerte diante da negação da liberdade, aquilo tudo me remeteu a Marx. Eu sempre digo, não foram os camponeses que me dissera a mim ‘Paulo, tu já leste Marx?’ Não, eles não liam nem jornal. Foi a realidade deles que me remeteu a Marx e eu fui, eu fui a Marx.”

 

Acho que até aqui já daria para fazer um artigo inteiro comentando isso, mas quero transcrever mais um pouquinho para vocês entenderem até onde isto vai:

 

“E aí é que os jornalistas europeus em 70 não entenderam a minha afirmação. É que quanto mais e quanto mais eu li Marx, tanto mais eu encontrei uma certa fundamentação objetiva para continuar camarada de Cristo. Então as leituras que eu fiz de Marx, de alongamentos de Marx não me sugeriram jamais que eu deixasse de encontrar Cristo nas esquinas das próprias favelas. Eu fiquei com Marx na ‘mundanidade’ a procura de Cristo na transcendentalidade.”

 

Isto foi cerca de 3 minutos em um vídeo, mas já está de bom tamanho para entender e criticar parte de sua pedagogia. Pois é, uma coisa que o brasileiro médio não entende, seja rico ou pobre, de direita ou de esquerda é que isso em um país institucionalmente adiantado seria um escândalo. Aqui, a grossa maioria de estudantes e professores de outras áreas cultua o lixo pedagógico de Paulo Freire. Como pode? Além de sua incoerência interna, os resultados de desempenho no seu básico, básico que corresponde à leitura, interpretação de texto e exercícios matemáticos nos deixam nas piores colocações já seriam suficientes para mostrar que trilhamos o caminho errado por décadas. E o que se faz? Só se convoca gente incompetente para discutir educação e que, volta e meia se saem com tiradas poéticas de Paulo Freire, que não passa de um método de ensino ridículo que se resume na mais pura lavagem cerebral.

Analisemos agora algumas passagens reveladoras do que pensava o “mestre”. Para mim está clara a intenção, já no primeiro parágrafo de tratar Jesus Cristo como “camarada”, que era a forma de tratamento dentro do código de conduta dos comunistas. Não é a toa, não é gratuito, independente da religião que você tenha ou não tenha religião, não importa, que isto não está no discurso por acaso: é para criar uma familiaridade entre a doutrina cristã, a visão religiosa e o mundo secular, mas promissor do Comunismo. E ao invés de dizê-lo, explicitamente, Paulo Freire procura seduzir o ouvinte, internamente, sutilmente com suas palavras, com seu sentido e sentimento mesclados, para que nenhuma contestação racional se torne evidente.

Outros dois pontos que evidenciam o maniqueísmo do discurso freireano:

  • Supor que a realidade do favelado ou do camponês seja compreendida e solucionada através da leitura de Karl Marx, sem explicar o porquê disso, mas já dando como certo e conclusivo de antemão;
  • Dizer que a realidade dura da vida do camponês ou do favelado é a negação de “seu ser”, como se seu ser fosse roubado (alienado) por relações de produção (de propriedade).

Tais malandragens linguísticas são facilmente detectadas por quem já está habituado ao discurso marxista, seja ele ostensivo ou subliminar. A singularidade neste vídeo de Paulo Freire é que ele transita entre a assunção total do marxismo a sua mescla com um discurso messiânico, religioso, de “libertação” que não deixa, obviamente, de procurar um culpado por sua situação, a saber: o Capital.

Ele também diz em seguida que procurou uma “fundamentação objetiva” para Cristo em Marx e que este servia para a “mundanidade”, enquanto que o outro para a “transcendentalidade”. Em suma, Paulo Freire estabelece um link entre o temporal e o atemporal, entre o mundo material e o espiritual ao dizer que é possível se guiar pelos dois, que os dois referenciais teóricos (Marx e Cristo) se complementam. Este é o jogo dele que convenhamos, engana quem não conhece as diferenças abissais entre as duas propostas de vida. Em termos bastante simples, mesmo que teólogos mais a esquerda afirmem um pendor socialista em Cristo devido a repartição do pão e outras metáforas, não há nada que chegue perto de uma proposta violenta como a luta de classes, primeiro porque divide indivíduos, segundo porque leva inevitavelmente a morte violenta através de uma guerra civil. Tentar fundir estas duas visões de mundo implica em uma acrobacia intelectual que só fanáticos (como certos professores) e espertos (como Paulo Freire) para levar adiante. Enfim, aqui nós temos uma perfeita fusão, perfeita, na medida que serve aos propósitos de uma Esquerda que quer perverter ensinamentos cristãos para manipular massas contra um inimigo imaginário, o Capital, o capitalista, o capitalismo.

Neste pequeno exemplo, eu tentei mostrar como se confundem três coisas: a doutrina, a cristã como exemplo; a doutrinação, não explícita, no caso do marxismo e; a educação, pois queiram ou não queiram este mix ideológico é admirado e lido nos cursos de pedagogia do país inteiro, sendo seu principal referencial teórico.

Até aqui analisamos o conteúdo, mas há outras formas de, sub-repticiamente, passarmos um conteúdo na forma de um Cavalo de Troia.

 

Confira aqui a embromação: