O palestrante do vídeo a seguir, Mateus Mota Lima esboça uma crítica à formação educacional atual. A boa iniciativa contém alguns erros que, por menores que sejam, são graves ao induzir conclusões equivocadas sobre o que é a educação e, pior, como ela deveria ser. Detalhes… Mas não menos importantes podem corroer toda proposta, por mais purista que seja e o perigo está, justamente, naquelas mensagens que por se julgarem ‘puras’ contém o germe da pretensão de superioridade. E o problema não é se ver como superior, mas desdenhar frontalmente de outros modelos de ensino que, se bem observarmos, se mostrou eficaz em outro contexto histórico.

Concordei ao final, quando Mateus diz que ninguém educa propriamente ninguém. Se aquela pessoa quiser rejeitar tudo aquilo (que foi ensinado), ela vai rejeitar.

Mas, quando o autor diz que a  verdadeira liberdade é a liberdade interior afirmando que a civil não é, pois pode desaparecer com um ’38 ou um terremoto, ele faz uma separação cognitiva entre ser civil e consciência, como se nossa civilidade não dependesse da consciência.

Ele desconfia, com razão, do império das leis, da autoridade científica e médica, opinião do beautiful people, intelectuais e mídia, mas não é apropriado equiparar todas essas coisas. Na ciência, p.ex., algo consensual não prescinde de ampla discussão, muito maior que nos tribunais, com tempo certo de conclusão. Isto não é o mesmo que seguir tendências como faz a mídia e celebridades.

E sinceramente, por pior que sejam as relações professor e aluno elas não são causas de doenças (transtornos) psicológicas. Aí foi forçado demais. Que mantém ou pioram vícios, sim, mas isso não é algo que requeira tratamento médico ou psicológico, no mais das vezes e sim uma boa e rigorosa educação.

E discordo também que a educação como para formar “peças de engrenagem” no nosso sistema seja pior do que uma formação humana inteira. Esta visão humanística é que é doutrinadora e levou a piora da nossa qualidade de ensino. Os militares, p.ex., enfatizavam o ensino técnico no Brasil e nem por isso deixamos de ter uma boa base geral. O ensino técnico-profissionalizante não prescinde de uma boa base geral, sem a qual não teria um bom resultado. Já o ensino de visões filosóficas que deve ser uma busca individual ou particular, de ensino particular geralmente descamba para seu uso político.

Anselmo Heidrich