Em primeiro lugar, qualquer um deve adotar a dieta que quer, que achar mais conveniente, seja ela saudável ou não. Ninguém deveria ter ingerência sobre a vida dos outros ao ponto de coagir as pessoas, física ou psiquicamente a seguir o que não lhe interessa. O problema todo começa quando se usa um argumento para convencer os demais de forma impositiva. E é exatamente isto que muitos veganos fazem. Se formos discutir questões de saúde envolvidas nas diversas dietas disponíveis devemos, no mínimo, consultar literatura especializada e convenhamos, nem de longe é o propósito desta página. Mas aqui tratamos de política e liberdade. Portanto, quando um vegetariano ou, na sua versão mais radical, um vegano justifica sua rejeição por qualquer alimento a base de carne por “não querer matar animais”, ele pode estar sendo até sincero, mas na prática está mentindo para si próprio. Na seguinte matéria Vegans and vegetarians think they don’t kill animals but they do – PlayGround+ (versão traduzida aqui), o entrevistado, um ambientalista argentino chamado Claudio Bertonatti usa a lógica para desautorizar este raciocínio. Se formos nos basear somente em vegetais, áreas muito maiores para plantio deverão ser acrescentadas sobre ecossistemas diminuindo ainda mais as populações da faula local e isto sem contar os impactos que ocorrerão devido ao uso necessário de pesticidas. Portanto, o uso de alimento de origem animal em equilíbrio com os de origem vegetal permite que extensas áreas sejam co-habitadas por animais selvagens e gado. É difícil mostrar isto ao preservacionista ambiental de senso comum porque se dá muito menos atenção às espécies selvagens que às domésticas pelo simples fato de que as vemos muito menos.

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Os produtos de origem vegetal também levam à redução de habitats e população de animais, isto é, sua morte.

Se a questão passa por hábitos que geram demandas, nada mais natural que deixar que as pessoas enquanto consumidoras decidam o que é melhor para elas. Claro que se as áreas para produção de gado escassearem, isto forçará os preços da carne e os vegetais passarão a ser mais consumidos. Quanto às razões éticas de não comer carne, a questão é se os animais morrerão diretamente como gado ou, indiretamente, pela perda de área para a produção, então em nome da coerência se deve consumir aquele alimento cuja produção e morte do animal ocorreu da forma menos dolorosa possível. Se as pessoas sensíveis a isto querem mesmo alterar este quadro deveriam demandar por formas mais adequadas de produção especialmente quando compram seus alimentos. Mas simplesmente defender algo com base em sentimentos sem conseguir ver o quadro de um ponto de vista maior e racionalmente não ajudará ninguém, muito menos os animais que tanto ama.

RL